domingo, 22 de dezembro de 2019




Desatenção e preguiça mental: desafios da modernidade

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
De Londrina-PR

Daniel Goleman, PhD em psicologia por Harvard, que publicou em 1996 o livro Inteligência Emocional, best-seller no mundo inteiro, lançou alguns anos depois a obra intitulada Foco, em que defende a importância da atenção e alerta para o desafio que consiste hoje em manter o foco nas nossas tarefas rotineiras e nos nossos projetos.
Sem academicismo e de leitura fácil, a obra baseia-se numa tríade de focos: o foco interno, o foco externo e o foco no outro, e tem como propósito ensinar como juntar os três para tirar o máximo de nossa capacidade de atenção.
"O nosso foco está continuamente lutando contra distrações, tanto internas quanto externas. A questão é: o que as nossas distrações estão nos custando?", questiona Goleman. "A atenção funciona como um músculo: pouco utilizada, ela definha; bem utilizada, ela melhora e se expande."
Com a revolução dos meios de comunicação, a consolidação da internet como ferramenta, os laptops, os smartphones, os tablets e a imensa quantidade de informação que nos é oferecida diariamente, é difícil realmente a quase todas as pessoas manter o foco. "A enxurrada de dados que nos atinge leva a atalhos desleixados, como selecionar e-mails pelo assunto, pular muitas das mensagens de voz, ler por alto mensagens e memorandos", diz Goleman. "Não é apenas que tenhamos desenvolvido hábitos de atenção que nos tornam menos eficientes, mas que o peso das mensagens nos deixa muito pouco tempo para simplesmente refletir a respeito do que elas realmente significam."
Na obra a que nos reportamos, ele afirma algo que muitos já haviam percebido: a geração que nasceu na frente do computador tem pouca capacidade de concentração e, consequentemente, tem dificuldade de manter o foco no que é essencial. Diante de tantas oportunidades de informação, educação e entretenimento, fica difícil pensar e refletir sobre tudo que nos chega aos olhos, o que restringe nossa visão e torna nossas mentes cada vez mais estreitas e incapazes dos saltos que só acontecem após momentos de reflexão e análise profunda.
Como exemplo dessa dificuldade, ele cita o relato feito por uma professora da oitava série que durante anos adotou o livro Mitologia, de Edith Hamilton. Segundo a autora, com o passar do tempo os alunos começaram a perder o interesse pela obra. "Eles dizem que a leitura é difícil demais, que as frases são complicadas demais, que é preciso muito tempo para se ler uma página", contou a educadora.
O problema, porém, não atinge apenas os mais jovens. Existe também a diminuição da atenção entre os adultos. Um professor de cinema ouvido pelo autor disse que se viu incapaz de ler mais de duas páginas por vez da biografia do diretor francês François Truffaut, um de seus cineastas favoritos.
Goleman alia seus conhecimentos de psicólogo a suas pesquisas na área de neurociência para explicar como nosso cérebro funciona, quais são os momentos nos quais permitimos que nosso foco se disperse e como evitar isso.
É provável que o excesso de informações contribua também para a expansão da chamada preguiça mental, a que J. Herculano Pires se referiu no seu livro Pedagogia Espírita.
A preguiça mental, que, segundo Herculano Pires, tem prejudicado a marcha do Espiritismo na Terra, é mencionada no livro Seareiros de Volta, obra mediúnica em que Ignácio Bittencourt (Espírito) informa que uma pesquisa realizada por Excelsos Dirigentes do Espiritismo nos planos superiores, intrigados com as dificuldades do avanço da Doutrina em nosso plano, revelou que, entre todas as causas que dificultam a marcha da Nova Revelação no mundo, destaca-se, em posição de relevo, a preguiça mental.
A conclusão da pesquisa confere visivelmente com o que se vê no meio espírita, dominado pelo comodismo, pela busca de proveitos pessoais, pela indiferença cultural e pelo desinteresse das pessoas em aplicar-se ao estudo sério e perseverante da Doutrina, algo que é, como sabemos, profundamente lamentável.




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