sábado, 16 de abril de 2022

 



Chico Xavier (1910-2002): 

preito de gratidão

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília-DF

 

No dia dois de abril,

Sem alguém a percebê-la,

Foi de Minas que surgiu

O brilho de linda estrela.

 

Em seus primeiros aninhos,

A querida mãe Maria

Orientou seus passinhos

Com ternura e alegria.

 

Mas Maria foi chamada,

Logo no primeiro lustro,

Para a sublime morada

E deixou no mundo um justo.

 

Esse ser iluminado

Dizia restar só o cisco

Do que lhe foi registrado

Sob o nome de Francisco.

 

Nascido em Pedro Leopoldo,

Dedicou-se à caridade,

Tendo no salário o soldo

De arauto bom da verdade.

 

Pregou pelo exemplo o bem,

Sempre fiel a Jesus,

Trouxe as notícias do Além

Sem deturpar sua luz.

 

E agora, após vinte anos,

Em que o Chico nos deixou,

Ele quer que nos unamos

E amemos qual Cristo amou...

 

Ele diz-nos que a verdade

Não pode ser ocultada

Debaixo da falsidade

De uma lâmpada apagada.

 

Que os estudos e os trabalhos

Precisam ser praticados

Sem nocivos embaralhos

Aos nossos irmãos amados.

 

Que a perene caridade

Do Espiritismo cristão

É a nossa fidelidade

Na sua divulgação.

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 15 de abril de 2022

 



A Vida no Outro Mundo

 

Cairbar Schutel

 

Parte 12

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Vida no Outro Mundo, de autoria de Cairbar Schutel, publicado originalmente em 1932 pela Casa Editora O Clarim, de Matão (SP). 

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Este estudo será publicado neste blog sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Não é prudente enterrar o corpo antes de começar a decomposição? 

B. Quanto à aparência do organismo fluídico do Espírito desencarnado, que disse Andrew Jackson Davis?

C. Os familiares já desencarnados costumam auxiliar o processo de desprendimento dos Espíritos de suas relações? 

 

Texto para leitura

 

145. Andrew Jackson Davis, conforme relatou em seu livro “O Vidente”, descobriu que uma pequena parte do fluido vital voltava ao corpo material, logo que o cordão ou liame elétrico se quebrava. Esse elemento fluídico, ou elétrico, espalhando-se por todo o organismo, impedia a dissolução imediata do corpo. (A Vida no Outro Mundo – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

146. Em face do que observou, Davis afirmou: “Não é prudente enterrar o corpo antes de começar a decomposição. Muitas vezes, antes da inumação, o cordão umbilical fluídico, de que falei, ainda não está quebrado. É por isso que pessoas que parecem mortas voltam à vida no fim de um ou dois dias e narram as sensações que experimentaram. Esse estado foi denominado letargia, catalepsia etc.” (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

147. Quando, porém, o Espírito é detido no momento em que deixa o corpo, raramente se recorda do que se passou. Esse estado de inconsciência pode parecer semelhante ao aniquilamento, quando observado superficialmente, e, muitas vezes, se recorre ao argumento que resulta dessa como que obliteração momentânea da memória para negar a imortalidade da alma. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

148. Descrevendo a desencarnação que ele pôde acompanhar pela vidência, Davis disse: “Logo que se desprendeu dos laços tenazes do corpo o Espírito da pessoa que eu observava, constatei que o seu novo organismo, fluídico, era apropriado ao seu novo estado, mas que o conjunto se assemelhava à sua aparência terrestre. Não pude saber o que se passava na inteligência que revivia; observei, porém, a sua calma e a profunda admiração que lhe causava a dor daqueles que choravam em volta do seu corpo”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

149. É evidente, diz Davis, que aquelas pessoas ignoravam o que realmente se passara: “As lágrimas e as lamentações excessivas dos parentes e amigos só provêm do ponto de vista falso em que se coloca a maioria dos homens, isto é, da crença materialista de que tudo finaliza com a morte do corpo”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

150. Concluindo a narrativa, Davis declarou: “Pelas minhas experiências, posso afirmar que, quando a pessoa morre naturalmente, nenhuma sensação penosa experimenta o Espírito”. E mais: “O período de transformação, que acabo de transcrever, dura cerca de duas horas, tempo que não é o mesmo para todos os entes humanos. Se pudésseis ver com os olhos psíquicos, perceberíeis, perto do corpo rijo, uma forma fluídica tendo a mesma aparência que o ente humano que acaba de morrer; porém, essa forma é mais bela e está como que animada de uma nova vida mais elevada”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

