quinta-feira, 24 de setembro de 2020

 


O Livro dos Médiuns

 

Allan Kardec

 

Parte 15

 

Continuamos o estudo metódico de “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, segunda das obras que compõem o Pentateuco Kardequiano, cuja primeira edição foi publicada em 1861.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

113. Como nossos protetores espirituais se comportam ante as vicissitudes que devemos enfrentar?

Os protetores podem ajudar-nos a suportá-las com mais resignação e mesmo mitigá-las por vezes; mas, no próprio interesse de nosso futuro, não lhes é permitido isentar-nos delas. É que um bom pai não concede a seu filho tudo o que ele deseja. Os protetores espirituais em muitas circunstâncias podem indicar-nos o melhor caminho, sem contudo conduzir-nos pela mão; aconselham-nos pela inspiração e nos deixam assim todo o mérito do bem, como toda a responsabilidade pela má escolha. Se há infantilidade em interrogar os Espíritos para as coisas fúteis, não o há menos da parte dos Espíritos que se ocupam do que se pode chamar coisas caseiras; podem ser bons, mas certamente são ainda muito terrestres. (O Livro dos Médiuns, item 291, parágrafo 19.)

114. Os Espíritos podem ensinar-nos tudo o que desejarmos?

Não. Há coisas sobre as quais os interrogaríamos em vão, seja porque lhes é proibido revelá-las, seja porque eles próprios as ignoram e sobre as quais apenas nos podem dar opiniões pessoais. (Obra citada, item 300.)

115. Qual o objetivo essencial e exclusivo do Espiritismo?

O objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo é a melhoria dos homens, e é para atingi-lo que se permite aos Espíritos iniciar-nos na vida futura, oferecendo-nos exemplos que podemos e devemos aproveitar. Quanto mais nos identificarmos com o mundo espiritual que nos espera, menos teremos pena de deixar aquele em que estamos no momento. Em resumo, este é o objetivo da revelação espírita. (Obra citada, item 292, parágrafo 22.)

116. Que é que o Espiritismo tem de mais belo e consolador?

São, sem contestação, as relações entre o mundo visível e o invisível, dos homens com os seres que lhes são caros e que se pensava estivessem perdidos para sempre. São essas relações que identificam o homem com seu futuro e o desligam do mundo material. Suprimir esse intercâmbio equivale a mergulhar outra vez a criatura humana na dúvida que faz o seu tomento e alimenta o seu egoísmo. (Obra citada, item 301, parágrafo 7.)

117. Qual é a finalidade das comunicações dos Espíritos?

Já sabemos que o objetivo do Espiritismo é a melhoria moral da humanidade. Nesse propósito é que se inscrevem as comunicações dos Espíritos: estes vêm instruir e guiar os homens no caminho do bem e não no caminho das honras e da fortuna. Deus não envia os Espíritos para lhes aplainar a estrada material da vida, mas para prepará-los para a vida futura. (Obra citada, item 303, parágrafo 1º.)

118. Todos os homens são médiuns?

Sim; todos os homens têm um Espírito que os dirige para o bem quando o sabem ouvir. Pouco importa que alguns se comuniquem diretamente com ele por uma mediunidade particular, e outros o ouçam apenas pela voz do coração e da inteligência. O importante é que seu Espírito familiar os aconselha. Chamem-no Espírito, razão, inteligência, é ele sempre uma voz que responde à sua alma e lhes dita boas palavras. A voz íntima que fala ao coração do homem é a dos bons Espíritos, e é sob este ponto de vista que todos os homens são médiuns, embora nem todos apresentem sua faculdade de modo ostensivo. (Obra citada, cap. XXXI, dissertação X, de Channing.)

119. Quais as qualidades essenciais dos médiuns?

O desinteresse, a modéstia e o devotamento. Deus lhes deu esta faculdade a fim de que ajudem a propagar a verdade e não para fazer dela um tráfico, um instrumento das paixões mundanas. (Obra citada, cap. XXXI, dissertação XIV, de Delfina de Girardin.)

120. Quais as variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade?

Médiuns sensitivos, médiuns naturais ou inconscientes e médiuns facultativos ou voluntários – eis as variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade.

Os médiuns sensitivos são pessoas susceptíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma impressão geral ou local, vaga ou material. A maior parte distingue os Espíritos bons ou maus, segundo a natureza da impressão.

Os médiuns naturais ou inconscientes são os que produzem os fenômenos espontaneamente, sem nenhuma participação de sua vontade e o mais das vezes sem o saberem.

Os médiuns facultativos ou voluntários são os que têm o poder de provocar os fenômenos por ato de sua vontade; todavia, nada poderão se os Espíritos a isso se recusarem, o que prova a intervenção de uma potência estranha. (Obra citada, item 188.)

