quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

 


AS MAIS LINDAS CANÇÕES QUE OUVI

 

POR CAUSA DE VOCÊ


 Tom Jobim e Dolores Duran

 

Ah, você está vendo só

Do jeito que eu fiquei e que tudo ficou.

Uma tristeza tão grande

Nas coisas mais simples que você tocou...

A nossa casa, querido,

Já estava acostumada aguardando você,

As flores na janela

Sorriam, cantavam por causa de você...

Olhe, meu bem,

Nunca mais nos deixe, por favor,

Somos a vida e o sonho,

Nós somos o amor.

Entre, meu bem, por favor,

Não deixe o mundo mau

Lhe levar outra vez,

Me abrace simplesmente

Não fale, não lembre,

Não chore, meu bem...


Clicando no link correspondente você poderá ouvir a canção na voz da intérprete de sua preferência:

Dolores Duran - https://www.youtube.com/watch?v=9p2-GmnkdAI&ab_channel=ClaudineiSampaio

Gal Costa - https://www.youtube.com/watch?v=5HQcFb1YhZ0&ab_channel=GalCostaVEVO

Nana Caymmi – https://www.youtube.com/watch?v=Z_B-pzH-rO4&ab_channel=LuizClaudioLins

 

 



 

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

 



Revista Espírita de 1867

 

Allan Kardec

 

Parte 3

 

Damos prosseguimento ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1867, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo será baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1867 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que será apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Quais as causas das doenças em geral?

B. Pode a alma de uma pessoa ficar estacionária, sem avançar como devia?

C. Como o Espiritismo define o pensamento?

 

Texto para leitura

 

27. Caso semelhante ao anterior foi noticiado pelo Spiritual Magazine, de Londres, acerca de Tom, o Cego, que esteve em Londres, onde fez enorme sucesso com seu talento musical, pois repete sem falha no piano tudo quanto lhe tocam, quer sonatas clássicas antigas, quer fantasias modernas. Kardec assevera que as reflexões feitas sobre a menina de Toulon naturalmente se aplicam a Tom, que deve ter sido um grande músico. “O que torna o fenômeno mais extraordinário – observa Kardec – é que se apresenta num negro, escravo e cego, tríplice causa que se opunha à cultura de suas aptidões nativas e a despeito da qual se manifestaram na primeira ocasião favorável.” “Tom, o escravo, nascido e aclamado na América, é um protesto vivo contra os preconceitos que ainda reinam nesse país.” (Págs. 49 a 51.)

28. Referindo-se a uma notícia publicada no Morning-Post acerca de um caso de suicídio cometido por um cão em Frinsbury, perto de Rochester, Kardec diz que não faltam exemplos de suicídio entre os animais. O cão que se deixa morrer de inanição pelo pesar de haver perdido o dono realiza um verdadeiro suicídio. O escorpião, cercado pelo fogo e vendo que não pode sair, mata-se. Esses fatos provam que o animal tem consciência de sua existência e de sua individualidade e compreende o que é a vida e a morte. Não é, pois, uma máquina nem obedece exclusivamente a um instinto cego, porque o instinto impele os seres à procura dos meios de conservação, não de sua própria destruição. (Págs. 51 e 52.)

29. A Revista publica mais uma poesia mediúnica recebida pelo Sr. Vavasseur. Intitulada Lembrança, a poesia é assinada pelo Espírito de Jean. (Págs. 52 a 55.)

30. Escrevendo sobre as doenças e suas principais causas, o Espírito de Morel Lavallée diz que a doença pode vir do corpo, do perispírito ou do próprio Espírito. [N.R. - Espírito é o nome que se dá ao conjunto alma e perispírito.] A medicação deve guardar relação com a causa da enfermidade. Se esta proceder do Espírito, não se pode empregar, para a combater, outra coisa senão uma medicação espiritual. “Para destruir uma causa mórbida – assevera o Dr. Morel – há que combatê-la em seu terreno.” (Págs. 55 e 56.)

31. Em uma comunicação intitulada A clareza, Sonnez (Espírito) afirma que no século 19 o que mais faltava era clareza. A clareza é útil em tudo e a todos; sem ela tudo marcha tateando. É por isto que, antes de aconselhar e ensinar, o espírita deve começar logo por esclarecer os menores refolhos de sua alma. A tarefa do Espiritismo é rasgar o véu sombrio dos séculos de ferro e conduzir os terrícolas à conquista das verdades prometidas. “Trabalhar com este objetivo – conclui Sonnez – é ser adepto do Menino de Belém, é ser filho de Deus, de quem emanam toda a luz e toda a clareza.” (Págs. 56 a 58.)