151. O testemunho de Andrew Jackson Davis seria suficiente para fazer desaparecer nossas apreensões e nos revelar, com clareza singular, o mistério da morte. Mas ele não é o único, como é possível verificar no que a médium Mrs. Florence Marryat escreveu no seu livro The Spirit World (O Mundo dos Espíritos). (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

152. Uma jovem de nome Edith tivera a infelicidade de perder sua irmã mais velha, então com vinte anos, em consequência de uma forte pleurisia. Edith não quis afastar-se um só instante da cabeceira de sua irmã, e aí, em estado de clarividência, pôde assistir ao processo de separação do Espírito da parte material. Edith começou a perceber uma espécie de ligeira nebulosidade, semelhante à fumaça, a qual, condensando-se gradualmente acima da cabeça, acabou por assumir as proporções, as formas e os traços da irmã moribunda, de modo a se lhe assemelhar por completo. Essa forma flutuava no ar, a pouca distância da doente. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

153. À medida que o dia declinava, a agitação da enferma minorava, sendo substituída, à tarde, por prostração profunda, precursora da agonia. Edith contemplava, avidamente, a irmã: o rosto tornara-se lívido; o olhar se lhe obscurecera, mas, ao alto, a forma fluídica purpureava-se e parecia animar-se gradualmente com a vida que abandonava o corpo. Um momento depois, a moça jazia inerte e sem consciência sobre os travesseiros, mas a forma transformara-se em Espírito vivo. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

154. Cordões de luz, semelhantes a florescências elétricas, ligaram-se ainda ao coração, ao cérebro e aos outros órgãos vitais. Chegando o momento supremo, o Espírito oscilou algum tempo de um lado para outro, para vir, em seguida, colocar-se ao lado do corpo inanimado: ele era, em aparência, muito fraco e mal podia suster-se. Enquanto Edith contemplava essa cena, eis que se apresentaram duas formas luminosas, nas quais reconheceu seu pai e sua avó, mortos ambos nessa mesma casa. Eles aproximaram-se do Espírito recém-liberto, romperam os cordões de luz que o ligavam ainda ao corpo e, apertando-o nos braços, dirigiram-se à janela e desapareceram. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

155.  Sobre o assunto, eis o testemunho,  publicado na revista Light, de William Stainton Moses, pastor da Igreja Anglicana e médium respeitado: “Tive, recentemente, e pela primeira vez na vida, ocasião de estudar os processos de transição do Espírito. Aprendi tantas coisas dessa experiência, que me louvo por ser útil a outros, contando o que vi... Tratava de um próximo parente meu de quase 80 anos... Eu tinha percebido, por certos sintomas, que o seu fim estava próximo, e corri para preencher meu triste e último dever. Graças aos meus sentidos espirituais, podia verificar que, em torno e acima de seu corpo, se formava a aura nebulosa com a qual o Espírito devia preparar o seu corpo espiritual; e percebia que ela ia aumentando de volume e densidade, posto que submetida a maiores ou menores variações, segundo as oscilações experimentadas na vitalidade do moribundo”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

156. Prossegue o depoimento de Stainton Moses: “Pude, assim, notar que, por vezes, um ligeiro alimento tomado pelo doente, ou uma influência magnética desprendida por pessoa que dele se aproximava, tinha como resultado avivar momentaneamente o corpo. A aura parecia, pois, continuamente em fluxo e refluxo. Assisti a esse espetáculo durante doze dias e doze noites e, se bem que ao sétimo dia já o corpo tivesse dado sinais da sua iminente dissolução, a flutuação da vitalidade espiritual, em via de exteriorização, persistia. Pelo contrário, a cor da aura tinha mudado, essa última tomava, além disso, formas cada vez mais definidas, à medida que a hora da libertação se aproximava para o Espírito”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

157. Concluindo seu relato, disse Stainton Moses: “Vinte e quatro horas, somente, antes da morte, quando o corpo jazia inerte, foi que o processo da libertação progrediu. No momento supremo vi aparecer formas de ‘anjos de guarda’ que se chegaram ao moribundo, e, sem nenhum esforço, separaram o Espírito do corpo consumido. Quando, enfim, se quebraram os cordões magnéticos, os traços do defunto, nos quais se liam os sofrimentos experimentados, serenaram completamente e se impregnaram de inefável expressão de paz e de repouso”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Não é prudente enterrar o corpo antes de começar a decomposição? 