 

Observação:

Para acessar a Parte 14 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/09/o-livro-dos-mediuns-allan-kardec-parte_17.html

 

 

 

 

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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

 

Libertação

 

André Luiz

 

Parte 11

 

Estamos publicando neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – de onze livros escritos por André Luiz, integrantes da chamada Série Nosso Lar.

Concluído o estudo dos cinco primeiros livros da Série, prosseguimos nesta data o estudo da obra Libertação, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicada originalmente em 1949 pela Federação Espírita Brasileira.

Eis as questões de hoje:

 

81. Qual era, no caso da médium Isaura, a estratégia dos obsessores?

A estratégia deles era visível: primeiro, perturbavam-lhe os sentimentos de mulher, para, em seguida, lhe aniquilarem as possibilidades de missionária. "O ciúme e o egoísmo constituem portas fáceis de acesso à obsessão arrasadora do bem. Pelo exclusivismo afetivo, a médium, nesta conversação, já se ligou mentalmente aos ardilosos adversários de seus compromissos sublimes", informou Sidônio. André viu então que um dos obsessores abraçou a médium e falou-lhe com o propósito de semear dúvida em sua mente com respeito à sua condição de médium. Ele disse-lhe então que as mensagens que ela recebia não passavam de influências de Espíritos perturbados e produções de seu próprio cérebro. E finalizou: "Não creia em possibilidades que não possui. Trate de preservar a dignidade de sua casa, mesmo porque seu esposo não tem outro objetivo senão o de utilizar-lhe a credulidade excessiva, lançando-a a triste aventura do ridículo". (Libertação, cap. XVI, pp. 208 e 209.)

82. No caso de Isaura, não seria conveniente afastar os obsessores?

Respondendo a uma pergunta semelhante feita por André Luiz, Sidônio disse que, sem dúvida, em toda parte existe contenção e panaceia, remediando situações pela violência ou pelo engodo, mas, na tarefa espírita, o que será mais aconselhável: espantar as moscas ou curar a ferida? Tais dificuldades são lições valiosas que os médiuns devem aproveitar. Ora, enquanto o medianeiro empresta ouvidos a histórias que lhe lisonjeiem a esfera pessoal, fazendo disso condição para cooperar na obra do bem, quer dizer que ainda estima o personalismo inferior e o fenômeno, acima do serviço que lhe compete no plano divino. Nessa posição, demorar-se-á longo tempo entre desencarnados ociosos, anulando valiosas ocasiões de elevar-se, porque, depois de certo tempo de auxílio não aproveitado, perde provisoriamente a companhia edificante de irmãos mais evoluídos que tudo fizeram por reerguê-lo no caminho. (Obra citada, cap. XVI, pp. 210 e 211.)

83. Que providência foi, então, tomada por Sidônio?

Sidônio, em volitação rápida, buscou o esposo da médium e recomendou-lhe tomar o corpo físico sem perda de tempo, a fim de ajudar a esposa em dificuldade. O esposo não hesitou. Reapossando-se do veículo denso, e dócil à influenciação de Sidônio, buscou despertar a esposa, que arfava ao lado dele em reiteradas contorções. Isaura, chorando muito, abriu os olhos assustadiços, bradando, angustiada: "Oh! como sou infeliz! estou sozinha! sozinha!" Silva, influenciado por Sidônio, falou-lhe construtivamente: "Lembra-te, querida, de nossa fé e de quanto temos recebido de nossos amados benfeitores espirituais!" Ela retrucou, irritada: "Nada disso!" E acrescentou: "tudo é uma farsa. As mensagens que recebo são pura atividade de minha imaginação. Tudo é expressão de mim mesma". (Obra citada, cap. XVI, PP. 211 a 213.)

84. Outros comparsas de Gregório também pediram ajuda a Gúbio?

Sim. Além de uma multidão que buscou a ajuda do Instrutor, antes que o dia expirasse começaram a surgir na casa vários elementos da equipe de Gregório afirmando-se dispostos à renovação de caminho. Um deles, bastante emocionado, suplicou socorro dizendo não suportar mais as atrocidades que ele era constrangido a praticar, por ordem dos juízes cruéis e de Gregório. "Ajudem-me! Aspiro à nova estrada, com o bem", rogou, após aludir à transformação de Saldanha, de que tomara conhecimento. (Obra citada, cap. XVII, pp. 216 e 217.)