32. Luís de França (Espírito) reafirma a informação de que os tempos são chegados e alude, numa mensagem recebida em 8 de janeiro de 1866, à profecia bíblica pertinente à era da mediunidade, em que os velhos teriam sonhos e os filhos profetizariam. Eis alguns apontamentos extraídos da citada comunicação: I) O Espiritismo é esta difusão do Espírito divino, que vem instruir e moralizar todos os pobres deserdados da vida espiritual que esquecem que o homem não vive apenas de pão. II) Enquanto o homem negligencia cultivar o seu espírito e fica absorvido pela busca ou a posse dos bens materiais, sua alma permanece de certo modo estacionária. III) A bondade de Deus é, contudo, infinita e ultrapassa a indiferença de seus filhos. Eis por que lhes envia mensageiros divinos que vêm lembrar-lhes que Deus não os criou para a Terra, onde ficam apenas por algum tempo, a fim de que, pelo trabalho, desenvolvam as qualidades de sua alma. IV) O Espiritismo é a realização das profecias, o sinal brilhante da bondade do Pai e um novo apelo ao desprendimento da matéria, porque só ele pode proporcionar ao homem a verdadeira felicidade. (Págs. 58 e 59.)

33. O romance intitulado Mirette, escrito por Élie Sauvage, é focalizado pela Revista, que resume em poucas palavras o enredo e os personagens principais da obra. Analisando-a, Kardec diz que a obra é uma pintura da vida real, onde nada se afasta do possível e da qual o Espiritismo tudo pode aceitar. O comentário de Kardec é complementado por uma mensagem assinada pelo Espírito de Morel Lavallée, que elogia de igual forma o romance. (Págs. 59 a 64.)

34. O número de fevereiro se encerra com três notícias: I) O lançamento da coletânea de poesias mediúnicas obtidas pelo Sr. Vavasseur e reunidas sob o título de Echos Poétiques d’Outre-Tombe. II) O anúncio da publicação em fascículos da obra Nova Teoria Médico-Espírita, escrita pelo doutor Brizio, de Turim. III) O aviso do lançamento da tradução em espanhol d’ O Livro dos Médiuns, que poderia ser adquirida em Madri, Barcelona, Marselha e Paris. (N.R.: As duas últimas notícias saíram também na edição de março de 1867.) (Pág. 65.)

35. Pode a homeopatia modificar as disposições morais de uma pessoa? Antes de responder negativamente a essa pergunta, Kardec desenvolve extensas considerações sobre o assunto, das quais destacamos os pontos que se seguem: I) Certas partes do cérebro têm funções especiais e são afetadas por uma ordem particular de pensamentos e sentimentos. II) As faculdades afetivas, os sentimentos e as paixões se acham, assim, sediadas em certas partes do cérebro. III) O pensamento é um atributo do Espírito; sobrevivendo este à morte do corpo, o pensamento também lhe sobrevive. IV) Segundo o Espiritismo, o Espírito não somente sobrevive, mas preexiste ao corpo; não é um ser novo; traz ao nascer ideias, qualidades e imperfeições que já possuía. Assim se explicam as aptidões e as inclinações inatas. V) As aptidões do Espírito são, pois, causa, e o estado dos órgãos, efeito. VI) Pode acontecer, porém, que o estado dos órgãos seja modificado por outra causa estranha ao Espírito: doenças, acidentes, influência atmosférica ou climatérica. Nesses casos, os órgãos é que reagirão sobre o Espírito, não alterando as suas faculdades, mas perturbando suas manifestações. VII) Se as imperfeições são inerentes à inferioridade do Espírito, este não se modificará com a alteração sofrida por seu invólucro carnal. VIII) Os medicamentos homeopáticos têm, por sua natureza etérea, uma ação de certa forma molecular. Podem, pois, mais que outros, agir sobre certas partes elementares e fluídicas dos órgãos e modificar-lhes a constituição íntima. IX) Não podem, porém, agir sobre o ser espiritual senão por meios espirituais. A medicação é capaz de tornar o Espírito mais flexível, mais dócil e mais acessível às influências morais; mas seria uma ilusão esperar de uma medicação qualquer um resultado definitivo e durável no tocante à alma.  (Págs. 67 a 72.)

