terça-feira, 12 de abril de 2022

 



Viajantes no planeta Terra

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

Quando quisermos aprender mais, sofreremos menos. Quando aprendermos a valorizar o que é real e a deixar passar o que é ilusório; quando dermos a devida importância a pessoas que, de fato, melhoram a nossa vida com carinho, amor, respeito, proteção, companheirismo; quando nos importarmos com situações que favoreçam a vida; quando sorrirmos mais pelas simples coisas em vez de tanto nos aborrecermos com momentos desventurosos (mas que também muito nos fazem crescer); quando realmente olharmos mais a vida com o olhar do espírito, sem dúvida, seremos bem mais felizes. Não somos daqui.

O que sempre nos distancia da felicidade é a nossa insistência em mantermos o egoísmo, orgulho e irresponsabilidade. Se queremos ser indivíduos mais harmoniosos, tenhamos, simplesmente, o comportamento mais adequado e coerente. A confiança é característica irrefutável e quando conquistada, inúmeras favoráveis condições a acompanham. Certas vezes, a boa conduta requer uma posição mais determinada, porém o resultado sempre será completo e deixará o coração com o sentimento de valor cumprido.

Declaradamente, não há dúvida do caminho a seguir, no entanto esse exige reconhecimento, renúncia e reforma e implica esforço diário até que se compreenda a sua íntegra unicidade. Menos preocupação terrena resultará na proximidade com as estrelas que são as orientadoras para alcançarmos o céu.

Quantos amanheceres e anoiteceres chegam e vão e nos encontramos da mesma maneira, sem avanços somente intensificação do que não será um divisor de águas, apenas atraso e sofrimento. Entretanto significativa parte dos seres humanos insiste em passos mais tortuosos. Isso também termina. Todo seremos estrelas.

E quando sentirmos que o melhor caminho é o da coerência, humildade, paz, bondade e amor, estaremos compreendendo também o laço fraterno e as dores de hoje tornar-se-ão mais fracas até se dissiparem. Entenderemos que a maior parte de nossa inquietação foi criada por nós, no entanto olharemos ao céu e sorriremos, pois o que mais o Pai quer é ver todo filho feliz.

E o aprendizado sobre uma vida mais plena trará paz porque só os verdadeiros valores é que determinam a esperada alegria ao coração.

Para começar a positiva mudança, basta considerar o que não se pode comprar e o que não fere nenhum coração tão facilmente.

Somos espíritos.

Só estamos de passagem por aqui que, aliás, é mais uma dádiva.

Mas somos do mundo de lá.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

  

 

 

 


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segunda-feira, 11 de abril de 2022

 



Trilhas da Libertação

 

Manoel Philomeno de Miranda

 

Parte 7

 

Prosseguimos neste espaço o estudo metódico e sequencial do livro Trilhas da Libertação, obra de autoria de Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco e publicada em 1995. 

Este estudo será publicado neste blog sempre às segundas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

49. Podemos afirmar que é da Lei que ninguém foge de si mesmo?

Sim. Ninguém certamente foge de si mesmo, nem consegue impedir a marcha do progresso, que é inexorável. No processo obsessivo, a vítima de hoje é o apoio do perseguidor amanhã, quando se permite que brilhe no íntimo o amor. Se, porém, permanece a animosidade, a vítima transferida para a posição de algoz mais se infelicita, porque jamais alcançará seu objetivo, que é a destruição do adversário. “As vidas – diz doutor Carneiro de Campos – encontram-se tão mescladas, umas nas outras, que sempre voltam aos mesmos sítios e pessoas até que se superem através do amor, que arrebenta as algemas e une os corações. Por isso, quem perdoa se eleva e se fortalece, enquanto aquele que permanece no ódio rebaixa-se e desidentifica-se, por largo período, da Realidade Superior.” (Trilhas da Libertação. Guillaume e Gérard, pp. 138 a 140.)

