quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

 



CINCO-MARIAS

 

Famílias resilientes

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com



Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira
. L. Tolstói.

 

Está tentando educar alguém? Seja dedicado e procure, sem segundas intenções, nutrir amor, respeito e solidariedade.

De certo modo, as famílias que educam os filhos de maneira mais eficiente, de uma perspectiva honesta, consideram que os seres humanos ansiamos por laços profundos e, no começo da vida, por amor generoso e aprovação. Assim, enquanto as crianças crescem, elas sabem que fará muita diferença, por exemplo, os adultos da casa afirmarem aos filhos que inteligência não tem a ver somente com tirar nota 10. Na realidade, inteligência tem relação especialmente com a capacidade de ter empatia e estar em sintonia com o que as outras pessoas sentem – e isso porque também somos seres espirituais, emocionais…

Por que os pais não podem ensinar habilidades criativas à vida? Como, por exemplo, recuperar-se depois de uma decepção, ter consciência dos pensamentos e das emoções, saber pôr em prática humildade, bondade, alegria empática (e fazê-lo em casa, na escola, no caminho)…

Com regularidade, famílias resilientes procuram lembrar que está tudo bem se o filho mais novo ou a filha mais velha for bem em uma área e não bem em outras… Essas famílias, cientes de que o propósito maior da vida nunca tem a ver com se comparar com os outros, tentam de modo franco ajudar o filho a se aprofundar na área de interesse dele, sem esquecer, no entanto, que não importa quão ricas ou poderosas sejam algumas pessoas, não há razão para se sentir inferior...

Por fim, essas famílias consideram que a resiliência que a elas se integra no cotidiano depende largamente de atenção e compromisso em garantir o cuidado de todos os membros. E elas têm isso presente. Todos os dias.

 

Notinha

 

A família contemporânea vem passando por mudanças estruturais significativas, tornando as relações entre seus membros mais igualitárias e assumindo novas configurações familiares. Além disso, a família se redefine sucessivamente em novos modos de ser família, principalmente através da superação de conflitos e do uso de solidariedade. Isso, por sua vez, acaba por dar vigor à resiliência.


 
*

 

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), está concluindo em São Paulo a formação em Psicanálise. Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

 



Revista Espírita de 1862

 

Allan Kardec

 

Parte 8

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1862, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo será baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1862 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que revelações fez Voltaire na Sociedade Espírita de Paris?

B. A sabedoria tem algo a ver com amor e caridade?

C. Além de ter visto o Espírito de Verdade, que mais contou Sanson em sua terceira comunicação?

 

Texto para leitura

 

80. Em Bordéus, um padre escreveu uma carta a uma senhora muito idosa e doente, com referências à crença dela no Espiritismo. A filha, Émilie Collignon, respondeu-a ao vigário, dizendo haver encontrado muita força e consolo no Espiritismo e na certeza palpável de que nossos mortos queridos estão sempre perto de nós. A Revista transcreveu-as. (P. 146)

81. O suicídio de uma pobre viúva, mãe de três filhos, que foi denunciada por haver furtado um pão a um padeiro que se recusou a dá-lo, é relatado pela Revista, seguido de comunicações da suicida e de Lamennais, que afirma que a infeliz mulher é uma das vítimas do nosso mundo, de nossas leis e de nossa sociedade. (PP. 149 a 151)

82. Santo Agostinho dedicou, de forma espontânea, uma mensagem a vários personagens russos de distinção que, após frequentarem durante o inverno as reuniões da Sociedade Espírita de Paris, retornaram à Rússia. Entre diversos conselhos, Agostinho lhes disse:

I - Sabei que a caridade não se faz somente com esmola, mas também com o coração.

II - Ide e pregai o Evangelho. Deus vos situou no alto, para que todos vos possam ver e vossas palavras sejam bem compreendidas.

III - Deus recompensa os que trabalham no seu campo e dá a colheita a todos os que contribuem para o grande serviço.