85. Que relato fez a André a mulher que, por não suportar a morte do marido, se suicidara?

Havia quinze anos que ela vagueava sem pouso, como ave imprevidente que aniquilasse o ninho. Imaginara ela, antes da morte, que o suicídio a levaria a reencontrar o esposo querido, ou a desaparecer para sempre. Nem uma coisa nem outra aconteceu. Despertou no plano espiritual sob denso nevoeiro de lama e cinza e debalde clamou por socorro. Coberta de chagas, como se o veneno ingerido lhe atingisse a própria alma, gritou e lamentou, em vão. André indagou-lhe se ela conseguira retornar ao lar terreno. Sim, ela fora até lá; porém, quando tocou seus filhos amados, que ela confiara a parentes próximos, esse toque provocou neles aflição e doença. "As irradiações de minha dor lhes alcançavam os corpos tenros – disse a suicida –, envenenando-lhes a carne delicada, através da respiração." "Quando compreendi que a minha presença lhes inoculava pavoroso vírus fluídico, deles fugi aterrada." (Obra citada, cap. XVII, pp. 218 e 219.)

86. Quem magnetizava as pessoas para prejudicá-las pode valer-se do magnetismo para ajudar a outrem?

Sim. Foi o que ocorreu com Leôncio, o ex-hipnotizador de Margarida. "Opera, aliviando", falou-lhe Gúbio. "Eu? eu?" – perguntou o convertido, semiapalermado – "merecerei a graça de transmitir alívio?" O Instrutor disse, sem hesitar: "Serviço construtivo e atividade destrutiva constituem problema de direção. A corrente líquida, devastadora, que derruba e mata, pode sustentar uma usina de força edificante". "É imperioso reconhecer, contudo, que o bem é a nossa porta redentora. O maior criminoso pode abreviar longos anos de pena, entregando-se ao resgate próprio, através do serviço benéfico aos semelhantes." Leôncio não mais vacilou, e magnetizou o enfermo dementado que, poucos minutos depois, silenciou, em profundo repouso. Desde esse instante, Leôncio passou a atuar ao lado de André, desempenhando as funções de excelente companheiro. (Obra citada, cap. XVII, pp. 222 e 223.)

87. Dois fatos ocorreram logo que Gúbio terminou a oração. Que fatos foram esses?

Primeiro, uma verdadeira chuva de raios diamantinos começou a jorrar do Alto sobre ele e um halo radioso cobriu-lhe gloriosamente a cabeça veneranda. Em segundo lugar, ocorreu a materialização de Matilde, que já estava a seu lado, invisível a todos, menos ao Instrutor. (Obra citada, cap. XVIII, pp. 228 a 230.)

88. Que palavras Matilde dirigiu inicialmente à assembleia ali reunida?

Depois de endereçar à assembleia um gesto de bênção, Matilde disse que a dádiva do corpo carnal é inapreciável bênção divina, e a vida contínuo processo de aperfeiçoamento. E recomendou que ninguém buscasse a reencarnação tão somente pela ânsia do esquecimento. "Não basta desejar. É imprescindível orientar o desejo na direção do Bem Infinito", asseverou a benfeitora. (Obra citada, cap. XVIII, pp. 228 a 230.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 10 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/09/libertacao-andre-luiz-parte-10-estamos.html

 

  

 

 

 

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terça-feira, 22 de setembro de 2020

 


Quem eu sou?

(Who am I?)

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

Quem eu sou?

Será que um dia já nos perguntamos isso?

Provavelmente a resposta será “não”.

Tantas coisas e acontecimentos na vida, com pessoas próximas, distantes, em lugares longínquos ou mesmo perto nos tiram o foco principal, “conhecer-se a si mesmo”. Queremos conhecer inúmeros países, cidades, assuntos, ler livros e mais livros, romances, de poesia, científicos, biográficos, e nos esquecemos de que temos a nossa própria biografia, gostos, anseios, medos, alegrias, curiosidades e que dentro de nós existe um imenso mar a ser atravessado e um vasto universo a ser compreendido.

A história nos comprova que vários foram os encontros e conquistas ocorridos a nem um metro de distância, eles foram conquistas e acontecimentos dentro do coração. Se percebermos, o que buscamos incansavelmente fora simplesmente só necessita ser observado em nós. A felicidade do outro é conquista própria, assim como cultura, conhecimento, desenvolvimento. O que de fato alegrará e satisfará serão as atitudes e esforços realizados por cada pessoa.

Será que sabemos o que nos faz bem? Ou quais são os nossos desejos verdadeiros? Será que já nos preocupamos conosco como fazemos com outras pessoas? Será que nos sacrificamos por nós como já fizemos por tantos terceiros? Será que um dia, com bastante carinho e amor, nos perguntamos o que desejamos fazer? Será que se ainda não foi feito poderá vir a ser algum dia? Espero que sim. (I hope so.)

