quarta-feira, 6 de abril de 2022

 



Revista Espírita de 1859

 

Allan Kardec

 

Parte 1

 

Iniciamos nesta edição o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1859, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. 

O estudo será baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

Cada parte do estudo, que será apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. A ojeriza que algumas pessoas têm à religião tem o apoio de Kardec?

B. Para influenciar uma pessoa, os Espíritos têm de estar próximos?

C. Que é preciso fazer para não sermos enganados pelos Espíritos levianos ou mentirosos?

D. Quem, segundo o Espiritismo, são as crianças?

 

Texto para leitura

 

1. Nos fenômenos espíritas agimos sobre inteligências que dispõem do livre-arbítrio e não se submetem à nossa vontade. Eis por que a ciência vulgar é incompetente para os julgar. (P. 2)

2. Um bom médium é o que simpatiza com os bons Espíritos e não recebe senão boas comunicações. (P. 3)

3. O Espiritismo é o mais poderoso auxiliar das ideias religiosas: ele dá religião aos que não a possuem; fortifica-a nos que a têm vacilante; consola pela certeza do futuro, faz suportar com paciência e resignação as tribulações desta vida e desvia o pensamento do suicídio. (P. 5)

4. O perispírito, cuja natureza é essencialmente flexível, se presta a todas as modificações que lhe queira dar o Espírito. Em seu estado normal, o invólucro etéreo tem forma humana. (P. 8)

5. A visão do Espírito pelo médium se realiza por uma espécie de radiação fluídica, que parte do Espírito e se dirige ao médium. (P. 10)

6. Kardec refere o caso "O duende de Bayonne", em que um Espírito com a fisionomia de menino de 10 a 12 anos aparecia para sua irmãzinha. (P. 17)

7. O Espírito de Diógenes se comunica e diz que depois de sua existência em Atenas só reencarnou em outros mundos. (P. 21)

8. Os Espíritos de São Luís e de Santo Agostinho dizem que os Espíritos podem influenciar-nos mesmo estando a milhões de quilômetros de nós, e que cada anjo da guarda tem o seu protegido, sobre o qual vela como um pai sobre o filho. (PP. 22 e 23)

9. Os Espíritos bons, mas ignorantes – diz Kardec –,  confessam sua insuficiência a respeito daquilo que não sabem; os maus dizem que sabem tudo. Lá e cá, a bazófia é sempre sinal de mediocridade. (PP. 28 e 29)

10. O dom da mediunidade depende de causas ainda imperfeitamente conhecidas, nas quais parece que o físico tem uma grande parte. (N.R.: Hoje não há qualquer dúvida de que a mediunidade está radicada no organismo.) (P. 31)

11. O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos; é pelo pensamento que atraímos os que simpatizam com nossas ideias e inclinações. (P. 32)

12. Os Espíritos superiores não escolhem, para transmitir instruções sérias, um médium que tem familiaridade com Espíritos levianos, a menos que não encontrem outro médium e haja necessidade. (P. 33)

13. As boas intenções e a própria moralidade dos médiuns nem sempre bastam para evitar a intromissão dos Espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios nas comunicações. Se não quisermos ser vítima deles, é preciso julgá-los por sua linguagem, passando pelo crivo da lógica e do bom senso tudo quanto eles dizem. (PP. 34 e 35)

14. De todas as disposições morais, a que maior entrada oferece aos Espíritos imperfeitos é o orgulho, que muitas vezes se desenvolve no médium à medida que cresce a sua faculdade, pois esta lhe dá importância. (P. 36)

15. As demais imperfeições morais são outras tantas portas abertas aos Espíritos imperfeitos, ou, pelo menos, causas de fraqueza. Para repelir tais Espíritos, não basta dizer-lhes que saiam; é preciso fechar-lhes a porta e os ouvidos, provando-lhes que somos mais fortes – o que seremos pelo amor do bem, pela caridade, pela doçura, pela modéstia, pelo desinteresse. (P. 37)

16. Seria injusto, porém, atribuir todas as comunicações más à conta do médium, pois o meio é muito importante. É regra geral que as melhores comunicações ocorrem num círculo concentrado e homogêneo. (P. 38)