50. Qual era a causa do ódio que o obsessor de Davi nutria pelo médium?

A causa do ódio situava-se no século 19, como decorrência de fatos que se seguiram à derrota da França em guerra contra os germanos. Salvo da morte pelo colega de farda de nome Guillaume, Gérard convalesceu na casa do seu salvador, onde foi atendido por jovem mulher, que o cercou de carinho. Era ela a esposa de Guillaume, o herói. Estabeleceu-se naquele lar uma afinidade muito grande entre o enfermo e sua benfeitora; o adultério que se seguiu foi mera consequência. Depois, descoberto o envolvimento dos amantes, surgiram na tela cenas de Guillaume enfurecido e sua morte. É que, reagindo à fúria do amigo, Gérard o matara. O Espírito que desejava vingar-se era Guillaume. Davi era o mesmo Gérard que o traíra e depois o matara. (Obra citada. Guillaume e Gérard, pp. 140 e 141.)

51. Que lições podemos extrair do caso Guillaume-Gérard?

Segundo Manoel P. de Miranda, esse drama era mais um dentre os casos derivados do sexo em desalinho, o qual, sob o comando do egoísmo, responde por grande número de aflições que atormentam a criatura humana. Remanescente dos impulsos primitivos da reprodução animal, escravizado às paixões do orgulho pessoal, constitui ele uma herança pesada no processo de evolução do ser humano. A força sexual, à semelhança de uma torrente impetuosa de água, deixada à solta, espalha pânico e morte; canalizada, preserva a vida. Desse modo, conduzi-la de forma segura para ser útil deve ser o pensamento e o desejo do ser inteligente, que assim vai superando seus limites, mediante as sábias conquistas do sentimento e da razão. (Obra citada. Guillaume e Gérard, pp. 141 e 142; e Advertências Salvadoras, pág. 143.)

52. A simonia é considerada crime em face da lei natural?

Sim. A simonia é crime catalogado nos Códigos Divinos. Não se deve negociar com a faculdade mediúnica, cujos recursos são concedidos ao médium gratuitamente. Eis o que o dr. Carneiro de Campos disse, acerca do assunto, ao médium Davi: “A mediunidade é faculdade cujo exercício deve ser realizado santamente, com altas cargas de responsabilidade e respeito. Ninguém aplica uma função destinada à elevação do ser, de maneira irregular, que não venha a sofrer as funestas consequências da atitude leviana”. (Obra citada. Advertências Salvadoras, pp. 144 a 146.)

53. Por que a tarefa mediúnica de Davi era considerada como de resgate?

O fato decorria do seu passado de erros. Depois das alucinações em França, ele reencarnara quase de imediato na Romênia, onde conheceu, mais tarde, o dr. Grass, ajudando-o em experiências nefastas com cobaias humanas, na condição de seu enfermeiro, aferrados ambos ao mais cruel materialismo. Passada a Primeira Grande Guerra e desencarnando em grande indigência espiritual, um e outro comprometeram-se a reparar os crimes auxiliando vidas, diminuindo-lhes a aflição e amparando os sofredores, o que hoje deveria ocorrer com amplitude, conforme foi a proposta inicial quando do despertar da faculdade. (Obra citada. Advertências Salvadoras, pp. 146 e 147.)

54. Antes de se extraviar no exercício de suas faculdades, como foi o trabalho no setor de curas desenvolvido por Davi e o dr. Grass?

O próprio Dr. Grass, em um momento de reflexões importantes, lembrou a David como foram os primeiros tempos do trabalho realizado, em que atendiam os infelizes mais desventurados, porque, além das dores que os dilaceravam, padeciam da injunção rude da miséria econômica. “Recebíamos – disse o cirurgião desencarnado – os seus sorrisos ingênuos e agradecidos, suas vibrações de amor e suas preces intercessórias por nós, ensejando-nos o equilíbrio e a saúde da alma. Como éramos felizes então!” Ao dizer isso, a emoção embargou-lhe a voz. Mas, em seguida, reconhecendo terem ambos perdido o rumo, dr. Grass explicou-lhe que, a continuar com a mesma conduta, em breve não haveria campo no seu psiquismo mediúnico para a continuidade do intercâmbio que até então mantinham. (Obra citada. Advertências Salvadoras, pp. 147 a 149.)

