quarta-feira, 22 de julho de 2015

Pílulas gramaticais (162)


O uso da crase oferece, para muitas pessoas, uma dificuldade que é, contudo, típica da linguagem escrita.
Lembremos o que nos ensina a Gramática.
Crase indica a fusão de duas letras “a”.
A primeira letra é sempre uma preposição (a); a segunda é geralmente um artigo definido (a), mas pode ser também um pronome demonstrativo iniciado pela letra a (aquela, aquele, aquilo etc.).
Exemplos:
- Neste verão voltaremos à (preposição a + artigo a) cidade em que nascemos.
- O processo voltou à (prep. a + art. a) situação inicial.
- Não me refiro àquele (prep. a + pronome demonstrativo aquele) homem.
Não cabe, pois, crase antes de palavra masculina ou de verbo:
- Vamos a pé.
- Andei muito a cavalo.
- Saí a pescar.
- João voltou a fumar.

*

Deve-se usar a crase também nestes casos:
1) na indicação de horas quando estas são determinadas: O avião chegará às 17 horas. Estarei lá às 14 horas.
2) em determinadas locuções: às vezes, à risca, à noite, à direita, à custa de, às pressas, à espera etc.
3) nas locuções que indicam instrumento ou meio: à faca, à máquina, à bala, à vista, à toa, à tinta etc.
4) antes dos pronomes relativos “que”, “qual” e “quais”, na referência a pessoas ou palavras femininas: Eis a atriz à qual me referi. Esta casa é semelhante à que vimos no filme. Não gostaria de enfrentar situações iguais às que deparei no passado.
Dada a complexidade do assunto, voltaremos a ele em nossas próximas edições.


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terça-feira, 21 de julho de 2015

Um Planeta azul em alerta


CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@hotmail.com
De Londrina-PR

Quando se conhece o que é bom, o coração não quer mais deixar de vivê-lo. Quando o corpo também experimenta a comida saudável, a água boa que mata a sede, o calor que aquece, o teto que protege, a energia que traz a luz para inúmeros benefícios, ele não quer mais deixar de usufruir esses bem-vindos adaptadores da vida em progresso.
Mas para continuar a desfrutá-los é imprescindível a consciência de que isso tudo é finito, prejuízo ainda maior se for conduzido com egoísmo e não com sabedoria. Sinto tanto em observar que há pessoas preocupadas, exclusivamente, consigo e não compreendem e sequer percebem que são parte do universo e desse Planeta tão rico e provedor de oportunidades para todas as centelhas que aqui estão e para as que virão.
Somos extensão de tudo isso. Somos responsáveis por isso tudo. Estamos, indistintamente, comprometidos com o globo azul e com toda a energia pertencente a ele.
Os prados e campinas; as cachoeiras; as flores; as árvores e toda vegetação; os animais; o ar; a terra; a água que é vida; as mais lindas paisagens; as crianças... somos tão responsáveis. As transformações naturais são inerentes, ou seja, precisam acontecer, mas as mudanças desequilibradas, egoístas, resultantes da discórdia e descomedimento humanos, ah... como isso é terrivelmente triste e terminantemente inapropriado.
Um Planeta tão formoso, criado por Deus, para ser território de melhoramento para almas tão necessitadas de oportunidades, um lugar desenvolvido perfeitamente em detalhes inimagináveis e formas nunca antes vistas e exclusivas, sem dúvida, maravilhoso presente de Pai para seus filhos. E o que esses filhos estão fazendo? E o que esses filhos podem fazer?
Esses filhos estão agindo como se fossem únicos e a lei do mais forte prepondera sobre os mais fracos. As barbáries são incompreensíveis contra quem nos mantém com vida: a natureza. As árvores choram a dor de sua dizimação; a água, líquido vital para todos nós, sente a tristeza da poluição e ganância humanas e se transforma em cristais tristes, opacos e com tanto medo. Precisamos, incansavelmente, nos lembrar de que a natureza sobrevive sem nós, porém, nós, sequer, aqui, existimos sem ela.
Mas esses filhos também muito podem consertar e, pelo menos, começar a amenizar a dor causada ao Planeta, refletida, inteiramente, em nós, seres pensantes. Todo bem precisa ser preservado e cuidado; dedicados, a ele, o respeito e o carinho. E o ser humano é tão capaz de bons atos, é tão hábil em atitudes benfazejas e criativas, mas ele precisa entender o real motivo de sua estada, antes de tudo, ele necessita se ver como espírito que é, por enquanto, na matéria. Ele é espírito e está matéria.
Cada um possui um universo para administrar, a própria vida. E se cada um se empenhar na boa administração desse universo, quanto benefício acontecerá. Aguardar que o outro dê o primeiro passo é prender-se à margem do abismo. O passo para o progresso é exclusivamente individual e o exemplo abrange o coletivo.
Então, que as pequenas boas ações já se iniciem em nossa própria casa, nos braços de nossa família, com sua contagiante energia e se irradie a muitos outros lares invadindo cidades, países, continentes.
Lembremo-nos, constantemente, de que somos os primeiros atingidos por toda nossa ação realizada, mas com a notável diferença de que podemos ser beneficiados ou tristemente prejudicados.