IV - Mostrai a todos que o espírita não fica no meio da estrada para indicar a direção, mas toma do machado e do cutelo e se atira às mais sombrias florestas para rasgar o caminho e desviar os espinhos dos passos dos que os seguem. (PP. 151 e 152)

83. Désiré Léglise, morto em 1851, diz que as paixões, as afeições vivas, não são possíveis senão entre criaturas da mesma natureza, entre mundanos e mundanos, entre Espíritos e Espíritos. Com a morte, a afeição não se apaga, mas toma outro caráter, afirma o poeta argelino. (PP. 153 e 154)

84. Cárita destaca, em Lyon, de forma poética, o valor da lágrima na redenção humana. (PP. 155 e 156)

85. Voltaire comunica-se na Sociedade Espírita de Paris e diz que seu cinismo desapareceu diante da revelação das grandes coisas que só ficou conhecendo no além-túmulo. Dizendo-se mais cristão, ele conta: “Sofro, mas expio a resistência que opus a Deus. Tinha a missão de instruir e esclarecer. A princípio o fiz, mas o meu facho se extinguiu nas minhas mãos na hora marcada para a luz!...” (PP. 156 a 158)

86. Em seguida à comunicação de Voltaire, Santo Agostinho assevera que não existe sabedoria sem amor nem caridade. Amor e caridade, diz ele, são as duas virtudes supremas, que unem a criatura ao Criador. (P. 158)

87. Em discurso feito na abertura do ano social na Sociedade Espírita de Paris, em abril de 1862, Kardec lembra as vicissitudes enfrentadas, anos antes, pela Sociedade e confessa ter um dia pensado seriamente em retirar-se. Quatro anos depois de fundada, a Entidade possuía 87 membros ativos, sem contar os sócios honorários e correspondentes, e os princípios por ela adotados serviam, então, à imensa maioria dos espíritas. (PP. 159 a 161)

88. No discurso, Kardec aplaude a feliz ideia de vários membros de organizar reuniões particulares em seus lares, as quais têm a vantagem de estabelecer relações mais íntimas e, além disso, são centros para uma porção de pessoas que não podem ir à Sociedade. Concluindo, o Codificador fala sobre a nova sede da instituição e seus custos. (PP. 165 a 168)

89. A Revista publica a segunda comunicação do Sr. Sanson, na qual ele fala sobre as sensações experimentadas no momento da morte e diz que, ao recuperar suas faculdades, se viu cercado por numerosos e fiéis amigos. Afirmando que a felicidade, como a entendemos, é uma ficção, Sanson aconselha: “Vivei sabiamente, santamente, no espírito de caridade e de amor, e sereis preparados para as impressões que os vossos maiores poetas não poderiam descrever”. (PP. 168 a 170)

90. Uma semana depois, Sanson comunicou-se pela terceira vez, informando que: 

I - Os Espíritos se apresentam no outro mundo sob a forma humana, mas há muita diferença entre o corpo carnal e a maravilhosa fluidez do corpo espiritual.

II - Neste não existe feiura, porque os traços perderam a dureza de expressão; a linguagem tem entonações intraduzíveis para nós; o olhar tem a profundeza das estrelas.

III - O corpo espiritual é dotado de cabeça, tronco, braços e pernas.

IV - A visão dos Espíritos nenhuma relação tem com a visão humana. Além disso, o Espírito pode adivinhar os nossos pensamentos.

V - Os Espíritos não se reproduzem, porque não têm sexo.

VI - No recinto da sessão, ele viu São Luís (presidente espiritual da Sociedade), o Espírito de Verdade, Santo Agostinho, Lamennais, Sonnet, São Paulo e outros. (PP. 171 a 173) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que revelações fez Voltaire na Sociedade Espírita de Paris?

Ele disse que seu cinismo havia desaparecido diante da revelação das grandes coisas que só ficou conhecendo no além-túmulo. “Sofro, mas expio a resistência que opus a Deus”, contou Voltaire. “Tinha a missão de instruir e esclarecer. A princípio o fiz, mas o meu facho se extinguiu nas minhas mãos na hora marcada para a luz!...” (Revista Espírita de 1862, pp. 156 a 158.) 