36. Finalizando o artigo, Kardec diz que seria diferente se o objetivo fosse ajudar a manifestação de uma faculdade já existente. Reajustado o organismo, o Espírito terá maiores possibilidades de ação. Obviamente, em casos assim, não é o Espírito que se aprimora com o tratamento, mas, sim, os meios de comunicação. E isso é perfeitamente possível. (Pág. 72.)

37. As ideias espíritas estão no ar! Essa foi uma das frases utilizadas por Kardec ao comentar a repercussão positiva obtida por Mirette, o romance escrito pelo Sr. Sauvage. As ideias espíritas efetivamente estavam presentes em vários livros lançados à época e também no teatro. “Os Espíritos – disse o Codificador – não se enganaram quando anunciaram que a ideia espírita viria à luz por toda a sorte de meios.” (Págs. 72 a 75.)

38. Kardec destaca da conhecida obra Robinson Crusoé três passagens em que o autor alude de modo explícito à intervenção dos Espíritos nas peripécias vividas pelo famoso personagem. As citações referidas pelo Codificador não se encontram nas edições abreviadas da obra, mas somente nas edições completas. (Págs. 76 e 77.)

 

Respostas às questões propostas

 

A. Quais as causas das doenças em geral?

Segundo o Espírito de Morel Lavallée, a causa da doença pode estar no corpo, no perispírito ou no próprio Espírito. A medicação deve guardar relação com a causa da enfermidade. Se esta proceder do Espírito, não se pode empregar, para a combater, outra coisa senão uma medicação espiritual. “Para destruir uma causa mórbida – assevera o Dr. Morel – há que combatê-la em seu terreno.” (Revista Espírita de 1867, pp. 55 e 56.)

B. Pode a alma de uma pessoa ficar estacionária, sem avançar como devia?

Sim. Em mensagem publicada na Revista, Luís de França (Espírito) diz que enquanto o homem negligencia cultivar o seu espírito, e fica absorvido pela busca ou a posse dos bens materiais, sua alma permanece de certo modo estacionária. A bondade de Deus é, contudo, infinita e ultrapassa a indiferença de seus filhos. Eis por que lhes envia mensageiros divinos que vêm lembrar-lhes que Deus não os criou para a Terra, onde ficam apenas por algum tempo, a fim de que pelo trabalho desenvolvam as qualidades de sua alma. (Obra citada, pp. 58 e 59.) 

C. Como o Espiritismo define o pensamento?

O pensamento é um atributo do Espírito. Sobrevivendo este à morte do corpo, o pensamento também lhe sobrevive. Aliás, segundo o Espiritismo, o Espírito não somente sobrevive, mas preexiste ao corpo. Não é um ser novo e traz ao nascer ideias, qualidades e imperfeições que já possuía. Assim se explicam as aptidões e as inclinações inatas. (Obra citada, pp. 67 a 72.) 

 

 

Observação:

Para acessar a 2ª Parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/11/revista-espirita-de-1867-allan-kardec_01436241291.html

 

 

 

 

 

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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

 



Espírito, antes de tudo

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

O espírito se sente mais completo e feliz quando está em harmonia com a essência universal. A vivência ganha sentido, alegria, esperança; há mais coerência para viver como realmente se deve, como espíritos eternos. Se estamos, assim, harmonizados, os fatores materiais também são mais valorizados e ainda necessitados , porém se estamos isentos do alimento para a nossa essência, nem a maior riqueza material trará ínfima alegria nos dias.

O céu, o pôr do sol e o amanhecer, as nuvens, a lua, se o espiritual não for priorizado, nem uma dessas observações nem um milhão de outras serão percebidas, tampouco admiradas. O espírito anseia pela simplicidade, primeiro nome da nobreza, pois as atitudes simples carregam os mais elevados sentimentos. E esse nobre comportamento se dá em hierarquias sociais e culturais, indistintamente, é sempre o estágio espiritual que determinará o seu desenvolvimento.

Pode-se encontrar um homem ignorante dos conhecimentos materiais e científicos, no entanto pode já possuir uma luz que se propaga a encantadoras distâncias. Pode-se ainda um homem com toda bela criação terrena, mas não ser capaz de amparar nem mesmo uma plantinha ou animalzinho. Alimentar o corpo com energia benéfica e material e nutrir o espírito com toda energia transcendente espiritual é a adequada sabedoria que cria o progresso.