E quando esse dia chegar, correremos pelo parque central de braços abertos, daremos mais risadas altas, comeremos sorvetes maiores e nossos olhos brilharão muito mais, pois bem além de quando conhecemos alguém por quem nos apaixonamos e ouvimos os sininhos mágicos estaremos encantados por nós mesmos, passaremos a nos conhecer e faremos tudo o que de melhor for para nós.

E então seremos verdadeiramente felizes.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

 


Um leitor pede-nos que expliquemos o que são palavras proparoxítonas aparentes e como devem ser graficamente acentuadas.

Proparoxítona (do grego proparoksútonos) é a palavra cujo acento tônico recai na antepenúltima sílaba: acadêmico, amávamos, enérgico, ilíaco, lógica, trôpego, úmero.

Proparoxítona aparente é como são chamadas as proparoxítonas terminadas em -ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua, -uo, entre outros.  Elas são assim chamadas porque, antes do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, firmado em Lisboa em 12 de outubro de 1990, podiam ser consideradas paroxítonas ou proparoxítonas. O citado Acordo, que está em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2009, considera-as proparoxítonas aparentes e como tal devem ser acentuadas.

No tocante à acentuação gráfica, nada mudou.

Exemplos de proparoxítonas aparentes:

Álea

Amêndoa

Argênteo

Arrendatário

Barbárie

Cárie

Côdea

Enciclopédia

Espúrio

Etéreo

Eutanásia

Exígua

Exíguo

Gênio

Glória

História

Início

Islândia

Língua

Lírio

Mágoa

Mântua

Miséria

Náusea

Níveo

Nódoa

Prélio

Rádio

Régua

Resiliência

Série

Serôdio

Tênue

Vácuo.

Cabe aqui lembrar, a propósito do tema, que existem palavras bastante conhecidas que, embora sejam paroxítonas, são erradamente pronunciadas como proparoxítonas.

Eis algumas delas:

Avaro (e não ávaro)

Filantropo (e não filântropo)

Libido (e não líbido)

Pudico (e não púdico)

Recorde (e não récorde)

Rubrica (e não rúbrica).

 

 

  

 

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domingo, 20 de setembro de 2020

 


 Que é carma e que fazer ante os seus efeitos?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

De Londrina-PR

 

A palavra carma [do sânscrito karman, ação] significa, nas filosofias da Índia, o conjunto das ações dos homens e suas consequências.

Descrito e codificado pelo gramático Panini no século V a.C., o sânscrito é uma língua indo-europeia do ramo indo-ariano na qual foram escritos os quatro Vedas. Ela se tornou, entre os séculos VI a.C. e XI d.C., a língua da literatura e da ciência hindus, sendo mantida, ainda hoje, por razões culturais, como língua constitucional da Índia.

Ensina nosso principal léxico que o carma se liga às diversas teorias de transmigração, e é por meio dele que se definem as noções de destino, do desejo como força geradora da vida, e do encadeamento necessário, por força desses dois fatores, entre os diversos momentos da vida dos homens.

Constituindo o conjunto das ações da criatura humana, o carma de uma pessoa pode ser positivo ou negativo. Ações boas e concordantes com a lei natural geram consequências positivas. Ações más e contrárias à lei de Deus estabelecem, como é fácil de entender, um carma negativo.

Existe, contudo, além disso o que alguns estudiosos chamam de carmas imaginários, que provêm de uma representação distorcida da realidade, na qual o homem amplia o próprio sofrimento por falta de sensatez e de amor a si mesmo. A prática do cilício, entre os hebreus, foi um exemplo disso. O indivíduo ingênuo acredita que amplificando seus sofrimentos logrará diminuir as consequências naturais do seu carma, na suposição de que uma maior quota de dor eliminaria uma dor futura e o faria quite com a lei, o que não passa, evidentemente, de um equívoco.

A lei de causa e efeito, ensinada por Jesus e esmiuçada na Doutrina Espírita, estabelece que aquele que matar com a espada morrerá sob a espada, que a cada um será dado segundo o seu merecimento e que na vida a semeadura é livre, mas a colheita é compulsória.

Na questão número 1.000 de “O Livro dos Espíritos” Kardec tratou do assunto quando perguntou aos instrutores espirituais se podemos desde esta vida ir resgatando nossas faltas. Os imortais responderam: “Sim, reparando-as”.

Na sequência da resposta, disseram eles que não bastam, para o resgate das faltas cometidas, algumas privações pueris e mesmo dotações pós-morte que algumas pessoas costumam fazer nos seus testamentos. Deus não dá valor a um arrependimento estéril, fácil, que nada custa. Somente por meio do bem é que se pode reparar o mal.

Ao arrependimento – ensina a Doutrina Espírita – é preciso ajuntar a expiação e a reparação. Reunidas, são elas as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências.

