quarta-feira, 25 de junho de 2025

 


Revista Espírita de 1869

 

Allan Kardec

 

Parte 5

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1869, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1869 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. A roupa usada pelos Espíritos em suas aparições é uma projeção da roupa que eles usavam quando encarnados?

B. Existem realmente lugares assombrados?

C. Que recomendação fez Kardec aos oradores espíritas?

 

Texto para leitura

 

42. O caso da senhorita Artus, sobrinha do sr. de Chilly, simpático diretor do Odéon, tão cruelmente provado pela morte repentina de sua filha única, foi objeto de reportagem pela Petite Presse de 11-2-1869, reproduzida em março pela Revista. O jornal Fígaro também noticiou os fatos, informando que a filha do sr. Chilly, no momento em que agonizava, deu um pequeno anel à prima, dizendo-lhe: “Toma-o; tu mo trarás!” Pouco depois, a pobre moça, momentos antes de expirar, gritava, dirigindo-se à prima a seu lado: “Não! eu não quero morrer! não quero ir só! virás comigo! eu te espero! eu te espero! não te casarás!” (Págs. 72 e 73)

43. Dias depois dos funerais, a prima da falecida caiu doente e, segundo os jornais, estava à beira da morte, o que aumentava ainda mais o sofrimento do sr. de Chilly. As palavras da enferma feriram a imaginação da senhorita Artus? O que a agonizante disse foi resultado de uma espécie de dupla vista suscitada pelo fenômeno da morte? Kardec disse sim a esta última indagação, lembrando que exemplos de fatos semelhantes não são raros. (Págs. 72 e 73)

44. Um caso de aparição de um jovem ainda encarnado à sua mãe, originalmente relatado por um jornal de Medicina de Londres, foi descrito também pelo Journal de Rouen, de 22-12-1868, e reproduzido pela Revista. Kardec, além de considerar o fato possível, explica que ele se deve à faculdade que tem a alma de desprender-se do corpo físico e aparecer a distância. Foi o que ocorreu. A dúvida que fica é pertinente à roupa usada na aparição pelo filho. A vestimenta também se desprende? Kardec é claro: tanto as roupas, quanto o corpo material, ficaram em seu lugar. O Espírito do jovem apresentou-se diante de sua mãe com o corpo perispiritual e bastou-lhe pensar em sua roupa habitual para que esse pensamento desse ao seu perispírito as aparências dessa roupa. “As formas exteriores que revestem os Espíritos que se tornam visíveis – diz Kardec – são, pois, verdadeiras criações fluídicas, muitas vezes inconscientes. A roupa, os sinais particulares, os ferimentos, os defeitos físicos, os objetos que usa, são o reflexo de seu próprio pensamento no envoltório perispiritual.” (Págs. 73 a 75)

45. No Estado do Maine, Estados Unidos, uma senhora pleiteou a nulidade de um testamento feito por sua mãe, alegando que esta o tinha escrito orientada pelo ditado de uma mesa girante. O juiz declarou que a lei não proibia as consultas às mesas girantes e, por isso, as cláusulas do testamento foram mantidas. (Pág. 76)

46. Carta procedente de Yankton, cidade de Dakota, Estados Unidos, informa que a legislação desse território acabara de conceder às mulheres o direito de votar e ser votada. O jornal Siècle de 15-1-1869 deu destaque à notícia. No ano anterior, em julho, a sra. Alexandrine Bris havia prestado, perante a Faculdade de Ciências de Paris, um exame de bacharelado em ciências, tendo sido recebida com quatro bolas brancas, sucesso raro, que lhe valeu as felicitações por parte do presidente. Os dois fatos, que hoje não constituiriam nenhuma novidade, mostram que a mulher começava a ser reconhecida e a emancipar-se, tanto na América quanto na Europa. (Pág. 76)

47. Reportando-se às faculdades da célebre médium sra. Nichol, radicada em Londres, que se apresentara recentemente no hotel dos Deux-Mondes, da rua d’Atin, o jornal Paris de 15-1-1869 informa que a médium inglesa iria a Roma mostrar ao papa a sua faculdade, que consistia em fazer cair chuvas de flores. A sra. Nichol era o que se chama médium de transportes. Comentando a notícia, Kardec diz que assistira a algumas das experiências realizadas pela Sra. Nichol, as quais não o satisfizeram inteiramente. Ele lhe desejava, porém, boa sorte nas apresentações em Roma, advertindo que a capital italiana era uma terra malsã para os médiuns que não fazem milagres segundo a Igreja. O próprio sr. Home, lembra o Codificador, foi obrigado a deixar a cidade quando ali esteve em 1864. (Pág. 77)

