sexta-feira, 25 de março de 2022

 



A Vida no Outro Mundo

 

Cairbar Schutel

 

Parte 9

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Vida no Outro Mundo, de autoria de Cairbar Schutel, publicado originalmente em 1932 pela Casa Editora O Clarim, de Matão (SP). 

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Este estudo será publicado neste blog sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. O perispírito só entra em ação quando unido ao corpo carnal? 

B. Sem o perispírito, o transformismo não passaria de concepção abstrata?

C. Que esclarecimentos nos vêm do conhecimento do perispírito e de suas propriedades? 

 

Texto para leitura

 

110. O perispírito é o órgão por excelência da alma. Ele vem resolver todas as dificuldades aparentes, explicando perfeitamente a vida. Só por ele a memória pode ter explicação razoável, assim como todo o movimento de agregação e desagregação, de fluxo e refluxo da matéria de que é constituído o corpo carnal, com a sua organização e reorganização de tecidos. (A Vida no Outro Mundo – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

111. O perispírito é o conservador da forma e do equilíbrio vital; é ele que mantém a tonalidade do organismo, além das propriedades psíquicas que lhe são peculiares. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

112. O perispírito não está em ação unicamente quando unido ao corpo carnal; mantém-se pronto a funcionar logo que se desembaraça do corpo físico. Esta afirmação nada tem de estranha, quando consideramos a vida do feto no seio materno, onde é dotado de todos os órgãos, sem que, entretanto, se utilize da maioria deles. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

113. Inativos durante a vida pré-natal, os órgãos só começam a funcionar no momento do nascimento do ser, e sua ação só se estabiliza com o desenvolvimento completo do indivíduo. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

114. Parece que a luta pela existência é que proporciona o funcionamento dos órgãos inativos, mas existentes no seio materno. Primeiro são os órgãos vocais, depois os visuais; o estômago começa a trabalhar, os pulmões a respirar; os braços, as pernas e assim por diante, até que o cérebro entre em vibrações para a rude tarefa da vida em prol da perfeição espiritual. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

115. Uma comparação bem lembrada relativa ao problema filosófico e biológico, aplicável ao perispírito, é a metamorfose da lagarta. Allan Kardec já se havia utilizado dessa imagem que, certamente, não pode ser tomada ao pé da letra, para dar uma ideia do espírito revestido do seu invólucro corporal na vida terrestre, e do seu invólucro psíquico, na vida futura: "a lagarta encerrada na crisálida e depois renascida como borboleta, senhora dos ares". (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

116. Essa analogia nos faz lembrar a descrição que o inglês-australiano Sr. J. Brown fez, do que vira sua filha, por ocasião da morte de um filho: Ao lado do leito do moribundo, ela descrevia a seu pai a separação entre a alma e o corpo, pouco mais ou menos como o descreveu Jackson Davis. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

117. Sem o Espírito revestido do respectivo invólucro, que adquire propriedades funcionais, à medida que os seres passam, gradativamente, do animal inferior ao homem, o transformismo não passaria de concepção abstrata, ao passo que, com a ideia do perispírito, tudo se concilia e melhor se esclarece, pondo nos devidos termos a explicação materialista da hereditariedade, influência do meio etc. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

118. O conhecimento do perispírito vem, pois, trazer-nos os seguintes esclarecimentos:

1º) O Espírito não é um produto dos nervos e do cérebro, pois preexiste, sobrevive e manifesta-se após a desagregação dos órgãos físicos;

2º) Possui um organismo fluídico, que o envolve durante a vida carnal e o individualiza ainda após a separação do corpo material;

3º) Explica a conservação do tipo individual, apesar da renovação incessante de todas as moléculas;

4º) Explica a reparação das partes lesadas;

5º) Explica o equilíbrio das funções vitais apesar da renovação das células. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

119. Além de todas essas considerações, poderíamos acrescentar que só com o auxílio do perispírito se poderão explicar as manifestações do inconsciente, tantas vezes constatadas nas sessões experimentais do nosso tempo e por todos os magnetizadores que souberam penetrar nos refolhos da psique humana. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. O perispírito só entra em ação quando unido ao corpo carnal? 