55. Nos processos de parasitose espiritual, que foi o diagnóstico feito no caso da médium Raulinda, qual a terapia adequada?

As consequências das leviandades cometidas por ela foram impressas pelo Espírito nos seus equipamentos físicos. Em face do exposto, Raulinda necessitava de assistência ginecológica e psiquiátrica. Ajuntando-se a esse quadro a consciência de culpa, que gera a auto-obsessão, mais a perturbação obsessiva, o diagnóstico do Dr. Carneiro de Campos era de parasitose espiritual, caso em que necessita o paciente de uma terapia holística, que engloba a participação das diferentes áreas da ciência médica e espírita: leitura educativa, passes, água fluidificada, desobsessão e renovação íntima aplicada ao bem, além dos medicamentos prescritos pelos profissionais da área de saúde. (Obra citada. Diálogos Esclarecedores, pp. 152 e 153.)

56. Em casos como o de Raulinda, o afastamento do Espírito perturbador lhe propiciaria a desejada recuperação da saúde?

Inteiramente, não. O Mentor, em face de semelhante pergunta, explicou: “Devemos ter em mente que a nossa irmã encontra-se incursa em vários itens das Leis que desrespeitou, estando gravados em seu íntimo os imperativos da necessidade de reparação. Ocorrendo a mudança de comportamento do seu atual perseguidor, a atitude será, para ele, salutar, por libertar-se da injunção do ódio, mas para ela será apenas amenizadora dos sofrimentos, não liberadora”. “Terá a carga de aflições diminuída, porém os sintomas perturbadores permanecerão, desaparecendo à medida que se submeta às terapias referidas. Os órgãos citados encontram-se lesados no perispírito e no corpo físico, requerendo assistência especializada, como é natural.” (Obra citada. Diálogos Esclarecedores, pp. 154 a 156.)

 

 

Observação:

Para acessar a parte 6 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/04/blog-post_04.html

 

 

  

 

 

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domingo, 10 de abril de 2022

 



A quem o ensino espírita se dirige?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

De Londrina-PR

 

Há muitas pessoas, mesmo em nosso meio, que não entenderam ainda o que Allan Kardec disse certa vez sobre a proposta espírita quando, em resposta a um leitor de Bordeaux, explicou que o Espiritismo não se dirige àqueles que têm uma fé religiosa qualquer, com o fito de os desviar, mas sim à numerosa categoria dos incertos e dos incrédulos (Revista Espírita de 1863, pp. 17 a 20).

O ímpeto proselitista revela-se, às vezes, em ações aparentemente inocentes mas que ferem profundamente o que o Codificador nos ensinou.

Já vimos em determinada instituição pessoas defendendo o acesso à sopa dada aos socialmente carentes se, antes disso, a pessoa ouvir a palestra espírita ou receber o passe magnético, violentando assim as convicções que tais pessoas têm, visto que o fato de necessitarem do auxílio material não significa que sejam indiferentes a essa ou àquela religião.

Convidá-las à palestra e oferecer-lhes o recurso do passe magnético, eis atitudes que não ofendem a ninguém, mas subordinar a ajuda à aceitação de tais convites é algo que não pode ser aprovado pelos que estudaram e assimilaram a proposta espírita.

Há, ainda, em nosso meio, os chamados espíritas exaltados, a que Kardec se refere no item 28 d´O Livro dos Médiuns. Crédulos por natureza, aceitam facilmente e sem reflexão tudo o que provém do plano espiritual. Exagerados em sua crença, revelam uma confiança cega e à vezes pueril nas coisas do mundo invisível. São eles, portanto, os menos indicados para convencer, o que não impede que queiram, a cada momento, exercitar seu ímpeto proselitista e converter todo mundo.