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

As mais lindas canções que ouvi (147)



Chora tua tristeza

Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini


Chora que a tristeza foge do teu olhar,
Brincando de esquecer,
Saudade vai passar
E amor já vai chegar
Então...
Canta que a beleza volta pra te encantar,
Num sonho tão pequeno que o dia escondeu,
Guardando pra te dar.

Como é bonito gostar e querer ficar
Com alguém pra quem possa dizer:
- Olha quantas estrelas nascem pra te encontrar,
Depois do céu azul a noite vai chegar
E eu pra te amar
E eu pra te amar...

Como é bonito gostar e querer ficar
Com alguém pra quem possa dizer:
- Olha quantas estrelas nascem pra te encontrar,
Depois do céu azul a noite vai chegar
E eu pra te amar
E eu pra te amar...


Você pode ouvir a canção acima na voz dos intérpretes abaixo, clicando nos respectivos links:
Cris Delanno e Oscar Castro Neves - https://www.youtube.com/watch?v=zLf9M2qfOR4



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domingo, 19 de julho de 2015

O acaso não existe; a vida é causal, não casual



Toda vez que se registra algo inusitado, imprevisível, inesperado, costumamos atribuí-lo ao chamado acaso, um tema que já analisamos em diversas oportunidades.
Fizeram a Emmanuel a seguinte pergunta: – O “acaso” deve entrar nas cogitações da vida de um espiritista cristão?
Emmanuel respondeu:

“O acaso, propriamente considerado, não pode entrar nas cogitações do sincero discípulo da verdade evangélica. No capítulo do trabalho e do sofrimento, a sua alma esclarecida conhece a necessidade da própria redenção, com vistas ao passado delituoso e, no que se refere aos desvios e erros do presente, melhor que ninguém, a sua consciência deve saber da intervenção indébita levada a efeito sobre a lei de amor, estabelecida por Deus, cumprindo-lhe aguardar, conscientemente, sem qualquer noção de acaso, os resgates e reparações dolorosas do futuro”. (O Consolador, obra psicografada pelo médium Chico Xavier, pergunta 186.)

Lemos no livro Conduta Espírita, de André Luiz, estas duas recomendações:

“Usar com prudência ou substituir toda expressão verbal que indique costumes, práticas, ideias políticas, sociais ou religiosas, contrárias ao pensamento espírita, quais sejam sorte, acaso, sobrenatural, milagre e outras, preferindo-se, em qualquer circunstância, o uso da terminologia doutrinária pura.” (Conduta Espírita, obra psicografada pelo médium Waldo Vieira, capítulo 13.)

“Libertar-se das cadeias mentais oriundas do uso de talismãs e votos, pactos e apostas, artifícios e jogos de qualquer natureza, enganosos e prescindíveis. O espírita está informado de que o acaso não existe.” (Obra citada, cap. 18.)

O escritor J. Herculano Pires, na obra Na Era do Espírito, escrita em parceria com Chico Xavier e Espíritos diversos, anotou:

“Os familiares desagradáveis são hoje o que deles fizemos ontem. Nada acontece por acaso, sem razão, em nossas vidas.” (Na Era do Espírito, cap. 2.)

