Pensamento e vida
Emmanuel
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Sendo a mente o espelho da vida, entenderemos sem dificuldade que, na morte, lhe prevalecem na face as imagens mais profundamente insculpidas por nosso desejo, à custa da reflexão reiterada, de modo intenso. Guardando o pensamento — plasma fluídico — a precisa faculdade de substancializar suas próprias criações, imprimindo-lhes vitalidade e movimento temporários, a maioria das criaturas terrestres, na transição do sepulcro, é naturalmente obcecada pelos quadros da própria imaginação, aprisionada a fenômenos alucinatórios, qual acontece no sono comum, dentro do qual, na maioria das circunstâncias, a individualidade reencarnada, em vez de retirar-se do aparelho físico, descansa em conexão com ele mesmo, sofrendo os reflexos das sensações primárias a que ainda se ajusta.
Todos os círculos
da existência, para se adaptarem aos processos da educação, necessitam do
hábito, porque todas as conquistas do Espírito se efetuam na base de lições
recapituladas.
As classes são
vastos setores de trabalho específico, plasmando, por intermédio de longa
repercussão, os objetivos que lhes são peculiares naqueles que as compõem.
É assim que o
jovem destinado a essa ou àquela carreira é submetido, nos bancos escolares, a
determinadas disciplinas, incluindo a experiência anterior dos orientadores que
lhe precederam os passos na senda profissional escolhida.
O futuro militar
aprenderá, desde cedo, a manejar os instrumentos de guerra, cultuando as
instruções dos grandes chefes de estratégia, e o médico porvindouro deverá
repetir, por anos sucessivos, os ensinos e experimentos dos especialistas,
antes do juramento hipocrático.
Em todas as
escolas de formação, vemos professores ajustando a infância, a mocidade e a
madureza aos princípios consagrados, nesse ou naquele ramo de estudo, fixando-lhes
personalidade particular para determinados fins, sobre o alicerce da reflexão
mental sistemática, em forma de lições persistentes e progressivas.
Um diploma
universitário é, no fundo, o pergaminho confirmativo do tempo de recapitulações
indispensáveis ao domínio do aprendiz em certo campo de conhecimento para
efeito de serviço nas linhas da coletividade.
Segundo o mesmo
princípio, a morte nos confere a certidão das experiências repetidas a que nos
adaptamos, de vez que cada Espírito, mais ou menos, se transforma naquilo que
imagina. É deste modo que ela, a morte, extrai a soma de nosso conteúdo mental,
compelindo-nos a viver, transitoriamente, dentro dele. Se esse conteúdo é o
bem, teremos a nossa parcela de Céu, correspondente ao melhor da construção que
efetuamos em nós, e se esse conteúdo é o mal estaremos necessariamente detidos
na parcela de inferno que corresponda aos males de nossa autoria, até que se
extinga o inferno de purgação merecida, criado por nós mesmos na intimidade da
consciência.
Tudo o que foge à
lei do amor e do progresso, sem a renovação e a sublimação por bases, gera o
enquistamento mental, que nada mais é que a produção de nossos reflexos
pessoais acumulados e sem valor na circulação do bem comum, consubstanciando as
ideias fixas em que passamos a respirar depois do túmulo, à feição de loucos
autênticos, por nos situarmos distantes da realidade fundamental.
É por esta razão
que morrer significa penetrar mais profundamente no mundo de nós mesmos,
consumindo longo tempo em despir a túnica de nossos reflexos menos felizes,
metamorfoseados em região alucinatória decorrente do nosso monoideísmo na
sombra, ou transferindo-nos simplesmente de Plano, melhorando o clima de nossos
reflexos ajustados ao bem, avançando em degraus consequentes para novos
horizontes de ascensão e de luz.
Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo
médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.
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