Não. Ele é o conservador da forma e do equilíbrio vital da criatura humana, mas continua em ação mesmo quando advém a morte corpórea e ele se desembaraça do corpo físico. (A Vida no Outro Mundo – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

B. Sem o perispírito, o transformismo não passaria de concepção abstrata?

Evidentemente. Sem o Espírito revestido do respectivo invólucro – o perispírito, – que adquire propriedades funcionais, à medida que os seres passam, gradativamente, do animal inferior ao homem, o transformismo não passaria de concepção abstrata, ao passo que, com a ideia do perispírito, tudo se concilia e melhor se esclarece, pondo nos devidos termos a explicação materialista da hereditariedade, influência do meio etc. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

C. Que esclarecimentos nos vêm do conhecimento do perispírito e de suas propriedades? 

São vários. O principal é evidenciar que o Espírito não é um produto dos nervos e do cérebro, pois preexiste, sobrevive e manifesta-se após a desagregação dos órgãos físicos. O perispírito envolve-o durante a vida corpórea e o individualiza após a separação do corpo material. (Obra citada – Cap. IX - O Perispírito e suas Propriedades Funcionais.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 8 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/03/blog-post_18.html

 

  

 

 

 

 

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quinta-feira, 24 de março de 2022

 



CINCO-MARIAS

 

Gentileza: força pacífica

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com

 

Roberta. Roberta quem no recreio brinca na escola, ri, seus sapatinhos pulando no jardim de flores miúdas. Depois senta à mesa do refeitório dizendo dá licença, por favor, muito obrigada, e canta… Cantando, em voz serena, alguns versos de infância: olha a rosa amarela, Rosa…

 

Pessoas gentis são mais felizes. Porque a gentileza nos faz mais humanos, menos egoístas, ela nos ajuda a reconhecer o perigo da agressividade, o desvalor da violência, o horror da crueldade.

As crianças se espelham nos adultos. É importante ensinar aos nossos filhos, desde os primeiros anos, padrões de gentileza com persistência. E ensinar atitudes gentis à criança demanda do adulto presença, cuidado, respeito. No dia a dia, em todos os lugares, praticar sem receio as palavrinhas mágicas:  por favorobrigadocom licença. Não esquecer, por gentileza, o valor de um sorriso.

Nos últimos anos do ensino fundamental, tive um professor grosseiro, deselegante. Não ouvia: impunha. Que momento passei com sua inflexibilidade, meus colegas apavorados com sua selvageria, quando podia, por uma simples decisão voluntária, usar da benevolência com quem aprende, e isso tudo sem ser omisso, injusto, covarde… Pobre professor infeliz, não guardei seu nome…

Virtude da flexibilidade, a gentileza não se restringe à prática de atos polidos, que é um sinal às vezes de puro adestramento, mas implica uma tentativa sincera de trabalhar contra o mal, transcendendo nossa visão egoísta, superficial, e restrita aos nossos próprios interesses. Sim, porque a gentileza nos relacionamentos reflete força pacífica e disposição autêntica para fazer bem aos outros.

 

Notinha

 

A palavra “gentil” advém na sua etimologia do latim “gentilis” que significa cortês, delicado, pronto para fazer bem aos outros.

Gentileza “é oposto de guerra, crueldade, brutalidade, agressividade, violência” (Comte-Sponville, A. Trad. Eduardo Brandão. Pequeno tratado das grandes virtudes. SP: Martins Fontes, 1999, p. 178).

As crianças aprendem pelos exemplos. Ensine a criança a cumprimentar as pessoas, agradecer, pedir desculpas, não ignorar as pessoas.

Há contos que ensinam gentileza à criança. As fábulas de La Fontaine é uma boa sugestão.

Participar com a família de atividades sociais/beneficentes ensinam naturalmente gentileza à criança.

 

*

 

Esta seção, cuja estreia neste blog ocorreu no dia 6 de janeiro deste ano, traz sempre textos dedicados à infância, seus cuidados, sua educação. O título – Cinco-marias – é uma alusão a um conhecido brinquedo que integra um conjunto de brincadeiras e atividades lúdicas conceituadas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), está concluindo em São Paulo a formação em Psicanálise.

Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina 

 

 

 

 

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quarta-feira, 23 de março de 2022

 


Revista Espírita de 1858

 

Allan Kardec

 

Parte 7

 

Damos prosseguimento ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1858, periódico lançado por Allan Kardec em janeiro de 1858 e por ele editado de 1858 a março de 1869, quando desencarnou.

O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

Cada parte do estudo, apresentado sempre às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Os arrastamentos que sofremos são irresistíveis?