“Nada acontece por acaso. Tudo resulta da lei de causa e efeito. E todo efeito tem um sentido: o da evolução. Todos somos Espíritos faltosos e sofremos as provas que pedimos antes de encarnar. Temos dívidas coletivas a resgatar. Mas além do resgate espera-nos a liberdade, a paz, o progresso.” (Obra citada, cap. 3.)

Os fatos que nos cercam, as provações que nos acometem, os sucessos e os insucessos da vida, nada disso deve ser atribuído ao acaso, à sorte ou ao azar, porque tais coisas são fruto da chamada lei de causa e efeito, que é retratada no caso Letil, narrado por Kardec no cap. VIII da 2ª Parte do livro Céu e Inferno, que adiante resumimos.
Letil foi um industrial que residia nos arredores de Paris e teve, em abril de 1864, uma morte horrível: incendiou-se uma caldeira de verniz fervente e ele, num piscar de olhos, foi atingido pela matéria candente. Letil, embora vendo que estava perdido, ainda teve ânimo de caminhar até o seu domicílio, à distância de mais de 300 metros. Quando lhe prestaram os primeiros socorros, suas carnes dilaceradas caíam aos pedaços, desnudando os ossos de uma parte do corpo e da face. Ainda assim, sobreviveu por doze horas, em meio a cruciantes sofrimentos, conservando, porém, até o fim perfeita lucidez.
Devidamente assistido no mundo espiritual, Letil narrou na Sociedade Espírita de Paris como ocorreu a sua desencarnação e a causa de sua expiação. “Vai para dois séculos – disse ele – mandei queimar uma rapariga, inocente como se pode ser na sua idade – 12 a 14 anos. Qual a acusação que lhe pesava? A cumplicidade em uma conspiração contra a política clerical. Eu era então italiano e juiz inquisidor; como os algozes não ousassem tocar o corpo da pobre criança, fui eu mesmo o juiz e o carrasco.”
Dirigindo-se a todos os que deploram o esquecimento das vidas passadas, Letil exclamou:

“Oh! vós, adeptos da nova doutrina, que frequentemente dizeis não poder evitar os males pela insciência do passado! Oh! irmãos meus! bendizei antes o Pai, porque, se essa lembrança vos acompanhasse à Terra, não mais haveria aí repouso em vossos corações.” E acrescentou: “Como poderíeis vós, constantemente assediados pela vergonha, pelo remorso, fruir um só momento de paz? O esquecimento aí é um benefício, porque a lembrança aqui é uma tortura.” (Céu e Inferno, 2ª Parte, cap. VIII, Letil.)


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sábado, 18 de julho de 2015

Convite à perfeição



JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Amigo leitor, não me interessa se és espírita, evangélico, católico, budista, umbandista, ateu... Embora me dirija, inicialmente, a este último, o endereço é para todos nós. Peço-te, portanto, a atenção para meu recado abaixo no poema intitulado:

Sê perfeito:

Eu compreendo tua posição:
Jamais tiveste uma religião.

Entanto, mesmo assim, tu és feliz,
Pois isso mesmo é o que tua turma diz.

Mas eu te peço: apologia, não,
Não faças isso com o teu irmão...

Nem tentes procurar cada manhã
Alguma forma de aviltar tua irmã.

O livre-arbítrio jamais pode ser
Instrumento de abuso do poder.

Não aviltes o sexo nas escolas,
Socorre os pobres órfãos com esmolas.

Respeito à tradição familiar
É hábito saudável, milenar,

Que contribui com a sociedade
Por dar um norte à nossa mocidade;

Que trata a tradição do casamento
No são respeito ao sexo e ao sentimento;

Que faz do lar o apoio à sociedade
Na formação da personalidade.

Respeita os que não pensam como pensas,
O bem é sempre o bem, haja ou não crenças.

Tenho buscado na visão etérea
Explicação de tua chã matéria

E só encontro na cega paixão
E na descrença a desinformação.

Não crês em Deus, mas tens na consciência
A Voz que acusa tua imprevidência.

Não crês em Deus, mas a justiça humana
É instrumento da Lei Soberana.