Não é prudente. Essa recomendação foi proposta por um dos precursores do Espiritismo, Andrew Jackson Davis, em seu livro “O Vidente”. O notável médium descobriu que muitas vezes, antes da inumação, o cordão umbilical fluídico, que liga alma e corpo, ainda não está rompido. É por isso, segundo ele, que pessoas que parecem mortas voltam à vida no fim de um ou dois dias e narram as sensações que experimentaram. (A Vida no Outro Mundo – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

B. Quanto à aparência do organismo fluídico do Espírito desencarnado, que disse Andrew Jackson Davis?

O organismo fluídico é semelhante à sua aparência terrestre. Descrevendo a desencarnação de um Espírito, que ele pôde acompanhar pela vidência, Davis informou: “Logo que se desprendeu dos laços tenazes do corpo o Espírito da pessoa que eu observava, constatei que o seu novo organismo, fluídico, era apropriado ao seu novo estado, mas que o conjunto se assemelhava à sua aparência terrestre”. Mais adiante, na mesma obra, ele escreveu: “Se pudésseis ver com os olhos psíquicos, perceberíeis, perto do corpo rijo, uma forma fluídica tendo a mesma aparência que o ente humano que acaba de morrer; porém, essa forma é mais bela e está como que animada de uma nova vida mais elevada”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

C. Os familiares já desencarnados costumam auxiliar o processo de desprendimento dos Espíritos de suas relações? 

Sim. Esse fato ocorre realmente, e foi isso que a médium Mrs. Florence Marryat relatou no seu livro The Spirit World (O Mundo dos Espíritos). Segundo ela, uma jovem de nome Edith, acompanhando a desencarnação de sua irmã, viu que duas formas luminosas se aproximaram do corpo inanimado, nas quais ela reconheceu seu pai e sua avó, mortos ambos naquela mesma casa. Eles aproximaram-se do Espírito recém-liberto, romperam os cordões de luz que o ligavam ainda ao corpo e, apertando-o nos braços, dirigiram-se à janela e desapareceram. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 11 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/04/blog-post_08.html

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 14 de abril de 2022

 



CINCO-MARIAS

 

Ensinar o amor pelo livro

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com


   O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado
. Mario Quintana

 

São poucos os pais, infelizmente, que se dedicam adequadamente a motivar os filhos a lerem mais e melhor.

O livro não é útil somente na escola.  A leitura, para se tornar um hábito, precisa fazer parte da rotina da família. Se os pais gostam de ler, e leem em casa com frequência, esse comportamento influencia naturalmente a criança e contribui para que ela também desenvolva o gosto pela leitura.

Sem desafiar o acaso, os pais têm o papel de assegurar à criança o acesso ao livro desde cedo. Bebês necessitam brincar, manusear, tocar o livro – os de pano, os de banho, por exemplo. À medida que a criança vá crescendo, pôr em prática o hábito de levá-la a bibliotecas, livrarias, feiras de livros, bancas de jornais, espaços onde ela possa ter contato com os livros.

À noite, no silêncio do quarto, faz parte do ritual do sono ler para a criança pequena.  A meninazinha entra encantada no universo da história, sente medo, compaixão, a alegria de descobrir que João e Maria escapam da casa da bruxa, fortalecendo, no corpo que cresce, o desejo de se apropriar da leitura, de se tornar um convicto leitor por essas estradas do mundo.

Por si só, a leitura aumenta a imaginação, desenvolve habilidades criativa e linguística, permite a criança perceber emoções e sentimentos, aprimora habilidades comunicativas, enriquece o vocabulário, desenvolve afeto e disposição moral, apura o senso crítico, amplia o conhecimento, é motivo de entretenimento, enriquecendo as paisagens da infância...

É sabido que um em cada quatro brasileiros não sabe ler e escrever ou não compreende textos simples. Além disso, o Brasil ocupa o 65º lugar entre 70 países avaliados pelo PISA, programa internacional que analisa o desempenho de alunos de 15 anos dos sistemas público e privado de ensino.

Deixando de lado aquela antiga brincadeira de fingir de estátuas, a falta de escolaridade é um impedimento não só para o crescimento individual, mas também para o coletivo. Nutrir nas crianças o amor pelo livro é, sem dúvida, uma medida substantiva que nos ajudará a vencer a mediocridade que emperra a sociedade brasileira. Saudade do futuro!