17. Os agêneres não revelam a sua natureza e, aos nossos olhos, não passam de um homem comum; sua aparição corpórea pode ter, pois, longa duração, conforme a necessidade do Espírito. (P. 41)

18. Não se devem confundir os fatos da bicorporeidade com os agêneres. Estes não possuem corpo vivo na Terra; apenas seu perispírito faz-se palpável. (P. 43)

19. Kardec admite ter uma aparência de frieza, mesmo de muita frieza; pelo menos é o que os amigos achavam e por isso o censuravam. (P. 43)

20. Kardec transcreve a história fantástica de Hermann, publicada no Journal des Débats, de 26/11/1858, e diz que não passa de uma lenda sem fundo de verdade, visto que uma alma não pode animar dois corpos. (P. 48)

21. Reportando-se aos fenômenos de batidas e movimento de objetos ocorridos na aldeia de Coujet, no departamento de Lot, Kardec lembra que os Espíritos superiores não se prestam a tais fenômenos: só os Espíritos de uma ordem muito inferior se dedicam a isso. (P. 49)

22. Em geral não há razão para nos amedrontarmos com esses fatos; a presença desses Espíritos pode ser importuna, mas não é perigosa, e é sempre útil procurar saber o que eles querem com tais fenômenos. (P. 50)

23. Um Espírito diz que as crianças são os seres que Deus envia a novas existências, aos quais dá toda a aparência de inocência, para que ninguém possa queixar-se de sua grande severidade. Quando não mais necessitam dessa proteção, o caráter real delas aparece em toda a sua nudez. (P. 52)

24. Os Espíritos só entram na vida corpórea para o seu aperfeiçoamento; a fraqueza da infância os torna flexíveis e acessíveis aos conselhos da experiência; é então que seu caráter pode ser reformado, pela repressão de suas más inclinações. Tal o dever que Deus confia aos pais. (P. 53)

25. Dr. Morhéry diz a Kardec que o célebre professor Gay-Lussac ensinava em seu curso, a respeito dos corpos imponderáveis e invisíveis, que estas eram expressões inexatas; mais lógico chamá-los imponderados. (P. 54)

 

Respostas às questões propostas

 

A. A ojeriza que algumas pessoas têm à religião tem o apoio de Kardec?

Não. Segundo Kardec, o Espiritismo é o mais poderoso auxiliar das ideias religiosas: ele dá religião aos que não a possuem; fortifica-a nos que a têm vacilante; consola pela certeza do futuro, faz suportar com paciência e resignação as tribulações desta vida e desvia o pensamento do suicídio. (Revista Espírita de 1859, p. 5.)

B. Para influenciar uma pessoa, os Espíritos têm de estar próximos?

Não. Os Espíritos de São Luís e de Santo Agostinho dizem que os Espíritos podem influenciar-nos mesmo estando a milhões de quilômetros de nós, e que cada anjo da guarda tem o seu protegido, sobre o qual vela como um pai sobre o filho. (Obra citada, pp. 22 e 23.)

C. Que é preciso fazer para não sermos enganados pelos Espíritos levianos ou mentirosos?

Primeiro é preciso entender que as boas intenções e a própria moralidade dos médiuns nem sempre bastam para evitar a intromissão dos Espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios nas comunicações. Se não quisermos ser vítima deles, é preciso julgá-los por sua linguagem, passando pelo crivo da lógica e do bom senso tudo quanto eles dizem. (Obra citada, pp. 34 e 35.)

D. Quem, segundo o Espiritismo, são as crianças?

As crianças são os seres que Deus envia a novas existências, aos quais dá toda a aparência de inocência, para que ninguém possa queixar-se de sua grande severidade. Quando não mais necessitam dessa proteção, o caráter real delas aparece em toda a sua nudez. A fraqueza da infância as torna flexíveis e acessíveis aos conselhos da experiência; é então que seu caráter pode ser reformado, pela repressão de suas más inclinações. Tal o dever que Deus confia aos pais. (Obra citada, pp. 52 e 53.)