B. A sabedoria tem algo a ver com amor e caridade?

Tem tudo a ver. Segundo Santo Agostinho, não existe sabedoria sem amor nem caridade. Amor e caridade, diz ele, são as duas virtudes supremas, que unem a criatura ao Criador. (Obra citada, p. 158.)

C. Além de ter visto o Espírito de Verdade, que mais contou Sanson em sua terceira comunicação?

Sanson disse que os Espíritos se apresentam no mundo espiritual sob a forma humana, mas há muita diferença entre o corpo carnal e o corpo espiritual, que é dotado igualmente de cabeça, tronco, braços e pernas. Sanson também afirmou que os Espíritos não se reproduzem, porque não têm sexo. (Obra citada, pp. 171 a 173.)

 

 

Observação:

Para acessar a parte 7 deste estudo, publicada na semana passada, clique em https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2023/01/blog-post_18.html

 

 

 

 

 

 

 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

 



A essência da vida não se harmoniza com a impaciência

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

Quando nos dermos conta de que a impaciência é muito pior do que se pensa, então, possivelmente, poderemos assimilar quão especial é o percurso, o aprendizado, a experiência e não somente o resultado. De repente, chegamos ao objetivo e, tantas vezes, ficamos sem a reação imaginada. Simplesmente chegamos. E agora? O que fazer? O que virá? A ansiedade sufoca o encanto de cada manhã, lugar, cor, cheiro, sorriso, olhar, descoberta, desenho das nuvens, flores nos jardins, pássaros livres... liberdade. A ansiedade é egoísta e quer olhos para si o tempo todo enquanto a vida belamente acontece.

Devemos desenvolver nesta era o florescimento do amor mais vezes ao dia, a importância do bom relacionamento pessoal e virtual (as palavras e atitudes podem ferir mesmo através da tela), o respeito pelo meio ambiente, pois a humanidade só tem condição de aqui se manter se a natureza assim o permitir. Devemos desenvolver nesta era os nobres atos, as cordiais palavras e a respeitabilidade pela vida, já que, em incontáveis casos, somos motivo maior de vergonha por atitudes pueris, ignorantes e egocêntricas. Devemos crescer.

Não há que só desejar o término do dia de trabalho para estar livre e nada mais fazer; há, sim, que aproveitar o dia e trabalhar da melhor maneira, observando mais um momento e sua experiência. Agradecer mais em vez de reclamar ou maldizer é o primeiro passo para ser feliz. Reconhecer é outro fator absoluto. Não há que só desejar ter ou fazer, pois quando isso ainda perdura é que não se reconhece nada do muito que possui. Observar mais o percurso e valorizá-lo demonstra que estamos começando a crescer.

Para se ter certeza de algo é necessário horas a fio de conhecimento, disciplina e dedicação. Não se chega a uma certeza com impaciência e desconhecimento. Disso se pode estar certo. E quanto à observação, grandes homens somente se desenvolveram pela apreciação repetida dos gestos diários, das palavras, do tempo, da natureza e aprenderam que o progresso apenas se alcança quando há admiração pela jornada.

O número de pessoas que chegou a um objetivo e não se sentiu feliz é assustadoramente alto e quando pediram a elas a descrição do caminho até a conquista, a maioria ficou em silêncio, pois não foi capaz de descrever nada, não houve nenhuma observação. É preciso clareza para isto: não é somente o objetivo que interessa, mas todo o andamento a conquistá-lo; não é uma existência a mais vivida, mas toda a bagagem obtida.

Comecei a observar que um grande número de flores amarelas nascem nas emendas dos quintais das casas. Imagine se elas tivessem impaciência. Que bom que já são sábias.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

 



Sexo e Obsessão

 

Manoel Philomeno de Miranda

 

Parte 10

 

Damos sequência neste espaço ao estudo metódico e sequencial do livro Sexo e Obsessão, obra de autoria de Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco e publicada originalmente em 2002.