48. Diversas notícias recebidas da Ilha Maurícia indicavam que o estado dessa infeliz região seguia exatamente as fases anunciadas nas Revista de julho de 1867 e novembro de 1868. Surgira agora um novo fato na ilha: o correspondente da Revista disse que precisou cortar em seu jardim várias árvores muito grandes provenientes da Índia e chamadas multiplicantes. Essas árvores gozavam de reputação muito má na região, porque dizem serem elas assombradas por maus Espíritos. A partir do corte, então, tornou-se quase impossível um dia de repouso na casa. Batidas por todos os lados, portas que se abrem e fecham, suspiros, palavras confusas, móveis mexendo-se – tudo isto passou a ocorrer, o que fez com que o correspondente passasse a orar muito e a evocar os Espíritos perturbadores, que, no entanto, só respondiam por injúrias e ameaças aos apelos da doutrinação. A reunião espírita realizava-se nessa época uma vez por semana, mas era praticamente impossível fazê-la, tais as traquinagens e perturbações dos Espíritos, que, à exceção de um deles, não puderam ser moralizados, dada a sua maldade e dureza. Em face disso, as sessões espíritas tiveram que ser suspensas e, mais tarde, transferidas para o jardim, onde a perturbação era menor do que dentro de casa. (Págs. 77 a 79)

49. A questão dos lugares assombrados, diz Kardec, é um fato comprovado. Barulhos e perturbações causados pelos Espíritos são coisas conhecidas. Mas teriam certas árvores, como as multiplicantes, um poder atrativo particular? Levada a questão à Sociedade Espírita de Paris, o Espírito de Clélie Duplantier transmitiu a 19-2-1869 as explicações que se seguem: I – Todas as lendas, por mais ridículas que pareçam, repousam numa base real, numa verdade incontestável. II – As multiplicantes foram, sobretudo na Ilha Maurícia, e ainda eram, pontos indicados para as reuniões noturnas, porque, acomodadas junto a seu tronco, as pessoas podem abrigar-se sob sua folhagem. III – Os homens conservam, ao desencarnar, seus hábitos terrenos e muitos, portanto, continuam a reunir-se debaixo dessas árvores. Eis por que há lugares mais particularmente assombrados: os Espíritos que ali se reúnem já os frequentavam em vida. IV – As multiplicantes não são, pois, mais propícias à habitação dos Espíritos inferiores do que outros lugares. A natureza do abrigo, seu aspecto lúgubre, nada tem que ver com isso; trata-se simplesmente de uma questão de bem-estar. Desalojam-se dali os Espíritos e eles se vingam. V – Como são ainda muito atrasados e materializados, vingam-se materialmente, batendo nas paredes, movendo objetos e coisas desse tipo. (Págs. 79 e 80)

50. Sob o título de: O Espiritismo ante a Ciência, o sr. Chevillard pronunciou em janeiro último uma conferência pública muito aguardada. O orador limitou-se, no entanto, ao exame de alguns fenômenos materiais, ignorando por completo o que, em essência, constitui o Espiritismo – a parte filosófica e moral – sem a qual o Espiritismo não estaria implantado em todas as partes do mundo. Adversário do Espiritismo, o sr. Chevillard não nega os fatos; ao contrário, ele os admite. Apenas os explica a seu modo, negando, evidentemente, a intervenção dos Espíritos. (Págs. 80 a 83)

51. Comentando o caso, Kardec diz que falar do Espiritismo, não importa em que sentido, “é fazer propaganda em seu proveito”. A experiência prova a verdade dessa assertiva. Por isso, não há o que lamentar por causa das palavras proferidas pelo sr. Chevillard. “Mais tarde, sem a menor dúvida, vindo o momento oportuno, o Espiritismo também terá os seus oradores simpáticos”, asseverou o Codificador. “Apenas lhes recomendaremos que não caiam no erro dos adversários, isto é, que estudem a questão a fundo, a fim de falar com perfeito conhecimento de causa.” (Págs. 83 e 84)

 

Respostas às questões propostas

 

A. A roupa usada pelos Espíritos em suas aparições é uma projeção da roupa que eles usavam quando encarnados?

Não. As formas exteriores que revestem os Espíritos que se tornam visíveis – diz Kardec – são verdadeiras criações fluídicas, muitas vezes inconscientes. A roupa, os sinais particulares, os ferimentos, os defeitos físicos, os objetos que usam são o reflexo de seu próprio pensamento no envoltório perispiritual. (Revista Espírita de 1869, pp. 73 a 75.)

