sábado, 25 de julho de 2020



Tentativa frustrada de alfabetizar Vitalina e sua predição

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Aos vinte anos, precisei trancar a matrícula quando cursava o segundo ano de técnico de contabilidade no Colégio Nossa Senhora do Brasil, na Penha, RJ, com bolsas de estudos sempre fornecidas pelo diretor do colégio, Sr. Rossini Lopes da Fonte.  Eu me incorporara ao Exército, onde, três anos depois, concluí o curso de formação de sargentos. Fui então transferido para o 19º Batalhão de Caçadores, em Salvador, BA.
Após ano e meio lá, transferiram-me para o 4º Batalhão de Engenharia de Construção, situado em Barreiras, BA, que, na época, estava construindo a estrada Barreiras, BA-Brasília, DF. Foi ali, em Barreiras, que cheguei a ser convidado por um colega de farda a dar aula de português em cursinho que ele dirigia na cidade. Como eu só cursara até o segundo ano incompleto do atual ensino médio, recusei o convite.
Algum tempo depois, conheci Vitalina, já idosa, que esteve na inauguração do centro espírita que eu frequentava. Ela possuía o dom da vidência e sempre me convidava a participar sem cobrar, a ninguém, um centavo sequer, como pagamento de suas sessões mediúnicas. Colocava um pouco d’água num copo, concentrava-se nele e passava a revelar-me o que os Espíritos lhe permitiam ver. Uma dessas revelações, confirmada, anos após, foi a de que eu escreveria diversas obras futuramente. Isso foi-me dito quando eu jamais imaginara ser escritor...
Vitalina, essa alma simples e boa, era analfabeta. Então, tive a ideia de tentar alfabetizá-la, mesmo sem eu possuir conhecimento didático para isso. Consegui um livro com o abecedário, comprei algum material escolar e passei a tentar ensiná-la a ler. E ela, com toda a boa vontade, mas com alguma dificuldade, lia e ria encantada:
— Bê a... bá; bê é... bé...
Não demorou muito tempo, porém, conheci Lourdes, com quem me casei. E Vitalina conheceu o senhor Antônio, com o qual passou a viver. Um dia, já transferidos para Brasília, fomos a Barreiras nas férias e, em visita ao casal, perguntei-lhe:
— E as aulas de alfabetização, Vitalina, têm continuado com o Sr. Antônio? — Ao que ela respondeu, com tristeza nos olhos e ante o sorriso dele:
— Antônio não tem paciência em me ensinar a ler, mas também minha cabeça, nessa idade, já não ajuda...
Nunca mais os vimos. Anos depois, Vitalina desencarnou.
Tudo o que a baiana Vitalina me disse concretizou-se em Brasília, onde residimos desde 1980. O mais interessante é que os baianos parecem ser os que mais adotam, nas escolas, nosso livro didático: Texto Acadêmico: técnicas de redação e de pesquisa científica, cuja décima edição a Editora Vozes, de Petrópolis, RJ, reimprimiu em 2019. Tanto é assim que, anos atrás, fui convidado a proferir palestra num seminário sobre técnicas de pesquisa, com base nessa obra, na faculdade situada em Paripiranga, cidade do interior baiano.
“— Os Espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos?” — pergunta Allan Kardec na questão 459 d’O Livro dos Espíritos.
“— Muito mais do que imaginais, pois frequentemente são eles que vos dirigem”. — É o que lhe foi respondido. E temos constatado, ano após ano, a verdade desta resposta. Sim, os Espíritos guiam-nos. Mas há anjos encarnados que os auxiliam e nos deixam marcas indeléveis, ainda que façamos tão pouco por estes...





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sexta-feira, 24 de julho de 2020



O Espiritismo perante a Ciência

Gabriel Delanne

Parte 19

Continuamos o estudo do clássico O Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Delanne, conforme tradução da obra francesa Le Spiritisme devant la Science.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Numa comunicação mediúnica, o nome com que o Espírito a assina é importante?
B. Qual o objetivo principal da ciência espírita?
C. Que diz Delanne a respeito da reencarnação?

