quinta-feira, 25 de junho de 2020




Amaury de Oliveira: exemplo de generosidade e solidariedade

Há pessoas que passam pelo mundo e não deixam marca alguma. Do jeito que chegam, acabam indo, sem deixar saudade nem lembranças.
Não foi esse, obviamente, o caso do nosso mano Amaury, segundo filho do casal Astolfo Olegário/Anita Borela, em uma prole de 11 filhos. (Na foto ao lado, tirada em setembro de 1984, ele está com sua neta Gabriella.)
Nascido em 25 de junho de 1929, Amaury casou-se com Maria Luiza Imbeloni em 29 de janeiro de 1951 e com ela viveu 48 anos, até 12 de maio de 1999, quando retornou à pátria espiritual.
Em janeiro de 1963, antes de fazer 34 anos, Amaury e Maria Luiza (foto ao lado) me acolheram em seu lar e pude, então, por mais de 36 anos, partilhar a seu lado dos seus planos, dos seus sonhos, dos seus atos. Juntos, estudamos para dois concursos federais e juntos fomos aprovados, fato que marcou de forma definitiva o caminho profissional que seguimos a partir de então.
Agradeço a Deus ter-me concedido a oportunidade de viver a seu lado, porque com ele aprendi como é importante ser generoso, solidário, participativo, e também compreender que ninguém pode ser feliz sozinho e que a felicidade só vale realmente quando partilhada com o nosso próximo, seja ou não parte de nossa família.
Meu irmão Arthur Bernardes, dois anos mais moço e que conviveu desde criança com ele, registrou em um de seus livros três momentos em que o personagem principal é o Amaury. (Na foto ao lado, Amaury - de camisa branca - está junto de seus 4 irmãos homens e dois cunhados.)
De suas anotações valho-me aqui para destacar em nosso homenageado três importantes facetas: a inteligência, a afabilidade e a generosidade.
Vejamos a primeira: a inteligência.
Escreveu o Arthur:
Meus dois irmãos mais velhos, a Marília e o Amaury, brilhavam na escola. Estavam no 1º e 2º anos do antigo curso primário (hoje esse curso é chamado de ensino fundamental). Só tiravam, nas provas de desempenho, dez com distinção e louvor. Era mais que dez. Mas como na avaliação eles só utilizavam valores até dez, para dizer que aquela prova valia mais que dez, eles inventaram essa forma de dizer isso, acrescentando ao número dez essa expressão “distinção e louvor!” com uma exclamação enorme para chamar mais atenção ainda. Meu pai espumava de tanta alegria. (Uma estrela em forma de flor, Apêndice, cap. 2.)
Segundo o depoimento insuspeito do próprio irmão, Amaury já mostrava desde criança uma inteligência marcante e, quando adulto, comprovou-o ao ser aprovado em um concurso público para a Receita Federal, em que muitos doutores jamais conseguiram sucesso. Na ocasião do concurso, ele só ostentava o 2º grau e estava afastado dos bancos escolares havia mais de 17 anos.
Na sequência, fez brilhante carreira na Receita, estudou, conseguiu o diploma superior e chegou a Delegado da Receita Federal em Curitiba, em que teve uma atuação marcante e digna do elogio dos seus superiores em Brasília, DF.
Eis a segunda: a afabilidade.
Anotou o Arthur no livro já mencionado:
Há uma diferença fundamental entre o mano do meu coração – o Amaury – e mim. Dizia o Panza que, quando o Amaury ri, todos os dentes se mostram claros. Aqueles dentes branquinhos, sadios, admiráveis. E tem-se a impressão de que o Amaury não tem apenas 32 dentes, o que seria normal, mas 64, tal o brilho que através do seu sorriso invade a nossa alma e encanta os nossos olhos. É um sorriso aberto, franco, espontâneo de quem não teme mostrar pela boca a alma linda que tem. (Uma estrela em forma de flor, cap. XVIII – O impulso e a flor.)
Seu sorriso franco, aberto e espontâneo estava presente sempre, todas as vezes em que abria as portas do seu lar para receber os familiares e os amigos. Churrascos inesquecíveis, os jogos de cartas, as canções que ele adorava cantar... Esses foram momentos que os mais jovens da família certamente desconhecem, mas constituem para nós lembranças imorredouras, dessas que o tempo não tem competência para apagar. (Na foto acima, ele está com a esposa e alguns de seus netos.)
Eis, por fim, a terceira e principal: a generosidade.
Escreveu o Arthur:
Os planos do Amaury... Qual! Só encostando estas teclas. Falaria a vida inteira sobre os planos do Amaury. Planos fabulosos e irrealizáveis, quase todos, mas sempre belos, puros, fulgurantes.
A pureza de seus ideais! A preocupação obsessiva com todos, indagando, perquirindo, analisando, bisbilhotando, para descobrir necessidades, e supri-las com a sua bondade. (Uma estrela em forma de flor, cap. XI – Vem ver a família.)
De fato, os planos do Amaury eram como água descendo por uma enorme cachoeira...
No tocante a reunir os recursos financeiros, jamais teve sucesso. E quando parecia que isso ocorreria, veio um gatuno disfarçado de amigo e surripiou tudo o que ele ajuntara, deixando-o ainda com dívidas imensas que só pôde quitar ao longo dos anos, valendo-se dos seus próprios vencimentos de funcionário público.
Contudo, embora destituído de grandes recursos, jamais deixou de ajudar a quem precisasse, fosse ou não da família. 
Quando surgia uma necessidade, era ele o primeiro a se manifestar e com isso, com seu exemplo, fazia com que vários de nós também participássemos, minorando as dificuldades daqueles que o vulgo costuma chamar de desfavorecidos da sorte...
Assim era Amaury de Oliveira.
Tinha defeitos?
Claro! quem não os tem? Mas as qualidades sobrepujavam com larga margem todos eles.





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Um comentário:

  1. Tive o prazer de conhecê-lo e muito me orgulho dessa família. Eternamente grata

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