Emmanuel
(autor espiritual)
Todos nós, quando encarnados na Terra,
estamos inelutavelmente enlaçados a certas obrigações, entre o passado e o
porvir.
Por isso mesmo, o
presente figurar-se-nos-á por estação proveitosa à execução daquele ou desse
dever, condizentes com as necessidades que nos caracterizam na marcha evolutiva
quando não se refiram à nossa regeneração pura e simples.
Temos, assim, não
somente os prisioneiros do cárcere que cumprem no mundo determinadas sentenças
exaradas pela justiça terrestre, mas também os prisioneiros das profissões e
dos institutos domésticos, das teias da consanguinidade e das representações de
caráter público, tanto quanto aqueles que se demoram nas grades do obstáculo e
do infortúnio, da enfermidade e da frustração.
Todos, porém,
nessas circunstâncias, desfrutamos o direito de decidir.
Ainda mesmo sob os
impedimentos e flagelações do remorso, o delinquente que expia a culpa pode
usar a obediência e a humildade para desagravar a própria situação, qual ocorre
ao paralítico, parafusado ao catre que o desfigura, que pode manejar a paciência
e a conformação, adquirindo, nos outros, a bênção da simpatia.
Não nos cabe
olvidar que, se no campo do mundo todo tempo serve como ensejo de reajuste,
todo dia pode ser o marco de início a preciosas realizações no reino da
iniciativa.
Cada hora na vida é
recurso potencial para a criação de novos destinos.
Entendendo que
apenas o dever cumprido resgata-nos os débitos, não nos esqueçamos de que pelo
serviço espontâneo, além do quadro das nossas justas obrigações, todos
conseguimos sublimar o próprio livre-arbítrio, atendendo ao melhor nos passos
do caminho, e traçando, felizes, a áurea senda do amor, à luz do sacrifício que
nos transportará das trevas do passado para o Sol do futuro.
Do livro Linha
200, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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