 

Notinha

 

Sugestões para estimular a leitura na infância: a) monte em casa um cantinho da leitura – os livros devem ser organizados em um local de fácil acesso para as crianças (baús ou estantes baixas), porque o essencial é estarem à mão para estimular a leitura; b) procure conhecer a programação de livrarias, bibliotecas, bienais e feiras do livro da região. Em geral, é possível aproveitar a programação relacionada à leitura, como encontros com autores, debates e contações de histórias; e c) além de ler, é muito importante conversar com a criança sobre a história. Perguntar sobre o que ela entendeu, sobre qual personagem gostaria de ser, se ela daria um final diferente. Pois ler é construir sentido, é encontrar significado. Ao conversar sobre o que leu, a criança pensa, reflete e desenvolve sua capacidade de compreensão.

 

*

 

Esta seção, cuja estreia neste blog ocorreu no dia 6 de janeiro deste ano, traz sempre textos dedicados à infância, seus cuidados, sua educação. O título – Cinco-marias – é uma alusão a um conhecido brinquedo que integra um conjunto de brincadeiras e atividades lúdicas conceituadas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), está concluindo em São Paulo a formação em Psicanálise.

Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 13 de abril de 2022

 



Revista Espírita de 1859

 

Allan Kardec

 

Parte 2

 

Prosseguimos nesta edição o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1859, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo será baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1859 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou. 

Cada parte do estudo, que será apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A.  Para que fim existe a mediunidade?

B. O poder magnético do magnetizador depende de quê?

C. Os Espíritos podem ver na obscuridade?

D. Morreu, descansou. Esta ideia corresponde à realidade?

 

Texto para leitura

 

26. Todos, diz Kardec, são mais ou menos médiuns, mas convencionou-se dar esse nome aos que apresentam manifestações patentes e, por assim dizer, facultativas. (P. 61)

27. De todos os gêneros de mediunidade, a mais comum e a mais fácil de se adquirir pelo exercício é a psicografia. (P. 61)

28. O papel do médium intuitivo é o mesmo de um intérprete entre nós e o Espírito, e a dificuldade está em se distinguir os pensamentos do médium daqueles que lhe são sugeridos. (P. 62)

29. Longe de nós, assevera São Luís, desprezar os médiuns de efeitos físicos. Têm eles sua razão de ser e prestam incontestáveis serviços à Ciência Espírita; mas quando um médium possui uma faculdade que o põe em contato com seres superiores, não compreendemos que dela abdique, ou que deseje outras, a não ser por ignorância. (P. 64)

30. A mediunidade é uma faculdade dada para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem quer que pretenda transformá-la em escada para outros fins que não correspondam aos desígnios da Providência. (P. 65)

31. Em Saint-Etienne uma moça conseguia tomar os traços, a voz e os gestos de parentes mortos que nem chegou a conhecer. Evocado, São Luís explica que, na transfiguração, o corpo nunca muda, mas reveste aparências diversas e sofre uma espécie de oclusão, encoberto pelo perispírito. (P. 68)

32. O homem, diz Kardec, se avilta pela inveja, pelo ódio, pelo ciúme e por todas as paixões mesquinhas, mas se eleva pelo esquecimento das ofensas; eis a moral espírita. (P. 72)

33. O Espírito de Paul Gaimard, ex-médico da Marinha, fala da importância dos esforços morais que o homem faça em sua vida. (P. 73)

34. Diz ele que na erraticidade o Espírito é mais senhor de si, tem mais consciência de sua força; a carne pesa, obscurece e entrava. (P. 74)

35. Todos os Espíritos, lembra Kardec, dizem que no estado de erraticidade pesquisam, estudam, observam, a fim de fazer a escolha. (P. 75)

36. O Espírito da Sra. Reynaud, que fora notável sonâmbula lúcida, diz que sua lucidez não tinha a prontidão e a justeza que possui agora. (P. 77)

37. A cadeia das existências, diz ela, é formada de anéis seguidos e contínuos, e nenhuma interrupção lhe suspende o curso: a vida terrena é a continuação da vida celeste precedente e o prelúdio da próxima. (P. 77)

38. A Sra. Reynaud diz ainda que é possível ser bom sonâmbulo sem possuir um Espírito de ordem elevada. (P. 78)

39. Dizendo que é o Espírito quem vê, a Sra. Reynaud informa que agora vê melhor do que quando em estado sonambúlico, pois pode ver o homem por dentro, inclusive na obscuridade. (P. 79)

