(Sem
julgamento)
CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
Há tanta pressa para viver nestes dias, e tanta falta de
direção que se presencia em cada dia, com o pretexto de correria, que o ato de
ouvir(se), em muitos casos, já está fora de cogitação. Não há mais tempo nem
vontade para ouvir, aliás, esta arte (de ouvir) traz a sensibilidade de querer
perceber-se e perceber o outro também, e isso está estranho e improvável nos
dias de hoje. No entanto querer ouvir(se) é uma qualidade valiosa demais hoje e
sempre será.
Muitas curas
ocorrem, simplesmente, porque o compartilhamento de dores e infelicidades
alivia o coração sobrecarregado e, naturalmente, o corpo físico e o espírito
podem relaxar e se expandir para a restauração natural das células e
realimentação da energia universal, pois pensamentos mais elevados voltam a
habitar a mente. Muitas vezes, quando se está num momento difícil e a fé não é
visita assídua, parece que não existe solução nem um novo caminho. E quando se
quer ouvir, demonstra-se que o próprio espírito ouvinte já busca qualidades
para se desenvolver, e a materialidade não dita tanto as regras como
definitivas. Quem é ouvido normalmente se cura, e quem ouve se expande ‒ inicia-se a
expansão infinita, a bondade. E ouvir é uma das qualidades memoráveis de um
espírito.
Um exemplo de atitude inapropriada é o menosprezo pelo discurso ou desabafo alheio, mas que seria tão curativo para o espírito sofredor do momento. Como a dor não é mensurável, não deve haver também julgamento algum, no entanto quando a bondade existe no ouvinte, a cura pode ocorrer no ser em sofrimento.
Se pensarmos, não
é custoso ouvir, apenas deve haver um pouco da compreensão de que todos somos
filhos de Deus, e se há possibilidade de amparar um pouco que seja ‒ das incontáveis
vezes que já fomos amparados e socorridos e sabe-se lá quantas vezes mais
necessitaremos ‒, de fato, devemos
somente agradecer esta realização. E quanto mais fizermos no campo da bondade,
mais diretamente seremos amparados e aliviados, pois é no trabalho do bem que nosso
espírito começa a conhecer o que é o progresso. Devemos dar graças a Deus por
cada momento em que podemos servir, o grande sentido de viver.
E tudo o que
fizermos que seja com amor e puro coração, pois a energia doada junto com a
ação é responsável pela ajuda verdadeira ou não. Ainda que não estejamos tão
receptivos, às vezes, para ouvir, mas que nos conscientizemos, pelo menos aos
poucos, de que parar e importar-se com a dor alheia e querer ouvir quem tanto
necessita falar, também é um dos gestos mais caridosos na vida.
Imagine só se a
espiritualidade não quisesse ouvir as nossas preces, queixas e súplicas,
certamente, seríamos bem mais infelizes, desassistidos e desprotegidos. E na
verdade, somos ouvidos com tanto amor que nem podemos imaginar.
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