O arrependimento suaviza os travos da expiação e favorece a resignação – uma força ativa que o Espírito de Lázaro define como sendo o consentimento do coração. Mas somente a reparação, que consiste em fazer o bem àqueles a quem se fez o mal, pode anular o efeito, destruindo-lhe a causa.

O apóstolo Pedro ensinou-nos que a caridade cobre a multidão dos pecados, conhecida frase que Divaldo P. Franco costuma exprimir de maneira ainda mais clara e expressiva: “O bem que fazemos anula o mal que fizemos”.

O pensamento equivocado de que viemos à Terra para sofrer deve, pois, ser substituído por uma outra ordem de ideias, ou seja, a ciência de que a vida é uma luta e não viemos ao mundo para sofrer nem para gozar, mas sim para vencer, crescer, evoluir.

 

 

  

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sábado, 19 de setembro de 2020

 


Jesus e nós no serviço do bem

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília-DF

 

Muitas pessoas se decepcionam quando percebem que certos irmãos de ideal que admiravam ocupam-se em parecer, mas não em ser... Parecem ser tolerantes com os erros alheios, mas de fato não são. Parecem preocupar-se com as dificuldades do próximo, mas não são solidários com este. Parecem entusiasmar-se pelo serviço do bem, mas não o praticam.

Nas menores faltas de outrem, desandam a falar mal dele em sua ausência. Aparentam bondade em público, mas não se mostram bons em particular. Invejam o sucesso alheio, mas pouco fazem para se tornarem melhores. O bem, para essas pessoas, é apenas uma proposta sonora aos ouvidos alheios, do que são surdas.

Tais constatações afastam incautos candidatos ao serviço cristão-espírita de sua Doutrina, como também ocorre no seio de outros grupos religiosos. O Espírito Emmanuel, porém, esclarece-nos que, mesmo ciente das fraquezas humanas, ante a verdade que conservava consigo, Jesus jamais humilhou ou feriu alguém por não lhe ser fiel. Praticava incansavelmente o bem onde estivesse.

Tudo o que precisasse dizer, na elucidação do erro alheio, era dito com a intenção educativa, nunca com censura despropositada. Não perdia tempo com inúteis polêmicas; antes, sempre demonstrava que seu Reino não cabia nas coisas da Terra. Demonstrou, pela palavra e pelo exemplo, o que deveríamos fazer para ser feliz: amar e servir a todos incondicionalmente.

Desse modo, esclarece-nos o bondoso Espírito Emmanuel que precisamos, acima de tudo, servir ao bem sem alimentar discussões e perturbações que provoquem a expansão do mal. E acrescenta que mesmo a treva densa e imensa, no meio da noite, não extinguirá a luz fulgurante de uma simples vela. Entretanto, adverte o mentor de Chico Xavier, um leve sopro de vento é suficiente para apagá-la.

Não nos devemos afligir por estarmos aparentemente sós no serviço do bem, orienta-nos Emmanuel no início de sua mensagem intitulada Sirvamos ao bem, da obra Fonte Viva, psicografada pelo médium mineiro. Busquemos, então, na oração incessante, o contato com Deus e seu enviado sublime, Jesus, a fim de não deixarmos que o sopro maligno extinga a luz do Amor Divino em nossas almas.

A prece proporciona-nos imenso escudo contra o mal e ânimo para a prática incansável do bem, sem exigir do próximo o que nem mesmo nós podemos dar. Em Jesus, sim, teremos sempre o Modelo Maior a nos guiar e fortificar no combate às próprias imperfeições. E a oração nos fará sentir que o Cristo segue conosco e nos mostra, em cada ser, o irmão necessitado de nossa compaixão, tolerância e amor.

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 

 

 

 

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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

 


O Espiritismo perante a Ciência

 

Gabriel Delanne

 

Parte 27

 

Continuamos o estudo do clássico O Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Delanne, conforme tradução da obra francesa Le Spiritisme devant la Science.

Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 


Questões preliminares

 

A. No caso das aparições de Katie King, o fato não poderia ser atribuído simplesmente à ação do duplo fluídico da médium Cook?

B. Crookes apurou diferenças entre a forma materializada e a médium?

C. Apesar de tantas minúcias, não poderia Crookes ter sido joguete de uma ilusão, de uma alucinação, admitindo fantasias como verdades?

 

Texto para leitura

 

631. Em outro texto, Crookes descreve uma sessão realizada em Hackney, em que Katie King durante cerca de duas horas passeou pelo aposento, conversando familiarmente com os presentes. “Muitas vezes, ao passar, tomou meu braço, e a impressão por mim sentida era a de que uma mulher viva estava a meu lado, e não uma visitante do outro mundo; esta impressão, afirmo, foi tão forte que quase não resisti à tentativa de repetir uma recente e curiosa experiência.”

