terça-feira, 8 de julho de 2025

 



Deus está aqui

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Em nós estão o bem e o mal, o belo e o desagradável, o infinito e o limitado, a paciência e a sua desastrosa falta, o capricho e o desleixo, o certo e o incorreto, a clareza e a obscuridade, a compreensão e o desentendimento, a paz e o inferno. A permanência maior entre uma energia positiva e outra é a sintonia de nosso coração com um dos polos, ou com um mais do que com outro.

Deus, antes de tudo, está em nós, porém o nosso desfavorável comportamento, muitas vezes, e a falta de disciplina para o aprimoramento fazem com que não sintamos a maior energia da vida. Se mesmo não falando, Deus já nos escuta; se ainda algo não ocorreu, mas Ele já nos protege e encaminha; se tudo está amparado; se para tudo há o seu motivo; se a vida, por completa, é Deus, então, ininterruptamente, Deus está conosco. É apenas uma questão de assim querer viver. No entanto o livre-arbítrio é predominante e decisivo, e o tempo de mais felicidade do que angústia também é uma escolha.

Porém quando percebemos, ainda que muito superficial, o andamento da perfeição da vida, mesmo em nossa atual rudeza, pensamos que “sim, Deus está aqui e agora e em todo tempo e lugar”. Tão perto que podemos ouvi-Lo, que podemos senti-Lo, que podemos vê-Lo nas bondades humanas, nas belezas naturais, na luz do sol, no doce chilrear dos pássaros, na descida  do rio e depois no encontro com o mar. Podemos percebê-Lo no ar que respiramos, na complexa cadeia celular do nosso corpo físico, ainda em nosso perispírito e admiravelmente em nosso espírito.

Deus está aqui, sempre esteve e estará, nós é que devemos despertar para a verdadeira vida na qual, mesmo na dimensão material, prevalece a consciência espiritual. Deus está na meditação, quando ainda mais se pode percebê-Lo. Também está nos olhares dos necessitados, dos sábios e dos simples; no animal, em toda a sua singularidade (doméstico ou mais selvagem); está nas crianças que nos enternecem e tanto nos fazem querer tomá-las em nossos braços. Deus está no horizonte e em nossa frente; no momento em que nossa impaciência nos coloca em perfeita contrariedade,  ainda assim está nos amparando; está no nascimento e na partida; Deus está na vida e em sua eternidade.

A diferença entre as percepções dependerá exclusivamente de nossas escolhas e intuitos, pois se ainda a preferência for por dias mais difíceis e infelizes assim será, entretanto se o pedido for de ver a presença divina em tudo, assim será também. Quanto mais buscarmos Essa presença constante, mais já nos sentiremos no paraíso, pois nunca o lugar nos determinará, mas o estado de nosso espírito é o que nos definirá.

Tudo é acessível, porém estar na Presença Divina é o único caminho.

 

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segunda-feira, 7 de julho de 2025

 



A parábola relembrada

 

Neio Lúcio (Espírito)

 

Depois da parábola do bom samaritano, à noite, em casa de Simão, Tadeu, sinceramente interessado no assunto, rogou ao Mestre fosse mais explícito no ensinamento, e Jesus, com a espontaneidade habitual, falou:

— Um homem enfermo jazia no chão, em esgares de sofrimento, às portas de grande cidade, assistido por pequena massa popular menos esclarecida e indiferente.

Passou por ali um moço romano de coração generoso, em seu carro apressado, e atirou-lhe duas moedas de prata, que um rapazelho de maus costumes subtraiu às ocultas.

Logo após, transitou pelo mesmo local um venerando escriba da Lei, que, alegando serviços prementes, prometeu enviar autoridades em benefício do mendigo anônimo.

Quase de imediato, desfilou por ali um sacerdote que lançou ao viajante desamparado um gesto de bênção e, afirmando que o culto ao Supremo Senhor esperava por ele, exortou o povo a asilar o doente e alimentá-lo.

Depois dele, surgiu, de relance, respeitável senhora, a quem o pobre se dirigiu em comovedora súplica; todavia, a nobre matrona, lastimando as dificuldades da sua condição de mulher, invocou o cavalheirismo masculino, para aliviá-lo, como se fazia imprescindível.

Minutos após, um grande juiz varou o mesmo trecho da via pública asseverando que nomearia testemunhas a fim de saber se o mísero não seria algum viciado vulgar, afastando-se, lépido, sob o pretexto de que a oportunidade lhe não era favorável.

Decorridos mais alguns instantes, veio à cena um mercador de bolsa que, condoído, asseverou a sua carência de tempo e deu vinte moedas a um homem que lhe pareceu simpático, a fim de que o problema de assistência fosse resolvido, mas o preposto improvisado era um malfeitor evadido do cárcere e fugiu com o dinheiro sem prestar o socorro prometido.

O doente tremia e suava de dor, rojado ao pó, quando surgiu ali velho publicano, considerado de má vida, por não adorar o Senhor, segundo as regras dos fariseus. Com espanto de todos, aproximou-se do infeliz, endereçou-lhe palavras de encorajamento e carinho, deu-lhe o braço levantou-o e, sustentando-o com as próprias energias, conduziu-o a uma estalagem de confiança, fornecendo-lhe medicação adequada e dividindo com ele o reduzido dinheiro que trazia consigo. Em seguida, retomou a sua jornada, seguindo tranquilamente o seu caminho.

Depois de interromper-se, ligeiramente, o Mestre perguntou ao discípulo:

— Em tua opinião, quem exerceu a caridade legítima?

