quinta-feira, 4 de novembro de 2021

 



A Gênese

 

Allan Kardec

 

Parte 16

 

Continuamos o estudo metódico do livro “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 36ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, conforme tradução feita por Guillon Ribeiro.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

121. Sem admitir os milagres, como dar ao povo uma ideia do poder de Deus?

Desejamos dar ao povo, aos ignorantes, aos pobres de espírito uma ideia do poder de Deus?

Mostremos seu poder na sabedoria infinita que preside a tudo, no admirável organismo de tudo o que vive, na frutificação das plantas, na apropriação de todas as partes de cada ser às suas necessidades, de acordo com o meio onde ele é posto a viver. Mostremos a ação de Deus na vergôntea de um arbusto, na flor que desabrocha, no Sol que tudo vivifica. Mostremos sua bondade na solicitude que dispensa a todas as criaturas, por mais ínfimas que sejam, na sua previdência, na razão de ser de todas as coisas, entre as quais nenhuma inútil se conta, no bem que sempre decorre de um mal aparente e temporário.

Façamos com que todos compreendam, principalmente, que o mal real é obra do homem e não de Deus. Não procuremos apavorá-los com o quadro das penas eternas, em que acabam não mais crendo e que os levam a duvidar da bondade do Criador. Antes, procuremos dar-lhes coragem, mediante a certeza de poderem um dia redimir-se e reparar o mal que hajam praticado.

Ensinemos a todos, por fim, a ler no livro da Natureza, constantemente aberto diante de nós; nesse livro inesgotável, em cada uma de cujas páginas se acham inscritas a sabedoria e a bondade do Criador. Todos, então, compreenderão que um Ser tão grande, que com tudo se ocupa, que por tudo vela, que tudo prevê, forçosamente dispõe do poder supremo. Então os homens serão verdadeiramente religiosos, racionalmente religiosos, muito mais do que acreditando em pedras que suam sangue ou em estátuas que piscam os olhos e derramam lágrimas. (A Gênese, cap. XIII, item 19.)

122. Que devemos entender por fluido cósmico universal?

O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza. Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele. Cada um desses dois estados dá lugar, naturalmente, a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo visível e ao primeiro os do mundo invisível. Uns, os chamados fenômenos materiais, são da alçada da Ciência propriamente dita, os outros, qualificados de fenômenos psíquicos, porque se ligam de modo especial à existência dos Espíritos, cabem nas atribuições do Espiritismo. (Obra citada, cap. XIV, item 2.)

123. Por que Kardec adotou a expressão fenômeno psíquico, em vez de fenômeno espiritual?

Diz o Codificador do Espiritismo que a denominação fenômeno psíquico exprime com mais exatidão o pensamento do que fenômeno espiritual, dado que esses fenômenos repousam sobre as propriedades e os atributos da alma, ou, melhor, dos fluidos perispiríticos, inseparáveis da alma. Essa qualificação os liga mais intimamente à ordem dos fatos naturais regidos por leis; pode-se, pois, admiti-los como efeitos psíquicos, sem os admitir a título de milagres. (Obra citada, cap. XIV, item 2, e "Nota" de Kardec, ao pé da página.)

124. Há fluidos que pertencem ao meio terreno?

Sim. Além dos elementos fluídicos do mundo espiritual, que escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea, existem fluidos tão intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio terreno. Em falta de observação direta, seus efeitos podem observar-se, como se observam os do fluido do ímã, fluido que jamais se viu, podendo-se adquirir sobre a natureza deles conhecimentos de alguma precisão. É essencial esse estudo, porque está nele a chave de uma imensidade de fenômenos que não se conseguem explicar unicamente com as leis da matéria.  (Obra citada, cap. XIV, item 4.)

125. De que é formada a atmosfera espiritual da Terra?

O ponto de partida do fluido universal é a pureza absoluta, da qual nada nos pode dar ideia. O ponto oposto é aquele em que ele se transforma em matéria tangível. Entre esses dois extremos, dão-se inúmeras transformações, mais ou menos aproximadas de um e de outro. Os fluidos mais próximos da materialidade, os menos puros, conseguintemente, compõem o que se pode chamar a atmosfera espiritual da Terra. É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados deste planeta haurem os elementos necessários à economia de suas existências. Por muito sutis e impalpáveis que nos sejam esses fluidos, não deixam por isso de ser de natureza grosseira, em comparação com os fluidos etéreos das regiões superiores. (Obra citada, cap. XIV, itens 5 e 8.)

126. A matéria tangível é realmente compacta?                      

Não. Ela é compacta somente em relação aos nossos sentidos. Prova-o a facilidade com que a atravessam os fluidos espirituais e os Espíritos, aos quais não oferece maior obstáculo do que o que os corpos transparentes oferecem à luz. (Obra citada, cap. XIV, item 6.)

127. Em que consiste o perispírito?

O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. O corpo carnal tem também seu princípio nesse mesmo fluido condensado e transformado em matéria tangível. No perispírito, porém, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. O corpo perispirítico e o corpo carnal têm, portanto, origem no mesmo elemento primitivo; ambos são matéria, ainda que em dois estados diferentes. (Obra citada, cap. XIV, itens 7 e 8.)

128. De que meio o Espírito extrai os elementos que formam seu perispírito? 

Do meio onde se encontra, é que o Espírito extrai seu perispírito, isto é, esse envoltório ele o forma dos fluidos ambientes. Resulta daí que os elementos constitutivos do perispírito naturalmente variam, conforme os mundos. Emigrando da Terra, o Espírito deixará aí o seu invólucro fluídico e tomará outro apropriado ao mundo onde vai habitar. Resulta disso este fato capital: a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda. O mesmo já não se dá com o corpo carnal, que, como foi demonstrado, se forma dos mesmos elementos, qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade do Espírito. Por isso, em todos, são os mesmos os efeitos que o corpo produz e semelhantes as necessidades, ao passo que diferem em tudo no que respeita ao perispírito. (Obra citada, cap. XIV, itens 8 e 10.)

 

 

Observação: Para acessar a Parte 15 deste estudo, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2021/10/blog-post_28.html

 

 

 

 

 

 

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