B. Existem realmente lugares assombrados?

Sim. A questão dos lugares assombrados é, segundo Kardec, um fato comprovado. (Obra citada, pp. 79 e 80.)

C. Que recomendação fez Kardec aos oradores espíritas?

Ao prever que no momento oportuno o Espiritismo também teria os seus oradores simpáticos, Kardec recomendou que eles não caíssem no erro dos adversários do Espiritismo, isto é, que estudassem a questão a fundo, a fim de falar sempre com perfeito conhecimento de causa. (Obra citada, pp. 83 e 84.) 

 

Observação:

Para acessar a parte 4 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/06/revista-espirita-de-1869-allan-kardec_01139718232.html

 

 


 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 


terça-feira, 24 de junho de 2025

 



A feliz condição do autocuidado

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

À medida que vivemos, mais nítido fica que devemos cuidar antes de tudo do nosso próprio coração, pois somos a nossa eternidade. Quanto antes soltarmos os pesos das emoções falidas, desejos improdutivos, valores desproporcionados, aprovações alheias, comparações nocivas, insistência estéril em caminhos tortuosos, mais a nossa vida busca a sua direção livre, feliz e realizada. Nunca devemos ser o que, supostamente, o externo nos impõe, porém, sempre, o que tanto o nosso interior realmente almeja.

Um dos mais sábios acontecimentos é a auto-observação, e a atitude mais sensata e colaborativa é conhece-te a ti mesmo que, de fato, é o maior mandamento para o progresso e para o próprio espírito viver o que realmente lhe foi criado, já que é constituído da centelha infinita e eterna, universal e iluminada. Não há como continuar a sufocar o espírito ‒ como ainda muito ocorre ‒, somente se deve compreender a sua maravilhosa natureza e, por meio de amorosas e pessoais escolhas, contribuir para a sua objetiva realização.

Não há motivo para cuidar antes dos alheios campos de flores, primeiramente se deve cultivar os campos das próprias flores, observar o azul do céu que se pode ver, sentir o vento no próprio rosto e a interna pulsação, conexão com o Universo. É urgente apreciar a companhia particular e amar-se infinitamente, porque a autovalorização reconhece a grandeza da vida.

Busca-se incessantemente no externo, e encontra-se tudo o que se deseja a partir do acesso interno. Somos conexão universal, a escolha é que determinará as belas paisagens ou caminhos gris. Partirá sempre do eu (consciente ou inconsciente) para o todo. Tão necessário ao espírito é o seu cuidado que se dá quando o autoamor é vivenciado. Respeito, dedicação, disciplina, carinho, paciência e perdão ‒ hastes do amor ‒ devem ser sentidos por si mesmo. Somos o nosso maior tesouro, somos criação divina, portanto devemos ser os nossos mais fiéis colaboradores.

Conforme nos descobrimos acessamos o que fomos, o que somos e o que queremos alcançar. Somos luz e disso devemos sempre nos lembrar, pois se desejamos conquistar o mundo, o primeiro passo é a nossa própria conquista.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 


 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 


segunda-feira, 23 de junho de 2025

 



Os vira-latas

 

Hilário Silva (Espírito)

 

Desaparecera Nelito, o filhinho do industrial Sérgio Luce.

A família viera da cidade passar o fim de semana no apagado burgo madeireiro. E Manoel, o pequeno Nelito, de quatro anos, embrenhara-se na mata enorme que circundava a localidade.

Duas horas longas de expectativa.

A senhora Luce chorava ao pé do marido preocupado. Amigos chegando. Servidores em movimento. Lá estavam as pessoas mais salientes da vila. O médico, o sacerdote, o juiz, alguns professores e o antigo advogado, Dr. Nascimento Júnior, muito conhecido pela sua intransigência religiosa.

Humilde, apareceu também Florêncio Gama, o diretor do templo espírita recém-fundado. Misturava-se, em sua roupa surrada, à turba palradora, no grande portão da entrada, sustendo dois cães arrepiados, em corda curta.

– Florêncio! Florêncio, venha cá!

