Roteiro
Emmanuel
17
A
glorificação do trabalho é serviço evangélico.
Antecedendo a influência do Mestre, a Terra era vasto latifúndio povoado de senhores e escravos. O serviço era considerado desonra. Dominadas pelo princípio da força, as nações guardavam imensa semelhança com as tabas da comunidade primigênia.
O
destaque social resultava da caça. Erguiam-se os tronos, quase sempre, sobre
escuros alicerces de rapinagem. Os favores da vida pertenciam aos mais argutos
e aos mais poderosos.
Qualquer
infelicidade econômica redundava em compulsório cativeiro. Trabalho era sinônimo
de aviltação. Os Espíritos mais nobres, na maioria das vezes, demoravam-se na
subalternidade absoluta, suando e gemendo para sustentar o carro purpúreo dos
opressores. Em todas as cidades, pululavam escravos de todos os matizes e
somente a eles era conferido o dever de servir, como austera punição.
Roma
imperial jazia repleta de cativos tomados ao Egito e à Grécia, à Gália e ao
Ponto. Só na revolução de Espártaco, no ano de 71, antes da era cristã, foram
condenados à morte trinta mil escravos na Via Ápia, cuja única falta era
aspirar ao trabalho digno em liberdade edificante.
Com
Jesus, no entanto, nova época surge para o mundo. O ministério do Senhor é,
sobretudo, de ação e movimento. Levanta-se o Mestre com o dia e devota-se ao
bem dos semelhantes pela noite adentro.
Médico
— não descansa no auxílio efetivo aos doentes.
Professor
— não se fatiga, repetindo as lições.
Juiz
— exemplifica a imparcialidade e a tolerância.
Benfeitor
— espalha, sem cessar, as bênçãos do amor infinito.
Sábio
— coloca a ciência do bem ao alcance de todos.
Advogado
— defende os interesses dos fracos e dos humildes.
Trabalhador
divino — serve a todos, sem reclamação e sem recompensa.
O
exemplo do Cristo é sublime e contagiante.
Cada
companheiro de apostolado ausenta-se, mais tarde, do comodismo para ajudar e
ensinar em seu nome, rasgando horizontes mais vastos à compreensão da vida, em
regiões distantes do berço que os vira nascer.
Mais
tarde, em Roma, o desejo de auxílio mútuo entre os cristãos atinge
inconcebíveis realizações no capítulo do trabalho. Pessoas convertidas ao
Evangelho se consagram, inteiramente, ao serviço com o objetivo de amparar os
companheiros necessitados.
Espalham-se
aprendizes da Boa Nova nas atividades da indústria e da agricultura, das artes
e das ciências, da instrução e do comércio, da enfermagem e da limpeza pública,
disputando recursos para o auxílio aos associados de ideal, na servidão ou na
indigência, no sofrimento e nas prisões. Há quem jejue por dois e três dias
seguidos, a fim de economizar dinheiro para os serviços de assistência ao
próximo, sob a direção do pastor.
O
trabalho passa, então, a ser interpretado por bênção divina.
Paulo
de Tarso, transferindo-se da dignidade do Sinédrio para o duro labor do tear,
confeccionando tapetes para não ser pesado a ninguém e garantindo, por esse
modo, a sua liberdade de palavra e de ação, é o símbolo do cristão que educa e
realiza, demonstrando que à claridade do ensino deve aliar-se a glória do
exemplo. E, até hoje, honrando no trabalho digno a sua norma fundamental de
ação, o Cristianismo é a força libertadora da Humanidade, nos quadrantes do
mundo inteiro.
[1]
O Livro dos Espíritos, 674-681.
Nota:
O livro Roteiro, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado
inicialmente pela editora da FEB em 1952.
|
To read in English, click here: ENGLISH |

Nenhum comentário:
Postar um comentário