sexta-feira, 6 de abril de 2012

A frase “assim seja” é um dos sinônimos da palavra “amém”


De vez em quando alguém nos pergunta por que nas orações feitas pelos espíritas, sobretudo na chamada Oração Dominical, é utilizada no final a frase “Assim seja”, em vez de “Amém”.
Vejamos preliminarmente o que, no tocante à palavra “amém”, registra o dicionário Aurélio, em sua versão eletrônica:
Amém [do hebr. amén, 'assim seja', pelo lat. amen.] - Interj. 1. Palavra litúrgica de aclamação, que indica anuência firme, concordância perfeita, com um artigo de fé; assim seja.  S. m.  2.  Concordância; aprovação, consentimento, anuência: 2  [Var. de âmen. Cf. amem, do v. amar.] 
Dizer amém a: Consentir em; aprovar; anuir a; condescender com.
Assim seja: Amém.
A palavra amém não pertence à nossa língua. Ela foi transportada do hebraico para o Novo Testamento grego e daí para as versões em outras línguas. Procede de um termo hebraico que significa “apoiar” ou “estar firme”. A partir dessa ideia inicial, passou a ser usada no sentido de “verdadeiro, fiel, ou certo”, como Paul Earnhart explica em um interessante artigo disponível na internet no site http://www.estudosdabiblia.net/200246.htm.
No âmbito das religiões cristãs, a palavra amém ora é utilizada seguida de ponto de exclamação (“Amém!”), ora seguida de ponto de interrogação (“Amém?”), como observa o  Rev. André do Carmo Silvério em um texto disponível na internet, no site http://www.monergismo.com/textos/liturgia/palavra_amem_andre_silverio.htm.
No meio espírita, certamente para evitar o uso de uma palavra claramente vinculada à liturgia cristã, o Codificador do Espiritismo propôs, em lugar do vocábulo “Amém”, a frase “Assim seja”, primeiramente na edição de agosto de 1864 da Revista Espírita, quando fez ali referência à Oração Dominical, e depois no cap. XXVIII da versão definitiva de “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
Eis o que Kardec escreveu na Revista Espírita:
“Vários de nossos assinantes nos testemunharam o lamento de não terem encontrado, em nossa A Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo [título inicial da obra O Evangelho segundo o Espiritismo], uma prece especial, para a manhã e a noite, para o uso habitual. Faremos notar que as preces contidas nessa obra não constituem um formulário que, para ser completo, deveria delas conter um muito maior número. Elas fazem parte das comunicações dadas pelos Espíritos; nós as juntamos, no capítulo consagrado ao exame da prece, como juntamos, a cada um dos outros capítulos, as comunicações que poderiam a eles se relacionar. Omitindo, de propósito, as da manhã e da noite, quisemos evitar de dar, à nossa obra, um caráter litúrgico; por isso nos limitamos às que têm uma relação direta com o Espiritismo, cada um podendo encontrar as outras nas de seu culto particular. Todavia, para obtemperar o desejo que nos foi manifestado, damos a seguir a que nos parece melhor responder ao objetivo que se propôs. No entanto, fá-la-emos preceder de algumas observações para fazer delas compreender melhor a importância.”
Feitas diversas considerações sobre assunto, Kardec assim concluiu:
“O mais perfeito modelo de concisão com relação à prece, sem contradita, é a Oração dominical, verdadeira obra-prima de sublimidade em sua simplicidade; sob a forma mais restrita ela resume todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. No entanto, em razão de sua própria brevidade, o sentido profundo, encerrado nas poucas palavras das quais ele se compõem, escapa à maioria; os comentários que foram dados a esse respeito não estão sempre presentes na memória, ou mesmo são  desconhecidos da maioria; é porque dizem-na, geralmente, sem dirigir-se o pensamento sobre as aplicações de cada uma de suas partes, é dita como uma fórmula cuja eficácia é proporcional ao número de vezes que é repetida; ora, é quase sempre um dos números cabalísticos três, sete ou nove, tirados da antiga crença na virtude dos números, e em uso nas operações da magia.” (Revista Espírita de agosto de 1864.)
Dito isso, Kardec apresentou o que considerou uma versão ideal da Oração Dominical, cuja última frase é seguida do comentário abaixo:
“VII. Assim seja.
Praza a vós, Senhor, que nossos desejos se cumpram! Mas nós nos inclinamos diante de vossa sabedoria infinita. Sobre todas as coisas que não nos é dado compreender, seja feito segundo vossa santa vontade, e não segundo a nossa, porque não quereis senão nosso bem, e sabeis melhor do que nós o que nos é útil. Nós vos dirigimos esta prece, ó meu Deus! por nós mesmos, e por todas as almas sofredoras, encarnadas e desencarnadas, por nossos amigos e nossos inimigos, por todos aqueles que reclamam a nossa assistência. Pedimos sobre todos a vossa misericórdia e a vossa bênção.”
Texto idêntico, com a frase “Assim seja” no lugar de “Amém”, aparece no livro “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. XXVIII.

2 comentários:

  1. Estimado amigo, parabens pela inciativa. Adorei seu blog. Abraços com muito carinho, Claudia Werdine

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  2. Também gostei bastante,e Astolfo! Será muito bom acompanhar seus escritos assim como os demais sites indicados! Abraços! Ana (filha da Efigênia - Londrina)

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