quinta-feira, 5 de agosto de 2021

 



A Gênese

 

Allan Kardec

 

Parte 4

 

Continuamos o estudo metódico do livro “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 36ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, conforme tradução feita por Guillon Ribeiro.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

25. Se Deus está em toda parte, por que não o vemos? Vê-lo-emos quando deixarmos a Terra?

Não vemos Deus por serem limitadas as percepções dos nossos órgãos visuais, inaptos à visão de certas coisas, mesmo materiais. Unicamente com a visão espiritual é que podemos ver os Espíritos e as coisas do mundo imaterial. Somente a nossa alma, portanto, pode ter a percepção de Deus, mas unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber e, por conseguinte, o verão. (A Gênese, cap. II, itens 31 a 36.)

26. Por que existe a dor?

A dor existe na vida porque é ela o aguilhão que impele o Espírito para a frente, para a senda do progresso. Mas é preciso compreender que muitos males e, portanto, muitas dores são decorrentes dos nossos vícios, provêm do nosso orgulho, do egoísmo, da ambição, da cupidez e dos excessos. Aí se radica a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, bem como das dissensões, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte e da maior parte das enfermidades. Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim não procede, em virtude do seu livre-arbítrio, sofre então as consequências do seu proceder e surge, então, a dor como medida necessária decorrente dos seus próprios atos. (Obra citada, cap. III, itens 5 a 7.)

27. Que definição se pode dar do mal e de que ele decorre?

O mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal. Não praticar o mal já é um princípio do bem. Deus somente quer o bem; só do homem procede o mal. Se na criação houvesse um ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em si mesmo, tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as leis divinas, evitá-lo-á sempre que o queira e, para isso, basta-lhe cumprir as leis divinas. (Obra citada, cap. III, itens 8 e 9.)

28. Qual a origem das paixões? 

As raízes de todas as paixões e de todos os vícios acham-se no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. Todas as paixões têm uma utilidade providencial, visto que, a não ser assim, Deus teria feito coisas inúteis e até nocivas. No abuso é que reside o mal, e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolherá entre o bem e o mal. (Obra citada, cap. III, itens 10, 18 e 19.)

29. Que diferença existe entre instinto e inteligência? 

Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternativamente, conforme se lhe faz necessário; que as plantas trepadeiras se enroscam em torno daquilo que lhes serve de apoio, ou se lhe agarram com as gavinhas. A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma.

Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é. O instinto é guia seguro, que nunca se engana; a inteligência, pelo simples fato de ser livre, está, por vezes, sujeita a errar. Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente; revela, entretanto, uma causa inteligente, essencialmente apta a prever. (Obra citada, cap. III, itens 11 e 12.)

30. É sábia a lei natural que determina a destruição recíproca dos seres vivos? 

Sim, é sábia, como todas as leis divinas o são. Para quem apenas vê a matéria e restringe à vida presente a sua visão, há de tal coisa, com efeito, parecer uma imperfeição na obra divina. É que, em geral, os homens apreciam a perfeição de Deus do ponto de vista humano. Medindo-lhe a sabedoria pelo juízo que dela formam, pensam que Deus não poderia fazer coisa melhor do que eles próprios fariam. Não lhes permitindo sua curta visão apreciar o conjunto, não compreendem que um bem real possa decorrer de um mal aparente. Só o conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua verdadeira essência, e o da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da criação, pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia, exatamente onde apenas vê uma anomalia e uma contradição. (Obra citada, cap. III, item 20.)

31. Quais são o motivo e a utilidade da lei de destruição?  

Duas utilidades se destacam na lei de destruição. A primeira utilidade, puramente física, é esta: os corpos orgânicos só se conservam com o auxílio das matérias orgânicas, que contêm os elementos nutritivos necessários à transformação deles. Como instrumentos de ação para o princípio inteligente, precisando os corpos ser constantemente renovados, a Providência faz que sirvam ao seu mútuo entretenimento. Eis por que os seres se nutrem uns dos outros. Mas, então, é o corpo que se nutre do corpo, sem que o Espírito se aniquile ou altere.

Uma segunda utilidade advém da necessidade da luta para o desenvolvimento do Espírito. É na luta que ele exercita suas faculdades. O ser que ataca em busca do alimento e o que se defende para conservar a vida usam de habilidade e inteligência, aumentando, em consequência, suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe; mas que foi o que um tirou do outro? O corpo de carne, nada mais. Posteriormente, a alma daquele ser – que jamais morre – tomará outra veste carnal, ou seja, reencarnará. (Obra citada, cap. III, itens 21 a 24.)

32. Por que os primeiros livros dos povos antigos foram religiosos? 

O motivo disso está no fato de que a história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da religião deles, donde o terem sido religiosos seus primeiros livros. Ora, como todas as religiões se ligam ao princípio das coisas, que é também o da Humanidade, elas deram, sobre a formação e o arranjo do Universo, explicações em concordância com o estado dos conhecimentos da época e de seus fundadores. Daí resultou que os primeiros livros sagrados foram ao mesmo tempo os primeiros livros de ciência, como foram, durante largo período, o código único das leis civis. (Obra citada, cap. IV, item 1.)

 

 

Observação: Para acessar a Parte 3 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2021/07/blog-post_29.html

 

 

 

 

 

 

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