B. Kardec era avesso às polêmicas?

C. Há diferença entre a metempsicose e a doutrina da reencarnação?

D. Como surgiu no contexto espírita o ensinamento sobre a reencarnação?

 

Texto para leitura

 

182. São Luís diz que a sensação mórbida dos cocheiros foi provocada por Espíritos malévolos, os mesmos que os induziram a beber o rum alheio. Kardec admite também que possa ter havido, no caso, uma espécie de magnetização do líquido, por ação do pensamento do médico. (PP. 291 e 292)

183. Nem sempre aquilo que dizemos vem de nós; frequentemente, nossos atos são consequência de pensamentos que nos são sugeridos. (P. 293)

184. A doutrina espírita admite, porém, no homem, o livre-arbítrio em toda a sua plenitude. Assim, segundo a doutrina espírita, não há arrastamento irresistível: o homem pode sempre fechar os ouvidos à voz oculta que o solicita para o mal. (P. 293)

185. As faltas que cometemos têm, pois, a primeira fonte na imperfeição de nosso Espírito. Quanto mais ele se depurar, mais diminuirão os lados fracos e menos presa oferecerá aos maus Espíritos. (P. 294)

186. Kardec relata o assassinato de cinco crianças, cometido por outra de doze anos, que colocou as primeiras dentro de um baú, e admite como provável que o criminoso seja desses Espíritos que pertençam a planetas inferiores ao nosso. (PP. 295 e 296)

187. Aos olhos de Deus, diz um Espírito, o arrependimento é sagrado, porque é o homem que a si mesmo se julga. (P. 297)

188. Um velho castelo nos Pireneus foi vendido e, depois, o comprador percebeu que se tratava de uma casa assombrada. Pretendendo a rescisão do negócio, a questão foi ao tribunal. Kardec analisa o fato e afirma que, em tal questão, é preciso primeiro saber se as manifestações no castelo ocorriam antes ou depois da venda do imóvel. (PP. 297 a 300)

189. Os jornais americanos noticiaram o caso da aparição da Sra. Park, que apareceu, pouco depois de seu falecimento, à sua irmã Miss Harris, como lhe prometera momentos antes de seu passamento. (PP. 302 e 303)

190. Kardec fala sobre as polêmicas espíritas e diz que há um gênero de polêmica do qual sempre se afastará: a que pode degenerar em personalismo. (P. 305)

191. Há, contudo, uma polêmica a que jamais recuaria: a discussão séria dos princípios espíritas. (P. 305)

192. Falando sobre reencarnação, Kardec diz que existe entre a metempsicose dos antigos e a moderna doutrina da reencarnação esta grande diferença: os Espíritos repelem de modo absoluto a transmigração dos homens nos animais e vice-versa. (P. 307)

193. Diz Kardec que a reencarnação não foi ensinada somente a ele, mas foi ventilada em muitos lugares, na França e no estrangeiro: Alemanha, Holanda, Rússia etc., e isto mesmo antes d' O Livro dos Espíritos. (P. 308) [1]

194. Desde que se entregou ao Espiritismo, informa Kardec ter tido comunicações de mais de 50 médiuns e que, em nenhum caso, os Espíritos se desmentiram nesse ponto. (P. 308)

195. Admitindo-se, porém, que a alma não existia antes de nascer, isto é, que ela nasce juntamente com o corpo, como explicar as aptidões diversas que as crianças apresentam, as ideias inatas, os instintos precoces de vícios e virtudes, os selvagens? (P. 311)

196. Com a reencarnação, tudo isso é explicado com clareza. Os homens trazem, ao nascer, a intuição do que aprenderam antes, seus defeitos e suas qualidades. (P. 312)

197. Examinando o tema sob a ótica do futuro do homem, as mesmas dificuldades se apresentam aos que não admitem a reencarnação: qual será a sorte do selvagem e das crianças mortas em tenra idade? (PP. 312 e 313)

198. Kardec promete demonstrar mais tarde que a religião se acha menos afastada da reencarnação do que se pensa, e assevera que o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão, porque se apoia na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, no livre-arbítrio e na moral cristã. (P. 313)

199. São Luís escreve sobre o suicídio e diz que o homem, quando se suicida, está superexcitado, com a cabeça transtornada, e realiza esse ato sem coragem nem medo e, assim, sem conhecimento de causa. (P. 314)

200. Para elevar-se, o homem deve ser provado. Criado simples e ignorante, é somente na adversidade que o Espírito adquire um coração elevado e melhor compreende a grandeza de Deus. (P. 315)