 

 

 

 

 

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terça-feira, 5 de abril de 2022

 



As flores sempre serão flores

 

(Mas o rei não será sempre rei)

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

Nenhum pássaro canta, feliz, numa gaiola. Talvez essas grades tenham sido criadas para o próprio homem (reprimir seus tamanhos desejos desatinados), porém este ainda se regozija de limitar quem já conquistou o horizonte e insiste em intimidar a criatura mais leve e sensível. O homem velho precisa renovar-se. Há de lembrar que tudo se movimenta e toda atitude gera resultado. Desde criança, sabemos que a gangorra ora está embaixo, ora, em cima. Pode-se mudar de lado, no entanto o mesmo movimento ocorrerá. Nada se perpetua; tudo se renova. Nada é estático. E o opressor estará, um dia, sob os olhos do oprimido.

Quem conhece mais sobre os valores da vida não precisa falar alto a fim de impor-se, mas conversa suavemente, pois sabe que a verdade é calma e absoluta. Se alguém o interrompe com outras ideias, o homem sábio também passa a ouvir as novas palavras porque não há tanto que tudo saiba nem pouco que nada ensine.

A humildade conduz o homem a uma movimentação tranquila e venturosa no Universo e as estrelas passam a reconhecê-lo também pelo brilho. E os semelhantes se aproximam.

“E daquela água nunca beberei”, talvez aquela água seja a única a matar a sede e a manter a vida. Tudo passa e se renova e também pode voltar. Todos estão sob a mesma lei divina; o caminho a seguir dependerá somente do livre-arbítrio, nada mais.

Como somos seres em desenvolvimento, a compreensão do bom senso e da transitoriedade é início determinante para o progresso, pois o rei já foi plebeu e o homem simples teve seu reinado por até anos seguidos. A arrogância sempre cultivou criaturas inconvenientes que tanto sofrem a sua própria imperfeição egocêntrica.

Não é tempo de parar nem de muito se adiantar e nunca será tempo de humilhar, pois uma notável regra universal é a de que tudo o que é lançado ao mundo este o devolverá.

Se houver alegria que seja, então, valorizada e se houver dor, sem desespero, pois tudo passa, menos a grandiosidade do Pai. O que já atingiu a elevação do amor não é mais transitório, mas, sim, eterno.

E seguimos.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 4 de abril de 2022

 



Trilhas da Libertação

 

Manoel Philomeno de Miranda

 

Parte 6

 

Prosseguimos neste espaço o estudo metódico e sequencial do livro Trilhas da Libertação, obra de autoria de Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco e publicada em 1995. Este estudo será publicado neste blog sempre às segundas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

41. Em que lugar na Crosta terrestre a equipe espiritual desfrutava do necessário repouso após os trabalhos realizados na Casa Espírita?

A sede terrestre para esse repouso, após os trabalhos na Sociedade Espírita, situava-se em bairro próximo da capital de X... Era o lar de uma afeiçoada trabalhadora da Doutrina Espírita, que cultivava o Evangelho e vivia-o intensamente. Chamava-se Ernestina. Dotada de caráter diamantino, trabalhava em uma empresa de grande porte, de onde retirava os recursos para a sua própria manutenção, auxiliando alguns familiares e os irmãos do Calvário com generosidade e júbilo. Contribuía em favor da divulgação do Espiritismo mediante o seu ensino, nos cursos ministrados na Sociedade que frequentava. Retirava, periodicamente, do seu tempo escasso, horas valiosas para visitar e confortar os enfermos, especialmente os internados na Colônia de hansenianos em cidade do interior do Estado, acompanhada por dois abnegados amigos, José e Ângelo, ambos dedicados à Causa do Bem. (Trilhas da Libertação. Ensinamentos Preciosos, pp. 116 e 117.)

42. A reencarnação é considerada por Manoel Philomeno de Miranda um teste severo para aprendizagem superior. Por quê?

O motivo desse pensamento advém do fato de que a existência corpórea é assinalada por incontáveis riscos e desafios constantes, que a podem pôr a perder de um instante para outro. O véu carnal, que obscurece o discernimento da realidade maior, impede muitas vezes – se a pessoa não é afeiçoada à reflexão – que se adote o comportamento correto diante das inúmeras pressões que confundem a razão e o sentimento, gerando muitas dificuldades. Eis por que o hábito da meditação, da análise cuidadosa antes de determinadas decisões, senão de quase todas, tornam-se indispensáveis. Pensar duas vezes antes de agir, como assevera o refrão popular, é atitude de equilíbrio. (Obra citada. Ensinamentos Preciosos, pp. 118 e 119.)