Este estudo é publicado neste blog sempre às segundas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

64. Que trajes a equipe socorrista utilizou para entrar na cidade pervertida? 

O objetivo era não despertar a atenção dos vigilantes. Por isso, os integrantes da equipe espiritual usaram mantos pesados que lhes caíam da cabeça cobrindo-os quase literalmente. Philomeno observou, porém, que à medida que ele e seus colegas permaneciam no recinto mefítico da estranha cidade a indumentária que usavam desgastava-se e os mantos rompiam-se numa apresentação grosseira de trajes usados por beduínos após incessantes travessias do deserto. Por que isso ocorria? O Mentor explicou então que os trajes foram trabalhados para aquele ambiente, a fim de assimilar as características locais, de forma que não despertassem a curiosidade dos que residiam na localidade. (Sexo e Obsessão, capítulo 12: Estranho encontro.)

65. A exaustão decorrente dos excessos da sensualidade depravada pode levar uma pessoa ao tédio? 

Sim. Foi isso que Manoel Philomeno de Miranda observou em pleno recinto onde o marquês de Sade, sentado em um trono ridículo, dialogou com o Guia da equipe socorrista. Philomeno percebeu ali expressões de exaustão em muitos rostos, enquanto não poucos apresentavam sinais inconfundíveis de tédio, que os induzia a mais excruciantes comportamentos aterradores. (Obra citada, capítulo 12: Estranho encontro.)

66. Qual era o recado que a equipe socorrista levou ao marquês de Sade?

O recado partira de Rosa Keller, que o marquês conhecera muito bem em sua última existência na Terra. Conforme o Mentor lhe disse, Rosa, que se encontrava sob a proteção de determinada Instituição espiritual, demonstrou interesse em manter um encontro com o marquês, pois que tanto ela quanto ele tinham necessidade de um diálogo esclarecedor. Esse era o recado e, como vemos, o objetivo inicial da tarefa socorrista. (Obra citada, capítulo 12: Estranho encontro.)

67. O marquês de Sade fez em sua última existência algo que mereça aplausos?

Sim. E isso lhe foi lembrado pelo Mentor durante o duro diálogo que travaram, quando o benfeitor espiritual disse: “Não obstante o comportamento do senhor marquês durante largo período da sua vida, na etapa final, mesmo durante a revolução, opôs-se à pena de morte, o que lhe custou mais um encarceramento, propugnou pelo trabalho honrado e aguardou a desencarnação, mantendo os seus hábitos, porém de sentimentos alterados...”. Mas o Mentor lembrou-lhe também o comportamento equivocado e a herança infeliz que ele havia legado à posteridade. (Obra citada, capítulo 12: Estranho encontro.)

68. Que decisão tomou o marquês em face do convite de Rosa Keller?

Ele concordou com o encontro, que ficou marcado para o dia seguinte, na Instituição espírita que o marquês bem conhecia. (Obra citada, capítulo 12: Estranho encontro.)

69. Numa missa celebrada na catedral, a autoridade religiosa leu e comentou uma importante homilia papal. Que advertência ela continha?

O grupo socorrista chegou à catedral no momento em que o Bispo lia a homilia papal, distribuída a todas as igrejas do mundo, advertindo os fiéis quanto ao comportamento aberrante, às extravagâncias do século, aos tormentos e facilidades da luxúria. Philomeno admirou-se ao verificar que providências espirituais estavam sendo tomadas nos diversos segmentos religiosos para que a avalanche do despudor e da licenciosidade que tomava conta da sociedade fosse detida, preservando-se os valores do matrimônio, da família, dos grupos sociais, dos princípios morais e cristãos, sacudidos pelo vendaval das paixões mais primitivas e perversas. (Obra citada, capítulo 13: Decisões felizes.)

70. A renúncia ao que é secundário – o mundo físico – ante o que é primordial – o mundo espiritual – é realmente importante para a criatura humana?

