sábado, 2 de junho de 2018




Onde se inicia a educação
   
JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Boa noite, amigos! Hoje teceremos algumas palavras sobre a família.
No capítulo 4 d’O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec informa-nos que os laços familiares não se destroem com a reencarnação, pois ampliam a família universal. Não nos separam, como poderia ocorrer, caso alguns de nós fossem para o céu e outros para o inferno, de acordo com a doutrina da Igreja.
Aos que se contrariam com a possibilidade reencarnatória, afirmando que, desse modo, a parentela aumenta muito, o Codificador do Espiritismo explica que esse “é um temor egoísta”, por provar, em quem o sente, imensa falta de amor, ante a possibilidade deste se expandir a uma grande quantidade de pessoas. Os pais que apenas possuem um filho amam-no tanto quanto se tivessem dois ou mais, explica Kardec.
É verdade que pode renascer, no lar, alguém que, como se diz popularmente, “não é da família”. Isso serve de prova para uns e de adiantamento para outros, explica-nos o mestre lionês[1]. Diz ele que, desse modo, “os maus melhoram-se pouco a pouco, ao contato com os bons e por efeito dos cuidados que destes recebem. O caráter deles abranda-se, seus sentimentos depuram-se, as antipatias apagam-se” (op. cit., it. 19).
A grande missão dos pais é educar seus filhos no sentido moral e espiritual. E isso é de fundamental importância, em especial nos sete primeiros anos de vida da criança, quando sua alma ainda está tomando posse completa do corpo, e o ser é mais maleável à influência dos adultos.
Hoje em dia, com o avanço das ideias materialistas, é preciso cuidado redobrado de pais e responsáveis pela educação dos seus filhos. Segundo  Lima, as crianças aprendem muito mais com o que observam outrem fazer do que com o que lhes é dito. E exemplifica com o caso, bastante comum, de mãe, ensinando: “Filhinha, não minta, mentira tem perna curta. É desagradável, prejudica as pessoas. A criança ouve isso o dia todo: não minta, não minta”[2]. 
À noite, entretanto, prossegue Lima, o telefone toca, a filha atende, diz que a ligação é para a mãe. Esta considera-se ocupada e assopra no ouvido da criança: “Diz que a mamãe não está”.
Essa cena repete-se várias vezes, ao longo do tempo, e a filha aprende que o que se faz é bem diferente do que se diz. Com o tempo, pode julgar isso normal.
É por esse motivo que precisamos repetir, para nós mesmos, incansáveis vezes esta frase de Kardec: “O verdadeiro espírita se reconhece pela sua transformação moral e pelo esforço que emprega para domar suas más inclinações”[3]. Parafraseando Santo Agostinho[4], devemos analisar, sempre, o que fazemos ao próximo; em especial, o que mostramos às nossas crianças, e procurarmos corrigir, a todo momento, nossos erros.
Se, no dia a dia, ou mesmo durante o culto do evangelho no lar, realizado em minha casa, junto de meus filhinhos, comento sobre a necessidade do perdão ilimitado, como proposto por Jesus, e, no convívio com pessoas que me ofenderam, demonstro odiá-las, minhas pequenas testemunhas, reforçadas por meus atos, vão crescer acreditando ser mais fácil não perdoar...
Se escrevo ou falo sobre a tolerância religiosa e critico a religião alheia, meus filhos poderão descrer da eficácia de minha crença.
Se sou consumidor de fumo ou de bebida, é contraditório dizer às crianças que tais vícios devem ser evitados.
Se passo a vida comentando erros alheios, de nada adianta dizer aos meus filhos que é pecado falar das faltas de alguém.
Se condeno a procura por bens materiais supérfluos e a usura, mas passo a vida acumulando riquezas, apenas em benefício próprio, minha ambiciosa conduta desmente minhas palavras.
Se possuo noções filosóficas ou políticas diferentes das de outras pessoas, a quem considero estúpidas, apenas por não pensarem como eu, de nada servem minhas palavras sobre a necessidade de respeitar as ideias alheias.
Desse modo, a incoerência, o egoísmo e a falta de amor ao próximo ressaltarão, para nossas crianças, de nossas atitudes, muito mais que de nossas palavras.
Pensemos nisto e reflitamos: se queremos que o mundo melhore, é preciso nosso esforço sincero em, tanto pelo exemplo como pela palavra, investirmos na educação. E isso começa, sobretudo, dentro de nós, e continua dentro de nossos lares, ante os olhares atentos de nossos filhos.

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[1] Allan Kardec nasceu na cidade de Lyon, na França.
[2] LIMA, Simão Pedro. Viver melhor: uma abordagem espírita. Goiânia: FEEGO, 2016, p.
[3] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 17, it. 4.
[4] _____. Allan. O Livro dos Espíritos, q. 919a.





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