632. Katie disse, então, que, desta vez, julgava poder mostrar-se ao mesmo tempo em que a Srta. Cook, a médium. Eis o relato feito por Crookes: “Diminuí o gás e, em seguida, com uma lâmpada fosforescente, penetrei no gabinete. Tinha anteriormente pedido a um dos meus amigos, hábil estenógrafo, anotasse qualquer observação que eu pudesse fazer, enquanto estivesse no gabinete, pois, conhecendo a importância das primeiras impressões, não queria confiar à memória mais do que era necessário. Estas notas estão, neste momento, diante de mim. Entrei na câmara com precaução; estava escura e foi tateando que procurei Miss Cook; encontrei-a encolhida, no chão. Ajoelhando-me, deixei entrar o ar na lâmpada e, à sua claridade, vi esta moça, vestida de veludo preto, como no princípio da sessão, e com a completa aparência de insensibilidade. Não se moveu quando lhe tomei a mão e lhe cheguei a lâmpada ao rosto, mas continuou a respirar tranquilamente. Levantando a lâmpada, olhei em torno de mim e vi Katie, em pé, perto e atrás da Srta. Cook. Vestia uma roupagem curta e flutuante, como já lhe tínhamos visto, durante a sessão. Com uma das mãos da Srta. Cook nas minhas, ajoelhei-me ainda, suspendi e abaixei a lâmpada, tanto para iluminar o corpo inteiro de Katie, como para convencer-me plenamente de que via, de fato, a verdadeira Katie, que tinha apertado em meus braços alguns minutos antes, e não o fantasma de um cérebro enfermo. Ela não falou mais, porém meneou a cabeça em sinal de reconhecimento. Por três vezes examinei, com cuidado, a Srta. Cook, encolhida diante de mim, para certificar-me de que a mão que segurava era bem a de uma mulher viva, e por três vezes virei a lâmpada para Katie, a fim de examiná-la com atenção firme, de modo que não tivesse a menor dúvida de que ela ali estava, diante de mim. No fim a senhorita Cook fez um leve movimento e logo Katie me fez sinal para que eu saísse; retirei-me para outra parte do gabinete e então deixava de ver Katie, mas não deixei o aposento até que a senhorita Cook tivesse despertado e que dois assistentes tivessem penetrado com a luz”.

633. Poder-se-ia supor, pelos conhecimentos que temos das propriedades do perispírito, que se opera simplesmente um desdobramento da personalidade da médium, mas as notas de Crookes vão mostrar-nos que o duplo fluídico não exerce aqui nenhum papel e que a ação é devida a um ser espiritual, momentaneamente materializado.

634. Eis outras informações de autoria de William Crookes: “Antes de terminar este artigo, desejo que se conheçam algumas das diferenças que observei entre a Srta. Cook e Katie. A estatura de Katie é variável; vi-a, em minha casa, com mais seis polegadas que a Srta. Cook. Ontem, à noite, com os pés nus e na ponta dos pés, tinha 4,5 polegadas mais que Miss Cook. Estava com o pescoço descoberto, a pele era perfeitamente suave ao tato e à vista, enquanto Miss Cook possui uma cicatriz no pescoço, que, em circunstâncias semelhantes, se vê distintamente e é áspera. As orelhas de Katie não são furadas, ao passo que as da senhorita Cook trazem brincos, comumente. A cor de Katie é muito branca e a da Srta. Cook muito morena. Os dedos de Katie são muito mais compridos que os da Srta. Cook e seu rosto também maior. Nos modos e na forma de se exprimirem há diferenças notáveis”.

635. Esses, os fatos relatados pelo grande sábio, cuja boa-fé não pode ser posta em dúvida. Poderia ter sido ele joguete de uma ilusão, de uma alucinação, tomando fantasias como verdades? Tal ideia, que agradaria a Jules Soury, não pode, porém, ser invocada, porque a carta seguinte vai dizer-nos que foi possível também fotografar o Espírito de Katie. Ora, se é possível conceber um homem de gênio alucinado, é inteiramente ridículo pretender que se possam fotografar alucinações.