43. Que ideia equivocada e bastante comum, com relação aos próprios problemas, verifica-se entre as pessoas, inclusive no seio do Espiritismo?

Segundo o dr. Carneiro de Campos, ainda viceja entre pessoas que acreditam na reencarnação, e que conhecem, portanto, a causalidade dos sofrimentos humanos, uma ideia equivocada quanto às próprias problemáticas. Tais pessoas parecem anelar pelas soluções de fora e, porque estas não chegam conforme gostariam, entregam-se ao desânimo ou à dúvida. Era esse o caso de Raulinda, a médium que esperava que o Espiritismo lhe resolvesse o problema de saúde emocional e a brindasse com um companheiro fiel e amoroso, sonho esse que é, aliás, acalentado por muitas pessoas. (Obra citada. Ensinamentos Preciosos, pp. 119 a 121.)

44. Qual era, no caso de Raulinda, a causa real de seus distúrbios psicológicos?

Raulinda era vítima da perseguição de alguém que ela havia prejudicado no passado. A respeito disso, informou o dr. Carneiro: “O seu perseguidor foi-lhe vítima da insensatez moral, que se imprimiu nas tessituras sutis do perispírito e que ora se manifesta como insatisfação, crises periódicas de contrações, paralisias e nevralgia uterina... O fenômeno fisiológico está intimamente ligado ao distúrbio psicológico, derivado da consciência de culpa”. “Esta lhe impõe a autoflagelação e perturba as atividades nervosas normais, dando surgimento aos estados de desequilíbrio.” (Obra citada. Ensinamentos Preciosos, pp. 122 e 123.)

45. Como devemos tratar casos como o de Raulinda?

Segundo o benfeitor espiritual – dr. Carneiro de Campos – “não podemos dissociar o paciente da sua enfermidade”. “Concluímos que os fenômenos perturbadores da nossa irmã têm suas matrizes no perispírito, decorrentes da conduta irregular de ontem e de severa obsessão atual, conforme estudaremos.” Dito isto, ele explicou que somente uma visão holística na área médica, examinando o enfermo como um ser global – Espírito, perispírito e matéria –, poderá ensejar-lhe uma terapia de profundidade, erradicando as causas preponderantes das enfermidades e dos transtornos de comportamento. (Obra citada. Ensinamentos Preciosos, pp. 122 e 123.)

46. Quando uma pessoa lesa outra, é preciso que alguém se lhe faça cobrador? 

Não. Esse é, por sinal, um equívoco que anima os chamados obsessores. Em verdade, ninguém escapa da correção, quando erra. Mas não é necessário que outrem se lhe faça cobrador, tornando-se candidato, por sua vez, a futuras reparações. Cada qual imprime na consciência os próprios atos, e as Leis se encarregam de trabalhar a retificação dos incursos nos seus Estatutos. A vingança é algo, portanto, absolutamente desnecessário e, por isso, não previsto pela justiça divina. (Obra citada. O caso Raulinda, pp. 128 e 129.)

47. É um equívoco também pensar, como os obsessores, que seu perdão significa a liberação de quem os prejudicou?

Claro que é um equívoco. O afastamento ou o perdão do obsessor não significa a liberação de quem o prejudicou, porquanto as consequências dos desequilíbrios permanecem e, de conformidade com a Lei, toda causa desencadeada produz um efeito equivalente. (Obra citada. O caso Raulinda, pp. 129 a 131.)

48. No caso de Raulinda o benfeitor espiritual valeu-se do recurso da regressão de memória?

Sim. Dr. Carneiro de Campos acercou-se dela e induziu-a às recordações, elucidando-a a respeito dos delitos perpetrados, assim como das futuras possibilidades de reabilitação. Embora as evocações fossem pessoais, Manoel P. de Miranda pôde acompanhar o desenrolar dos fatos mais graves, que culminaram no assassinato do esposo, por ela cometido. Incontinenti, ante a visão do sucedido, ela começou a apresentar sinais de desequilíbrio, que foram interceptados pelo Amigo experiente, que a exortou à mudança de atitude, explicando: “A recordação dos erros tem como finalidade despertar a consciência para o conveniente resgate. No passado de todos nós demoram-se muitas sombras perturbadoras, que o amor de Nosso Pai nos faculta diluir. Desse modo, despertados para a realidade dos objetivos da reencarnação, que têm caráter educativo, reparador, devemo-nos propor o dever de nos iluminarmos, auxiliando aqueles que deixamos tombados na retaguarda”. Após dizer isto, o Mentor envolveu-a em vibrações de equilíbrio. (Obra citada. O caso Raulinda, pp. 131 a 133.)