Texto para leitura

459. Entre as objeções, que nunca deixam de ser dirigidas aos espiritistas, acha-se a seguinte: – Por que, se os fenômenos que produzis são reais, não podeis obtê-los à vontade perante os incrédulos?
460. A resposta é fácil. Verificou-se, pela experiência, que para ter comunicações dos Espíritos são necessárias várias condições: 1º – é preciso um médium; 2º – é necessário que sua faculdade corresponda ao gênero de manifestação que se pede. Assim, o médium da evocação pela mesa não será o mesmo que o da escrita, como pode suceder que o médium vidente não seja auditivo.
461. Há pessoas privilegiadas, que reúnem muitas faculdades em alto grau, como Home e Slade, mas entre esses favoritos, a mediunidade não é constante; vê-se submetida a flutuações e mesmo a suspensões que lhes tiram todo o poder. De sorte que, para convencer um incrédulo, não basta sempre ter um médium; é preciso saber se ele estará em boas condições para servir de intermediário aos Espíritos. Ignoram-se, ainda, quais são as leis que dirigem essa espécie de fluxo e refluxo da mediunidade, mas cremos que é possível atribuí-las a duas causas: ou à saúde física do médium, ou aos Espíritos, que não podem ou não querem manifestar-se.
462. Pôde-se notar em médiuns poderosos, como Florence Cook, Home e Slade, depois das sessões espíritas de manifestações, um tal desperdício de forças que produzia mal-estar, desfalecimentos, e que não lhes permitia, por muito tempo, dar outras sessões. Esse estado de prostração pode ser assemelhado às intermitências que se notam na vidência dos sonâmbulos.
463. É preciso, ainda, considerar que os Espíritos são seres como nós, submetidos a leis que não lhes é possível frustrar à sua vontade, e que têm, além disso, seu livre-arbítrio, em virtude do qual não são nunca obrigados a responder à nossa chamada.
464. Uma queixa que vemos, muitas vezes, formular é precisamente o absurdo que há no acreditar que filósofos como Sócrates, físicos como Newton, poetas como Corneille, sejam forçados a vir palestrar com meia dúzia de basbaques, em torno de uma mesa. Seria ridículo de fato. A Doutrina Espírita ensina, pelo contrário, que os Espíritos podem responder às nossas evocações, mas que só o fazem quando julgam necessário.
465. Se os experimentadores só buscam nas práticas espíritas um divertimento pueril, poderão ficar certos de que serão vítimas de Espíritos farsistas, os quais lhes virão contar todos os disparates possíveis, e isto sob a capa dos mais ilustres nomes.
466.Em geral, ignora-se que o mundo dos Espíritos é composto dos mais diversos elementos. Assim como na Terra encontramos inteligências em todos os graus de desenvolvimento, também no mundo espiritual, que é o nosso com o corpo de menos, há individualidades de escol ao lado dos mais atrasados Espíritos. Podemos, pois, obter ditados espíritas, que variam de elevação moral conforme o ser que os produz. O nome com que um Espírito se assina é de importância secundária; o que importa considerar são as ideias emitidas. Se o ensino é grandioso, se prega o amor de nossos semelhantes, se nos faz compreender as leis da moral, ele emana de um Espírito elevado; se a comunicação encerra ideias vulgares, enunciadas em termos impróprios, o Espírito é pouco adiantado.
467. Todas essas observações foram feitas muitas vezes por Allan Kardec, nos seus livros e na revista que dirigia, mas os nossos contraditores nunca se deram ao trabalho de as ler, de sorte que somos obrigados a recapitulá-las.
468. Os observadores sérios, desejosos de saber o que há de verdade no Espiritismo, submeteram-se a todas as condições indispensáveis para o bom êxito da experiência. Longe de exigirem, desde a primeira sessão, provas convincentes, lenta, metodicamente é que se familiarizaram com todas as fases do fenômeno. Barkas esteve em expectativa 10 anos. Crookes 6, Oxon 8. Foi pelo estudo atento dos fatos, quando se habituaram às singularidades aparentes das manifestações, que procuraram as causas capazes de produzi-los; depois de reunirem grande quantidade de observações, em diferentes meios, fizeram-lhes a síntese e concluíram finalmente pela existência e intervenção dos Espíritos.
469. Continuemos o exame das críticas ao Espiritismo. Tem-se feito a seguinte pergunta: – Supondo que o Espiritismo seja uma verdade, por que os Espíritos, para se manifestarem, têm necessidade de uma mesa e de um médium?
470. Seria absurdo supor que um Espírito seja obrigado, para dar-nos instruções ou conselhos, a vir alojar-se num pé de mesa, ou de cadeira, ou de guéridon, porque se veria privado de comunicações quem não possuísse esses móveis; demais, não são eles de uma virtude especial que possa legitimar um tal poder.