O tema tem, também, repercussão bem grande na forma como se realiza a divulgação da Doutrina, seja na tribuna, seja pela imprensa.

Nos setores mais avançados da comunicação social espírita entende-se que o discurso espírita deve ser doutrinário, mas jamais doutrinante. A linguagem doutrinante, impositiva e às vezes intolerante, própria de certos meios religiosos, não se coaduna com a metodologia espírita. 

Se vamos tratar, digamos, de um vício qualquer, como por exemplo o alcoolismo, procuremos expor seus malefícios evidentes à saúde, à família e à sociedade, mas evitemos condenar, maldizer, demonizar os que ainda bebem. 

Os indivíduos devem ser sempre respeitados, não apenas no tocante ao que fazem, mas também naquilo em que acreditam, nas crenças a que se afervoram. 

É preciso, pois, conscientizar-nos de que o Espiritismo não surgiu no mundo para tirar adeptos de nenhuma denominação religiosa, mas veio, sim, para os que duvidam e para aqueles que, adotando alguma religião, nela não se encontram satisfeitos. 

A divulgação que fazemos da Doutrina Espírita pela rede mundial de computadores é aberta e dirigida a todo mundo, mas sabemos que só vão acessar os sites espíritas os que decidirem fazê-lo, sem que ninguém os obrigue, movidos unicamente pelo desejo de conhecer algo que consiga responder às muitas inquietações que podem existir no mundo íntimo dessa ou daquela pessoa.

 

 

 

 

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sábado, 9 de abril de 2022

 



Perdão também se aprende

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília-DF

 

É conhecida a passagem evangélica em que Pedro pergunta a Jesus quantas vezes precisava perdoar seu irmão: "Até sete?" Ao que Jesus lhe responde: "Não lhe digo que até sete, mas até setenta vezes sete." (Mateus, 18:21, 22). Esse diálogo ocorreu-me agora, ao ler o excelente texto do irmão espírita Waldeir B. de Almeida, publicado na revista Reformador do mês de março de 2022. Waldeir lembra que o perdão está citado na oração Pai Nosso, ensinada por Jesus: "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." (Mateus, 6:9-13)

Logo abaixo desse parágrafo, o articulista citado diz que todo aquele que deseja "conquistar louros na jornada evolutiva pela bênção das reencarnações temos que aprender a perdoar." Como assim: "aprender a perdoar?" E ele explica: "a liberação desse gesto divino, direcionado a quem profundamente nos magoou, não é atitude fácil". Isso pode demandar tempo "demorado e doloroso".

Waldeir acrescenta que mesmo aqueles que temos uma religião e sabemos do valor do perdão, por conhecermos o apelo do Cristo, temos dificuldade em entender a bênção do perdão. Isso ocorre até com os que estamos cientes da importância do perdão para nos libertarmos, pela reencarnação, do sentimento de rancor ou ódio contra quem nos ofendeu. E cita as obras mediúnicas com seus relatos sobre a grande quantidade de Espíritos, no Mundo Espiritual, revoltados e justiceiros.

Desde aqui, no mundo físico, percebemos quanto é difícil perdoar um criminoso que ceifa a vida de um ser querido por nós. Mas o que mais nos prejudica é a lembrança insistente do ato sabido, presenciado ou somente suspeitado por nós, que, nesse caso, muitas vezes, não procede, pois podemos estar sob o jugo de Espírito vingador ou zombeteiro.

Dizemos que perdoamos, mas a lembrança do ato lesivo permanece, insistentemente, em nossas mentes. Daí a importância da recomendação de Jesus para permanecermos vigilantes e em oração (Mateus, 26:41). Em ambos os mundos: físico e espiritual...

