sábado, 9 de setembro de 2017

Contos e crônicas




Aos “desertores” espíritas

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Hoje, falar-te-ei sobre os desertores. Em toda parte, há desertor, inclusive nas Forças Armadas. No Espiritismo, há “desertores”.
— Por que as aspas, Machado?
— Porque o estudo e a prática da Doutrina Espírita, sem ideias preconcebidas, mas com a intenção sincera de reforma íntima, é incompatível com o preconceito e a deserção.
— Então não existem falhas no Espiritismo, Bruxo?
— Claro que, também nele, há enganos, mistificações, fraudes etc., como em qualquer ideologia. Perguntado ao Chico Xavier se ele já fora mistificado, o maior médium do mundo, no século XX, afirmou, com toda a humildade: “— Muitas vezes”. Por isso, nunca é demais relembrar as palavras de Jesus: “— Bom, mesmo, só Deus o é” (Lucas, 18:19).
— Mas então, o próprio Kardec...
— Não te esqueças, embora Jesus nos tenha recomendado ser “perfeitos, como Deus o é” (Mateus, 5:48), na Terra, ninguém jamais se igualou ao Cristo em perfeição. Por isso, o modelo dado por nosso Pai Celestial ainda é Jesus Cristo.
— E aquela recomendação do espírito Emmanuel a Chico Xavier para que, se um dia aquele estivesse em desacordo com Jesus e com Kardec, Chico deveria ficar com estes?
— Continua vigente... Emmanuel jamais divergiu do Codificador e do Cristo naquilo em que estão de acordo. O resto é especulação
— A Doutrina Espírita está desatualizada, Machado?
— De jeito nenhum. Tudo o que proveio dos espíritos superiores, representantes do Cristo, que, por sua vez, foi manifestado pelo Espírito da Verdade, está atualizadíssimo.
— Então, por que alguns pseudossábios alegam que Kardec está desatualizado? Não se lhe manifestou o Espírito da Verdade e outros mensageiros do Cristo?
— A Doutrina é dos espíritos, Joteli, e Allan Kardec sempre deixou isso claro. Tudo que ali veio deles é verdadeiro. O Codificador, algumas vezes, emitiu sua própria opinião, sempre muito respeitável, mas, embora vindo de um grande missionário, era sua apreciação, com a qual se pode concordar ou não. Só não se pode é ser leviano e discordar de algo dito por Kardec que esteja em plena sintonia com Jesus Cristo.
— Machado, que achas da opinião desses estudiosos do Espiritismo que “desertaram” de nossa fé e ainda tentam ridicularizá-la?
— Ridículos...
— Por quê?
— Não se aprende a Ciência do Infinito, representada por essa Doutrina, levianamente, e nem mesmo em uma existência. Lembra-te, ela veio para “ficar eternamente conosco”, segundo a promessa de Jesus (João, 14:16).
— Mas, por que alguns “desertores” afirmam que o estudo do Espiritismo é “lavagem cerebral?”
— Como te afirmei no início, quem estuda o Espiritismo, sem ideias preconcebidas, e deseja melhorar-se, esforça-se em praticar sua moral e jamais se arrepende disso.
— Poderias exemplificar, com a tolerância recomendada por Kardec?
— É o caso de quem, com ares de doutor, declara-se “ex-espírita”. Esse nunca foi espírita.
— Será que essa pessoa não é vítima de obsessão?
— Com certeza. E das mais difíceis de ser curada: a fascinação.
— Como se explica isso?
— Antes de mais nada, devo dizer-te que lhes falta bom senso, além de uma reflexão mais aprofundada no que afirmam, com poses didáticas, como é o caso de um jovem barbudo visto em vídeo na internet. Por suas palavras, percebe-se que ele mal conhece o beabá da crença que diz ter abandonado e, agora, cita com ares de mofa.   
— Explica melhor, prezado Mago.
— Para não te cansar, vou refutar algumas de suas ideias claramente preconcebidas. Começo por sua contradição, quando afirma, de início, ser “grato ao Espiritismo”, para, em seguida, o atacar. Diz, levianamente, que o Espiritismo se baseia nas “crenças cristãs, com retoques”. Logo após, “desmente” teorias de que a reencarnação era crença comum no Cristianismo, com base em estudos dos concílios da Igreja. Dedução inconsequente, pois vinculada, meramente, à posição de quem é “atacada”: a Igreja.
Informa que as descrições de Jesus por Emmanuel, Ramatis e Humberto de Campos são contraditórias, mas não especifica com base em que critérios chegou a essa conclusão.
Depois, diz ter observado “muitas falhas no Espiritismo”, confundindo erros humanos, ou mesmo de espíritos pouco adiantados, com a Verdade Divina resultante das palavras de Jesus e das 1019 questões, respondidas por seus emissários. O que pode ser conferido n’O livro dos espíritos, obra básica da Doutrina Espírita.
A prova cabal de que “estuda” o Espiritismo com ideias preconcebidas, sem qualquer compromisso com a reforma íntima, é sua acusação de a Doutrina promover “lavagem cerebral” em seus estudiosos. Entretanto, em suas análises, transbordam preconceitos e exaltação do próprio ego em relação ao Espiritismo, mostrando desconhecer a recomendação do espírito Erasto: “Melhor é repelir dez verdades do que aceitar uma só mentira, uma só teoria falsa” (KARDEC, A. O livro dos médiuns, seg. parte, cap. XX).
Chega ao ponto de buscar, nos evangelhos, a palavra amor e deduzir, absurdamente, que o Novo Testamento prega mesmo é o “desapego”, quando todos os ensinamentos do Cristo são voltados para a iluminação do ser pela prática da caridade, da tolerância, do perdão, da humildade e do devotamento ao próximo, tudo isso relacionado ao amor.
A propósito, disse só haver três vezes, essa palavra, nos evangelhos, o que não se sustenta. Leia-se, citando apenas Mateus, 5:44; 10:39; 12:18, 17:5; 19:19; 22:37 e 39.
Toda a Boa-Nova do Cristo está voltada para o amor e suas manifestações. Por ora, basta lembrar o que diz ainda Mateus, 4:23: “E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”. Precisa dizer que isso é amor?
Seu maior adversário é o egoísmo, fonte de todos os sentimentos contrários ao amor e ao próprio desapego, visto nos evangelhos por nosso irmão, embora ele esteja fascinado pela projeção da própria imagem, e com quem não desejamos polemizar para não lhe enaltecer mais a vaidade e a presunção.
Podemos passar a vida inteira sem pronunciar a palavra amor, mas amando e servindo a todos, com abnegação e devotamento, como nos dizem os espíritos superiores ser a forma mais patente de nossa perfeição: a caridade, base da Boa-Nova reiterada pelo Espiritismo
Que nosso irmão reflita nisso, atento à recomendação de Jesus: “Vigia e ora, para não caíres em tentação” (Mateus, 26:41).
Precisa mais?






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