Era o Dr. Nascimento a chamá-lo. O operário simples, de chapéu na mão e segurando os cachorros mansos, foi atender.

Talvez desejando humilhá-lo, o causídico pronunciou grande sermão. Não estimava saber que um templo espírita se erguera. Respeitava em Florêncio um homem de bem. Trabalhador correto. Ordeiro. Entretanto, não queria vê-lo nas fileiras espíritas. E acrescentava que os espíritas não eram cristãos tradicionais. Não tinham classe. Discutiam livremente o Evangelho do Senhor. E isso lhe parecia desrespeito. A Doutrina Espírita, a seu ver, constituía desordenado movimento do povo. Sem pastor visível. Sem qualquer linha aristocrática na direção. Que o amigo lhe desculpasse. A hora de inquietude não comportava o assunto; contudo, não conseguia furtar-se ao ensejo.

Florêncio ouviu calado.

Explicou que desejava simplesmente cooperar na busca. E pediu uma roupa usada pela criança. A senhora Luce atendeu.

Em seguida, solicitou a presença dos cães que habitavam a casa. Vieram à sala quatro buldogues solenes, cinco dinamarqueses fidalgos, dois “fox-terrier” e uma cadelinha “bassé”.

Florêncio deu-lhes a roupa da criança a cheirar, mas não se moveram. A seguir, repetiu a operação com os dois cãezinhos que o acompanhavam. Latiram, impacientes. E libertos correram para a mata, voltando, daí a alguns minutos, ladrando alegremente.

– “Sigamo-los – disse Florêncio –, tudo indica que a criança foi encontrada.”

Todo o grupo avançou. Com efeito, em pouco tempo, seguindo os cães, surpreenderam a criança dormindo num monte de palha seca. Os animais ganiam, felizes, como quem havia cumprido agradável dever.

Júbilo geral.

Florêncio recolheu os companheiros para a volta, e, dirigindo-se, bem-humorado, ao Dr. Nascimento, disse-lhe:

– Olhe a lição, doutor. O senhor, decerto, enganou-se ao dizer que a Doutrina Espírita não possui representantes respeitáveis. Temos, sim. E muitos. Agora, quanto a sermos uma religião do povo, lembre-se de que os cães de raça, embora valiosíssimos, ficaram em casa emproados e preguiçosos. Nossos cachorros anônimos, porém, não hesitaram...

E terminou, contente:

– Conforme o senhor disse, os espíritas podem ser os vira-latas do canil terrestre, segundo o seu conceito, mas procuram trabalhar, aprendendo a servir...

 

Do livro Almas em Desfile, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

 

 

 



 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 



domingo, 22 de junho de 2025

 



 O Espiritismo na visão do pastor Nehemias Marien

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Anos atrás, uma amiga muito querida nos perguntou se é verdade que o pastor Nehemias Marien, recentemente falecido, tinha ideias espíritas.

Sim, é verdade. O pastor Nehemias Marien, da Igreja Presbiteriana Bethesda, em Copacabana, Rio de Janeiro, autor do livro Transcendência e Espiritualidade, foi uma das grandes estrelas em todas as edições do Encontro para a Nova Consciência de que participou, evento esse que se caracterizou pelo caráter ecumênico e pela abertura que possibilitou ao necessário diálogo que deve ser mantido pelas diferentes religiões existentes no País.

Pastor sensível, que transmitia muito carisma, Marien tinha uma mentalidade holística e jamais receou assumir sua mediunidade e seu pensamento sobre a realidade da reencarnação, além de ter aberto espaço para pregação da Doutrina Espírita em sua igreja, como ele mesmo relatou ao jornalista Alamar Regis Carvalho.(1)

Numa de suas participações no Encontro para a Nova Consciência realizado em Campina Grande (PB), o pastor foi entrevistado pela jornalista Fátima Farias, ocasião em que expôs com clareza suas ideias acerca de pontos importantes muito caros aos espiritistas.(2)

Eis alguns trechos da referida entrevista:

1) Reencarnação

“Até o ano de 546, no Concílio de Calcedônia, a reencarnação fazia parte dos cânones da Igreja. Depois, por discussões mais administrativas e menos teológicas, foi banida do cânone oficial (...). Então, eu sou professor de Teologia Bíblica e de Ciências Bíblicas. No estudo da Bíblia, as evidências da Reencarnação são assim incontestáveis, e eu acho que o Espiritismo é a mais caudalosa vertente do Cristianismo, pelas ideias. Você encontra, tanto no Antigo como no Novo Testamento, evidências claras da Reencarnação, isto é, do prosseguir da vida. Tanto Pedro, o pressuposto grande apóstolo Pedro, fala na sua segunda encíclica, no final da Bíblia, fala sobre a existência do espírito após a morte e nesta evolução do ser humano. E também São Judas, o apóstolo de Cristo, na sua epístola final, também fala sobre o mesmo tema. Então, sou uma pessoa estudiosa, aberta. Eu não tenho muros de espécie alguma.”