471. É preciso familiarizar-nos com a vida dos Espíritos e seu modo de operar, para compreender o que se passa na tiptologia. Os Espíritos sempre existiram, pois são eles que, pela encarnação, povoam a Terra; também sempre exerceram influência no mundo visível, por manifestações físicas e inspirações dadas aos homens. Os pensamentos soprados no cérebro do encarnado não deixam traços, mas, se os invisíveis querem mostrar sua presença de maneira ostensiva, servem-se de um médium, que lhes empresta o fluido necessário, e põem em movimento o primeiro objeto que se lhes depara, mesa ou cadeira, de maneira a assinalar sua presença. A mesa não é condição indispensável do fenômeno, mas dela se servem os Espíritos, e eis tudo. Ele, o médium, é necessário, porque sem a sua ação nada pode produzir-se; mas ele é simples intermediário, muitas vezes inconsciente, e não tem outro mérito que o da docilidade.
472. Uma causa de espanto para os que conhecem pouco os princípios da Doutrina Espírita é que os Espíritos não respondem sempre quando os interrogam sobre o futuro ou quando lhes apresentam questões relativas à solução de certos problemas científicos. As perguntas que se ouvem a cada instante provam uma ignorância completa da missão dos Espíritos e do fim de suas manifestações. Todo pedido de interesse puramente pessoal, de sentimento egoístico, não recebe resposta e, se alguma aparece, provém de Espíritos farsistas, que procuram enganar-nos. Não é preciso esconder que os Espíritos sérios e adiantados são exceção, porque se assim não fosse o nosso mundo seria mais perfeito.
473. Há, no espaço, seres que cercam, que se interessam por nossa vida e procuram, frequentemente, divertir-se à nossa custa, quando percebem que a cupidez e outras vistas são os únicos móveis de um consulente. Empregam mil facécias, de que o imprudente é a vítima. Vemos com pena aqueles que no Espiritismo só buscam objetos perdidos, pedem conselhos sobre sua posição material ou procuram descobrir tesouros ocultos.
474. A ciência espírita tem um fim mais nobre, mais grandioso; seu principal objetivo é demonstrar a existência da alma depois da morte; alcançasse somente esse resultado, e as consequências daí decorrentes, sob o ponto de vista moral e social, seriam já consideráveis. Mas não se limitam a isso seus benefícios. Ela nos fornece informações seguras sobre a outra vida, permite-nos compreender a bondade e a justiça de Deus, dá-nos a explicação de nossa existência na Terra; numa palavra, é a ciência da alma e de seu destino.
475. Isto nos leva a falar das instruções que recebemos dos Espíritos Superiores, a quem chamamos guias. Eles já desvelaram a nossos olhos uma grande parte dos mistérios que encobriam o futuro além da morte, iniciando-nos nos esplendores da vida espiritual e fazendo-nos entrever as grandes leis que dirigem a evolução das coisas e dos seres a destinos mais elevados. Mas não nos podem dizer tudo, porque, então, nenhum mérito haveria de nossa parte, e como nossas aquisições espirituais devem ser o resultado de nossos esforços, não lhes é permitido revelar-nos tudo o que sabem.
476. Por outro lado, é evidente a necessidade de proporcionarem o ensino conforme o adiantamento dos homens. Que se diria de um professor que quisesse ensinar cálculo integral a uma criança de dez anos? Da mesma maneira, os Espíritos só nos podem revelar progressivamente as verdades que eles conhecem, à medida que nos tornamos mais aptos a compreendê-las.
477. Deram eles, entretanto, por comunicações, as mais altas ideias a que chegaram as deduções modernas. Allan Kardec pregava a unidade da força e da matéria, em uma época em que essas noções estavam longe de ser admitidas pela ciência oficial. Nossos guias prometem-nos para o futuro revelações ainda mais grandiosas; é por isso que, encorajados pelo que eles já nos anunciaram, esperamos, com paciência, novos descobrimentos no futuro.
478. Julgam um argumento decisivo contra os espíritas não terem os Espíritos de diferentes países a mesma opinião sobre grande número de pontos: uns admitem a reencarnação, enquanto outros a rejeitam; uns são católicos, outros sustentam o protestantismo. Parte-se daí para afirmar que as comunicações podem bem ser o reflexo do espírito dos médiuns, segundo a equação pessoal de cada um, como diz Dassier.
479. Já combatemos essa maneira de ver e mostramos que, quando a influência espiritual se exerce, são inteligências estranhas ao médium que produzem o fenômeno; demais, dizem elas ter vivido na Terra, não uma vez, mas muitas vezes. Não há razão para duvidar dessa afirmativa, tanto mais que ela corrobora um sistema filosófico da mais severa lógica. A pluralidade das existências da alma concilia todas as dificuldades que as religiões atuais não podem resolver, eis por que adotamos esta maneira de ver.
480. A reencarnação é uma lei sem a qual não se poderia compreender a justiça de Deus. Ela é confirmada por milhares de seres, que denotam, no raciocínio e no estilo, adiantamento espiritual. Devemos, pois, concluir, que os Espíritos que não partilham essas ideias são almas atrasadas, que chegarão mais tarde à verdade. Na Terra, mesmo em país civilizado, como o nosso, poucos homens conhecem os ensinos da ciência. Se nos colocarmos na via pública, detivermos vinte transeuntes e nos pusermos a examinar-lhes os conhecimentos, dezoito, pelo menos – poderíamos apostar – seriam incapazes de dar esclarecimentos exatos sobre as diferentes funções da digestão. E haverá fenômeno mais habitual e mais frequente que este? Ora, se a multidão é tão pouco instruída sobre o que mais lhe importaria saber, com mais forte razão descuidará dos complicados problemas de que depende a vida espiritual.
481. O mundo dos Espíritos é absolutamente igual ao nosso e por isso não nos devemos espantar das divergências nas comunicações. Longe de aceitar todas as ideias que nos chegam pelo canal dos médiuns, convém passar pelo crivo da razão as teorias que nos apresentam, e rejeitar, sem hesitação, as que não estão em perfeito acordo com a lógica.
482. Deus colocou em nós este archote divino, que nada deve extinguir, e é um sagrado direito crer tão-só naquilo que compreendemos nitidamente. Eis por que o Espiritismo, tão bem resumido nas obras de Kardec, responde às aspirações de nossa época, e daí sua rápida propagação no mundo.
483. Um escritor positivista, Dassier, teve a pretensão de libertar o homem do que ele chama “as enervantes alucinações do Espiritismo”. Depois de tanta promessa, esperávamos uma refutação em regra de todos os argumentos espíritas, mas nos achamos em face de uma reedição disfarçada de velhos agravos: charlatanismo, superstição, etc. Dassier, entretanto, dá um passo à frente: consente em crer que é uma realidade o que chamamos perispírito; denomina-o duplo fluídico, personalidade póstuma ou mesmeriana, e lhe atribui os mais extensos poderes.
484. Esse autor reuniu documentos notáveis que provam que o homem é duplo e que, em certas circunstâncias, se pode produzir uma separação entre os dois princípios que o compõem. Voltaremos mais particularmente a este estudo nos capítulos seguintes. Assinalemos somente, aqui, o processo de Dassier que, combatendo nossas doutrinas, reconhece, entretanto, a exatidão dos fatos afirmados por Allan Kardec e a boa-fé dos médiuns. Ele crê explicar tudo pela hipótese da transmissão do pensamento e da sobrevivência temporária da individualidade. Segundo ele, no momento da morte, a força vital não fica aniquilada; o que formava o duplo fluídico pode viver ainda algum tempo, mas se vai dividindo e desagregando à medida que os elementos que o constituem vão juntar-se aos seus similares na Natureza.
485. Para refutar esta doutrina, basta dizer que temos milhares de comunicações que nos afirmam o contrário. Aliás, o autor se limita a expor sua maneira de ver, sem dar-se ao incômodo de fornecer provas. Lançou mão, apenas, em seu proveito, de parte das teorias teosóficas, que admitem, também, que os homens não têm todos, no mesmo grau, a possibilidade de atingir a imortalidade.
486. Todos esses sistemas provam o progresso em relação ao materialismo puro, mas não podem satisfazer àqueles que não se limitam a noções vagas e que exigem dados positivos nos quais assentem suas convicções. Procuraram assemelhar o médium escrevente a um sonâmbulo lúcido. Sabe-se, com efeito, que o magnetizador pode, em certos casos, fazer com que o paciente execute os movimentos nos quais ele pensa, sem ser obrigado a enunciar, oralmente, sua vontade. Não se pode estabelecer qualquer analogia entre esse fato e a mediunidade.
487. Nas experiências espíritas o médium não dorme e o evocador é, muitas vezes, ignorante das práticas magnéticas. O pensamento do consultante não poderia, pois, produzir os efeitos verdadeiramente notáveis que se observam. Além disso, o médium mecânico pode sustentar uma conversa, enquanto sua mão escreve automaticamente, estando ele intelectualmente em estado normal. Não é possível comparar esse estado com o sonambulismo natural ou provocado.

Respostas às questões preliminares

A. Numa comunicação mediúnica, o nome com que o Espírito a assina é importante?
Não. Os ditados espíritas variam de elevação moral conforme o ser que os produz. O nome com que um Espírito os assina é de importância secundária; o que importa considerar são as ideias emitidas. Se o ensino é grandioso, se prega o amor de nossos semelhantes, se nos faz compreender as leis da moral, ele emana de um Espírito elevado; se a comunicação encerra ideias vulgares, enunciadas em termos impróprios, o Espírito é pouco adiantado. (O Espiritismo perante a Ciência, Terceira Parte, Cap. III - As objeções.)
B. Qual o objetivo principal da ciência espírita?
Seu principal objetivo é demonstrar a existência da alma depois da morte. Alcançasse ela somente esse resultado, e as consequências daí decorrentes, sob o ponto de vista moral e social, seriam já consideráveis. Mas não se limitam a isso seus benefícios. Ela nos fornece informações seguras sobre a outra vida, permite-nos compreender a bondade e a justiça de Deus, dá-nos a explicação de nossa existência na Terra; numa palavra, é a ciência da alma e de seu destino. (Obra citada, Terceira Parte, Cap. III - As objeções.)
C. Que diz Delanne a respeito da reencarnação?
Segundo Delanne, a reencarnação é uma lei sem a qual não se poderia compreender a justiça de Deus. Ela é confirmada por milhares de seres, que denotam, no raciocínio e no estilo, adiantamento espiritual. Os Espíritos que não partilham essas ideias são almas atrasadas, que chegarão mais tarde à verdade. (Obra citada, Terceira Parte, Cap. III - As objeções.)


Observação:
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quinta-feira, 23 de julho de 2020



O Livro dos Médiuns

Allan Kardec

Parte 6

Continuamos o estudo metódico de “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, segunda das obras que compõem o Pentateuco Kardequiano, cuja primeira edição foi publicada em 1861.
Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.
Eis as questões de hoje:

41. Em que consiste o fenômeno de transporte?
Este fenômeno difere das manifestações em que ocorra movimento de objetos inertes apenas pela intenção benévola do Espírito que o executa, pela natureza dos objetos quase sempre graciosos e pela maneira doce e frequentemente delicada por que são trazidos. Consiste no transporte espontâneo de objetos que não existem no local onde se está; são com frequência flores, algumas vezes frutos, bombons, joias etc. Para obter fenômenos dessa ordem, é preciso contar com médiuns sensitivos, isto é, dotados do mais alto grau das faculdades medianímicas de expansão e de penetrabilidade, porque o sistema nervoso desses médiuns, facilmente excitável, lhes permite, por meio de certas vibrações, projetar ao seu redor com profusão seu fluido animalizado. Nem todos os Espíritos podem produzi-los, porque é preciso que entre o médium e eles exista uma certa afinidade, uma certa analogia, uma certa semelhança que permita à parte expansível do fluido perispirítico do encarnado se misturar, se unir, se combinar com o do Espírito que quer executar o transporte. Então este pode, por meio de certas propriedades do ambiente terrestre, por nós desconhecidas, isolar, tornar invisíveis e fazer moverem-se certos objetos materiais e os próprios encarnados. (O Livro dos Médiuns, itens 96 a 98).
42. Um objeto pode ser transportado para um local fechado?
O Espírito pode tornar invisíveis os objetos a serem transportados, mas não fazê-los penetráveis, nem quebrar a agregação da matéria, o que seria a destruição do objeto. Tornando invisível o objeto, pode transportá-lo quando quer e não o desembrulhar senão no momento conveniente para fazê-lo aparecer. O caso é, porém, diferente quanto aos objetos compostos pelo Espírito. Como este não introduz no recinto senão os elementos da matéria que são essencialmente penetráveis, pode introduzir um objeto num lugar, por mais fechado que esteja, mas é somente neste caso. Os Espíritos têm a faculdade de penetrar e atravessar os mais condensados corpos com a mesma facilidade com que os raios solares atravessam os vidros de uma vidraça. (Obra citada, item 99, pergunta no 20)
43. Como o Espírito transporta o objeto?
Ele o envolve com um fluido haurido em parte no perispírito do médium e, em parte, dele mesmo e é nesta combinação que oculta e transporta o objeto sujeito do transporte. Uma vez introduzido o objeto no recinto, o Espírito o desembrulha, isto é, tira o elemento fluídico que o envolve, tornando-o novamente visível. (Obra citada, item 99, perguntas nos 13 e 19)
44. Quais são as manifestações espíritas mais interessantes?
De todas as manifestações espíritas, as mais interessantes, sem contradição, são aquelas pelas quais os Espíritos podem tornar-se visíveis. Aliás, este fenômeno não é mais sobrenatural do que os outros, visto que os Espíritos podem tornar-se visíveis durante o sono e mesmo durante a vigília, o que é, contudo, mais raro. (Obra citada, item 100)
45. Há inconveniente em vermos os Espíritos a todo instante?
Haveria tanto inconveniente em nos vermos constantemente em presença dos Espíritos como em ver o ar que respiramos ou as miríades de animais microscópicos que pululam ao redor de nós e sobre nós. Estando a todo momento rodeado de Espíritos, o homem ficaria perturbado com sua visão incessante, que lhe embaraçaria as ações e lhe tiraria a iniciativa na maior parte dos casos, enquanto que, julgando-se só, age mais livremente. Deus sabe melhor do que nós o que nos convém e, se permite que vejamos os Espíritos em certos casos, é para dar uma prova de que tudo não morre com o corpo e de que a alma conserva sua individualidade depois da morte. (Obra citada, item 100, perguntas nos 7 e 8.)
46. Como podem os Espíritos tornar-se visíveis?
O princípio é o mesmo que o de todas as manifestações; reporta-se às propriedades do perispírito, que pode sofrer diversas modificações, à vontade do Espírito. Em nosso mundo, os Espíritos só podem manifestar-se com a ajuda de seu invólucro semimaterial e é assim que aparecem algumas vezes com a forma humana, seja nos sonhos, seja mesmo no estado de vigília. Pela combinação de fluidos do médium e dele mesmo, produz-se no perispírito do desencarnado uma disposição particular que não tem analogia para nós e que o torna perceptível. (Obra citada, item 100, perguntas nos 21 a 23.)
47. Por que não vemos os Espíritos que desejamos ver?
Os Espíritos não têm sempre a possibilidade de se manifestarem à vista, mesmo em sonhos, apesar do desejo dos encarnados de vê-los. Causas independentes da sua vontade podem impedi-lo. É muitas vezes também uma prova cujo mais ardente desejo não pode afastar. (Obra citada, item 100, pergunta no 15.)
48. Qual é o princípio das manifestações visuais?
O perispírito, como já vimos, é o princípio de todas as manifestações; seu conhecimento deu-nos a chave de uma porção de fenômenos e fez a ciência espírita dar um passo imenso, tirando-lhe todo o caráter maravilhoso. Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível e isto tem ele de comum com diversos fluidos que sabemos existirem e que entretanto jamais vimos; mas pode também, como certos fluidos, sofrer modificações que o tornem perceptível à vista, seja por uma espécie de condensação, seja por uma mudança em sua disposição molecular; é então que nos aparece sob uma forma vaporosa. A condensação (é preciso não tomar esta palavra ao pé da letra, visto que a empregamos apenas por faltar uma outra e a título de comparação) pode ser tal que o perispírito adquira as propriedades de um corpo sólido e tangível, retomando instantaneamente seu estado etéreo e invisível. Podemos compreender tal mudança de estado pelo que se passa com o vapor, que pode passar da invisibilidade ao estado brumoso, depois líquido, depois sólido e vice-versa. Esses diferentes estados do perispírito são o resultado da vontade do Espírito e não de uma causa física exterior, como nos gases. Quando nos aparece, é porque coloca seu perispírito no estado necessário para tornar-se visível, mas para isso só sua vontade não é suficiente, porque a modificação perispirítica se opera por sua combinação com o fluido próprio do médium; ora, essa combinação nem sempre é possível, o que explica por que a visibilidade dos Espíritos não é geral. Assim, não é suficiente que o Espírito queira mostrar-se, e também não é suficiente que uma pessoa queira vê-lo; é preciso que os dois fluidos possam combinar-se, que haja entre eles uma espécie de afinidade, que a emissão do fluido da pessoa seja suficiente para operar a transformação do perispírito, e, enfim, que o Espírito tenha permissão de se mostrar a uma determinada pessoa. (Obra citada, itens 105 e 109)