E cedo ou tarde ela te alcançará
E nunca mais ela te largará.

Moisés foi mensageiro do Deus justo,
Mas Cristo foi Seu Enviado Augusto

Que deixou claro que a humildade e o amor
São as marcas dos servos do Senhor.

Para tudo ficar iluminado,
Abre teus olhos e fica calado...

Ah! basta-te fazer o bem somente
E serás imortal e transcendente!

Sei que desejas a felicidade;
Somente amando serás de verdade...

Mas não confundas amor e paixão,
Amar é exercitar a compaixão.

No Espiritismo encontra-se a Verdade
E a salvação está na Caridade.

E caridade é ser benevolente,
Ser com defeito alheio indulgente.

Ser caridoso é perdoar o mal,
Ter equilíbrio, não ser passional...

Só não devemos é ser coniventes...
Porém amemos tanto ateus ou crentes.

Mas, meu irmão, não faças do teu ser
Laboratório vil do padecer.

Mas, minha irmã jamais faças sofrer,
Por atos levianos, outro ser,

Pois é da lei da ação e reação
Que todo nosso ato, mal ou bom,

Trará, por consequência, seu efeito:
Previsto em Lei Divina: Sê perfeito!





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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pílulas gramaticais (161)


Há certas expressões em nosso idioma que são invariáveis, quando usadas em sentido geral, não individualizado. Tal é o caso de “é bom” e “é ótimo”.
Veja os exemplos:
•    Natação é bom para jovens e idosos.
•    Vitamina é ótimo para as crianças.
•    Legumes e frutas é bom para a saúde.
•    Água é ótimo para evitar a desidratação.
•    Ler, estudar, jogar xadrez é ótimo para o cérebro.
Se, porém, antecedido de um artigo ou de um pronome, o sujeito da oração ficar determinado, as referidas expressões serão variáveis.
Eis os exemplos:
•    A natação é boa para jovens e idosos.
•    A vitamina é ótima para as crianças.
•    Os legumes e as frutas são ótimos para a saúde.
•    A água é ótima para evitar a desidratação.
•    A prática de ler, estudar, jogar xadrez é boa para o cérebro.

*

Manicuro é o nome correto que se dá ao indivíduo do sexo masculino que se dedica ao tratamento das mãos ou das unhas das mãos. O dicionário Aurélio admite, para o feminino, duas formas: manicure e manicura. Ambas são, portanto, corretas.
No tocante à palavra manicure, o VOLP vigente considera-a comum aos dois gêneros. Em face disso, podemos dizer: João é manicure. Maria é manicure. Ambos são manicures. Confira: http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario?sid=23



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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Pérolas literárias (107)


Sublimação

Auta de Souza


Deus te abençoe o coração bondoso,
A mão que movimentas sem fadiga,
A palavra tranquila, terna e amiga,
O verbo que não clama inamistoso.

Jesus te siga os passos, alma antiga,
No trajeto sincero e dadivoso,
Abençoando o teu olhar radioso,
Que jamais desconcerta ou desabriga.

Multiplica os teus dias de bondade,
Na mansidão que flui da caridade
Para os tempos da Paz, rumo ao porvir...

E escutarás, na lira do infinito,
A canção que se espraia do Irrestrito
Ensinando a grandeza de servir.


Soneto psicografado em 21 de novembro de 1977 em Juiz de Fora (MG) pelo médium Gilberto Campista Guarino. Auta de Souza, autora do soneto, nasceu no Rio Grande do Norte em 1876 e lá mesmo faleceu aos 25 anos, em 1901.  