40. O fluido magnético, diz o mesmo Espírito, emana do sistema nervoso, mas o sistema nervoso o tira da atmosfera, sua fonte principal. O poder magnético do magnetizador depende não só de sua constituição física, mas muito do seu caráter. (P. 80)

41. Por isso, as qualidades mais essenciais para o magnetizador são o coração, as boas intenções sempre firmes, o desinteresse. (P. 80)

42. A Revista Espírita transcreve o famoso caso do espectro de Atenas, que apareceu para o filósofo Atenodoro, narrado por Plínio, o Moço. (P. 87)

43. Evocado por Kardec, Plínio diz que o desinteresse aqui é coisa rara: "Em cada duzentos homens encontrareis apenas um ou dois realmente desinteressados". Kardec concordou. (P. 90)

44. Costuma-se dizer que ninguém dos que morreram voltou para nos dar informações. Kardec diz que isso é um erro, e a missão do Espiritismo é precisamente esclarecer-nos sobre esse futuro, fazendo-nos tocá-lo e vê-lo, não mais pelo raciocínio, mas pelos fatos. (P. 92)

45. O Espírito vê sem auxílio de nossa luz e ouve sem necessidade das vibrações do ar; eis por que para ele não há obscuridade. (P. 93)

46. As sensações permanentes e indefinidas, por mais agradáveis que sejam, se tornariam com o tempo fatigantes, se não lhe fosse possível subtrair-se a elas; por isso tem ele a faculdade de as suspender. (P. 94)

47. O Espírito pode, pois, deixar de ver, de ouvir, de sentir tais ou quais coisas, conforme sua vontade, mas na razão de sua superioridade, porque há coisas que os Espíritos inferiores não podem evitar. (P. 94)

48. Como os Espíritos não necessitam de vibrações sonoras para lhes ferir os ouvidos, compreendem-se pela simples transmissão do pensamento, assim como por vezes nos entendemos pelo simples olhar. (PP. 94 e 95)

49. Ao entrar em sua nova vida o Espírito precisa de algum tempo para se reconhecer, porque tudo ali lhe parece estranho e desconhecido. (P. 95)

50. É um erro pensar que a vida espírita seja uma vida ociosa; ao contrário, ela é essencialmente ativa e todos têm ali ocupações. (P. 97)

51. Uma coisa notável é que, mesmo entre os Espíritos mais comuns, de um modo geral os sentimentos são mais puros como Espíritos do que como homens. A vida espírita os esclarece quanto aos seus defeitos e, salvo poucas exceções, lamentam eles amargamente o mal que fizeram. (P. 99)

52. Há, porém, o que se pode chamar de escória do mundo espírita, constituída dos Espíritos impuros, cuja preocupação única é o mal. (P. 100)

53. Para prevenir a fraude nas reuniões espíritas é preciso observar atentamente as circunstâncias e, sobretudo, levar em consideração o caráter e a condição das pessoas, seus objetivos e interesses. (P. 102)

 

Respostas às questões propostas

 

A.  Para que fim existe a mediunidade?

A mediunidade é uma faculdade dada para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem quer que pretenda transformá-la em escada para outros fins que não correspondam aos desígnios da Providência. (Revista Espírita de 1859, p. 65.)

B. O poder magnético do magnetizador depende de quê?

Depende de sua constituição física e muito do seu caráter. É por isso que as qualidades mais essenciais para o magnetizador são o coração, as boas intenções sempre firmes e o desinteresse. (Obra citada, p. 80.)

C. Os Espíritos podem ver na obscuridade?

Sim. Eles veem sem auxílio de nossa luz e ouvem sem necessidade das vibrações do ar; eis por que para eles não há obscuridade. Além disso, eles têm a faculdade de suspender as percepções e sensações que desejam, podendo deixar de ver, de ouvir, de sentir tais ou quais coisas, conforme sua vontade, mas na razão de sua superioridade, porque há coisas que os Espíritos inferiores não podem evitar. (Obra citada, pp. 93 e 94.)

D. Morreu, descansou. Esta ideia corresponde à realidade?

Não. É um erro pensar que a vida espírita seja uma vida ociosa; ela é, ao contrário, essencialmente ativa e todos têm ali ocupações. (Obra citada, p. 97.)

 

 

Observação:

Para acessar a 1ª parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/04/blog-post_06.html

 

 

 

 

 

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