As situações são as mais diversas, como é o caso dos quatro membros da família Aboab, citados por Waldeir, e que foram narrados na obra ditada pelo Espírito Bezerra de Menezes, intitulada Dramas da Obsessão. A psicógrafa foi Yvonne do Amaral Pereira, médium muito conhecida no meio espírita, desencarnada há algumas décadas. Deixo ao leitor curioso o convite para ler o relato no artigo de Waldeir ou, se desejar conhecer em profundidade o drama citado, ler a maravilhosa obra ditada pelo Espírito cognominado, em vida física, "Médico dos Pobres", por sua destacada atuação caritativa, enquanto esteve encarnado na Terra, e que presidiu a Federação Espírita Brasileira no final do século XIX.

Para nossa reflexão, cito a frase de Joanna de Ângelis com que Waldeir finaliza seu belo artigo e que também pode ser lida na obra psicografada pelo médium Divaldo Franco, cujo título é: O Despertar do Espírito. Esta obra foi editada pela Livraria Espírita Alvorada de Salvador, BA:

 

O ato de perdoar não leva necessariamente, à ideia de anuência com aquilo que fere o estatuto legal e o código moral da vida, mas proporciona a compreensão exata da dimensão do gravame e dos comportamentos a serem adotados para que ele desapareça, devolvendo à vida a harmonia que foi perturbada com aquela atitude.

 

O problema maior que percebo é o dos pensamentos... Porém, se nos colocarmos no lugar da pessoa que nos ofendeu, assim como Jesus recomendou aos que desejavam apedrejar a pecadora, cientes de que também somos passíveis de cometer o mesmo ato ou até ato pior do que o sofrido; se trabalharmos em nós a piedade inclusive para com os criminosos, se buscarmos orar "incessantemente", como recomenda Paulo aos Tessalonicenses, 5:17, certamente teremos a proteção divina não apenas no perdão, como também na compaixão para com os que nos ofendem.

A grande finalidade de nossas reencarnações é a de alcançarmos a condição de Espíritos bem-aventurados e puros, como lemos na questão 170 d'O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Então, tudo devemos fazer para esquecer o mal e vivenciar, dia a dia, o bem. Somente assim teremos a companhia dos bons Espíritos em nossos pensamentos, palavras e atos.

Desse modo, aprenderemos que o perdão anda junto com a compaixão, ambos filhos do amor. Como dissemos acima, por vezes, nada do que imaginamos ter sido feito contra nós é verdade. Exercitemos, pois, a piedade, como nos propõe o Espírito Cruz e Sousa, nos dois versos iniciais de seu belo soneto intitulado Piedade: "O coração de todo ser humano / Foi concebido para ter piedade,".

Com esse entendimento, nada do que é exterior a nós nos atingirá. Tudo começa no aprendizado do perdão, como bem disse nosso irmão espírita Waldeir.

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 8 de abril de 2022

 



A Vida no Outro Mundo

 

Cairbar Schutel

 

Parte 11

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Vida no Outro Mundo, de autoria de Cairbar Schutel, publicado originalmente em 1932 pela Casa Editora O Clarim, de Matão (SP). 

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Este estudo será publicado neste blog sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Quem foi Andrew Jackson Davis e que obras ele nos deixou? 

B. Como Davis se refere ao fenômeno da morte?

C. Como Davis descreve o ato final de separação do Espírito após a morte do corpo físico?

 

Texto para leitura

 

130. A morte é o grande mistério que tem ensombrado as gerações, a esfinge devoradora das almas, o titã invencível, o hiante absorvedor de todas as luzes, o obscurecedor das inteligências, o indecifrável enigma das religiões. Não foi sem razão que o Apóstolo Paulo, o doutor dos gentios, disse que o maior e o mais terrível inimigo que teríamos de vencer era a morte. Quando a pusermos sob o tacão das nossas botas, poderemos, então, entoar o grande hino da vitória: "Ó morte! onde está teu aguilhão? Ó morte! Onde está tua vitória?" (A Vida no Outro Mundo – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