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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Arthur Bernardes visto por uma de suas netas


Faz apenas três dias que nosso irmão Arthur Bernardes de Oliveira retornou à pátria espiritual e, no entanto, contam-se às centenas as manifestações que recebemos sobre ele, seja nas redes sociais, seja por e-mails. (Vê-se ao lado uma das últimas fotos de Arthur ao lado da esposa Elizabeth e da família do filho Ronaldo.)
Que Arthur era querido e admirado por todos, eis algo que todos sabíamos.
Seu jeito carinhoso de falar com as pessoas, a atenção que dava a todos que dele se aproximavam, a inteligência fulgurante, o talento extraordinário para inúmeras coisas da vida – também nada disso ignorávamos.
Nesse sentido, foi ele um excepcional professor de Português e de Matemática; ótimo ator teatral; palestrante espírita admirado; autor de textos primorosos, como os que publicou no jornal “A Tribuna” e os que redigiu dentro da técnica do humor, como mostram os diversos esquetes e quadros apresentados no programa “Rua da Confusão”; e, para completar o conjunto dos talentos, um jogador de futebol de enormes recursos que, caso tivesse surgido na época em que vivemos, se destacaria em qualquer um dos nossos grandes clubes.
Como nos disse Walter Ramos, que com ele trabalhou na Secretaria da Receita Federal em Brasília, em mensagem que recebemos por e-mail, “Artur sempre foi grande em tudo que empreendia. Grande capacidade intelectual, produtivo, objetivo e um líder excepcional”.
É verdade! Não existe exagero algum em nada disso.
Grande na inteligência, Arthur foi também enorme nas coisas do coração, como sua neta Marcela (foto ao lado) registrou em uma linda mensagem que reproduzimos em seguida:

“Olha, falar de avô e de avó pra todo mundo sempre teve um gostinho especial... A gente admira os avós pela generosidade, pela sabedoria, pela fé e pelo carinho que eles têm por tudo que fazem. A gente espera um dia ter o mesmo cuidado, a mesma paciência, o mesmo carisma e a mesma boa vontade. A gente quer chegar aos 80 e se orgulhar de tudo que passou e quer ter a sensação de que tudo valeu a pena, assim como eles devem ter. A gente quer contar os casos dos nossos filhos e netos com o mesmo saudosismo que eles, quer ter umas manias, digamos que peculiares, assim como eles, e quer ter amigos tão bons, fiéis e duradouros, como os deles. A gente quer ter o mesmo prazer que eles com os almoços de sábado ou de domingo e quer preparar com toda a expectativa o próximo Natal. A gente quer ter uma agendinha com os aniversários da família inteira e entregar um envelopinho que deixa todo mundo que recebe feliz... A gente quer tudo isso porque chega uma hora que a gente reconhece que ter avô é um presente de Deus na vida de cada um e eu fui abençoada pela oportunidade de receber um amor tão puro de cada um deles, cada qual a sua maneira. Sabe, a gente reconhece um pouquinho deles na gente, seja no falar alto, seja na religião, seja na novela das 6, seja na palavra cruzada e quando a gente se dá conta disso, a gente fica tão feliz... A gente quer mesmo é que eles sejam eternos, mas um dia a gente percebe que eles estão é eternizados no coração de cada um que teve o prazer de conhecer o tamanho da sua grandiosidade...
Vai com Deus, vô! Não teve uma pessoa que tenha te conhecido e não tenha te admirado! Tenho muito orgulho de ter sido sua neta e aprendido um pouquinho do amor que você sempre teve a vida. Obrigada, vô, obrigada pela oportunidade.”



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terça-feira, 14 de julho de 2015

Cada alma, sua vida



CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@hotmail.com
De Londrina-PR