201. A Revista apresenta nova comunicação de Mehemet-Ali, antigo paxá do Egito, que nos traz diversos ensinamentos interessantes. Um deles é sobre as pirâmides, um misto de sepulcros e templos. (P. 316)

202. Os egípcios imaginavam que o Espírito voltava ao corpo que havia animado; daí a ideia de mumificação dos cadáveres. (P. 317)

203. Evocado a conselho do Sr. Jobard, o doutor Muhr, desencarnado no Cairo em 4 de junho de 1857, era médico homeopata, ciência sobre a qual deu o seguinte depoimento como Espírito: "A homeopatia é o começo da descoberta dos fluidos latentes. Muitas outras descobertas igualmente preciosas serão feitas e virão formar um todo harmonioso, que conduzirá vosso globo à perfeição". (PP. 318 e 319)

204. A Revista consigna uma comunicação espontânea dada pelo Espírito de Madame de Stäel, na qual ela associa o Espiritismo a uma nova religião. (P. 319)

205. Madame de Stäel é rigorosa com respeito à sua obra: "se eu voltasse e pudesse recomeçar, modificaria dois terços e conservaria apenas um". (P. 321)

206. A Revista transcreve do Spiritualist, de Nova Orléans, notícia a respeito do médium Sr. Rogers, residente em Columbus, que consegue fazer retratos de pessoas mortas que ele jamais havia visto. (P. 322)

207. Kardec escreve sobre as faculdades da Sra. Roger, sonâmbula, que consegue ver à distância pessoas e objetos desaparecidos. (PP. 326 e 327)

208. Diz o codificador que a clarividência sonambúlica nem sempre é reflexo de um pensamento estranho: o sonâmbulo pode ter uma lucidez própria, absolutamente independente. (P. 328)

 

[1] Quanto à palavra reencarnação, atribuir sua origem a Allan Kardec trata-se de um equívoco que é preciso esclarecer. Foi entre os séculos XVI e XVIII que surgiu, no Latim tardio, o termo erudito e acadêmico reincarnatio, reincarnationis, que, em seguida, passou para as línguas românicas e para o inglês. Em francês é "réincarnation". Essa informação pode ser conferida acessando-se o website http://www.latin-dictionary.net/definition/33192/reincarnatio-reincarnationis

 

Respostas às questões propostas

 

A. Os arrastamentos que sofremos são irresistíveis?

Não. Claro que nem sempre aquilo que dizemos vem de nós e, frequentemente, nossos atos são consequência de pensamentos que nos são sugeridos. Mas a doutrina espírita admite, no homem, o livre-arbítrio em toda a sua plenitude. Assim, segundo o Espiritismo, não há arrastamentos irresistíveis: o homem pode sempre fechar os ouvidos à voz oculta que o solicita para o mal. (Revista Espírita de 1858, pp. 293 e 294.)

B. Kardec era avesso às polêmicas?

Sim e não. Há um gênero de polêmica do qual ele disse que sempre se afastaria: a que pode degenerar em personalismo. Contudo, tornou claro que jamais recuaria a uma polêmica que tivesse por objetivo a discussão séria dos princípios espíritas. (Obra citada, pág. 305.)

C. Há diferença entre a metempsicose e a doutrina da reencarnação?

Sim. Existe entre a metempsicose dos antigos e a moderna doutrina da reencarnação esta grande diferença: os Espíritos repelem de modo absoluto a transmigração dos homens nos animais e vice-versa. (Obra citada, pág. 307.)

D. Como surgiu no contexto espírita o ensinamento sobre a reencarnação?

Kardec diz que a reencarnação não foi ensinada somente a ele, mas foi ventilada em muitos lugares, na França e no estrangeiro: Alemanha, Holanda, Rússia etc. e isto mesmo antes d' O Livro dos Espíritos. Desde que se entregou ao Espiritismo, o Codificador afirma ter obtido comunicações de mais de 50 médiuns e que, em nenhum caso, os Espíritos se desmentiram nesse ponto. (Obra citada, pág. 308.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 6 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/03/blog-post_16.html

 

 

 

 

 

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terça-feira, 22 de março de 2022

 



A qualquer hora... o recomeço

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

Uma extraordinária e oportuna escola. É o que o Planeta é para todos. É tempo de querer compreender mais do que só reivindicar ou entristecer-se; lamentação nunca trouxe progresso. E se é uma escola e hora de aprender também é a ocasião na qual possivelmente haverá muitos erros para, enfim, virem os acertos. E algo tão admirável e bondoso é que se pode recomeçar a qualquer hora. Na vida, há sempre os recomeços e nunca um fim.