131. Pois bem, esse mistério, indecifrável para as religiões; esse inimigo que os sacerdotes não ousaram enfrentar; essa esfinge que causa pavor aos crentes de todas as Igrejas, que se limitam a cantar para as suas vítimas o De profundis, é que o Espiritismo veio enfrentar e desvendar, mostrando-se já vitorioso na grande luta. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

132. Que é a morte? Em que consiste esse fenômeno, que muitos julgam ser o aniquilamento da vida? Como se produz ela?  Quem poderá responder a estas terríveis interrogações? Qual a ciência, a filosofia, a religião capaz de enfrentar essa questão? Qual nos dá, positivamente, a solução para este mistério? O Espiritismo, mas tão somente o Espiritismo, exclusivamente o Espiritismo! (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

133. Para saber o que se passa no momento da morte, como se desenrola esse fenômeno, podemos recorrer à descrição de muitos clarividentes, que observaram a crise da morte, assistindo a moribundos. Vamos reproduzir os testemunhos de alguns deles. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

134. O mais notável de todos foi um grande cultor do Espiritismo em seus primórdios, e que nos legou obras de inestimável valor: Andrew Jackson Davis. Essas obras, publicadas em inglês, constam de cinco volumes, que se vendem separadamente e encerram, cada um, uma especialidade: O Médico, O Professor, O Reformador, O Pensador, e O Vidente. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

135. Nesta última é que se encontram as pesquisas de Jackson Davis, "no leito da morte". Davis era dotado de poderosos dons psíquicos e duma espécie de segunda vista, que se denomina clarividência; além de tudo possuía grandes conhecimentos médicos. Os tópicos abaixo foram extraídos do seu livro “O Vidente”. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

136. A morte é uma modificação – não da personalidade, mas da constituição dos princípios superiores do ser humano. Tudo quanto vive se transforma, e cada transformação é acompanhada de uma morte aparente; nunca, porém, há extinção de vida ou destruição de um princípio material ou espiritual no Universo. Assim se modifica ou se desenvolve um germe qualquer, oculto na Terra; morreu sua forma primitiva e seu modo de existência aparente; porém, depois dessa morte aparente, brota do germe uma nova organização ou um novo corpo. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

137. As faculdades de vidente permitiram a Davis estudar o fenômeno psíquico e fisiológico da morte à cabeceira duma agonizante. Era uma senhora de cerca de sessenta anos, a quem frequentemente ele prestara cuidados médicos. Quando soou a hora da morte, ele pôs-se a estudar os misteriosos processos da morte. Viu então que a organização física não podia mais bastar às necessidades do princípio intelectual; diversos órgãos internos pareciam, porém, resistir à partida da alma. O sistema muscular procurava reter as forças motrizes. O sistema vascular debatia-se para reter o princípio vital; o sistema nervoso lutava quanto podia para impedir o aniquilamento dos sentidos físicos; e o sistema cerebral procurava reter o princípio intelectual. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

138. O corpo e a alma, como dois esposos, resistiam à separação absoluta. Estes conflitos internos pareciam, a princípio, produzir sensações penosas e perturbadoras. Foi com satisfação que ele percebeu que tais manifestações físicas indicavam – não a dor ou o sofrimento, mas apenas a separação da alma do organismo. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

139. Em seguida, a cabeça ficou cercada duma atmosfera brilhante; de repente, ele viu o cérebro e o cerebelo estenderem suas partes interiores e suspenderem o exercício de suas funções galvânicas, tornando-se saturados de princípios vitais de eletricidade e magnetismo, que penetravam nas partes secundárias do corpo. Por outras palavras: o cérebro e o cerebelo estenderam suas partes interiores para além do estado normal. Esse fenômeno precede invariavelmente à dissolução física. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