Toda vida merece respeito, toda vida vale a pena.
Quantas pessoas maldizem a vida que têm; quantas pessoas desejam a vida alheia; quantas pessoas em nem um momento são capazes de reconhecer que, só pelo motivo de estarem humanas aqui no Planeta, já é incomparável oportunidade na história da própria existência.
Quando muito se critica e se cobiça, pouco tempo e reconhecimento sobram para constatar que, mesmo em meio a dificuldades e contratempos, maior ainda é este presente: a vida.
Os outros corações também possuem as tristezas, as decepções, as controvérsias, os infortúnios, mas as alegrias, as conquistas, as boas companhias, as oportunas realizações também são vivenciadas. Tudo existe, tudo é resultado das ações.
E a luz passa a iluminar a estrada à medida que o reconhecimento surge, a tolerância se fortalece e o recomeço se instaura. Quando o nosso olhar se concentra mais no horizonte da própria caminhada, ele pode observar os pássaros a voar, as flores a enfeitar e perfumar, o céu, a lua, as estrelas, ele pode sentir a brisa e apreciar o dia.
Não se deve fugir do que realmente se tem, isso é pura ilusão, mas muito se pode melhorar, esta é a mais sábia decisão. A fuga, seja de qual maneira for, é somente energia despendida sem nada conquistar, ou melhor, podem-se, sim, conquistar novos débitos na trilha da ilusão desmedida.
Para um corpo débil, há o tratamento adequado; para uma alma infeliz, o refazimento da conduta. Quando se muda a roupa, o corpo continua o mesmo. É o que ocorre quando se deseja a vida alheia. A essência é a mesma e é ela que deve ser recriada, reestruturada, reequilibrada, refeita com o novo olhar reconhecedor de suas deficiências, e não com o coração fugidio de suas imperfeições.
Não há outro meio de progresso a não ser querer viver a própria vida, essa é a verdade.
Então, no momento em que isso acontecer, tanto mais será acrescentado. Não serão dias fáceis, nem somente esplêndidas noites, porém, será a retomada do florescimento para a alma que estará trabalhando em favor de si mesma.
E após a compreensão, essa centelha perceberá que a sua vida é tão importante, primorosa e intransferível, pois o primeiro passo para a felicidade é querer ser quem realmente é. E assentirá que como é extraordinário viver a vida e ter a eternidade para se aprimorar.
Uma alma: um universo completo a se desvendar e ser feliz.

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segunda-feira, 13 de julho de 2015

O retorno de Arthur Bernardes à pátria espiritual



Quase 48 horas depois de ser levado a um coma induzido, após uma cirurgia a que se submeteu na sexta-feira, faleceu ontem à noite em Juiz de Fora nosso querido irmão Arthur Bernardes de Oliveira.
Nascido em julho de 1931, ele faria dentro de poucos dias 84 anos.
Arthur foi o terceiro filho que Anita Borela e Astolfo Olegário tiveram em sua derradeira existência. Antes dele, nasceram Lila e Amaury; depois dele, Edna, Marly, Ayres, Anita, Eunice, Icléa, este que registra estas notas e Ali.
O leitor há de compreender como nos é difícil escrever sobre a desencarnação de uma pessoa tão querida... É como tentar enumerar os amigos que nos ajudaram na caminhada e correr o risco de esquecer um nome.
Além de irmão muito próximo, Arthur foi também nosso professor, tanto na Casa Espírita como no colégio em que cursamos o ginasial e o ensino secundário, como eram chamados na época os ensinos fundamental e médio.
Foi dele que adquirimos o gosto pela Língua Portuguesa, da qual foi um excepcional professor. E dele também foi que recebemos, como presente de aniversário, aos 16 anos, um exemplar do “Nosso Lar”, conhecido livro de autoria de André Luiz, psicografado por Chico Xavier. Foi esse o primeiro livro espírita que ganhei e li.
Vencida a fase em que ambos residimos em Astolfo Dutra (MG), fomos colegas em um mesmo concurso que nos levou a ingressar na Secretaria da Receita Federal, na qual seguimos caminhos bem parecidos. Na mesma ocasião em que ele foi Delegado da Receita Federal em Juiz de Fora, exercemos também função idêntica em Curitiba. Pouco tempo depois, Ayres e Amaury exerceram a mesma função em Goiânia e Curitiba, respectivamente.
Quando nos reuníamos, o que ocorria com certa frequência nas festas de família e nas Semanas Espíritas de Astolfo Dutra, assunto era que não faltava. Espiritismo, problemas de família, Receita Federal, futebol, música, eis temas que nos interessavam a todos, o que indica que os dias eram muito curtos quando estávamos reunidos – e nem falamos dos jogos de cartas, em que a miquilina era a preferência geral. (Para o leitor poder entender que jogo é esse, clique em https://pt.wikipedia.org/wiki/Copas_(jogo_de_cartas) e verá que há para ele diversas variações.)
Os anos rolaram e, em 2007, Arthur fez-se também presente quando, ao fundarmos a revista O Consolador, ele se engajou com todo o entusiasmo no projeto da revista como um dos articulistas e membro ativo do Conselho Editorial.
De sua participação na revista resultou um livro importante – “Reflexões à luz do Consolador” (capa ao lado), que publicamos pela EVOC no dia 27 de março deste ano. Do prefácio que ele escreveu extraímos este trecho: 

