Pensamento e vida
Emmanuel
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Observando-se a mediunidade como sintonia, a obsessão é o equilíbrio de forças inferiores, retratando-se entre si.
Fenômeno de reflexão pura e simples, não ocorre tão
somente dos chamados mortos para os chamados vivos, porque, na essência, muita
vez aparece entre os próprios Espíritos encarnados a se subjugarem
reciprocamente pelos fios invisíveis da sugestão.
A mente que se dirige a outra cria imagens para fazer-se
notada e compreendida, prescindindo da palavra e da ação para insinuar-se,
porquanto, ambientando a repetição, atinge o objetivo que demanda,
projetando-se sobre aquela que procura influenciar. E, se a mente visada
sintoniza com a onda criadora lançada sobre ela, inicia-se vivo circuito de
força, dentro do qual a palavra e a ação se incumbem de consolidar a
correspondência, formando o círculo de encantamento em que o obsessor e o
obsidiado passam a viver, agindo e reagindo um sobre o outro.
Não há, por isto, obsessão unilateral. Toda ocorrência
desta espécie se nutre à base de intercâmbio mais ou menos completo. Quanto mais sustentadas as imagens inferiores
de um Espírito para outro, em regime de permuta constante, mais profundo o
poder da obsessão, de vez que se afastam da justa realidade para o circuito de
sombra em que se entregam a mútuo fascínio.
É o mesmo que se verifica com a pedra quando em serviço
de gravação. Quanto mais repetida a passagem do buril, mais entranhado o sulco
destinado a perpetuar a minudência da imagem.
Lembremo-nos, ainda, do disco comum, em cujas reentrâncias
sutis permanecem os sons fixados para repetição à nossa vontade. Muita vez a
mente obsidiada se assemelha à chapa de ebonite, arquivando ordens e avisos do
obsessor (notadamente durante o sono habitual, quando liberamos os próprios
reflexos, sem o controle da nossa consciência de limiar), ordens e avisos que a
pessoa obsessa atende, de modo quase automático, qual o instrumento passivo da
experiência magnética, no cumprimento de sugestões pós-hipnóticas.
Quanto mais nos rendamos a essa ou àquela ideia, no imo
de nós mesmos, com maior força nos convertemos nela, a expressar-lhe os
desígnios.
É assim que se formam estranhos desequilíbrios que, em
muitas circunstâncias, concretizam moléstia e desalento, aflição e loucura,
quando não plasmam a crueldade e a morte.
Toda obsessão começa pelo debuxo vago do pensamento
alheio que nos visita, oculto.
Hoje é um pingo de sombra, amanhã linha firme, para,
depois, fazer-se um painel vigoroso, do qual assimilamos apelos infelizes que
nos aprisionam em turbilhões de trevas.
Urge, pois, que saibamos fugir, desassombrados, aos
enganos da inércia, porque o espelho ocioso de nossa vida em sombra pode ser
longamente viciado e detido pelas forças do mal que, em nos vampirizando,
estendem sobre os outros as teias infernais da miséria e do crime.
Dar novo pasto à mente pelo estudo que eleve e
consagrar-se em paz ao serviço incessante é a fórmula ideal para libertar-se de
todas as algemas, pois que, na aquisição de bênçãos para o espírito e no
auxílio espontâneo à vida que nos cerca, refletiremos sempre a Esfera Superior,
avançando, por fim, da cegueira mental para a divina luz da Divina Visão.
Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo
médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.
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