140. Davis constatou, depois, o processo por meio do qual o Espírito se destaca do corpo. O cérebro atraiu os elementos de eletricidade e de magnetismo, movimento, vida e sensibilidade espalhados em todo o organismo. A cabeça como que se iluminou, e, ao tempo que as extremidades do corpo se tornavam frias e obscuras, o cérebro tomava um brilho particular. Em torno dessa atmosfera fluídica, que cercava a cabeça, ele viu formar-se outra cabeça, que se desenhou cada vez mais nitidamente. Tão brilhante era, que ele mal podia fitá-la; à medida, porém, que ela se condensava, desaparecia a atmosfera brilhante. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

141. Davis deduziu daí que esses princípios fluídicos que tinham sido atraídos pelo cérebro, de todas as partes do corpo, e eram, então, eliminados sob a forma de atmosfera particular, antes se achavam somente unidos, segundo o princípio superior de afinidade do Universo, que se faz sempre sentir em cada parcela da matéria. Com surpresa e admiração, seguiu então as fases do fenômeno. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

142. Do mesmo modo que a cabeça fluídica se desprendera do cérebro, viu formarem-se, sucessivamente, o pescoço, os ombros, o tronco, enfim, o conjunto do corpo fluídico. Tornou-se evidente, para ele, que as partes intelectuais do ser humano são dotadas duma afinidade eletiva que lhes permite reunir-se no momento da morte. As deformidades e os defeitos do corpo físico tinham, quase inteiramente, desaparecido do corpo fluídico. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

143. Coisa curiosa! Enquanto esse fenômeno espiritualista se desenvolvia diante das faculdades de Davis, aos olhos materiais das pessoas presentes no quarto o corpo da moribunda parecia experimentar sintomas de sofrimento, os quais eram fictícios, pois apenas provinham da partida das forças vitais e intelectuais, que se retiravam de todo o corpo para se concentrarem no cérebro e, depois, no organismo novo. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

144. O Espírito (ou inteligência desencarnada) elevou-se verticalmente acima da cabeça do corpo abandonado; porém, antes da separação final do laço, que por tanto tempo reuniu as partes intelectuais e materiais, Davis viu uma corrente de eletricidade vital formar-se sobre a cabeça da moribunda e sob o novo corpo fluídico. Deu-lhe esse fato a convicção de que a morte é apenas um renascimento do Espírito, que se eleva dum grau inferior a um estado superior, e que o nascimento duma criança neste mundo e a formação dum Espírito no outro são fatos idênticos; e nada realmente faltava no fato que ele observava para que o símile fosse completo, nem mesmo o cordão umbilical, que era figurado por um laço de eletricidade vital. Por algum tempo subsistiu esse laço entre os dois organismos. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Quem foi Andrew Jackson Davis e que obras ele nos deixou? 

Dotado de poderosos dons psíquicos e duma espécie de segunda vista, que se denomina clarividência, Davis foi um grande cultor do Espiritismo em seus primórdios, tendo-nos legado obras de inestimável valor. Essas obras, publicadas em inglês, constam de cinco volumes, que se vendem separadamente e encerram, cada um, uma especialidade: O Médico, O Professor, O Reformador, O Pensador, e O Vidente. Nesta última é que se encontram as pesquisas que ele realizou, "no leito da morte". (A Vida no Outro Mundo – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

B. Como Davis se refere ao fenômeno da morte?

Segundo ele, a morte é uma modificação – não da personalidade, mas da constituição dos princípios superiores do ser humano. Tudo quanto vive se transforma, e cada transformação é acompanhada de uma morte aparente; nunca, porém, há extinção de vida ou destruição de um princípio material ou espiritual no Universo. Assim se modifica ou se desenvolve um germe qualquer, oculto na Terra; morreu sua forma primitiva e seu modo de existência aparente; porém, depois dessa morte aparente, brota do germe uma nova organização ou um novo corpo. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