Observação:
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quarta-feira, 22 de julho de 2020


Libertação

André Luiz

Parte 2

Estamos publicando neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – de onze livros escritos por André Luiz, integrantes da chamada Série Nosso Lar.
Concluído o estudo dos cinco primeiros livros da Série, prosseguimos nesta data o estudo da obra Libertação, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicada originalmente em 1949 pela Federação Espírita Brasileira.
Eis as questões de hoje:

9. Qual é o objetivo principal das organizações espirituais votadas ao mal?
Seu objetivo essencial é conservar o primitivismo mental da criatura humana, para que o planeta permaneça, tanto quanto possível, sob seu jugo tirânico. (Libertação, cap. II, pp. 26 e 27.)
10. Nas questões de saúde o pensamento exerce um papel importante?
Sim. "Dirija um homem a sua vontade para a ideia de doença e a moléstia lhe responderá ao apelo”, diz o instrutor Gúbio, visto que, segundo ele, “a sugestão mental positiva determina a sintonia e a receptividade da região orgânica, em conexão com o impulso havido, e as entidades microbianas, que vivem e se reproduzem no campo mental dos milhões de pessoas que as entretêm, acorrerão em massa, absorvidas pelas células que as atraem, em obediência às ordens interiores, reiteradamente recebidas, formando no corpo a enfermidade idealizada”. Assim, o enfermo que se compraz na aceitação e no elogio da própria decadência acaba na posição de excelente incubador de bactérias e sintomas mórbidos, enquanto o espírito em reajustamento, quando reage, vigoroso, contra o mal, encontra imensos recursos de concentrar-se no bem, integrando-se na corrente de vida vitoriosa. (Obra citada, cap. II, pp. 30 e 31.)
11. Por que vias sofre o homem a influenciação de natureza inferior?
Segundo o instrutor Gúbio, o espírito sofre a influenciação inferior através das regiões em que se situam o sexo e o estômago, e recebe os estímulos superiores através do coração e do cérebro, ainda mesmo que procedentes de almas não sublimadas. Quando a criatura busca manejar a própria vontade, escolhe a companhia que prefere e lança-se no caminho que deseja. Recebemos, assim, apelos de natureza inferior e também apelos santificantes, mas a opção é nossa. (Obra citada, cap. II, pp. 31 a 33.)
12. Que fazer para desfrutarmos de paz após a desencarnação?
O instrutor Gúbio foi quanto a isso muito claro: “Não há paraísos miraculosos”. Cada homem sentará no trono que levantou ou se projetará no abismo que preferiu. Se o lapidário aprimora a pedra usando lima resistente, o Senhor aperfeiçoa o caráter dos filhos transviados usando corações endurecidos. "Qualidades morais e virtudes excelsas não são meras fórmulas verbalistas. São forças vivas. Sem a posse delas, é impraticável a ascensão do espírito humano", acrescentou o Instrutor. (Obra citada, cap. II, pp. 33 e 34.)
13. A quem cabe a responsabilidade pelo aperfeiçoamento do planeta?
A responsabilidade pelo aperfeiçoamento do mundo compete-nos a todos, encarnados e desencarnados. "Os homens não se acham sozinhos na estreita senda de provas salutares em que se confinam”, afirmou o instrutor Gúbio. (Obra citada, cap. III, pp. 38 e 39.)
14. Há materialização de Espíritos no plano espiritual?
Sim. André descreve o fenômeno e o gracioso templo em que o fato se deu, onde as vibrações constantes das preces, aí emitidas por vários séculos, tinham criado em torno da edificação prodigioso clima de encantamento. Melodia celeste derramava-se à surdina e uma claridade cariciosa azul-brilhante banhava o recinto, adornado de flores níveas, semelhantes aos lírios da Terra. Logo que se compôs o conjunto para a oração, André notou que os doadores de energia radiante, médiuns de materialização do plano espiritual, se alinhavam, ali perto, em número de vinte. (Obra citada, cap. III, pp. 40 e 41.)
15. As almas generosas preocupam-se com os que ficam para trás?
O caso Cláudio mostra que sim. Aquele que realmente ama abdica do ingresso numa estrela para continuar ao lado de um ente querido que ficou para trás e que, por isso, carece de ajuda. (Obra citada, cap. III, pp. 42 e 43.)
16. As medidas do bem obedecem a um planejamento?
Sim. Segundo André Luiz, todas as medidas do bem são planejadas e pacientemente executadas pelos que se angelizam nas virtudes do Céu. (Obra citada, cap. III, pp. 44 a 47.)