“O que se vai ler a seguir são lembranças que deixei fixadas para, quando eu não mais estiver aqui, meus filhos, netos e amigos possam recordar o pai, o avô, o amigo, viajando com ele pelos caminhos que ele percorreu, colhendo amigos e testemunhando fatos que não podem ficar esquecidos das pessoas.
Há nestas páginas lembranças e saudade de pessoas com quem aprendi muita coisa e fatos de importância no estudo da fenomenologia mediúnica.
Não foram escritas com o objetivo de se transformarem, um dia, em livro.
Foram apenas minha modesta colaboração à revista eletrônica O Consolador, de cuja fundação tivemos a ventura de participar e que hoje está presente em todos os continentes do planeta, atendendo à ânsia de aprender dos brasileiros que buscaram trabalho lá fora, mas que continuam com o coração cada vez mais vinculado à sua pátria.
Ficarei muito agradecido a Deus e à vida se essas páginas puderem levar um pouco de entretenimento a quem se dispuser a lê-las.”

Enviamos daqui a nossa saudação e o nosso abraço aos filhos, às noras, aos netos e às netas do Arthur e, de modo especial, à Elizabeth, a querida companheira a quem ele dedicou um livro inesquecível – “Uma estrela em forma de flor” (capa ao lado) –, que tivemos a grata satisfação de publicar, livro esse que nos permitirá relembrar, sempre que desejarmos, peripécias importantes da vida de uma criatura excepcional.
Como sempre temos dito e escrito, ninguém morre. O que morre é o corpo físico, não a alma, pois que essa, por ser imortal, viverá para sempre.
Arthur Bernardes apenas mudou de endereço e – podem todos ter certeza – está reunido novamente com pessoas que ele ama e que igualmente o amam muito, como todos nós o amamos.
Que o leitor nos perdoe, mas não conseguimos por ora escrever mais nada, exceto deixar aqui, como lembrança, um vídeo de parte da última palestra que Arthur proferiu  no dia 15 de outubro de 2014 no Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora, na qual ele tece valiosas considerações acerca do que é a vida e qual é o nosso compromisso perante ela. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=-3u9iKka0K0


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domingo, 12 de julho de 2015

Reflexões espíritas




Respeitar a fé do outro é próprio das pessoas de bem

Há quem diga:
- Não creio em Deus.
- Não acredito em Espíritos.
- Não creio em mundo espiritual.
- Não acredito em reencarnação.
As pessoas têm todo o direito de pensar assim, porque – sabemos muito bem – a fé é algo individual que não se transmite nem se pode impor a quem quer que seja.
O que não assiste a ninguém é o direito de recriminar a crença ou a fé alheia, porque todas as pessoas são livres para aderir ou não a essa ou àquela religião, por mais absurda que seja. A liberdade de culto é, ademais, um direito consagrado na Constituição federal.
Vimos algum tempo atrás, em um mesmo dia, dentro do capítulo da fé, dois fatos que nos chamaram a atenção. O primeiro foi a manifestação de um leitor de um conhecido periódico que, declarando-se ateu, valeu-se do ensejo para criticar de forma áspera as pessoas que acreditam em Deus – para ele, um ser inexistente –, ao qual, segundo disse, elas se apegam à menor dificuldade.
O outro fato, de natureza diametralmente oposta, foi-nos mostrado pela TV, quando uma jovem, ao ver rompido em definitivo o sonho do próprio casamento, conseguiu equilibrar-se e pôr fim à sua imensa dor valendo-se de um dos salmos de Davi. Referimo-nos ao conhecido Salmo 23, assim expresso:

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias. (Salmos 23:1-6.)

Escrito numa época bem anterior ao advento de Jesus, impressionam-nos a beleza e a profundidade desse salmo e o bem que ele transmite quando pronunciado por uma alma fervorosa.
Esse singelo episódio comprova como é importante respeitar as convicções alheias, sobretudo porque essa é uma das qualidades do Homem de Bem, conforme Allan Kardec assinalou em um conhecido texto que integra o capítulo XVII d´ O Evangelho segundo o Espiritismo, adiante parcialmente reproduzido:

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.
Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.
Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.
Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.
É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado".
Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3.)