— Ah! sem dúvida — exclamou Tadeu, bem-humorado —, embora aparentemente desprezível, foi o publicano, porquanto, além de dar o dinheiro e a palavra, deu também o sentimento, o tempo, o braço e o estímulo fraterno, utilizando, para isso, as próprias forças.

Jesus, complacente, fitou no aprendiz os olhos penetrantes e rematou:

— Então, faze tu o mesmo. A caridade, por substitutos, indiscutivelmente é honrosa e louvável, mas o bem que praticamos em sentido direto, dando de nós mesmos, é sempre o maior e o mais seguro de todos.

 

Do livro Jesus no Lar, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

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domingo, 6 de julho de 2025

 



Satã, o diabo e os chamados demônios poderão um dia tornar-se anjos

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor pergunta-nos o que na doutrina espírita é dito sobre Satã, o diabo e os chamados demônios.

A questão proposta nos permite falar sobre um livro de Allan Kardec pouco conhecido até mesmo no meio espírita. Referimo-nos à obra Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, cuja tradução para o idioma português devemos originalmente a Cairbar Schutel, que a publicou pela Casa Editora O Clarim.

Eis, de forma resumida, o que Allan Kardec consignou no citado livro a respeito dos termos mencionados na pergunta:

Diabo – Segundo a crença vulgar, o diabo é um ser real, um anjo rebelde, chefe de todos os demônios e que tem um poder bastante grande para lutar contra o próprio Deus. Ele conhece nossos pensamentos mais secretos, insufla todas as más paixões e toma todas as formas para nos induzir ao mal. Segundo a doutrina espírita, o diabo é a personificação do mal; é um ser alegórico que resume em si todas as paixões más dos Espíritos imperfeitos. Seus chifres e a cauda são o emblema da bestialidade, isto é, da brutalidade e das paixões animais.

Demônio – Tanto em grego como em latim, o termo demônio se aplica aos seres incorpóreos, bons ou maus, e que se supõe terem conhecimentos e poder superiores aos do homem. Nas línguas modernas essa palavra é geralmente tomada em má acepção, que se restringe aos gênios malfazejos. Os Espíritos ensinam que Deus, sendo soberanamente justo e bom, não pode ter criado seres votados ao mal e desgraçados por toda a eternidade. Segundo eles, não há demônios na acepção absoluta e restrita desta palavra; há apenas Espíritos imperfeitos, que podem, sem nenhuma exceção, aperfeiçoar-se por seus esforços e por sua vontade.

Satanás ou Satã – O termo designa o chefe dos demônios e é, de certo modo, sinônimo de diabo, com a diferença de que este último vocábulo pertence mais do que o primeiro à linguagem familiar. Além disso, de acordo com a teologia católica, Satã é único, o gênio do mal, o rival de Deus. Diabo é um termo mais genérico, que se aplica a todos os demônios. Existiria, pois, um único Satã (ou Satanás), mas inúmeros diabos. Segundo a Doutrina Espírita, Satanás ou Satã não é um ser distinto, pois Deus não tem rival com quem possa medir-se. Satã é a personificação alegórica do mal e de todos os maus Espíritos.

 

*

 

Resumimos as explicações acima em uma única frase: Os seres que as religiões dogmáticas chamam de Satã, demônios e diabos são Espíritos como nós e também, como nós, sujeitos à lei do progresso.

Podemos, então, afirmar que Satã, o diabo e os chamados demônios, como seres espirituais perfectíveis que são, poderão um dia, em um futuro próximo ou distante, tornar-se anjos, como é ensinado com absoluta clareza na questão n. 116 d´O Livro dos Espíritos, abaixo reproduzida:

 

116. Haverá Espíritos que se conservem eternamente nas ordens inferiores?

“Não; todos se tornarão perfeitos. Mudam de ordem, mas demoradamente, porquanto, como já doutra vez dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir seus filhos para sempre. Pretenderias que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós mesmos?” (Obra cit.)

 

 

Nota do Autor:

Para ler o texto publicado no domingo anterior, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/06/paganismo-e-politeismo-sao-mesma-coisa.html

 

 

 

 

 

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sábado, 5 de julho de 2025

 



Observe os textos abaixo e aponte qual o correto:

- Se houvesse mais policiais nas ruas, teríamos mais segurança.

- Se houvessem mais policiais nas ruas, teríamos mais segurança.

O primeiro texto atende às regras do nosso idioma; o segundo apresenta erro no uso do verbo, visto que em casos assim o verbo haver é impessoal e deve, portanto, ficar sempre na 3ª pessoa do singular.

Segundo as normas gramaticais, é impessoal o verbo haver quando significa:

1-     Ocorrer, acontecer – Na festa houve muitas discussões desagradáveis.

2-     Fazer, indicando tempo decorrido – Havia dez anos que ela havia partido.

3-     Existir – A construção parou porque não havia recursos.

Estão corretas, pois, as seguintes construções:

- No ano que passou houve muitas greves no país.

- Não houve meios de evitar a tragédia.

- Há vinte anos que o filho não vê o pai.

- Há momentos na vida em que só nos resta orar.

- Havia torcedores por todos os lados.

- Se houvesse filmes bons como antigamente, valeria a pena ir ao cinema.

Essa impessoalidade mantém-se ainda quando o verbo haver vier precedido de verbo auxiliar:

- Pode haver muitas manifestações contra o prefeito.

- Deve haver mais casos de corrupção no Senado.

- Está havendo muitas reclamações contra o novo horário.

- Tem havido muitos acidentes nesta estrada.

 


Observação:

Para acessar o estudo publicado no sábado anterior, clique aqui:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/06/concluindo-o-que-dissemos-na-edicao.html

 

 

 

 

 

 

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