O crescimento ocorre quando o alimento é apropriado; não se alimenta um bebê com comida de adulto nem um jovem com papinhas de bebê; não se ensina num curso de graduação um conteúdo irrisório e descontextualizado; não se criam, em qualquer tempo, mensagens sérias sobre como viver de maneira coerente, porque o Evangelho já traz as leis universais e morais que transcendem tempo e espaço. Ou seja, para tudo há uma sábia referência.

Como seres espirituais antes de qualquer outra denominação , necessitamos dos nutrientes para o fortalecimento e desenvolvimento de nosso espírito. E à medida que mais o fortalecemos, mais o verdadeiro sentido da vida incorpora em nós.

E todos os simples e belos acontecimentos serão percebidos; o nosso olhar será mais otimista e iluminado; o nosso coração, feliz e não mais ansioso , sentirá o pulsar da vida universal; e nós, naturalmente, estaremos mais próximos de Deus.

Primeiro, o mundo espiritual, e tudo mais nos será acrescentado.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 


 

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

 



A escolha do Senhor

 

Irmão X (Espírito)

 

Conta-se que alguns apóstolos do bem tanto se ergueram na virtude que, pela extrema sublimação de suas almas, conseguiram atingir o limiar do Santuário Resplendente do Cristo.

Voltariam ao mundo, no prosseguimento da obra de amor em que se entrosavam, no entanto, convocados pelos poderes angélicos, poderiam excursionar felizes pelas vizinhanças do Lar Divino.

Bem-aventurados pela glória e pela bondade, constituíam provisoriamente no Céu toda uma assembleia de beleza e sabedoria.

Missionários ocidentais ostentavam dalmáticas imponentes, lembrando as instituições religiosas a que haviam pertencido, enquanto que os santos do Oriente exibiam túnicas liriais. Veneráveis sacerdotes das igrejas católicas e protestantes confundiam-se com patriarcas judeus e budistas. Admiráveis seguidores de Confúcio e insignes devotos de Maomé entendiam-se uns com os outros.

Muito acima das interpretações humanas, tendentes à discórdia, alcançavam, enfim, a suprema união na esfera dos princípios.

Exornava-se cada um com a mensagem simbólica dos templos que haviam representado. Anéis, cruzes, báculos, auréolas, colares, medalhas e outras insígnias preciosas destacavam-se do linho e da púrpura, da seda e do ouro, faiscando ao sol em que se banhavam.

Entretanto, um deles destoava do brilhante conjunto.

Era um antigo servidor do deserto que não se filiara a igreja alguma. Ibraim Al-Mandeb fora apenas devotado irmão dos infelizes que vagueavam nas planícies arenosas da Arábia. Não possuía qualquer sinal que o recomendasse ao respeito e à consideração. Trazia os pés descalços, em chaga e pó. Na veste rota, mostrava as manchas sanguinolentas das crianças feridas que havia conchegado de encontro ao peito. As mãos magras e hirsutas pareciam forradas em couro de camelo, tão calejadas se achavam no rude trabalho de assistência aos viajantes perdidos. Os cabelos grisalhos e imundos falavam de longas peregrinações sob a tempestade, e o rosto enrugado e rijo era a pesada moldura de dois olhos belos e lúcidos, mas encovados e tristes, guardando pavorosas visões das dores alheias que ele havia socorrido, abnegado e atento.

Isolado no festim, o ancião notou que dois anjos examinavam a assembleia, fazendo anotações num pergaminho celestial.

Depois de analisarem todos os circunstantes, um por um, abeiraram-se dele, estranhando-lhe a desagradável presença.

— Amigo — interrogou um dos emissários —, a que igreja pertenceste na Terra?

— Para que a pergunta? — inquiriu o forasteiro com humildade.

— O Senhor deseja entender-se com um dos visitantes do Lar Divino e estamos relacionando, por ordem, os nomes daqueles que mais profundamente o amaram no mundo…

— Não se preocupem então comigo! — clamou o anônimo beduíno. — Nunca pude consagrar-me ao culto do Senhor e sinceramente ignoro por que razão fui guindado até aqui, quando não posso ter lugar entre os eleitos da fé.

— Que fizeste entre os homens?

