domingo, 28 de junho de 2026

 



Deus não é um espectador passivo da obra que criou 

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Qual a visão que nós, espíritas, temos de Deus? Intervém o Criador diretamente nos fatos e acontecimentos da vida?

A ideia que o Espiritismo nos apresenta sobre Deus — a inteligência suprema do Universo e causa primária de todas as coisas — é a de um Criador que jamais esteve inativo.

Por essa razão, o Espiritismo pode ser classificado como uma doutrina teísta, e não deísta. Como se sabe, o deísmo admite a existência de Deus, mas o concebe destituído de atributos morais e intelectuais e, conforme a interpretação adotada, admite que Ele possa ou não ter influído na criação do Universo.

A concepção espírita, em perfeita sintonia com os ensinamentos de Jesus, é diversa: Deus não apenas criou o Universo, mas dele participa continuamente, governando-o por meio de suas leis e da ação dos Espíritos que executam seus desígnios.

Essa é também a imagem de Deus que encontramos nos Evangelhos. Em diversas ocasiões, Jesus afirmou sua inteira submissão à vontade do Pai e deixou claro que Deus permanece em constante atividade. Entre muitas passagens, destacamos estas:

"Meu Pai trabalha até ao presente e eu também trabalho." (João, 5:16)

"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Não busco a minha vontade, mas a vontade d'Aquele que me enviou." (João, 5:30)

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Pelo que respeita ao dia e à hora, ninguém o sabe, nem os anjos que estão no céu, nem mesmo o Filho, mas somente o Pai." (Marcos, 13:31)

Essas e muitas outras passagens evangélicas mostram que Jesus jamais apresentou Deus como um Criador distante ou alheio à obra que realizou. Ao contrário, revelou-o como um Pai presente, atuante e soberano.

A mesma concepção encontra amplo respaldo em O Livro dos Espíritos, obra fundamental da Codificação Espírita. Nela aprendemos que Deus dirige permanentemente a Criação, utilizando, para isso, a colaboração dos Espíritos que já alcançaram elevado grau de evolução.

Entre as inúmeras referências da obra, merecem destaque as seguintes:

"Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?" (L.E., 21)

"... os Espíritos são uma das potências da natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais." (L.E., 87)

"Eles (os Espíritos puros) são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam para manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões." (L.E., 113)

"Pode-se orar aos bons Espíritos, como sendo os mensageiros de Deus e os executores de suas vontades. O poder deles, porém, está em relação com a superioridade que tenham alcançado e dimana sempre do Senhor de todas as coisas, sem cuja permissão nada se faz. Eis por que as preces que se lhes dirigem só são eficazes, se bem aceitas por Deus." (L.E., 666)

Esses e muitos outros ensinamentos da Codificação mostram que Deus exerce sua ação sobre o Universo por intermédio das leis que instituiu e da atuação dos Espíritos que lhe servem de mensageiros e ministros.

Quanto à ação providencial de Deus em nossa vida, recomendamos a quem nos lê a leitura do texto A Providência Divina, publicado na edição 13 da revista O Consolador. Para acessá-lo, clique em https://www.oconsolador.com.br/13/esde.html

Também examinamos aspectos da participação divina na obra da Criação no editorial A Teoria do Design Inteligente e o Espiritismo, publicado na edição 248 d’O Consolador, que o leitor pode acessar clicando em  https://www.oconsolador.com.br/ano5/248/editorial.html

Como ali foi dito, tudo leva a crer que os chamados processos evolutivos contaram — e continuam contando — com a intervenção de inteligências extracorpóreas. Essa ideia foi afirmada expressamente por Emmanuel em A Caminho da Luz, obra psicografada por Chico Xavier em 1938, muitos anos antes de a moderna corrente do Design Inteligente ganhar notoriedade ao defender a existência de um projetista inteligente como explicação para a extraordinária complexidade e harmonia da Criação.

Resta, porém, responder objetivamente à pergunta formulada no início deste artigo: intervém Deus diretamente nos fatos e acontecimentos da vida?

Segundo o entendimento espírita, Deus não governa o Universo por meio de intervenções arbitrárias ou pela suspensão das leis que Ele próprio estabeleceu. Sua ação se exerce de forma permanente e perfeita por intermédio dessas leis, da Providência Divina e da atuação dos Espíritos incumbidos de executar seus desígnios. Nada ocorre fora de sua soberana vontade ou sem que sua infinita sabedoria o permita.

Isso não significa que Deus permaneça distante de suas criaturas. Ao contrário, sua presença manifesta-se incessantemente no funcionamento harmonioso da Criação, na justiça de suas leis, na misericórdia que oferece novas oportunidades de progresso e na assistência espiritual que jamais falta àqueles que sinceramente procuram o bem.

Compreende-se, assim, que Deus não é um espectador passivo da obra que criou, nem um governante que atue apenas por intervenções ocasionais. É o Pai de infinita sabedoria e amor, presente em toda a Criação, dirigindo-a sem cessar por meio de leis perfeitas e da ação dos Espíritos que lhe servem de ministros e mensageiros.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/a-terra-nao-e-um-resort-e-uma-escola.html

 

 

 

 

 

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