 

 

Observação:

Para acessar a parte 5 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/03/blog-post_28.html

 

 

 

  

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domingo, 3 de abril de 2022

 



A felicidade no mundo em que vivemos

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

De Londrina-PR

 

A questão da felicidade, que é, sem contestação, a grande aspiração da imensa maioria das pessoas, é tratada em vários textos das obras espíritas, sobretudo nas de autoria do codificador do Espiritismo.

É possível ser feliz no mundo em que vivemos?

O assunto é focalizado nas questões 920 a 922 d´O Livro dos Espíritos, nas quais encontramos as seguintes informações: 


I - O homem não pode gozar de completa felicidade na Terra, porque a vida aqui geralmente lhe é dada como prova ou expiação, mas depende apenas dele a suavização de seus males e poder ser tão feliz quanto possível na Terra.


II - O ser humano é quase sempre o obreiro de sua própria infelicidade; contudo, praticando a lei de Deus, a muitos males pode forrar-se e proporcionar a si mesmo uma felicidade tão grande quanto o comporte sua existência neste globo.


III - A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um indivíduo constitui, muitas vezes, a desgraça de outro. Há, porém, um padrão de felicidade comum a todos os homens – com relação à vida material, a posse do necessário; com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro.


Tem-se como certo, à vista dos ensinamentos espíritas, que nossa felicidade porvindoura será o resultado direto de nossas realizações e atitudes do presente. Não é difícil compreender semelhante ideia. “A cada um segundo suas obras”, ensinava Jesus, que também nos disse que aquele que matar com a espada desta será vítima.

O destino será, assim, à vista disso, definido pela própria pessoa, que colherá nas experiências reencarnatórias futuras exatamente o fruto de sua semeadura.

O entendimento acerca deste tema é importante porque pode influir diretamente na conduta dos indivíduos.

Vejamos dois exemplos.

Aos que acham que a felicidade está na posse de um corpo belo sugerimos que vejam como estão nossos amigos que já dobraram o cabo da esperança, muitas vezes envoltos em doenças e limitações orgânicas a anunciar que o fim da existência está próximo.

Aos que entendem que a felicidade se encontra na posse de dinheiro farto, propomos que visitem nossos irmãos abastados que, no final da existência, tudo dariam para readquirir a saúde e poderem desfrutar o que um dia imaginaram fosse a felicidade sonhada pelos homens.

Numa de suas obras mais importantes, Kardec escreveu: "Se o Espiritismo deve, como foi anunciado, realizar a transformação da humanidade, só poderá fazê-lo pelo melhoramento das massas, o que só se dará gradualmente, pouco a pouco, pelo melhoramento moral dos indivíduos" (O Livro dos Médiuns, cap. 29, item 350). "Aí é que se acha o princípio, a verdadeira chave da felicidade do gênero humano – acrescentou o Codificador, em Obras Póstumas – porque então os homens não mais cogitarão de se prejudicarem reciprocamente."

Podemos dizer, então, que a felicidade na Terra é, sim, possível, mas ela não será encontrada nas coisas, nos objetos, naquilo que o homem pode ter ou comprar. A felicidade será encontrada, seja aqui, seja no mundo espiritual, naquilo que o homem pode ser, visto que a pessoa boa, serena, pacífica, de consciência tranquila e fé no futuro será feliz onde quer que esteja, enquanto o indivíduo mau, perturbado, intranquilo e violento será infeliz mesmo que sua casa seja a mansão mais bela e cobiçada.

Se recorrermos à memória, lembraremos que o papa João Paulo II disse certa vez, em plena Praça São Pedro, exatamente isso, ou seja, que o inferno, tal como o paraíso, não é um lugar físico, mas um estado d'alma.

