Roteiro
Emmanuel
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Efetivamente, as massas acompanhavam o Cristo, de perto, no entanto, não vemos no Mestre a personificação do agitador comum.
Em todos os climas políticos, as escolas religiosas,
aproximando-se da legalidade humana, de alguma sorte partilham da governança,
estabelecendo regras espirituais com que adquirem poder sobre a multidão.
Jesus, porém, não transforma o espírito coletivo em
terreno explorável.
Proclamando as
bem-aventuranças à turba no monte, não a induz para a violência, a fim de
assaltar o celeiro dos outros. Multiplica, Ele mesmo, o pão que a reconforte e
alimente.
Não convida o povo
a reivindicações.
Aconselha respeito
aos patrimônios da direção política, na sábia fórmula com que recomendava seja
dado “a César o que é de César”.
Muitos estudiosos
do Cristianismo pretendem identificar no Mestre Divino a personalidade do
revolucionário, instigando os seus contemporâneos à rebelião e à discórdia;
entretanto, em nenhuma passagem do seu ministério encontramos qualquer
testemunho de indisciplina ou desespero, diante da ordem constituída.
Socorreu a turba sofredora e consolou-a; não
se mostrou interessado em libertar a comunidade das criaturas, cuja evolução,
até hoje, ainda exige lutas acerbas e provações incessantes, mas ajudou o Homem
a libertar-se.
Ao apóstolo
exclama — “vem e segue-me”.
À pecadora exorta
— “vai e não peques mais”.
Ao paralítico
fala, bondoso — “ergue-te e anda”.
À mulher
sirofenícia diz, convincente — “a tua fé te curou”.
Por toda parte,
vemo-lo interessado em levantar o espírito, buscando erigir o templo da
responsabilidade em cada consciência e o altar dos serviços aos semelhantes em
cada coração.
Demonstrando as
preocupações que o tomavam, perante a renovação do mundo individual, não se
contentou em sentar-se no trono diretivo, em que os generais e os legisladores
costumam ditar determinações… Desceu, Ele próprio, ao seio do povo e
entendeu-se pessoalmente com os velhos e os enfermos, com as mulheres e as
crianças.
Entreteve-se em
dilatadas conversações com as criaturas transviadas e reconhecidamente
infelizes.
Usa a bondade
fraternal para com Madalena, a obsidiada, quanto emprega a gentileza no trato
com Zaqueu, o rico.
Reconhecendo que a
tirania e a dor deveriam permanecer, ainda, por largo tempo, na Terra, na
condição de males necessários à retificação das inteligências, o Benfeitor
Celeste foi, acima de tudo, o orientador da transformação individual, o único
movimento de liberação do espírito, com bases no esforço próprio e na renúncia
ao próprio “eu”.
Para isso, lutou,
amou, serviu e sofreu até à cruz, confirmando, com o próprio sacrifício, a sua
Doutrina de revolução interior, quando disse: “e aquele que deseje fazer-se o
maior no Reino do Céu, seja no mundo o servidor de todos”.
Nota:
O livro Roteiro, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado
inicialmente pela editora da FEB em 1952.
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