Sim. Foi exatamente essa a ideia que a autoridade eclesiástica disse em seu sermão, momentos antes de tratar do caso que envolvia o padre Mauro, seu pupilo e amigo. Segundo o Bispo, devemos na vida eleger primeiro as opções que conduzem ao reino dos Céus, porque de sabor eterno, enquanto que as outras, mesmo quando aparentemente importantes, não merecem mais do que a consideração relativa que lhes cabe. Aqueles que sabem escolher sempre logram receber além do que foi buscado, recebendo, por acréscimo de misericórdia, muito mais, tudo quanto lhes é acrescentado. (Obra citada, capítulo 13: Decisões felizes.)

 

 

Observação:

Para acessar a parte 9 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2023/01/blog-post_16.html

 


 

  

 

 

 

 

 

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domingo, 22 de janeiro de 2023

 



O perdão dos homens e o perdão de Deus

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

De Londrina-PR

 

Muito frequentemente interpretamos o perdão como sendo simples ato de virtude e generosidade, em auxílio do ofensor, que passaria a contar com absoluta magnanimidade da vítima.

Preciso é perceber, porém, que, quando conseguimos desculpar o erro ou a provocação de alguém contra nós, exoneramos o mal de qualquer compromisso para conosco, ao mesmo tempo que nos desvencilhamos de todos os laços suscetíveis de apresar-nos a ele.

Mágoa retida é doença para o Espírito, a quem corrói as forças físicas e envenena a alma. É necessário, para a própria paz, ante quaisquer ofensas, perdoar sempre. Eis por que Jesus disse a Pedro que não se deveria perdoar apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.

Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar. Uma, grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda quando este último nenhuma justificativa possa ter.

A outra é aquela em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que, ao invés de acalmar, irrita. Se estende a mão ao ofensor, não o faz com benevolência, mas com ostentação, de modo a mostrar aos outros: - Vejam como sou generoso! Em tais circunstâncias, é impossível uma reconciliação sincera de parte a parte, visto que não há nesse modo de perdoar qualquer generosidade, mas tão somente uma forma de satisfazer ao orgulho.

No convívio familiar somos, constantemente, chamados a perdoar, porque estamos, muitas vezes, diante de antigos desafetos de outras existências que se apresentam hoje sob a forma de cônjuge, filhos ou familiares próximos. Precisamos, por isso, muito mais de perdão dentro de casa do que na arena social, e muito mais de apoio recíproco no ambiente em que somos chamados a servir do que nas avenidas do mundo.

Em auxílio a nós mesmos, temos necessidade de cultivar compreensão e apoio construtivo, no amparo sistemático a familiares e vizinhos, chefes e subalternos, clientes e associados, respeito constante à vida particular dos amigos íntimos, tolerância para com os entes amados, com paciência e esquecimento diante de quaisquer ofensas que nos assaltem o coração.

Agindo assim, teremos condições de entender o perdão que Deus confere às suas criaturas, cientes de que o Criador perdoa concedendo ao devedor prazo ilimitado e facultando-lhe meios e possibilidades de resgatar o débito. Ora, que mais pode querer um devedor honesto e probo?

O perdão não é, portanto, uma graça concedida por Deus. Há necessidade do arrependimento com a consequente rogativa de perdão. O arrependimento é a confissão íntima da violação das leis morais, revelando-se não só pela insatisfação com o ato praticado, mas pelo empenho de repará-lo e não mais incidir no mesmo cometimento. O arrependimento pode dar-se por toda a parte e em qualquer tempo, mas, embora seja o primeiro passo para a regeneração, por si só não basta. É preciso acrescentar a ele a expiação e a reparação.

O Espiritismo ensina que o efeito do arrependimento é o de desejar o arrependido uma nova encarnação para se purificar e na qual possa expiar suas faltas. A concessão renovadora para o infrator, traduzindo o perdão divino, se efetiva com a aceitação da programação cármica pelo perdoado.

A expiação se cumpre durante a existência corporal, mediante as provas que o Espírito enfrenta, e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais por que passa, inerentes ao seu estado de inferioridade.

Após a expiação dos erros passados, vem, finalmente, a reparação, que consiste em fazer o bem àqueles a quem se fez o mal. Quem não repara seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contacto com as mesmas pessoas a quem houver prejudicado, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.

Praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se foi orgulhoso, amável se foi austero, caridoso se foi egoísta, benigno se foi perverso, laborioso se foi ocioso, útil se foi inútil, frugal se foi intemperante – trocando, em suma, por bons os maus exemplos perpetrados, o Espírito arrependido colhe desse esforço o seu próprio melhoramento e caminha a passos largos para a perfeição, meta final de todos nós, criaturas de Deus.

 

 

 

 



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sábado, 21 de janeiro de 2023

 



Também jamais trocarei minha fé...

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília, DF

 

Alma irmã, que Deus continue abençoando nossas vidas. Hoje, quero deixar bem claro que, desde a mais remota infância, sou espírita, mesmo antes de ter frequentado uma Juventude espírita a partir dos 21 anos. Algumas pessoas podem enganar-se a respeito de minha crença, visto a tolerância que tenho por todas as religiões e mesmo por nossos irmãos ateus. Entretanto, a exemplo do querido padre Zezinho, autor da música intitulada Não troco a minha fé, cujos versos, em itálico, respondo, em fictício diálogo, também jamais trocarei minha fé por outra, embora também respeite todas as crenças e os descrentes.

— Não troco a minha fé por outra fé.

— Nem eu...

— Não troco a minha paz por outra paz.

— Nem eu...

— Não deixo a minha santa religião por outra que garanta a salvação agora, já!

— Nem eu...

— Respeito quem não crê como acredito e peço que também os abençoes, meu Senhor.

— Eu também...

— Sou santo e pecador e minha igreja também é, porém, não troco a minha fé por outra fé.

— Não sou santo, mas esforço-me em ser melhor, e meu templo é a Verdade.

— Aceito questionar a minha fé.

— Também aceito questionamentos, ciente de que “a fé sem obras é morta”, como disse o apóstolo Tiago em 2:26.

— Aceito questionar a minha paz.

— Também aceito, mas confio em Jesus que nos disse: “Minha paz vos dou” (João, 14:27).

— E sei que a minha santa religião, tem muito que aprender, e mais ainda que mudar.

— Também sei que só Deus possui a verdade plena.

— Mas fico onde estou porque acredito e luto pra mudar a minha igreja pra melhor.

— Fico onde estou e busco ser melhor a cada dia desta curta passagem na matéria.

— Católico eu serei com muito orgulho e muito amor.

— Espírita e cristão serei com muita humildade, perdão das ofensas e amor.

— Não vou deixar a minha igreja, não senhor.

— Não vou deixar de ser espírita cristão, amando, instruindo-me e assim, sendo melhor, contribuir para que o mundo possa também melhorar.

— Sou santo e pecador e minha igreja também é.

— Não me canso de esforçar-me em ser melhor...

— Porém, não troco a minha fé por outra fé.

— Respeito a sua fé, mas também não troco a minha fé por nenhuma outra fé.

Assim termina nosso proveitoso diálogo fraterno.

Creio, de toda a minha alma, em Jesus que nos diz: “a Verdade vos libertará” e no Espírito de Verdade, que nos aconselha a amar-nos e instruir-nos para melhor servir.

Aprendi parte das músicas de padre Zezinho na Juventude Nina Arueira, do Centro Espírita Caminho da Redenção, fundado por Divaldo Franco e Nilson Pereira, em Salvador. Desde então sempre gosto de cantá-las, como também gosto de muitas músicas espíritas e outras músicas religiosas de boa qualidade. Isso significa que a minha crença é melhor do que a de outrem? Em resposta, compartilho com você uma pergunta do site Quora, respondida por mim ainda hoje: — Qual é a melhor das religiões?

Minha resposta: — A melhor religião é a tua, mas não deixes de “fazer a outrem o que desejas que ele te faça”, ou seja, ama, pois Deus é Amor e, como somos seus filhos, fomos criados para amar.

Pela beleza da música, compartilho o link para acesso da letra e música de nosso querido padre Zezinho: https://www.letras.mus.br/padre-zezinho/1284176/

   

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 

 

 

 

 



 

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