quinta-feira, 28 de julho de 2022

 



CINCO-MARIAS

 

Internet e os riscos à infância

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com



A primeira ideia que uma criança precisa ter é a da diferença entre bem e o mal. E a principal função do educador é cuidar para que ela não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade.

Maria Montessori

 

A tecnologia e a internet são, hoje, acessíveis a pessoas de todas as idades e, por isso, os pais precisam estar cientes dos riscos que ameaçam a infância, que afetam a segurança de seus filhos.

No mundo, atualmente, um em cada três usuários de Internet é uma criança (UNICEF), um em cada sete crianças recebeu e aceitou solicitações de amizade de perfis desconhecidos, segundo pareceres divulgados pela UNICEF.

Entre vários riscos e perigos, há uma grave ameaça à integridade das crianças e adolescentes, e que se propaga sem controle na Internet: grooming.

O que é grooming?

Este termo em inglês refere-se a ações que um adulto utiliza on-line para ganhar a confiança e amizade de uma criança ou adolescente, fingindo ser alguém de sua idade, com o objetivo de pedir imagens ou vídeos de conteúdo sexual para satisfazer-se sexualmente. Ou seja, através de um perfil falso na internet, pessoas más podem aproximar-se de uma criança com intenções sexuais ou de rapto. Isso ocorre por meio de redes sociais, chats, e-mails, celular e webcam. De acordo com relatórios da UNICEF, alguns criminosos chegam a ter até duzentas conversas com menores em suas listas de chats, redes sociais ou mensagens instantâneas.

O que os pais podem fazer para evitar que o grooming ocorra com os seus filhos?

1. Conscientizar as crianças sobre os perigos da rede.

2. Revisar o acesso das crianças à Internet e suas publicações. É importante conhecer o que publicam e orientá-las para que evitem informações pessoais e privadas, como o endereço, telefone ou nome do colégio que frequentam. Da mesma forma, evitar a comunicação com pessoas desconhecidas é outra maneira de garantir a segurança.

3. Manter um diálogo aberto entre pais e filhos. Uma conversa livre e descontraída entre pais e filhos contribui para que as crianças sintam a familiaridade necessária para recorrer a um adulto quando precisem. Estabelecer uma relação de confiança é talvez o ponto mais importante para lidar com os problemas.

4. Utilizar soluções de segurança nos computadores. As ferramentas tecnológicas possuem um papel importante na proteção dos equipamentos, informação e também dos usuários. Com o uso de uma solução de segurança é possível proteger o computador de programas informáticos maliciosos e ciberdelitos, além de que este tipo de ferramenta também conta com opções de controle parental, que permitem filtrar sites e conteúdos potencialmente perigosos para as crianças.

5. Não entregar celulares às crianças antes dos 12 anos.

6. Não criar perfil para crianças pequenas em redes sociais e se possível que nenhum menor de idade tenha um perfil.

7. Configurar a privacidade das redes sociais dos pais para que as pessoas não tenham acesso às fotografias dos filhos.

8. Denunciar qualquer abuso ou assédio que a criança sofra pela internet.

Evitar o grooming, resguardando a segurança da criança, depende, principalmente, da participação e orientação dos adultos responsáveis e dos professores, sem esquecer a legislação penal que tipifica como criminosas essas condutas agressivas e intoleráveis contra a infância.

 

Notinha

 

É importante registrar que não se trata de um problema local. Adultos de todo o mundo se mostram preocupados com o grooming e, principalmente, interessados em proteger seus filhos na Internet. De acordo com a revista Forbes, foram detectadas, em 2013, mais de 12.000 contas falsas, que exibiam imagens de exploração sexual infantil.

 

*

Esta seção, cuja estreia neste blog ocorreu no dia 6 de janeiro deste ano, traz sempre textos dedicados à infância, seus cuidados, sua educação. O título – Cinco-marias – é uma alusão a um conhecido brinquedo que integra um conjunto de brincadeiras e atividades lúdicas conceituadas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), está concluindo em São Paulo a formação em Psicanálise.

Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 

 

 

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quarta-feira, 27 de julho de 2022

 



Revista Espírita de 1860

 

Allan Kardec

 

Parte 7

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1860, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1860 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado sempre às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que virtude deve ser sempre o nosso guia?

B. Devemos ser rigorosos na análise das comunicações mediúnicas?

C. Os Espíritos, quando na erraticidade, fazem também pesquisas?

D. Que erro apontava Channing nos estudos espíritas?

 

Texto para leitura

 

144. Dissertando sobre os fantasmas, Kardec diz que os Espíritos podem mostrar-se em qualquer lugar, a qualquer hora, de dia como de noite, e o fazem com a aparência que tinham em vida. (P. 215)

145. Se o morrer pertence à natureza humana, nenhum anjo da guarda tem o poder de opor-se ao curso das leis da Natureza. Estando o momento e o gênero de morte no destino de cada um, é preciso que se cumpra o destino. (P. 218)

146. Charlet (Espírito) diz que existe progresso moral nos animais e também progresso de condição. Mais tarde, esclarece que o progresso dos animais se realiza pela educação que recebem do homem. (PP. 220, 221 e 228)

147. Pitágoras lembrava-se de sua antiga existência e reconheceu o escudo que usava no cerco de Troia. (P. 221)

148. Os animais, diz Charlet, têm, quase todos, o mesmo grau de inteligência; há neles variedade de formas; no homem, há variedade de Espíritos. (P. 222)

149. Diz Charlet que o Espírito se eleva pela submissão, pela humildade. O que o perde é a razão orgulhosa, que o impele a desprezar todo subalterno e invejar todo superior. A inveja é a mais viva expressão do orgulho. (P. 223)

150. Charlet assevera que a caridade, esta virtude das almas verdadeiramente francas e nobres, deve ser sempre o nosso guia, pois ela é o sinal da verdadeira superioridade. (P. 224)

151. Charlet informa que os animais de Júpiter têm uma linguagem mais precisa e positiva do que a dos nossos animais. (P. 226)

152. Kardec diz que existe uma evidente lacuna entre o animal mais inteligente e o homem. São Luís o corrige dizendo que essa lacuna dos seres é apenas aparente, pois vem das raças desaparecidas. (PP. 226 e 227)

153. A alma do animal, diz Charlet, não se reconhece após a morte; mas em certos animais, mesmo em muitos, ela é individualizada. (P. 227)

154. Charlet, questionado por Kardec, recua na sua tese a respeito da ferocidade dos animais, que são ferozes por necessidade, por constituição, e nada têm a ver com a queda moral do homem. (P. 229)

155. Aludindo à análise das comunicações recebidas dos Espíritos, Kardec relaciona seis princípios indispensáveis a essa análise e conclui que, fora das questões morais, só se deve acolher com reservas o que vem dos Espíritos, e jamais sem exame. (PP. 233 e 234)

156. São Luís, esclarecendo uma dúvida suscitada na sessão anterior da Sociedade, adverte: "É preciso que aquele que quer progredir na vida do bem saiba aceitar os conselhos e avisos que se lhes dão, ainda quando lhes firam o amor-próprio. A prova de seu adiantamento consiste na maneira suave e humilde por que os recebe". (P. 236)

157. São Luís sugere que François Arago seja evocado com o concurso de outro médium e esclarece: "Um Espírito vem de preferência a uma pessoa cujas ideias simpatizam com as que tinha em vida". (P. 238)

158. Falando sobre a Sociedade Espírita de Paris, Kardec diz que a Sociedade é uma família cujos membros, animados de recíproca benevolência, devem ser movidos pelo único desejo de instruir-se e banir todo sentimento de personalismo e de rivalidade, desde que compreendam a doutrina como verdadeiros espíritas. (P. 240)

159. Finda a sessão de 20/7/1860, Kardec perguntou a São Luís se tinha ficado satisfeito. Eis a resposta: "Sim e não. Errastes, permitindo cochichos contínuos de certos sócios, quando os Espíritos são interrogados". Após tecer outras observações, São Luís pede a Kardec para lê-las na próxima sessão: "Dizei-lhes que esta não é uma sala para conversa". (P. 242)

160. A Revista publica carta do dr. De Grand-Boulogne, doutor em Medi­cina, antigo vice-cônsul da França, que enumera os pontos comuns dos ensinamentos cristãos e espíritas, que ele diz adotar sinceramente, e afirma que a maior virtude é a caridade. (PP. 242 a 244)

161. A caridade, diz ele, é o atributo especial da alma que, em suas ardentes aspirações para o bem, se esquece de si mesma e se consome em esforços pela felicidade do próximo. O saber é uma qualidade; a caridade, uma virtude. (P. 244)

162. Após relatar os fenômenos da Rua des Noyers, cuja veracidade foi atestada por São Luís, Kardec diz que entre os moradores da casa havia um médium (a criada) que possibilitou se dessem as manifestações. (PP. 246 e 247)

163. O Espírito de Thilorier, o físico, diz que os Espíritos também fazem pesquisas e descobertas no estado errante, e são eles que, uma vez autorizados, inspiram os homens de Ciência envolvidos na mesma busca. (P. 256)

164. São Luís examina o assunto e informa que para a comunicação das descobertas que transformam o aspecto exterior das coisas Deus deixa a ideia amadurecer, como as espigas cujo desenvolvimento o inverno retarda. (P. 257)

165. Evocando o homem que se suicidou para livrar o filho da guerra da Itália, Kardec ensina que a intenção atenua o mal e merece indulgência, mas não evita que aquilo que é mal seja assim considerado. (P. 259)

166. Channing (Espírito) diz que no estudo do Espiritismo há um grave erro que cada dia mais se propaga: é o de julgarem os Espíritos infalíveis nas respostas. E pede que não lhes perguntem o que eles não podem nem devem dizer. (P. 264)

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que virtude deve ser sempre o nosso guia?

Segundo Charlet (Espírito), a caridade, esta virtude das almas verdadeiramente francas e nobres, deve ser sempre o nosso guia, pois ela é o sinal da verdadeira superioridade. O Espírito – disse Charlet – se eleva pela submissão, pela humildade. E o que o perde é a razão orgulhosa, que o impele a desprezar todo subalterno e invejar todo superior, pois a inveja é a mais viva expressão do orgulho. (Revista Espírita de 1860, pp. 223 e 224.)

B. Devemos ser rigorosos na análise das comunicações mediúnicas?

Sim. Ao relacionar seis princípios indispensáveis a essa análise, Kardec disse que, fora das questões morais, só se deve acolher com reservas o que vem dos Espíritos, e jamais sem exame. (Obra citada, pp. 233 e 234.)

C. Os Espíritos, quando na erraticidade, fazem também pesquisas?

Evidentemente. O Espírito de Thilorier, o físico, diz que os Espíritos também fazem pesquisas e descobertas no estado errante e são eles que, uma vez autorizados, inspiram os homens de Ciência envolvidos na mesma busca. (Obra citada, p. 256.)

D. Que erro apontava Channing nos estudos espíritas?

Channing (Espírito) dizia que no estudo do Espiritismo havia um grave erro que cada dia mais se propagava: o de julgarem os Espíritos infalíveis nas respostas. E deu a respeito um conselho objetivo: não devemos perguntar-lhes o que eles não podem nem devem dizer. (Obra citada, p. 264.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 6 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/07/blog-post_20.html

 

 

 

 

 

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terça-feira, 26 de julho de 2022

 



Muitas vezes, é melhor algo feito do que perfeito

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

Ouve-se muito que ainda não se fez por não haver perfeição. Há os desenvolvimentos que carecem de maestria, não há o que se discutir, no entanto há inúmeras outras situações que é necessário o ato realizado simplesmente. Enquanto para ocorrências comuns se aguarda a perfeição, milhares de pessoas passam dificuldades e até perdem a vida por essa espera.

É tão imprescindível o amparo como agora quando desigualdade, miséria e indiferença estão em crescimento; entretanto nunca se houve tanta ajuda como nesse mesmo momento. Os que percebem a carência alheia são, normalmente, os que menos condição possuem, são os que mais distantes, aparentemente, estão de uma situação propícia. Porém, em seu coração, já existe a luz do amor, a compreensão de que a paz coletiva se instaurará quando mais pessoas estiverem nessa mesma vibração. É impossível ser feliz se um mar de tristeza ainda ecoa.

Portanto um prato de comida simples salvará vidas; um abraço em um momento triste aliviará um coração; um amparo na hora do desespero descortinará para o azul do céu; um tempo para ouvir as palavras aflitas asserenará um desvairado pensamento; uma explicação carinhosa trará um sorriso; um cumprimento acolhedor resgatará os olhos perdidos. Pois bem, quanto se pode fazer sem se preocupar somente com a perfeição, esta que é o destino de todos, mas durante esse longo caminho, bem melhor realizar ao invés de recusar ou adiar.

Enquanto se busca a perfeição em tudo, seres que poderiam ser salvos não são. Jardins deixam de ser plantados, pois ainda o seu jardineiro não aprendeu a arte completa de uma flor nem a simetria entre elas. Crianças não são educadas porque os professores ainda não são doutores. E o Planeta demorará ainda mais a se regenerar.

Bem mais feliz uma flor que seja no simples jardim; um professor amoroso educando crianças; pessoas se amparando da forma como puderem. Tantas coisas estão muito distantes da perfeição, mas podem ser realizadas agora mesmo.

Para o bem, tomara que estejamos sempre prontos, pois, infinitas vezes, é melhor algo feito do que perfeito e o primor surge com a prática.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

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segunda-feira, 25 de julho de 2022

 



Tormentos da Obsessão

 

Manoel Philomeno de Miranda

 

Parte 7

 

Damos prosseguimento ao estudo metódico e sequencial do livro Tormentos da Obsessão, obra de autoria de Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco e publicada em 2001.

Este estudo será publicado neste blog sempre às segundas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

37. No que diz respeito ao desempenho mediúnico, o sexo equilibrado é realmente importante?

Sim. É de vital importância, por oferecer energias específicas para potencializar os mecanismos delicados de que se utilizam os Espíritos. Simultaneamente, a faculdade mediúnica, em razão dessas energias que movimenta, irradia um campo vibratório que proporciona bem-estar àqueles que se lhe acercam, envolvendo-os em encantamento e admiração. (Tormentos da Obsessão, cap. 6 – Informações preciosas.)

38. Processos obsessivos são antigos na história da Humanidade?

Sim. A obsessão talvez seja a doença mais antiga da Humanidade, em relação a outras tantas prejudiciais. Basta que nos recordemos que, em todos os períodos do pensamento histórico, a obsessão e suas sequelas se têm apresentado ceifando a saúde física e mental dos indivíduos. E terrivelmente ignorada, ou simplesmente desconsiderada, vem prosseguindo no seu triste fanal de vencer todos aqueles que lhe tombam em suas malhas coercitivas. (Obra citada, cap. 7 – A amarga experiência de Leôncio.)

39. Onde se encontra a gênese dos problemas que aturdem o ser humano?

Nós a encontramos no próprio ser humano. Segundo Manoel P. de Miranda, na raiz de todos os problemas que aturdem os homens sempre encontraremos o Espírito como seu responsável, em face dos comprometimentos que ocasionou. Criado simples e ignorante, com neutralidade interior, defrontando as opções de agir correta ou incorretamente, tudo quanto lhe ocorre provém da preferência que se permitiu de início, cabendo-lhe o reencontro com o equilíbrio que lhe direcionará os passos para o futuro. A obsessão encontra-se incursa nesse raciocínio, porquanto somente ocorre em razão do comportamento irregular de quem se desvia do roteiro do bem fazer, criando animosidades e gerando revides. (Obra citada, cap. 7 – A amarga experiência de Leôncio.)

40. A influência espiritual negativa afeta a pessoa que se pauta na vida pela retidão moral?

Não. Jamais se curvam sob as forças tenebrosas do mal aqueles que se entregam a Deus, a Jesus e ao Bem, nas fileiras do dever a que se apegam. O indivíduo que ama a retidão de princípios e os executa firmado em propósitos de elevação moral, mesmo quando fustigado pela pertinácia dos irmãos desajustados e perversos de ambos os planos da vida, não se deixa afetar, permanecendo nas disposições abraçadas, fiel ao programa traçado. Pode experimentar alguma aflição, como é natural, mas robustece-se na oração, no prazer do serviço que realiza, nas leituras edificantes, na consciência pacificada. (Obra citada, cap. 7 – A amarga experiência de Leôncio.)

41. A soberba intelectual é capaz de envenenar os melhores sentimentos?

Sim. E foi exatamente isso que ocorreu com Leôncio. Soberbo e egoísta, ele deixou-se fascinar pela absurda ideia de que lhe cabia a missão de preservar a memória do mestre de Lyon, lutando qual Don Quixote contra os fantasmas monstruosos que detectava nas pás dos moinhos de vento da ilusão, passando a agredir sistematicamente nomes respeitáveis e Instituições venerandas, por discrepâncias de sua parte. Possuidor de palavra fácil, usou a tribuna espírita muitas vezes, apresentando temas relevantes, mas sempre os concluindo com dardos venenosos bem dirigidos contra os inimigos que criava ou supunha possuir. Com esse comportamento conseguiu, por fim, ser mais detestado do que estimado e, sem se dar conta, acabou arrastado vigorosamente a rude obsessão, em face do cerco organizado por adversários soezes do Cristo e da Doutrina Espírita. (Obra citada, cap. 7 – A amarga experiência de Leôncio.)

42. Qual foi o fato que motivou a queda de Leôncio?

O pivô de tudo foi uma jovem e encantadora médium psicofônica, clarividente de excelentes recursos, porém em fase primária de educação da faculdade. Relativamente frágil e muito insegura, ela inspirou-lhe imediata afeição, que ele não pôde identificar de momento, tal a qualidade de que se constituía. Telementalizado por Entidades infelizes, Leôncio conseguiu que a jovem se lhe afeiçoasse, derrapando posteriormente em adultério nefando. O escândalo fez com que a jovem fosse afastada da Instituição. Incapaz de continuar no lar, após exculpar-se com a esposa dilacerada, Leôncio retirou-se para viver com a vítima da sua sedução. Sua faculdade incipiente, ante a conduta reprochável que passou a manter, se tornou campo de perturbação e enfermidades que a vitimaram, levando a jovem a prematura desencarnação. Leôncio abandonou então os deveres espirituais quando mais deles necessitava, e derrapou por completo na obsessão. (Obra citada, cap. 7 – A amarga experiência de Leôncio.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 6 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/07/blog-post_18.html

 

 

  

 

 

 

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domingo, 24 de julho de 2022

 



Fumar não é uma opção, mas uma doença

 

 ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

De Londrina-PR

 

Intensificam-se no mundo todo as campanhas contrárias ao tabagismo, cujos malefícios à saúde humana devem ser lembrados sempre, se desejamos um futuro melhor para as nossas crianças e nossos jovens.

Responsável por 30% de todos os casos de câncer e por outras 25 diferentes doenças, o tabaco jamais enfrentou uma campanha tão grande, em que médicos, psicólogos e outros profissionais da saúde vêm-se aliando ao governo num cerrado combate ao vício de fumar.

Duas décadas atrás, o tabagismo passou a ser considerado uma epidemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que estimou que existiam à época mais de 1 bilhão de fumantes em todo o mundo, um número que no Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2019, atingia 22% da população, entre usuários do tabaco e  fumantes passivos.

Radicais no combate ao fumo, há especialistas, como a médica Vera Luíza da Costa e Silva, que se destacou pelo trabalho realizado no Instituto Nacional do Câncer e como consultora da Organização Mundial da Saúde, que entendem que o fumante deve ser tratado como um dependente de droga – a nicotina –, da mesma forma que os dependentes de álcool, cocaína ou morfina.

Em entrevista publicada oportunamente, a referida médica elogiou as empresas que delimitam áreas para os fumantes, mas propôs medidas mais rigorosas para coibir o fumo, porque fumar não é uma opção de vida, e sim um caso de dependência. Segundo ela, é fundamental criar ambientes livres do fumo porque se sabe que o tabagismo passivo também causa doenças; mas é igualmente indispensável mostrar com maior clareza os malefícios a que a pessoa se submete ao consumir o cigarro.

Em Curitiba, algum tempo atrás, uma caminhada com centenas de participantes, iniciada na Boca Maldita, no centro da cidade, até o Jardim Botânico, foi a forma pela qual a Liga Paranaense de Combate ao Câncer chamou a atenção da população para essa grave questão de saúde pública. Com o propósito de atrair a atenção dos mais jovens, mais acessíveis que os adultos a campanhas desse tipo, a entidade nutria a esperança de que fossem redobrados os esforços do governo no sentido de mostrar com clareza que o fumo pode realmente matar.

Nós, os espíritas, sabemos, por informação de André Luiz, autor da conhecida Série Nosso Lar, que são poucos os indivíduos reencarnados na Terra que cumprem aqui o tempo previsto para a sua existência corpórea. Os que conseguem essa façanha são, devido a isso, chamados de completistas, nome que diz tudo.

Ora, se o consumo do fumo encurta os anos da existência corpórea, como os médicos apregoam há muito tempo, aqueles que partem da Terra mais cedo por causa do tabagismo adentram o mundo espiritual na condição de suicidas, ainda que de forma inconsciente ou involuntária.

Em tais casos, duas são as hipóteses do que pode ocorrer com essas pessoas: serem consideradas simplesmente não completistas ou, então, tratadas como suicidas involuntários. Haverá então – ninguém duvide – choro e ranger de dentes. Não é assim que Jesus falava?

 

 

 

 

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sábado, 23 de julho de 2022

 



O livro espírita

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília, DF

 

Amigo leitor, conforme já lhe disse, há algum tempo, à noite, costumo encontrar-me com alguns amigos espirituais. Na última noite, vi-me sentado num banco da Federação Espírita Brasileira, em sua sede de Brasília. O ano era 1989, e o palestrante era o nobre espírito André Luís. O tema da noite intitulava-se Ante o livro espírita[1].

Após a prece inicial do Sr. João de Jesus Moutinho, diretor à época que presidia a reunião, a palavra foi passada a André, que iniciou dizendo:

 

Melhore suas aquisições, buscando algo novo. Mas compre o livro espírita, que lhe indicará o caminho para mais alta renovação.

Ampare a escola que alfabetiza. Mas sustente o livro espírita que educa.

Consulte o noticiário, com respeito aos sucessos do mundo. Mas ouça o livro espírita, a fim de erguer-se a horizontes mais vastos.

Compareça às obras de socialização e progresso. Mas ajude o livro espírita na consolidação da verdadeira fraternidade.

Brinde o companheiro com a novidade do dia. Mas dê-lhe o livro espírita, que é valor para toda hora.

Aconselhe a utilização dos produtos que favoreçam a saúde e o asseio do corpo. Mas divulgue o livro espírita, que mantém o equilíbrio e a higiene da alma.

Observe o cinema, o rádio, a televisão e as outras formas da arte, buscando conhecer. Mas atenda ao livro espírita, que ensina a discernir.

Prestigie os métodos da lavoura e as técnicas da indústria, o comércio e as obras coletivas, tanto quanto os outros campos de ação e produção. Mas estimule o livro espírita, que ilumina o trabalho.

Socorra esse ou aquele irmão caído, entre as sombras da prova. Mas ofereça-lhe o livro espírita, que aclara o entendimento.

Enriqueça o ambiente próprio com fatores de conforto e alegria. Mas recorde que o livro espírita é bênção de Jesus, aprimorando a vida com você e em você.

 

Em seguida, André comentou cada uma das frases anteriores, começando por esta: Ampare a escola que alfabetiza. Mas sustente o livro espírita que educa.

“A escola é o sagrado instituto que nos faz conhecer, desde as primeiras letras, até os notáveis inventos criados pelos homens e mulheres de gênio. Isso nos ensinam aqueles que fazem da instrução um verdadeiro sacerdócio. Entretanto, é preciso que a família se ocupe de sua missão educativa, a fim de que nossas más tendências como orgulho, vaidade, impiedade, ódio... não se desviem, na prática, da finalidade do conhecimento, que é a promoção do bem de todos. Nesse sentido, e também para que haja harmonia, paz e contentamento no lar, sugerimos a reunião do casal, junto à prole, quando houver, do que se convencionou chamar de culto do evangelho no lar, durante meia hora por dia, no final das atividades profissionais. Sugiro também que a obra básica para esses estudos seja O Evangelho Segundo o Espiritismo, cuja leitura deve ser sequencial e complementada por outras obras do chamado pentateuco Kardequiano, que começa pel’O Livro dos Espíritos.”

Após repetir e comentar cada uma das frases iniciais, Luís dissertou sobre a última: Enriqueça o ambiente próprio com fatores de conforto e alegria. Mas recorde que o livro espírita é bênção de Jesus, aprimorando a vida com você e em você.

“O conhecimento, mormente o que nos proporciona a ascensão profissional, com melhoria das condições de vida e momentos felizes, é da mais alta importância em cada nova etapa reencarnatória. Não nos devemos esquecer, todavia, de que o livro espírita lido, sentido, refletido e praticado, no dia a dia, é uma bênção do Cristo incomparável, pelas luzes trazidas por ele para sempre. Examinemos todas as boas obras espíritas que pudermos, mas comecemos por Kardec à luz do Evangelho de Jesus. E, como recomenda-nos Paulo de Tarso: ‘retenhamos o bem’, imitando Jesus Cristo, nosso guia e modelo, bem como Allan Kardec, ‘o bom senso encarnado’, conforme sobre este afirmou Camille Flammarion.”

Acordei de olhos lacrimosos, ouvindo a despedida do bondoso espírito André Luís, acompanhado por um belíssimo coro musical do mais além: “Sigamos com Jesus em todos os passos de nossa jornada evolutiva. Paz e luz!”

Ao seu lado, ainda me lembro de ter visto João de Jesus Moutinho, que orava e chorava comovido.

 


[1] André Luiz (espírito). Ante o livro espírita. Psicografado por Chico Xavier. Fonte: O Espírita Mineiro, número 210, julho/outubro de 1989.

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 



 

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sexta-feira, 22 de julho de 2022

 



A Vida no Outro Mundo

 

Cairbar Schutel

 

Parte 26

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Vida no Outro Mundo, de autoria de Cairbar Schutel, publicado originalmente em 1932 pela Casa Editora O Clarim, de Matão (SP). 

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Este estudo será publicado neste blog sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Há no Mundo Espiritual pessoas que persistem na indolência?

B. São variadas as tarefas e missões atribuídas aos Espíritos?

C. As concepções da mitologia tradicional têm algum fundamento?

 

Texto para leitura

 

339. O Universo não é um campo infinito, sem movimento e sem ação, um deserto onde se brada e ninguém responde, um abismo que traga almas, um sorvedouro onde tudo desaparece e se extingue. Ao contrário, o Universo é uma oficina eterna, onde o martelo do progresso não cessa de fazer-se ouvir, é uma arena infinita e eterna de labor, de estudos, de elevadas diversões, de amenos recreios, ande nascem, crescem, se educam e progridem todos os filhos de Deus. (A Vida no Outro Mundo – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

340. O Universo é semelhante a uma nação, a um país bem dirigido, onde a ordem, a harmonia, o trabalho, a alegria, a abundância são mananciais de bem-estar e de felicidade para todos. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

341. Todos os seres e todas as coisas são aproveitadas para o aformoseamento dos mundos terrestres e extraterrestres, que flutuam nos espaços e constituem as múltiplas moradas da Casa de Deus. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

342. Todos os Espíritos, desde os menores até os maiores, desempenham trabalho de utilidade no Mundo Invisível. Assim como, aqui na Terra, todos, desde o arquiteto até o servente, concorrem para a construção de um edifício, utilizando nela o barro, madeira, o ferro, o metal, assim também no Mundo Invisível, tudo é aproveitado, todos agem, tudo está em movimento. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

343. Nesse trabalho, nessas lutas, nessas diversões educativas, os Espíritos estudam, pesquisam e progridem para se elevarem a um posto superior, para se aproximarem da felicidade. Cada qual no seu mundo, na sua esfera, manipula a matéria à sua disposição, dedica-se à Arte, à Ciência, cultivando a sabedoria, estudando, por múltiplas formas, o Bem e o Belo, aproximando-se, finalmente, de Deus. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

