quinta-feira, 4 de junho de 2020



O Livro dos Espíritos

Allan Kardec

Parte 24

Estamos publicando neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – dos 8 principais livros de Allan Kardec. Os textos são publicados neste blog sempre às quintas-feiras.
Concluído o estudo dos 2 primeiros livros, prosseguimos nesta data o estudo de O Livro dos Espíritos, cuja edição inicial se deu em Paris, França, no dia 18 de abril de 1857.  
Eis as questões de hoje:

185. Quando um bom Espírito vê seus familiares mais queridos padecendo tristezas e sofrimentos cruéis, esse fato lhe perturba a felicidade? 
O fato não constitui para os bons Espíritos motivo de aflição, porque consideram de outro ponto de vista os nossos sofrimentos. Eles sabem que estes são úteis ao nosso progresso, se os suportarmos com resignação. Afligem-se, portanto, muito mais com a falta de ânimo que nos retarda do que com os sofrimentos considerados em si mesmos, todos eles passageiros. (O Livro dos Espíritos, questões 976 e 976-A.)
186. Que acontece ao indolente que busca na vida terrena apenas o descanso e o lazer, nada fazendo de útil ao semelhante? 
Talvez essa pessoa tenha escolhido tal existência, mas, quando a deixa, percebe que não lhe serviu para progredir. Então, lamenta o tempo perdido. Sabe-se que o Espírito não pode adquirir conhecimentos e elevar-se senão exercendo as atividades que lhe competem. Se adormece na indolência, não se adianta. Sabe-se também que cada um terá que dar contas da inutilidade voluntária de sua existência, inutilidade sempre fatal à felicidade futura. Para cada um, o total dessa felicidade futura corresponde à soma do bem que tenha feito, estando o da infelicidade na proporção do mal que haja praticado e daqueles a quem haja desgraçado. (Obra citada, questão 988.)
187. Sabemos que o arrependimento pode dar-se tanto no estado corporal, quanto no estado espiritual. Quais as consequências do arrependimento no estado espiritual e quais as consequências quando ele se dá no estado corporal?
A consequência do arrependimento no estado espiritual é desejar o arrependido uma nova encarnação para se purificar. Se o arrependimento se dá no estado corporal, o indivíduo procura progredir já na existência atual, se tiver tempo de reparar suas faltas. Quando a consciência o exprobra e lhe mostra uma imperfeição, o homem pode sempre melhorar-se. (Obra citada, questões 990 a 992. Ver também itens 999 e 1.002.)
188. A expiação se cumpre no estado corporal ou no estado espiritual?
Em ambos os estados. A expiação se cumpre durante a existência corporal mediante as provas a que o Espírito se acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais, inerentes ao seu estado de inferioridade. (Obra citada, questões 998, 1.004, 1.006, 1.008 e 1.009.)
189. Basta o arrependimento para que as faltas do Espírito se apaguem? 
Não. O arrependimento concorre para a melhoria do Espírito, mas ele tem que expiar o seu passado. Mas não pensemos que o resgataremos mediante algumas privações pueris, ou distribuindo em esmolas o que possuímos, depois que morremos, quando de nada mais precisamos. Deus não dá valor a um arrependimento estéril, sempre fácil, e que apenas custa o esforço de bater no peito. A perda de um dedo mínimo, quando se esteja prestando um serviço, apaga mais faltas do que o suplício da carne suportado durante anos, com objetivo exclusivamente pessoal. Somente por meio do bem se repara o mal, e a reparação nenhum mérito apresenta, se não atinge o homem nem no seu orgulho, nem nos seus interesses materiais. (Obra citada, questões 999, 1.000, 1.002 e 1.007.)
190. Qual é, segundo Paulo de Tarso (Espírito), o objetivo final da Humanidade e que coisas são necessárias para alcançá-lo? 
Gravitar para a unidade divina, eis o objetivo final da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a Justiça, o Amor e a Ciência, e três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça. (Obra citada, questão 1.009, mensagem assinada por Paulo, apóstolo.)
191. Como o Espiritismo trata o dogma da ressurreição da carne? 
Esse dogma é, segundo o Espiritismo, a consagração da reencarnação, doutrina consentânea com a justiça de Deus, porque só ela explica o que, sem ela, é inexplicável. Se tomarmos ao pé da letra a ideia de ressurreição da carne, ou seja, a hipótese de que alguém que morreu possa um dia reviver com o mesmo corpo, temos de reconhecer, em primeiro lugar, que a Ciência demonstra a impossibilidade disso, visto que um corpo reduzido a pó jamais pode reconstituir-se e servir de novo à vida. Racionalmente, pois, não se pode admitir a ressurreição da carne senão como uma figura simbólica do fenômeno da reencarnação. (Obra citada, questões 1.010 e 1.011.)
192. Autores desencarnados têm-se referido em suas obras ao Umbral e às Trevas. Há, pois, lugares circunscritos, como o céu, o inferno e o purgatório, para as penas e gozos dos Espíritos, conforme seus merecimentos? 
Não. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça. E como eles estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa. Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme é mais ou menos adiantado o mundo em que habitam. O inferno e o paraíso são simples alegorias. Por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos. Entretanto, conforme também já dissemos, os Espíritos de uma mesma ordem se reúnem por simpatia; mas podem reunir-se onde queiram, quando são perfeitos. (Obra citada, questões 1.012, 1.013, 1.014, 1.016 e 1.017.)


Observação:
Para acessar a Parte 23 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/05/o-livro-dos-espiritos-allan-kardec_28.html





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