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sábado, 11 de julho de 2015

Solidariedade



JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Amiga leitora, inicio nossa conversa de hoje com o seguinte poema, cujo título proponho-lhe adivinhar, antes que eu lho revele, no final desta crônica:

Nos primórdios da criação,
O homem não é mal nem bom,
Ele segue seu instinto,
Ora saciado ou faminto.

Prevalece a lei da força,
O leão devora a corça,
O irmão mata seu irmão
Sem pudor nem compaixão.

A inteligência, porém,
Desenvolve o dom do bem,
E o que era força bruta
Cede vez a nova luta.

O instinto rudimentar
Começa a ceder lugar...
E o sentimento gregário
Torna o homem solidário.

É nos momentos de imensa dor de uma pessoa, grupo social ou família, que se comprova a conclusão desse poema. Quando ocorrem as grandes catástrofes na Humanidade: terremotos, tsunamis, furacões, os povos se unem e uma multidão de pessoas, de todas as partes da Terra, sai em socorro às vítimas dessas tragédias.
Também se alguém morre tragicamente deixa muita gente penalizada. Então, de toda a parte, vem a ajuda e a solidariedade à família do falecido. Se é um artista o “morto”, os meios de comunicação atraem as atenções até onde seus sinais cheguem...
Essas reflexões vieram-me à mente, durante a finada semana, quando correu mundo a notícia do acidente fatal que vitimou o jovem e talentoso cantor Cristiano Araújo (29 anos) e sua namorada (19 anos). Tão novos e já não mais podendo desfrutar de sua existência física plena de aventuras e felicidade, o que motivou, segundo uma emissora de TV, a declaração do pai do cantor sobre sua dúvida a respeito da existência de Deus.
Por que será que questionamos a existência de nosso Pai, que é Espírito (João, 4:24), se nós, seus filhos, por consequência, também somos espíritos?
Porque a matéria obnubila nossa alma e também nos falta conhecimento sobre a real finalidade da vida. 
Por que a revolta, principalmente, quando nos toma uma grande dor, em especial aquela causada pela perda trágica de alguém muito amado?
Porque ainda não entendemos a vida física como breve estágio probatório aqui na Terra.
Por que, em geral, não fazemos tal questionamento quando tudo corre às mil maravilhas para nós?
Porque ainda não compreendemos que as Leis do Pai amantíssimo são justíssimas e que Ele não quer a perdição de nenhum de seus filhos, mas sim a sua perfeição.
Por que somente a desgraça que nos atinge parece ser a grande injustiça divina?
Há cerca de sete bilhões de almas na Terra. E enquanto você me lê, milhares de pessoas estão deixando sua carne aos vermes, muitas delas, tragicamente. Você só não deseja que isso aconteça consigo, não é mesmo?
Ah, se eu pudesse aparecer à sua frente e dizer-lhe que sua existência física nada é, em comparação com a eternidade que o aguarda. Que cada passagem pelo corpo somático é um ato no minúsculo palco do teatro chamado Terra...
E se você descobrir que este mesmo Deus ao qual nega o criou para ser feliz, mas que somente o será, plenamente, quando, após inumeráveis existências físicas, alcançar a perfeição?
Pois saiba que cada um de nós tem um tempo em cada encarnação e todos temos uma missão. Cristiano cumpriu a sua, assim como sua namorada, cujo nome nem todos lembram. Como se chamava ela mesmo?
Oremos por ambos, mas não deixemos de refletir na atualidade de uns versos do poeta Manuel Bandeira:

Amanhã que é dia dos mortos,
Vai ao cemitério, vai,
E procura entre as sepulturas
A sepultura do meu pai.

Leva três rosas bem bonitas,
Ajoelha e reza uma oração,
Não pelo pai, mas pelo filho,
O filho tem mais precisão.
[...]

Ah, sim, Allana Moraes era o nome da namorada do Cristiano Araújo que “morreu” junto com ele, e o título do poema que está lá no início desta crônica é “Solidariedade”.




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