636. Eis o relato feito por Crookes: “Tendo tomado parte muito ativa nas últimas sessões de Miss Cook, e tendo conseguido obter numerosas fotografias de Katie King, à luz elétrica, pensei que a publicação de alguns pormenores seria interessante para os espiritistas. Durante a semana que precedeu a partida de Katie, ela deu sessões em minha casa, quase todas as noites, a fim de que a pudesse fotografar à luz artificial. Cinco aparelhos completos de fotografia foram preparados para esse efeito. Eles consistiam em cinco câmaras escuras, uma do tamanho de uma placa inteira, uma de meia placa, uma de um quarto e duas câmaras binoculares estereoscópicas, que deviam ser dirigidas todas sobre Katie ao mesmo tempo, cada vez que ela posasse para obter o seu retrato. Cinco banhos sensibilizadores e fixadores foram empregados, e numerosas placas de vidro foram limpas previamente, prontas para servir a fim de que não houvesse hesitações nem atrasos durante as operações fotográficas, que eu próprio executava assistido por um auxiliar. Minha biblioteca serviu de câmara escura; ela tinha uma porta de dois batentes que se abria sobre o laboratório; um desses batentes foi retirado de seus gonzos, uma cortina foi suspensa em seu lugar para permitir a Katie entrar e sair facilmente. Os nossos amigos que estavam presentes achavam-se sentados no laboratório diante da cortina, e as máquinas fotográficas estavam colocadas um pouco atrás deles, prontas para fotografar Katie quando ela saísse, e a tomar fotografias igualmente do interior do gabinete, toda vez que a cortina fosse afastada com essa finalidade. Cada noite havia quatro ou cinco exposições de chapas, o que dava, pelo menos, quinze provas por sessão. Algumas se estragaram no desenvolvimento, outras, ao graduar a luz. Apesar de tudo, tenho 44 negativos, alguns medíocres, outros nem bons nem maus, e outros excelentes. Eis aqui dois certificados sob juramento, de que estas experiências foram realizadas nas melhores condições; eles foram publicados em 1875, numa brochura intitulada Procès des Spirites”.

637. Ao relato se acrescentou, de fato, uma declaração assinada por William Henry Harisson, atestando a realidade dos fenômenos espíritas descritos, bem como outro depoimento, firmado pelo jornalista Edwards Dawson Rogers, da cidade de Londres, que certificou ter visto frequentemente o fenômeno do espiritualismo chamado materialização e o aparecimento de uma segunda forma humana, que não a do médium, sair de uma pequena câmara ou gabinete, na qual o médium havia sido preso. “Vi isto mais de uma vez em condições rigorosas de experimentação impostas pelo professor Crookes, o ilustre químico e membro da Sociedade Real da Grã-Bretanha, em que era impossível praticar qualquer engano. A aparição passeava no meio dos experimentadores sentados diante do gabinete, com eles e sendo tocada por eles. Certa vez, estando desse modo ocupada a aparição, o professor Crookes entrou no gabinete e afastou a cortina que mantinha o médium (culto da assistência); vimos, então, ao mesmo tempo, o médium e a aparição materializada.”

638. Na sequência de seu relato, Crookes diz que Katie pediu aos assistentes que ficassem sentados; só ele não foi incluído nesta medida, porque, já havia algum tempo, ela lhe havia dado a permissão de fazer o que quisesse, tocá-la, entrar e sair do gabinete, quando entendesse. “Segui-a ao gabinete e vi, em algumas ocasiões, a ela e à médium, ao mesmo tempo, porém, as mais das vezes, só encontrava a médium, em letargia, repousando no chão; Katie e seu costume branco haviam instantaneamente desaparecido.”

639. Sobre a médium Florence Cook, o sábio disse o seguinte: “Durante os últimos meses, a Srta. Cook fez-me numerosas visitas em casa, e aí ficava semanas inteiras. Ela só trazia consigo uma pequena bolsa, que não fechava à chave; durante o dia estava constantemente em companhia da Sra. Crookes e de mim, ou de qualquer outro membro de minha família; não dormia só; faltava-lhe, absolutamente, a oportunidade de preparar, mesmo em caráter ligeiro, algo que se prestasse a representar o papel de Katie King. Preparei e dispus, eu mesmo, a minha biblioteca e o gabinete escuro, e, de hábito, depois que a Srta. Cook jantava e conversava conosco um pouco, dirigia-se diretamente para o gabinete; a seu pedido, eu fechava à chave a segunda porta e guardava a chave comigo durante toda a sessão: abaixava-se, então, o gás e deixava Miss Cook na obscuridade. Entrando no gabinete, Miss Cook estendia-se no chão, com a cabeça numa almofada, e caía logo em letargia”.