Observação:
Para acessar a 1ª Parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/07/libertacao-andre-luiz-parte-1-estamos.html




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terça-feira, 21 de julho de 2020



Todos temos um sentido

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Ainda que não saibamos por completo, todos temos um sentido para as nossas vidas. Penso que seja sábio não sabermos, pois, assim, esforçamo-nos um pouquinho a cada dia. E a vida é tão magnânima que nos presenteia diariamente com seus grandes professores: as flores, os animais, o sol, o ar, a água, todo perfeito andamento da natureza.
O sol, com sua brilhante disciplina, nos ensina que sempre a luz voltará a iluminar e a aconchegar, mesmo que a noite tenha sido escura e fria. Todos os mestres verdadeiros têm muito a nos passar. E seguimos aprendendo para, num momento, podermos também ensinar.
Como, em muitos casos, não se identifica único sentido para a vida, tão mais sensível tornar o dia um presente. Fazer um bom trabalho, respeitar e tratar com carinho quem se encontra, amparar quem necessita e ouvir o angustiado, admirar aquelas pequeninas flores fora de vista e olhar mais vezes para o céu. Tudo feito com amor é paz para o coração. Uma coisa, a vivência nos ensina: as mais singelas ações são as que nos tocam, pois muitos começam a compreender que a simplicidade é a complexidade da vida, logo, é necessário ter pureza para percebê-la.
E se não somos ainda tão aperfeiçoados para a realização dos grandes feitos, podemos agora sermos o nosso melhor no pequeno mundo onde estamos, pois se a evolução vem por camadas do interior para o exterior, os nossos próximos já poderão ser beneficiados pelas nossas simples ações.
Observação sem censura, ajuda sem reconhecimento, conquista sem holofote; se conseguirmos, pelo menos, algumas atitudes assim, que bom, o sentido da vida começa a brilhar.
Como a linda flor que não nasce apenas para ser admirada, ela simplesmente vem, pois sabe de seu compromisso, dessa forma também devemos compreender que não há um só notável acontecimento, mas todo passo na vida deveria ser bem realizado, tudo deveria ser feito com amor.
E, então, o sentido da vida se apresentará a nós.

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segunda-feira, 20 de julho de 2020



Existe diferença entre “tampouco” e “tão pouco”?
Sim. Tampouco é um advérbio e significa “também não”.
Exemplos:
- Os irmãos não se davam e tampouco conversavam.
- Não posso descrever o que passamos. Minha mulher tampouco.
- O rapaz não a cumprimentou e tampouco olhou para ela.
- Ela não dormiu, tampouco esteve acordada.
Na expressão tão pouco temos o advérbio “tão” modificando a palavra “pouco”, que tanto pode ser um advérbio como um pronome indefinido.
Exemplos:
- A criança dormiu tão pouco esta noite.
- Estava com tão pouco tempo que nem ler e-mails podia.
- Viver com tão pouco dinheiro era sua sina.




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