A eternidade é a matriarca do tempo e não há o que mudar a não ser compreendê-la para, assim, mais observar a dimensão que a vida possui. Imagine só, num dia se pode reconstruir, perdoar, aprender, refazer, progredir, acalmar, respirar fundo com mais discernimento, ler, amparar, escrever boas ideias ou animar um coração desolado ou o próprio coração, alimentar-se e matar a sede, compartilhar, receber e doar, ir adiante, chegar a um destino, encontrar pessoas amadas e (re)conhecer outros olhares. Há tanto a se fazer e a qualquer hora.

Ninguém é destinado, eternamente, ao terreno estéril por não poder plantar ainda boas sementes, sempre é ofertado um pedaço de terra fértil para se plantar diariamente, mesmo que mais sementes ruins foram jogadas, até agora, ao solo. Estas sementes nunca darão frutos doces, darão, sim, imperfeições amargas que o sentimento não quererá recorrentemente experimentar.

E quando o homem estiver farto das infelicidades e quiser uma boa colheita, a terra fértil estará esperando o novo homem. O livre-arbítrio decidirá o tempo ainda a sofrer ou o começo da ventura, não há como esquecer a lei de ação e reação, entretanto a lei abençoada também concede a toda hora o bendito recomeço. Se ontem não foi um bom momento, agora pode ser de felicidade, de mais paz do que ansiedade e dor. E ainda entre tantos gestos de amor, as palavras do Mestre sempre ressoam em nossos ouvidos: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Para outra vez haver força para continuar.

Que seja feita a vontade do Pai de um dia ter todos os Seus filhos emancipados pela lei do amor. E isso é possível a partir de todo abençoado recomeço.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 21 de março de 2022

 



Trilhas da Libertação

 

Manoel Philomeno de Miranda

 

Parte 4

 

Prosseguimos neste espaço o estudo metódico e sequencial do livro Trilhas da Libertação, obra de autoria de Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco e publicada em 1995. Este estudo será publicado neste blog sempre às segundas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

25. É certo afirmar que a mediunidade, quando mal utilizada, torna-se um poço de sombras? 

Sim. Esse pensamento foi formulado pelo dr. Carneiro de Campos, que fez, a respeito do assunto, o seguinte comentário: “Não ignoramos que somente o bem possui a força indispensável para anular o mal. Por esta e outras razões, a mediunidade é um instrumento que, colocado ao serviço do amor, proporciona iluminação e sabedoria, granjeando amigos para a eternidade. Dignificada, torna-se escada de libertação; mal utilizada, converte-se em poço de sombras e abismo de perturbação”. (Trilhas da Libertação. Serviços de desobsessão, pp. 72 a 74.)

26. A Casa Espírita avança para a condição de Educandário?

Sim. Para justificar essa ideia, dr. Carneiro de Campos afirmou que o Espiritismo é uma Doutrina que sintetiza o conhecimento humano em uma abrangência admirável. “Nem poderia ser diferente” – disse ele – “pois que foi revelado pelos Espíritos que se tornaram pioneiros do saber na Terra, e que, com a visão da vida ampliada no Além, ofereceram tudo quanto se faz imprescindível à felicidade dos seres.” Ele tem a ver, portanto, com todos os ramos da cultura em uma expressão holística da realidade, que se faz indispensável para o entendimento integral do homem e da vida. “Por tal razão, a Casa Espírita – aditou – avança para a condição de Educandário, fornecendo os contributos para o estudo e a análise das criaturas, libertando-as das crendices e superstições, ao tempo em que lhes oferece os recursos para a ação com liberdade sem medos, com responsabilidade sem retentivas, perfeitamente lúcidas a respeito do destino que lhes está reservado, ele próprio resultado das suas opções e atitudes.” (Obra citada. Serviços de desobsessão, pp. 72 a 74.)

27. São os médiuns santos ou pecadores? 

Nem uma coisa, nem outra. Os médiuns são criaturas humanas como quaisquer outras, que se diferenciam apenas pela aptidão especial que possuem para se comunicar com os Espíritos. “Não são santos, embora devam caminhar pela senda da retidão, nem pecadores, apesar dos seus deslizes naturais”, diz o dr. Carneiro de Campos, lembrando que costumamos exigir muito deles, esperando que sejam modelos perfeitos do que os Protetores Espirituais ensinam por seu intermédio. Certamente essa seria a condição ideal para todos, mas nem sempre é assim.  (Obra citada. Serviços de desobsessão, pp. 78 e 79.)