640. Falando sobre as sessões fotográficas, Crookes revelou que durante essas sessões Katie envolvia a cabeça da médium em um xale, para impedir que a luz lhe caísse no rosto. “Eu levantava, frequentemente, uma ponta da cortina, quando Katie estava perto e em pé. As sete ou oito pessoas que se achavam no laboratório podiam ver, ao mesmo tempo, Miss Cook e Katie, ao clarão da luz elétrica. Nós, no momento, não divisávamos o rosto da médium, por causa do chalé, mas lhe percebíamos as mãos e os pés, notávamos que ela se agitava, penosamente, sob a influência dessa luz intensa e, por instantes, ouvíamos-lhe os gemidos. Tenho uma chapa em que Katie e a médium estão fotografadas juntas, mas Katie está colocada diante da cabeça de Miss Cook. Enquanto eu tomava parte ativa nessas sessões, a confiança que Katie tinha em mim aumentava gradualmente, a ponto de só querer dar sessões quando eu me encarregava dos dispositivos a tomar, dizendo que me desejava sempre perto dela e do gabinete. Estabelecida a confiança e estando ela convencida de que eu cumpriria minhas promessas, os fenômenos aumentaram de intensidade e tive provas, impossíveis de obter se me houvesse aproximado da sensitiva de modo diferente. Ela me interrogava frequentemente a respeito das pessoas presentes às sessões e sabia a maneira como elas seriam colocadas, porque nos últimos tempos se tornara muito nervosa em consequência de certas sugestões mal-avisadas que aconselhavam empregar a força para proceder com maneiras mais científicas de pesquisar.”

641. Uma das fotografias mais interessantes é aquela em que Crookes está em pé, ao lado de Katie, tendo ela o pé nu em determinado ponto do assoalho. Ele fez que Miss Cook se vestisse como Katie; ela e ele se colocaram então na mesma posição e foram fotografados pelas mesmas objetivas, colocadas absolutamente como na outra experiência, e clareadas pela mesma luz. Colocando uma sobre outra as duas fotografias, vê-se que os retratos coincidem perfeitamente quanto à estatura, etc., mas Katie é mais alta meia cabeça que Miss Cook, e perto desta parece uma mulher corpulenta.

642. Escreveu Crookes: “Em muitas provas, a largura do seu rosto e o tamanho de seu corpo diferem essencialmente da médium e as fotografias fazem ver muitos outros pontos de diferença. Mas a fotografia é tão impotente para pintar a beleza perfeita do rosto de Katie, como são as palavras para descrever-lhe o encanto das maneiras. A fotografia pode, é verdade, desenhar-lhe a atitude, mas como poderia reproduzir-lhe a pureza brilhante da cor, a expressão, sem cessar variável, dos traços, ora velados de tristeza, ao narrar algum acontecimento de sua vida passada, ora risonhos, cheios da inocência de uma jovem, divertindo meus filhos, ao contar-lhes os episódios de suas aventuras na Índia? Eu vi Katie tão bem, quando iluminada pela luz elétrica, que me é fácil acrescentar alguns traços às diferenças já estabelecidas num precedente artigo, entre ela e a médium”.

 

Respostas às questões preliminares

 

A. No caso das aparições de Katie King, o fato não poderia ser atribuído simplesmente à ação do duplo fluídico da médium Cook?

Pelos conhecimentos que temos das propriedades do perispírito, essa suposição seria válida, mas as experiências e os fatos registrados por Crookes mostraram que o duplo fluídico não exerceu ali nenhum papel e que a ação era devida, sem dúvida nenhuma, a um ser espiritual, momentaneamente materializado. (O Espiritismo perante a Ciência, Quarta Parte, Cap. III – O perispírito durante a desencarnação – Sua composição.)

B. Crookes apurou diferenças entre a forma materializada e a médium?

Sim. Ele notou que havia entre a médium e Katie King várias diferenças. A estatura era desigual, pois Katie tinha seis polegadas a mais que a Srta. Cook. A pele de Katie era perfeitamente suave ao tato e à vista, enquanto Miss Cook possuía uma cicatriz no pescoço e a pele áspera. As orelhas de Katie não eram furadas, ao passo que as da senhorita Cook traziam brincos. A cor de Katie era muito branca e a da Srta. Cook, muito morena. Os dedos de Katie eram também muito mais compridos que os da Srta. Cook e seu rosto maior. Havia também, nos modos e na forma de se exprimirem, diferenças notáveis. (Obra citada, Quarta Parte, Cap. III – O perispírito durante a desencarnação – Sua composição.)

C. Apesar de tantas minúcias, não poderia Crookes ter sido joguete de uma ilusão, de uma alucinação, admitindo fantasias como verdades?

Tal ideia, que agradaria a Jules Soury, não pode ser nem ao menos cogitada, porque o grande sábio conseguiu também fotografar o Espírito de Katie. Ora, se é possível conceber um gênio alucinado, é inteiramente ridículo pretender que se possam fotografar alucinações. (Obra citada, Quarta Parte, Cap. III – O perispírito durante a desencarnação – Sua composição.)

 

 

Observação:

Para acessar a parte 26 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/09/o-espiritismo-perante-ciencia-gabriel_11.html

 

 

 

 

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