 

 

 

  

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sábado, 2 de abril de 2022

 



A família e o amor

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília-DF

 

Hoje tratarei sobre o amor familiar com base no contido em artigo meu, publicado em Reformador do mês de março de 2022. Após tecer diversas considerações iniciais sobre o tema, cito pequeno trecho lido na belíssima obra Memórias do Padre Germano, psicografada pela médium espanhola Amalia Domingo y Soler, do qual destaco o último parágrafo: "Tudo ama, tudo se encadeia na vida; não há fato isolado nem homem solitário, tudo forma família; o crime cria a sua atmosfera asfixiante, e a virtude o seu puríssimo ambiente" (capítulo intitulado Quarenta e cinco anos).

Comento, então, que nosso primeiro amor, como está n'Os Dez Mandamentos, recebidos por Moisés, deve ser a Deus, nosso Pai, como afirma Jesus; portanto, somos todos irmãos, que precisam amar-se uns aos outros como a si mesmos. Concluo que, em nossa família, nossos pais são os que estão mais próximos de nós, pois estão presentes em nossas vidas até mesmo antes da fecundação do óvulo que dará origem ao nosso corpo.

É no lar que deve principiar nossa educação. A preocupação da escola é com nossos conhecimentos teóricos principalmente. Quando a educação não nos é transmitida, desde os primeiros momentos da existência, a família não terá cumprido, diante de Deus, sua missão.

Logo a seguir, cito um trecho de mensagem do Espírito Emmanuel, que pode ser lida no Livro da Esperança, psicografado pelo inesquecível médium Chico Xavier:

 

Ainda mesmo ao preço de todos os valores da existência física, refaze milhares de vezes, as tuas demonstrações de humildade e serviço, perante as criaturas que te cercam, ostentando os títulos de pai ou mãe, esposo ou esposa, filhos ou irmãos, porque é de tua vitória moral junto deles que depende a tua admissão definitiva, ante os amados que te esperam, nas vanguardas de luz, em perpetuidade de regozijo na Família Maior (cap. 39).

 

Reforço que não nos devemos esquecer de que o núcleo familiar é o laboratório principal de nossos pensamentos, palavras e atos. Por ser no lar que exercitamos primeiramente o amor, o perdão, a caridade, a tolerância, deduzo que somente assim demonstraremos ter entendido o poder das virtudes cristãs em nossas vidas, como Jesus Cristo nos deu exemplo. Por fim, recomendo o estudo das obras espíritas, em família, para não apenas recebermos, como também transmitirmos o que em nós haja de melhor.

Não sou o melhor dos sete filhos de dona Cely, viúva aos quarenta anos. Entretanto, por mais trabalho que eu pudesse ter dado aos meus pais, sempre achei um absurdo um filho "ficar de mal" e maldizer seus pais... Então, deixo aqui meu pedido: peça sempre desculpas a seus pais, quando os aborrecer. Se chegar ao ponto de discutir com um deles, por mais razão que você tenha, lembre-se de que foram eles os responsáveis pela formação de seu corpo, que perderam noites de sono, quando ignoravam o motivo do seu choro, que o alimentaram, medicaram, que lhe ensinaram a andar, a falar e que se empenharam com o melhor que podiam na sua educação e formação escolar. Os pais que amam dão a vida na defesa de seus filhos.

Se temos irmãos, devemos dedicar-lhes todo o nosso cuidado. Evitar bullyings, ainda que isso nos pareça apenas brincadeira. Defendê-los contra as agressões de outras crianças e jovens, sem apelar para atos violentos, mas não cruzar os braços quando qualquer membro de nossa família for agredido. Por fim, em família, devemos conversar com educação e não com gritaria, quando algo não esteja bem, para que, com o devido respeito entre todos, sejamos também respeitados e cheguemos a um acordo e perdão mútuo.

É isto que entendo como "honrar pai e mãe": o amor em família.

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 

 



 

 

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sexta-feira, 1 de abril de 2022

 



A Vida no Outro Mundo

 

Cairbar Schutel

 

Parte 10

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Vida no Outro Mundo, de autoria de Cairbar Schutel, publicado originalmente em 1932 pela Casa Editora O Clarim, de Matão (SP). 

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Este estudo será publicado neste blog sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Os animais são também dotados de perispírito?

