quinta-feira, 19 de dezembro de 2019





Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas

Allan Kardec

Estamos fazendo neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – dos oito principais livros do Codificador do Espiritismo.
Os textos são publicados sempre às quintas-feiras.
Concluímos nesta data o estudo da obra Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, publicada por Kardec em 1858. Na próxima semana, a obra em estudo será O Livro dos Espíritos.

Parte 5 e final

33. Kardec diz que podemos evocar todos os Espíritos. Perguntamos: a) existe uma fórmula especial para isso? b) a evocação é garantia do comparecimento deles?
Não há fórmula sacramental ou mística a ser utilizada nas evocações. Basta fazê-la em nome de Deus, nos termos seguintes ou em outros equivalentes: Eu rogo a Deus todo-poderoso que permita ao Espírito de... comunicar-se conosco. Ou então: Em nome de Deus todo-poderoso peço ao Espírito de... que venha se comunicar conosco. A faculdade de evocar qualquer Espírito não implica, para ele, a necessidade de estar às nossas ordens. Ele pode vir em um momento e não em outro, com tal médium ou tal evocador que lhe agradem e não com tal outro. Além disso, causas dependentes ou não de sua vontade podem impedir que ele compareça. (Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, cap. VIII, págs. 156 a 161.)
34. Convém dirigir perguntas aos Espíritos?
Sim. As lições transmitidas pelos Espíritos seriam, frequentemente, muito limitadas, se não fossem estimuladas por nossas indagações. Há casos até em que eles mesmos provocam as perguntas, dizendo: “Que queres? Interroga e eu te responderei”. Em outras situações eles próprios nos interrogam, não para se instruírem, mas para nos porem à prova ou nos levarem a expressar mais claramente o nosso pensamento. Reduzir-nos, em sua presença, a um papel puramente passivo seria, pois, um excesso de submissão que eles não exigem. Devemos ter como regra geral: Quando um Espírito fala, não se deve interrompê-lo; e quando ele manifesta, por um sinal qualquer, a intenção de falar, devemos esperar e não interrompê-lo senão quando estivermos certos de que nada mais tem a dizer. Se, em princípio, as perguntas não desagradam aos Espíritos, há questões que lhes são soberanamente antipáticas e das quais devemos abster-nos completamente, sob pena de não obtermos resposta ou de as obtermos deficientes. Quando dizemos que certas perguntas são antipáticas, queremos referir-nos aos Espíritos elevados. Quanto a responder-nos ou não, devemos entender que os Espíritos podem abster-se de responder por vários motivos: 1º) a pergunta pode desagradar-lhes; 2º) eles nem sempre têm os conhecimentos necessários; 3º) há coisas que lhes é proibido revelar. Se, pois, não satisfazem a uma pergunta é porque não querem, não podem ou não devem. Seja qual for o motivo, é regra invariável que todas as vezes que um Espírito se recusa categoricamente a responder, nunca se deve insistir. (Obra citada, cap. VIII, págs. 166 e 167.)
35. Quais os pontos essenciais a serem considerados na formulação das perguntas dirigidas aos Espíritos?
Dois pontos essenciais devem ser considerados na formulação das perguntas: o fundo e a forma. Quanto à forma, elas devem, embora sem fraseologia ridícula, demonstrar as atenções e a condescendência que se devem ao Espírito que se comunica, se ele é superior, e nossa benevolência, se ele é nosso igual ou inferior a nós. De outro ponto de vista, elas devem ser claras, precisas, sem ambiguidade. É preciso evitar aquelas que comportam um sentido complexo. No que se refere ao fundo, as perguntas merecem uma atenção particular, segundo seu objeto. As perguntas frívolas, de pura curiosidade ou de comprovação são as que desagradam aos Espíritos sérios. Eles se afastam ou recusam-se a respondê-las. Os Espíritos levianos, todavia, se divertem com elas. As perguntas de comprovação são ordinariamente feitas por aqueles que ainda não adquiriram uma convicção e procuram, assim, certificar-se da existência dos Espíritos, de sua perspicácia e de sua identidade. Isso é, sem dúvida, muito natural da parte deles, mas erram completamente o seu alvo. (Obra citada, cap. VIII, págs. 168 e 169.)
36. Kardec conceitua o Espiritismo como sendo uma ciência de observação, com princípios próprios. Diante disso, que processo deve adotar o observador que deseje instruir-se na ciência espírita?
Aqueles que desejam instruir-se na ciência espírita devem resignar-se a seguir um processo diferente do utilizado pelas ciências em geral. Se julgam não poder fazê-lo senão aplicando seus próprios processos, farão melhor abstendo-se. A ciência espírita tem seus princípios. Aqueles que almejam conhecê-la devem conformar-se a eles. Em caso contrário não se podem dizer aptos a julgá-la. Esses princípios são os seguintes, no que concerne às perguntas de prova: 1º) Os Espíritos não são máquinas que fazemos mover à nossa vontade. São seres inteligentes que não fazem e não dizem senão o que querem e nós não podemos sujeitá-los aos nossos caprichos. 2º) As provas que desejamos ter de sua existência, de sua perspicácia e de sua identidade eles mesmos as dão, espontaneamente e de sua própria vontade, em muitas ocasiões; mas as dão quando querem e da maneira que querem. Cumpre-nos esperar, ver, observar, e essas provas não nos faltarão: é preciso pegá-las na passagem. Se quisermos provocá-las é, então, que elas nos escapam, e nisso os Espíritos nos provam sua independência e seu livre-arbítrio. Este princípio é, de resto, o que rege todas as ciências de observação. Que faz o naturalista que estuda os costumes de um animal, por exemplo? Segue-o em todas as manifestações de sua inteligência ou de seu instinto; observa o que se passa, mas espera que os fenômenos se apresentem; não pensa nem em provocá-los nem em desviar-lhes o curso; ele sabe, aliás, que, se o fizesse, não os teria mais em sua simplicidade natural. O mesmo se dá com respeito às observações espíritas. (Obra citada, cap. VIII, págs. 169 a 171.)