344. Não há ociosidade, não há desocupados no Além, e, no caso dos que persistem na indolência, o acicate da dor logo os fustiga e faz que tomem posição nas lutas da Vida. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

345. Há Espíritos, em número muito grande, que trabalham, exercem missões inconscientemente, obedecendo a ordens e a planos superiores. Uns percorrem os mundos, instruem-se e se preparam para nova encarnação, ou para se elevarem a uma região mais propícia. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

346. Outros tratam do progresso, dirigem os acontecimentos, sugerem ideias. Outros tomam, sob sua tutela, indivíduos, famílias inteiras, e se constituem seus anjos tutelares. Outros, ainda, presidem os fenômenos da Natureza, de que se fazem agentes diretos. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

347. Muitos intervêm nos mundos materiais, inspirando e protegendo os encarnados. Outros, os mais atrasados, perturbam os homens, influindo sobre os acontecimentos da vida; muitas vezes, assistem aos combates durante as guerras, e até os dirigem. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

348. A mitologia considerava os Espíritos como divindades; representava-os como deuses, cada qual com sua atribuição especial. Uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir os fenômenos da vegetação. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

349. Hoje sabemos que essas concepções têm sua razão de ser, visto que, em certo sentido, até os fenômenos geológicos são presididos por Espíritos Superiores. Mas os Espíritos não se limitam a esses afazeres, pode-se dizer materiais. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

350. Nos mundos em que habitam, mundos de maravilhas da Arte, de instituições científicas, de princípios religiosos altamente nobres, o seu principal escopo é adquirirem conhecimentos e trabalharem para a coletividade, para o aformoseamento ainda maior dessas regiões em que se acham, e para mais acentuado progresso moral dos seus semelhantes. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

351. É assim que organizam reuniões de estudos teóricos e práticos sobre tudo o que concerne à aquisição de conhecimentos; prodigalizam benefícios aos que sofrem; zelam pelos Espíritos que passam desta vida para o Além, iniciando-os nessa outra existência, concorrendo para o seu progresso, velando pelo seu crescimento, protegendo-os contra a investida de outros seres inferiores, aos quais também corrigem. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

352. O trabalho no Mundo Espiritual está de acordo com a elevação e aptidão de cada um. Aqui na Terra não se daria o serviço de carpinteiro a um sapateiro, ou vice-versa, assim como não se confiaria um posto elevado a um analfabeto; assim também é no Além. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

353. Em suma: os Espíritos, sejam eles da categoria que forem, todos são obrigados a trabalhar pelo seu próprio aperfeiçoamento, a concorrerem para o bem-estar geral, a cooperar para a evolução da região onde residem. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

354. O Universo, pois, é um extraordinário concerto em que a evolução é a nota principal. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Há no Mundo Espiritual pessoas que persistem na indolência?

Como regra, não existe ociosidade e não há desocupados no Além. Como toda regra tem exceção, existem, evidentemente, Espíritos que apreciam a indolência, mas o acicate da dor logo os fustiga e faz que tomem posição nas lutas da Vida. (A Vida no Outro Mundo – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

B. São variadas as tarefas e missões atribuídas aos Espíritos?

Sim. Uns percorrem os mundos, instruem-se e se preparam para nova encarnação, ou para se elevarem a uma região mais propícia. Outros tratam do progresso, dirigem os acontecimentos, sugerem ideias. Há quem toma sob sua tutela indivíduos, famílias inteiras, e se constituem seus anjos tutelares. Outros, ainda, presidem os fenômenos da Natureza, de que se fazem agentes diretos. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

C. As concepções da mitologia tradicional têm algum fundamento?

A mitologia, como todos sabem, considerava os Espíritos como divindades e os representava como deuses, cada qual com sua atribuição especial. Uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros tinham a incumbência de presidir os fenômenos da vegetação. Hoje sabemos que essas concepções têm sua razão de ser, visto que, em certo sentido, até os fenômenos geológicos são presididos por Espíritos Superiores. (Obra citada – Cap. XXIV - Trabalho e ocupações dos Espíritos.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 25 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/07/blog-post_15.html

 

 

 

 

 

 

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