B. Encontraremos na Outra Vida, ou seja, no plano espiritual, espíritos de animais?

C. Os espíritos de animais permanecem longo tempo no Mundo Espiritual?

 

Texto para leitura

 

120. Assim como cremos, piamente, na existência da alma humana, após acurados estudos e provas demonstrativas que temos recebido em abundância, cremos também na existência da alma animal, ou seja, na existência de um princípio anímico que se revela subjetiva e objetivamente nos seres inferiores. E este princípio, como acontece no reino hominal, tem uma forma "orgânica" que o reveste, que podemos chamar de perispírito. (A Vida no Outro Mundo – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

121. Não só o homem é dotado desse órgão, necessário às funções que exerce; todos os animais mantêm essa ideia diretriz, que é de indispensável utilidade fisiológica. O cão, o gato, o cavalo, o tigre, o leão, os pássaros, os peixes, os quadrúpedes de toda espécie, os répteis, até os mais insignificantes insetos, todos são dotados desse organismo, que existe neles ainda invisível para nós e que designa em cada parte, e a cada elemento, seu lugar, sua estrutura e suas propriedades. (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

122. É uma como tela vital que representa o desenho ideal de um organismo. Esse organismo é suscetível de progresso, estando, portanto, sujeito à lei do transformismo, de acordo sempre com a evolução da alma ou do espírito que ele reveste. O animal terrestre morre, o seu corpo se decompõe, mas a alma sobrevive inteira, completa, conservando a memória das suas existências passadas. É no perispírito que se gravam, pois, todas as lembranças. (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

123. Estas considerações têm por fim deixar ver que, na Outra Vida, encontraremos espíritos de animais, como de seres que já pertencem, pelo seu grau de evolução espiritual, ao reino hominal. A prova desta afirmação está nas aparições dos animais, constatadas nos anais do psiquismo. O Sr. Ernesto Bozzano chegou a reunir avultado número dessas manifestações póstumas em seu livro denominado Animali e Manifestazioni Metapsichiche. (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

124. Conquanto grande parte desses espíritos permaneça pouco tempo no Mundo Espiritual, sendo, pouco depois de desencarnados, dirigidos por Espíritos Superiores para tomarem novas encarnações, como disse Allan Kardec, os mais evoluídos podem permanecer por mais tempo na Outra Vida, até ulterior deliberação dos Espíritos dirigentes, ocasião em que tomam novos corpos, de acordo, sempre, com o seu grau de adiantamento, passando, então, o perispírito de cada um por transformações adequadas à espécie em que vêm viver. (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

125. Esta obra não comporta a reprodução de relatos que bem orientem os leitores sobre essas aparições de animais, mas vamos escolher dois ou três para exemplo. (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

126. Este primeiro relato, extraído da revista Light, vem assinado peio psiquista inglês Sr. Peters: 

“No que concerne à sobrevivência dos animais, observei um fato curioso, antes de me tornar espiritualista. Eu estava doente e recebia habitualmente a visita de um gato, que pertencia à proprietária da casa em que eu residia. Cada tarde, um pouco antes da completa obscuridade, ele vinha ao meu quarto, dava uma volta com um ar solene, depois saía novamente. Um dia me disseram que o gato tinha morrido, mas essa notícia fugiu-me da memória e, cada tarde, o gato vinha como de costume. Entretanto, uma noite eu me lembrei, de repente, que o gato estava morto. Como nessa época eu nada sabia dos fatos psíquicos, e como via o gato distintamente, pensei que o sofrimento me havia deixado louco, mas no fim de algum tempo deixei de receber a visita do gato. De outra vez, achava-me numa reunião de família e estava em plena conversação com um dos meus hóspedes, quando vi, de repente, um grande cão; este parecia tão real, que o descrevi com pormenores e meu hóspede o reconheceu: tratava-se de um cão estimado, que fora de sua família.” (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

