Paganismo
e politeísmo são a mesma coisa?
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
A questão proposta no título foi-nos
suscitada por um amigo que nos perguntou se existe relação entre paganismo e
politeísmo.
Antes de tratar diretamente a questão, é preciso lembrar
que politeísmo implica a crença em uma pluralidade de deuses ou a adoração de
mais de um deus. Como tal crença surgiu e floresceu no mundo em que vivemos?
Segundo lemos na questão 667 d´O Livro dos Espíritos,
a concepção de um Deus único não poderia existir no homem senão como resultado
do desenvolvimento de suas ideias.
A palavra Deus tinha, entre os antigos, acepção muito
ampla e não indicava, como presentemente, uma personificação do Senhor da vida.
Era uma qualificação genérica, que se dava a todo ser existente fora das
condições da Humanidade, o que é fácil de verificar estudando atentamente os
atributos das divindades pagãs.
Entre os vários fatores responsáveis pela crença na
multiplicidade de deuses devemos salientar: a) a personificação das forças da
natureza e sua consequente elevação ao reino da divindade; b) a divinização de
antepassados e heróis; c) a centralização política dos grandes Estados, provocando
a fusão e a unificação de culturas e crenças.
Disso derivaram os três principais sistemas do
politeísmo: a idolatria – adoração de muitos deuses personificados por ídolos
grosseiros; o sabeísmo – culto dos astros e do fogo; e o feiticismo ou fetichismo
– adoração de tudo quanto impressiona a imaginação e a que se atribui poder.
O termo paganismo é comumente utilizado como sinônimo de
politeísmo. Em essência, ele o é mesmo, mas, do ponto de vista histórico e
teológico, não. Quando os governantes de Roma consagraram o Cristianismo como a
nova religião do Império Romano, os não cristãos foram chamados de pagãos, ou
seja, adeptos do paganismo. Acabaram então sendo generalizados como pagãos
tanto os politeístas propriamente ditos como os monoteístas não cristãos.
Estudando as origens do politeísmo e do paganismo,
Emmanuel em seu livro A Caminho da Luz diz que a gênese de todas as
religiões da Humanidade teve origem no coração de Jesus, em face,
evidentemente, de ser ele o diretor espiritual do orbe terrestre. Devido a
isso, de tempos em tempos, o Mestre tem enviado mensageiros à Terra para
ensinar e difundir as verdades evangélicas, que são recepcionadas e
interpretadas segundo o nível evolutivo de cada época.
A história da China, da Pérsia, do Egito, da Índia, como
a dos árabes, dos israelitas, dos celtas, dos gregos e dos romanos, está
alumiada pela luz dos seus poderosos emissários e muitos deles tão bem se
houveram no cumprimento dos seus deveres, que foram havidos como sendo o
próprio Cristo em reencarnações sucessivas e periódicas.
Sobre o assunto, sugerimos aos interessados que leiam as
questões 667 e 668 d´O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Nota do Autor:
Para ler o texto
publicado no domingo anterior, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/06/o-espiritismo-na-visao-do-pastor.html
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