C. Como Davis descreve o ato final de separação do Espírito após a morte do corpo físico?

No caso que examinou, Davis observou que o Espírito se elevou verticalmente acima da cabeça do corpo abandonado; porém, antes da separação final do laço, que por tanto tempo reuniu as partes intelectuais e materiais, ele notou uma corrente de eletricidade vital formar-se sobre a cabeça da moribunda e sob o novo corpo fluídico. Deu-lhe esse fato a convicção de que a morte é apenas um renascimento do Espírito, que se eleva dum grau inferior a um estado superior, e que o nascimento duma criança neste mundo e a formação dum Espírito no outro são fatos idênticos; e nada realmente faltava no fato que ele observava para que o símile fosse completo, nem mesmo o cordão umbilical, que era figurado por um laço de eletricidade vital. (Obra citada – Cap. XI - O Mistério da Morte.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 10 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/04/blog-post.html

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 7 de abril de 2022

 



CINCO-MARIAS

 

Ensinar o otimismo

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com


   Não posso esperar que algo mude lá fora na vida social se eu mesmo não me puser em movimento
. Rudolf Steiner

 

À tarde, visitei uma amiga que tem uma filha de seis meses. Em certo momento, ela passou a falar sobre educação, arranjos pedagógicos e a necessidade de preparar os filhos para torná-los socialmente úteis e independentes.

Mais que o aspecto laboral, por perceber que vida afora as pessoas passam por caminhos diferentes, além de amar os filhos, considero que precisamos ensinar a eles o otimismo. Porque um adulto otimista será otimista por toda parte. Alguém duvida?

A criança é inocência, um primeiro movimento, influenciada pela consciência coletiva do ambiente em que vive. Se mora, por exemplo, em um local onde as pessoas são descrentes, pessimistas, pode tornar-se como elas. Crianças que crescem em um ambiente desse tipo dificilmente aprenderão a ser tenazes e confiantes.

Apesar dos altos e baixos da vida, os acontecimentos agradáveis e desagradáveis, pais otimistas demonstram aos filhos que a vida, por essência, é boa e rica em sentido. Pois o que difere um otimista de um pessimista é a capacidade de redescobrir as poucas grandes coisas que importam na vida e continuamente renovar-se com elas.

Aprender é praticar, praticar é repetir. Logo, a alegria de ser e de viver depende largamente das lições de otimismo que foram absorvidas no primeiro setênio da criança, impelindo-a, quando adulta, a confiar nos altos ideais a fim de alcançar sentido e direção à sua vida.

O que fazemos, quem somos realmente, é o que impressiona a criança. Por isso, pais otimistas criam filhos mais resilientes e, no futuro, pessoas mais inclinadas ao bem, à paz e à harmonia social.

Abraços, boa semana!

 

Notinha

 

A criança imita tudo o que ocorre no ambiente físico à sua volta.  Contudo, associado à infância, a palavra ambiente deve ser entendida em um sentido bastante amplo. Ou seja, “faz parte dele tudo o que se desenrola ao redor da criança, tudo o que pode ser percebido por seus sentidos, que pode atuar sobre suas forças espirituais a partir do espaço físico. Aqui se incluem todas as ações morais e imorais, sábias e levianas que ela possa ver” (Rudolf Steiner).

A criança é influenciada por quem somos e fazemos realmente e, por isso, Rudolf Steiner afirma que toda educação “é autoeducação e nós (...) somos, em realidade, apenas o entorno da criança educando-se a si própria” [Cf. Steiner, R., GA, palestra de 20.04.1923].
 

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Esta seção, cuja estreia neste blog ocorreu no dia 6 de janeiro deste ano, traz sempre textos dedicados à infância, seus cuidados, sua educação. O título – Cinco-marias – é uma alusão a um conhecido brinquedo que integra um conjunto de brincadeiras e atividades lúdicas conceituadas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), está concluindo em São Paulo a formação em Psicanálise.

Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 

 

 

 

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