— Que o Senhor me perdoe a ingratidão e a dureza — suspirou o velhinho —, mas o sofrimento de meus irmãos não me deu oportunidade de pensar nele… Nunca pude refletir na sublimidade do Paraíso, porque o deserto estava cheio de aflição e lágrimas!…

Vendo que o estranho peregrino prorrompera em pranto, o anjo que se mantivera silencioso opinou, compreensivo:

— Em verdade, não podemos situar-te na relação dos que amaram o Benfeitor Eterno, mas colocaremos teu nome no pergaminho, como alguém que amou imensamente os semelhantes.

O ancião, mergulhando a cabeça nas mãos ossudas, soluçou reconhecido, enquanto os companheiros presentes comentavam o estranho procedimento daquele que fizera bem sem se lembrar sequer da existência de Deus. Contudo, depois de longos minutos de expectação, vasto grupo de mensageiros divinos penetrou o átrio engalanado de flores, em cânticos de júbilo, trazendo larga faixa com um nome grafado em caracteres de luz.

Era o nome do velho Ibraim Al-Mandeb. Pretendia o Senhor conversar com ele.

 

 

Do livro Contos e apólogos, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

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domingo, 1 de dezembro de 2024

 



Opor obstáculos à volta de um Espírito a um corpo de carne é um equívoco

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Há países cuja legislação autoriza que o governo exerça um controle de natalidade rigoroso. Em face da lei natural, essa prática gera algum comprometimento espiritual? E para as famílias que moram nesses países, a medida ocasiona algum prejuízo de natureza espiritual?

A questão é complexa e é difícil afirmar quais são as consequências espirituais de políticas desse nível, geralmente ligadas a razões econômicas ou políticas.

Mas, se o chamado Planejamento Familiar é algo compreensível e perfeitamente aceito pelos instrutores espirituais, o mesmo não se pode dizer do Controle de Natalidade.

Com referência do Planejamento Familiar, Joanna de Ângelis legou-nos no seu livro Após a Tempestade, cap. 10, psicografado pelo médium Divaldo Franco, um texto que vale a pena ser lido e meditado.

O homem – assevera Joanna – pode e deve programar a família que deseja e lhe convém ter, o número de filhos que considere ideal, bem como o período propício para a maternidade; contudo jamais se eximirá aos imperiosos resgates a que faz jus, tendo em vista o seu próprio passado.

O principal motivo é que os filhos não são realizações fortuitas. Procedem de compromissos aceitos antes da reencarnação pelos futuros genitores, de modo a edificarem a família de que necessitam para a própria evolução.

É, pois, lícito aos casais adiar a recepção de Espíritos que lhes são vinculados, impossibilitando mesmo que reencarnem por seu intermédio. As Soberanas Leis da Vida dispõem, porém, de meios para fazer que aqueles rejeitados venham por outros processos à porta dos seus devedores ou credores, em circunstâncias talvez mui dolorosas, complicadas pela irresponsabilidade dos cônjuges que ajam com leviandade, em flagrante desconsideração aos códigos divinos.

Sobre o Controle da Natalidade, vale a pena recordar a resposta dada pelos Instrutores Espirituais à seguinte pergunta formulada por Allan Kardec: “São contrários à lei da Natureza as leis e os costumes humanos que têm por fim ou por efeito criar obstáculos à reprodução?”.

Responderam os imortais: “Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral” (O Livro dos Espíritos, questão 693).

Na obra Entrevistas, pergunta 102, escreveu Emmanuel: “Não acreditamos que a coletividade humana esteja, por enquanto, habilitada espiritualmente a controlar o renascimento na Terra sem prejudicar seriamente o desenvolvimento da lei de provas purificadoras”.  

Em face das considerações acima, tão claras em suas premissas, seria melhor que ninguém – nem os casais, nem os governantes – opusesse obstáculos à volta dos Espíritos a um corpo de carne, pois o espírita não ignora a importância do processo reencarnatório no progresso dos Espíritos e do próprio mundo em que vivemos.

O Controle de Natalidade impõe, obviamente, sério entrave às pessoas por ele atingidas e constitui um ponto negativo na vida de todos aqueles que forem responsáveis por sua adoção, sujeitando-os a sanções que muito lamentarão no futuro. E a mesma observação podemos fazer a respeito das pessoas que, mesmo não tendo filho algum, têm buscado o recurso da laqueadura com o objetivo claro de evitar a gravidez, sem indicações médicas que justifiquem tal medida.

 

 

 

 

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