Pensamento e vida
Emmanuel
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Há moléstias que
têm, sem dúvida, função preponderante nos serviços de purificação do espírito,
surgindo com a criatura no berço ou seguindo-a, por anos a fio, na direção do
túmulo.
As inibições congeniais, as mutilações imprevistas e as
enfermidades dificilmente curáveis catalogam-se, indiscutivelmente, na tabela
das provações necessárias, como certos medicamentos imprescindíveis figuram na
ficha de socorro ao doente; contudo, os sintomas patológicos na experiência
comum, em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o
veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o
compõem.
Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a
martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição
amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento.
Sabe hoje a medicina que toda tensão mental acarreta
distúrbios de importância no corpo físico.
Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as
glândulas salivares paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em
espasmo, nega-se à produção de ácido clorídrico, provocando perturbações
digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno
primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os
desajustamentos gastrintestinais repetidos acabam arruinando os processos da
nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados sintomas,
desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de abordagem
complexa.
O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males
do corpo enfermo.
Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico
pela ingestão de substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os
desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais sejam
aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por flagelo
constante do campo íntimo.
Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o
mesmo que semear espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa
existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea,
estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, consequentemente,
sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a Divina Providência nos
concede entre os homens, com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades
para a Vida Eterna.
Guardemos, assim, compreensão e paciência, bondade
infatigável e tolerância construtiva em todos os passos da senda, porque
somente ao preço de nossa incessante renovação mental para o bem, com o apoio
do estudo nobre e do serviço constante, é que superaremos o domínio da
enfermidade, aproveitando os dons do Senhor e evitando os reflexos letais que
se fazem acompanhar do suicídio indireto.
Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo
médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.
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