127. Mme. Agullana, em seu livro La Vie Vécue dum Médium Spirite, narra outro caso muito interessante. É o seguinte: 

“Eu estava em Condons, no escritório de M. T. conversando com este e sua senhora, quando tive uma visão singular que narrei ao casal. Eu lhes disse que via um Espírito, um senhor, personagem que lhes descrevi. No mesmo instante, apareceu-me um cão cuja cor e aparência eu narrei. Ele percorreu a loja do sr. M. T. e passou entre louças e porcelana. A cada momento o tal senhor dizia: ‘Vem aqui, Médor!’, como se estivesse crente de que o cão pudesse quebrar algum objeto. Este senhor era morto há 8 anos, disse-me M.T. Era um dos seus melhores amigos, e fora para ele como um irmão. Quanto ao cão, era, de fato, do tal senhor, chamava-se Médor e morrera havia um ano aproximadamente." (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

128. O Sr. Robert Austin publicou na North Somerset Gazette o seguinte, cuja veracidade ele afirma: Seu pai, o Juiz Austin, era conhecido amador de cães e possuía um, espanhol, que lhe tinha grande afeição. Era seu companheiro inseparável. O cão, depois de certo tempo, morreu; uma semana após, o Juiz Austin estava em casa de um amigo, em Clifton, com o qual palestrava. Quando se despediu e ia saindo, uma moça escocesa, que se achava então na casa, perguntou quem era esse senhor acompanhado de seu cão. A dona da casa respondeu que era o Juiz Austin, mas acrescentou que ele não tinha cão algum consigo. Ela respondeu que estava vendo distintamente, com ele, um cão, e descreveu exatamente o aspecto de um velho cão espanhol e mesmo a sua atitude peculiar para com seu dono, que era a mesma que tinha, quando vivo, com o Juiz Austin. Narrando o caso o Sr. Austin disse: "Vós podeis pensar o que quiserdes deste caso, mas ele é verídico".  (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

129. Os casos de aparições de cães, cavalos, gatos, bois etc. são bem numerosos, e vêm provar a sobrevivência animal. Esses seres, como dissemos, manifestam-se com o seu corpo psíquico – ou perispírito. A imortalidade é a prerrogativa dos seres, desde a mais ínfima à mais elevada na escala da criação, e esses espíritos, quanto mais evoluídos forem, mais tempo permanecerão no Mundo Invisível, para prová-lo. Daí vem a afirmação dos Espíritos reveladores: "O nosso Mundo é povoado de entes humanos e animais; mas os nossos animais são muito mais belos e inteligentes do que os vossos".  (Obra citada – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Os animais são também dotados de perispírito?

Sim. Não só o homem é dotado desse órgão, necessário às funções que exerce; todos os animais mantêm essa ideia diretriz, que é de indispensável utilidade fisiológica. O cão, o gato, o cavalo, o tigre, o leão, os pássaros, os peixes, os quadrúpedes de toda espécie, os répteis – todos são dotados desse organismo, que existe neles ainda invisível para nós e que designa em cada parte, e a cada elemento, seu lugar, sua estrutura e suas propriedades. (A Vida no Outro Mundo – Cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

B. Encontraremos na Outra Vida, ou seja, no plano espiritual, espíritos de animais?

Sim. O animal terrestre morre, o seu corpo se decompõe, mas a alma sobrevive inteira, completa, conservando a memória das suas existências passadas. Encontraremos, pois, na Outra Vida espíritos de animais, como dos seres que já pertencem, pelo seu grau de evolução espiritual, ao reino hominal. A prova desta afirmação está nas aparições dos animais, constatadas nos anais do psiquismo. O Sr. Ernesto Bozzano chegou a reunir avultado número dessas manifestações póstumas em seu livro denominado Animali e Manifestazioni Metapsichiche.  (Obra citada, cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

C. Os espíritos de animais permanecem longo tempo no Mundo Espiritual?

Depende. Grande parte desses espíritos permanece pouco tempo no Mundo Espiritual, sendo, pouco depois de desencarnados, dirigidos por Espíritos Superiores para tomarem novas encarnações. Contudo, os animais mais evoluídos podem permanecer por mais tempo na Outra Vida, até ulterior deliberação dos Espíritos dirigentes, ocasião em que tomam novos corpos, de acordo, sempre, com o seu grau de adiantamento, passando, então, o perispírito de cada um por transformações adequadas à espécie em que vêm viver. (Obra citada, cap. X - O Perispírito nos Seres Inferiores.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 9 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/03/blog-post_25.html

 

  

 

  

 

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