37. Os Espíritos familiares podem auxiliar-nos em nossas dificuldades e problemas?
Sim, em termos. Os Espíritos familiares, os que estão encarregados de velar por nós e que, pelo hábito que têm de nos seguir, estão identificados com as nossas necessidades e conhecem nossos problemas melhor do que nós mesmos. Eles podem, pois, nos esclarecer e, em muitas circunstâncias, o fazem de modo eficaz; mas sua assistência não é sempre patente e material; é, o mais das vezes, oculta. Auxiliam-nos por uma multidão de advertências indiretas que provocam e que, infelizmente, nem sempre levamos em conta, donde resulta que muitas vezes devemos queixar-nos de nós mesmos em nossas atribulações. Quando os interrogamos, eles podem, em certos casos, dar-nos conselhos positivos, mas, em geral, se limitam a mostrar-nos o caminho, recomendando-nos que não nos abalroemos, e têm, para isso, um duplo motivo. Primeiro, as tribulações da vida, se não são o resultado de nossos próprios erros, fazem parte das provações que devemos sofrer; eles podem ajudar-nos a suportá-las com coragem e resignação, mas não lhes pertence desviá-las. Em segundo lugar, se eles nos guiam pela mão, para evitar todos os escolhos, que faríamos do nosso livre-arbítrio? Seríamos como crianças colocadas em andadores até à idade adulta. Eles nos dizem: “Eis o caminho, segue a boa vereda. Eu inspirarei o que deves fazer de melhor, mas serve-te do teu juízo, como a criança se serve de suas pernas para andar”. (Obra citada, cap. VIII, págs. 172 e 173.)
38. Podem os Espíritos fazer predições sobre o futuro? 
Depende. A Providência foi sábia ocultando-nos o futuro. De que tormentos essa ignorância não nos poupa! Sem contar que, se o conhecêssemos, nos abandonaríamos como cegos ao nosso destino, abdicando toda iniciativa. Os próprios Espíritos não o conhecem senão em razão de sua elevação; eis por que os Espíritos inferiores, em seus sofrimentos, creem sofrer para sempre. Os que têm conhecimento do porvir não o revelam. Podem, quando muito, levantar uma ponta do véu que o cobre. Mas, então, fazem-no espontaneamente, porque julgam isso útil, nunca por solicitação nossa. O mesmo se dá relativamente ao nosso passado. (Obra citada, cap. VIII, pág. 173.)
39. Pode ser remunerado o exercício das faculdades mediúnicas? 
Não. Nada se prestaria mais ao charlatanismo e ao embuste do que semelhante prática. Se se têm visto falsos sonâmbulos, muito mais médiuns falsos se veriam, e só esta razão seria um motivo fundado de desconfiança. O desinteresse, ao contrário, é a resposta mais peremptória que se pode opor aos que não veem nos fatos espíritas senão uma hábil artimanha. Não há charlatanismo desinteressado! Ademais, como poderíamos supor que um Espírito de alguma elevação pudesse estar, a qualquer hora do dia, às ordens de um negociante de consultas e submetido às suas exigências para satisfazer a curiosidade do primeiro que chegasse? Conhece-se a aversão dos Espíritos por tudo quanto cheire a cupidez e egoísmo, bem como o pouco caso que fazem das coisas materiais. Poderíamos admitir que eles ajudassem a comerciar servindo de intermediários? Isso repugna o pensamento e seria preciso conhecer muito pouco a natureza do mundo espírita para crer que tal pudesse ocorrer. (Obra citada, cap. VIII, págs. 174 a 176.)
40. Por que Kardec propõe que, no estudo do Espiritismo, devemos começar pela teoria, deixando a experimentação para mais tarde? 
Os fenômenos da alçada da Química e da Física podem ser reproduzidos à vontade; pode-se, pois, fazê-los passar, gradualmente, diante dos olhos do aluno, partindo do mais simples para o mais complexo. O mesmo não se dá com os fenômenos espíritas: não os manejamos como uma máquina elétrica. É preciso tomá-los como se apresentam, pois não depende de nós determinar-lhes uma ordem metódica. Daí resulta que muitas vezes eles são ininteligíveis ou pouco concludentes para os principiantes e, portanto, podem causar admiração sem convencer. Pode-se evitar esse inconveniente seguindo uma marcha contrária, isto é, começando pela teoria, e esse é o processo que aconselhamos a toda pessoa que deseja honestamente se esclarecer. Pelo estudo dos princípios da ciência, princípios perfeitamente compreensíveis mesmo sem a experimentação prática, adquire-se uma convicção moral inicial que não necessita mais do que ser corroborada pelos fatos. Ora, como nesse estudo preliminar todos os fatos terão sido passados em revista e comentados, resulta disso que, quando os presenciarmos, mais facilmente os compreenderemos, qualquer que seja a ordem na qual as circunstâncias permitam observá-los. (Obra citada, cap. X, págs. 181 e 182.)



Observação:
Para acessar a Parte 4 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2019/12/instrucoes-praticas-sobre-as_12.html

  



Caso o leitor queira baixar o estudo completo – texto consolidado e questões objetivas – do livro “Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas”, clique neste link: http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/estudosespiritas/principal.html#ALLAN - e, em seguida, no verbete “Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas”.









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