2) Doutrina Espírita

“Eu acho que o Espiritismo é o mais caudaloso afluente do Cristianismo. Considero a Bíblia como o mais antigo livro de psicografia e mediunidade. Eu acho que Jesus era o médium perfeito, e que a mentalidade kardecista todos nós a temos.”

3) Mediunidade

“Olha, nós todos somos médiuns. Queiramos ou não. É uma questão de reconhecer, constatar e disciplinadamente desenvolver. Agora, há muitos preconceitos. Nossa cabeça é assim muito cheia de preconceitos, conceitos não, mas preconceitos temos demais. Então, eu acho o seguinte: eu, a respeito da mediunidade, até agora, estou sentindo... (emociona-se e chora). Eu acho que o verdadeiro servo de Deus é um médium. Ele não fala de si. Vamos dizer, entre aspas, traduzindo sentimentos, é uma incorporação espiritual. Ele não é dono dele, é um veículo, um canal. O importante é a mensagem que transmite.” 

4) Comunicação com os Espíritos

“Eu tenho, até não entendo bem este espírito meu, mas eu tenho a impressão de que é uma índia, minha Biquara, mãe de minha mãe, minha avó Joana. Eu sinto assim, uma certa colocação, uma certa energia dela para mim. Todas as vezes em que eu abro o texto sagrado, para as homilias, as pregações, os sermões, sinto que estou fora de mim. Eu admito esta transcendência da Espiritualidade, esta invasão do Céu no coração humano, através da mediunidade.”

5) Chico Xavier

“Chico Xavier é um nome-legenda da espiritualidade, nacional e mundial. Eu tive o privilégio de estar com ele duas vezes. Fui fazer uma série de conferências do Rio à Brasília. Viajei de carro e propus ao meu amigo levar-me a Uberaba. Oramos juntos. Olha, Chico Xavier e Dom Hélder Câmara são pessoas que me fizeram muito bem pela prece a meu favor. Rogo a Deus que este ícone da Espiritualidade, que o Mundo todo respeita, tenha assim muitos, muitos e muitos privilégios desta bênção inaudita de transbordar a Espiritualidade como ela vem fazendo pelo santo Chico Xavier.”

6) Ataques de pastores contra o Espiritismo

“Bom, como eu diria, nossos amados irmãos são aliados. Estamos todos no mesmo barco, mas eles fazem parte da artilharia. O artilheiro é o soldado, que vem lá atrás. A infantaria somos nós, a Doutrina Espirita, aqueles que vão lá para frente. A artilharia, ao abrir espaço à frente, solta as bombas, mas são muito ruins de cálculos matemáticos, erram os cálculos e acabam dizimando os próprios aliados. É o que acontece, criticando o Espiritismo, que está na mesma dimensão espiritual. Eu os chamo, vamos dizer assim, de bonsais espirituais, aquela plantinha que não cresce. Lá em Tóquio vi todo um horto só de bonsais, bonitos, mas não se desenvolveram espiritualmente. Estes que atacam nossos irmãos espíritas e outras tradições, com as quais não concordam, são uma espécie de pitbulls. Eu acho que os ventos contrários firmam raízes de árvore e o avião sobe mais alto. Acho que é como burilando um diamante, que vira brilhante.”

 

(1) Para assistir ao vídeo da entrevista que o pastor Nehemias concedeu ao jornalista Alamar Regis Carvalho, clique aqui:  https://www.youtube.com/watch?v=L_A6VMTyUxo

(2) A entrevista concedida à jornalista Fátima Farias pode ser vista no seguinte site: http://tarauacanoticias.blogspot.com/2009/12/nehemias-marien-o-pastor-que-aceita-o.html



Nota do Autor:

Para ler o texto publicado no domingo anterior, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/06/o-bem-que-nos-faz-bem-e-o-bem-que.html

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG