Como os espíritas veem a Páscoa
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
Neste
dia em que os cristãos comemoram mais uma Páscoa, examinaremos uma questão que
nos foi proposta por um amigo que nos pede expliquemos em poucas linhas o
significado da Páscoa para os espíritas.
A Páscoa, como ninguém
ignora, é comemorada por judeus e por cristãos, embora por motivações
diferentes.
No caso dos descendentes
de Israel, a data assinala a partida dos hebreus que viviam no Egito rumo à
Terra da Promissão. Constitui uma das mais importantes festas do calendário
judaico, que é celebrada por 8 dias.
Em nosso idioma,
como em outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach.
Os espanhóis chamam-na de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de
Pâques.
A Páscoa
comemorada pelos adeptos do Cristianismo recorda-nos a ressurreição de Jesus,
conforme havia sido anunciado nas Escrituras, fato que ocorreu no terceiro dia
a partir dos lamentáveis acontecimentos patrocinados pelo Sinédrio que levaram
à crucificação do nosso Mestre.
A diferença entre
a visão católica e a visão espírita acerca do mesmo episódio é, porém, nítida.
O Espiritismo não
vê no episódio um caso de ressurreição, mas apenas a ocorrência de um fenômeno
tantas vezes verificado no mundo, ou seja, a aparição de um espírito. Fato
idêntico ocorrera, dias antes, com Moisés e Elias, que visitaram Jesus às
vésperas de sua prisão (Mateus, 17:3 e 4).
Jesus apareceu
assim, de modo perceptível, primeiro a Maria de Magdala, depois a Pedro e
demais discípulos, não com seu corpo carnal, mas com seu corpo espiritual, termo
utilizado por Paulo de Tarso na 1ª Epístola aos Coríntios (15:44), na qual
escreveu: “Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo
natural, há também corpo espiritual”.
Uma evidência
importante de que Jesus não ressuscitou com seu corpo material, mas se
apresentou somente em espírito, é o fato de Maria de Magdala não havê-lo
reconhecido, pois ele não trazia as marcas dos ferimentos e dos suplícios a que
o submeteram, nem o sangue que jorrou de suas chagas. Esses sinais impregnavam
o corpo que morreu, não o corpo espiritual, que reveste a alma e, tanto quanto
esta, sobrevive à morte corpórea. Não esqueçamos que Madalena e Jesus eram pessoas
próximas e seus contatos tinham sido frequentes nos últimos tempos.
Outra evidência relevante
é o que o evangelista João registrou em seu Evangelho, ao relatar como se deu o
primeiro contato de Jesus com Pedro e os discípulos, depois de aparecer a
Maria:
“Chegada, porém,
que foi a tarde daquele mesmo dia, que era o primeiro da semana, e estando
fechadas as portas da casa, onde os discípulos se achavam juntos, por medo
que tinham dos judeus, veio Jesus, e pôs-se em pé no meio deles.” (João, cap.
20, versículo 19.) [O negrito é de
nossa autoria.]
Seja como for, a
Páscoa é uma festa cristã importante que devemos respeitar, embora não faça
parte de modo específico das comemorações que nós espíritas geralmente
realizamos.
Nota do Autor:
Para ler o texto publicado no domingo anterior, clique em:
https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/04/teria-sido-planejada-tragedia-do.html
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