28. É correto dizer que com a liberação do animismo podemos chegar ao mediunismo? 

Sim. O animismo tem assustado muitos médiuns iniciantes e diversos aprendizes e estudiosos espíritas enfocam-no com tal frequência, que passaram a ter quase uma sistemática prevenção contra o fenômeno mediúnico, se este não for robusto, isto é, recheado de provas. Como efeito do exagero, belas florações mediúnicas em começo experimentam injustificáveis conflitos e passam a sofrer restrições, estiolando-as, nos iniciantes, ou bloqueando-lhes as possibilidades em desdobramento. O que poucos sabem, porém, é que com a liberação do animismo podemos também alcançar o mediunismo. (Obra citada. Terapia desobsessiva, pp. 82 a 84.)

29. Pode um Espírito desencarnado estimular manifestações anímicas em um médium?

Pode. Foi esse exatamente o caso da médium Raulinda. Segundo o dr. Carneiro de Campos, as expressões anímicas de sua comunicação foram estimuladas pelo adversário desencarnado. Verificou-se então um fenômeno duplo – animismo e mediunismo – com prevalência e direcionamento do último sobre o primeiro. Afligindo-a, o perseguidor a deprimia, desarticulando-lhe os centros do equilíbrio e fazendo-a passar por portadora de histeria, a um passo de transtorno psicótico maníaco-depressivo, a caminho da autodestruição. (Obra citada. Terapia desobsessiva, pp. 84 e 85.)

30. Que advertência fez o doutrinador a um Espírito comunicante que insistia em vingar-se de um desafeto?

O doutrinador lembrou ao Espírito que a única justiça invariável é a que procede de Deus, porquanto a justiça a que ele se referia é a da iniquidade, da vingança, da loucura, que colhe em suas malhas todo aquele que se desrespeitou e assumiu delitos perante a consciência. Chegará, no entanto, o momento do despertar e mesmo os Gênios das Trevas serão alcançados pelas vibrações de misericórdia do Pai e sairão da infinita desdita a que se entregam, alcançando, desse modo, a dignificação interior que os levará à paz, à felicidade e ao bem. Por fim, o doutrinador advertiu-o de que a vingança gera desforços futuros e aditou: “Quando passar o prazer, o gozo da cobrança, que sempre é de curto prazo, e você se encontrar vazio, desmotivado, já imaginou o caminho a percorrer, o tempo malbaratado, as complicações a resolver, os males a sanear?” “Ninguém foge indefinidamente à consciência nem às Leis da Vida.” (Obra citada. Terapia desobsessiva, pp. 86 e 87.)

31. Que palavras a respeito da força do amor foram ditas pelo dr. Carneiro de Campos?

Eis o que o médico disse, comentando o resultado da doutrinação conduzida pelo Sr. Almiro: “O amor é a força motriz do universo: a única energia a que ninguém opõe resistência; o refrigério para todas as ardências da alma: o apoio à fragilidade e o mais poderoso antídoto ao ódio. Mais do que palavras, a vibração amorosa do nosso Almiro confirmou-lhe os conceitos de paz e renovação propostos ao sofredor. A lógica e a razão constituem pilotis para o discernimento, mas é o amor que luz soberano, conferindo segurança e harmonia a quem vai dirigido. Quando vivenciarmos no cotidiano, em pensamentos, palavras e atos, os postulados do amor, facilmente atingiremos a meta que a evolução nos propõe: a sintonia com o Pai”. (Obra citada. Terapia desobsessiva, pp. 87 a 89.)

32. No serviço da doutrinação é importante a sintonia entre o dirigente encarnado e o mentor espiritual encarregado da tarefa?

Sim. De alto significado é, em reuniões dessa natureza, a sintonia mental, moral e espiritual entre o dirigente encarnado e os responsáveis espirituais pela tarefa, porquanto a identificação dos comunicantes e o diálogo com eles muito dependem dessa afinidade. Nesse sentido o Sr. Almiro era o protótipo do médium-doutrinador, porque unia ao conhecimento espírita os dotes morais de que era investido, além de ser muito sensível à inspiração dos mentores. Com esses requisitos, sua palavra se impregnava de força esclarecedora, capaz de conquistar os oponentes naturais com os quais trabalhava. (Obra citada. Terapia desobsessiva, pp. 87 a 91.)

 

 

Observação:

Para acessar a parte 3 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/03/blog-post_14.html

 

 

 

 

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