CINCO-MARIAS
Há coisas que nunca devem ser ditas às crianças
EUGÊNIA PICKINA
Só a educação liberta. Epicteto
Quando eu era criança tinha muita
vontade de estudar piano. Aos dez anos fui matriculada em um conservatório para
dar início às aulas. Infelizmente, minha professora era insensível e muito
severa e eu, assustada, me pegava, durante as lições, chorando ou pedindo
desculpas, o que aumentava o rigor da professora. Um dia, eu me pus a chorar
copiosamente e ela, no lugar de me consolar, me disse rudemente: “você precisa
parar de chorar por essa bobagem!” Desse dia em diante, estava tão estremecida
que minha mãe cancelou as aulas no conservatório e eu nunca mais voltei ao
piano...
Adulta e mãe, sei que educar é um ato
de amor – e amar implica atenção também na comunicação. Comunicação não
violenta deve ser a vigente entre pais e filhos. Igualmente, na escola, ensinar
matemática, português ou música para crianças também depende de uma comunicação
empática, não violenta. E é sabido hoje que certas coisas nunca devem ser ditas
às crianças, pois são nocivas e as afetam negativamente na vida adulta.
Eis algumas frases que devemos evitar
dizer aos nossos filhos no começo da vida deles:
1- “Pare de chorar por essa
bobagem.”
Raiva e tristeza são parte da vida. As
crianças são emocionais também e, pela imaturidade, não conseguem lidar com o
que sentem. Chorar no dia a dia é natural e faz parte da jornada da infância.
Além disso, quem somos nós para avaliar como os outros se sentem?
2- “Não entendo por que você tem
medo de formigas.”
Obviamente a criança tampouco entende,
mas o fato é que ela sente medo. E o medo ocorre de maneira involuntária,
inconsciente, motivo pelo qual não deveríamos julgar de modo desrespeitoso o
medo que nossos filhos pequenos experimentam.
3- “Seu irmão faz isso muito melhor
do que você.”
Não é nada construtivo compararmos os
filhos com os irmãos, primos, colegas de classe. Cada um de nós tem um ritmo e
um desenvolvimento. As comparações costumam ser negativas e não colaboram com o
processo educativo da criança e, por isso, geram mágoa e uma atitude de
autodepreciação.
4- “Na sua idade eu fazia a lição de
casa sozinho.”
Cada pessoa nasce habilitada para sua
época. As coisas mudam de uma geração a outra. É mais assertivo falar de nosso
filho e do seu contexto do que falar sobre nós mesmos.
5- “Você é gordo/feio/burro."
Nossos filhos acreditam em tudo o que
falamos. Além de fonte de afeto, nós somos sua fonte confiável de informação.
Não destrua a autoestima de seus filhos repetindo sentenças pejorativas a
respeito deles. É melhor reconhecer seus pontos fortes e ajudá-los em suas
dificuldades.
*
Eugênia
Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia
Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros
infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da
consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).
Especialista
em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), ministra
cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de
São Paulo e no Paraná, onde vive.
Seu
contato no Instagram é @eugeniapickina
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