quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

 



O Evangelho segundo o Espiritismo

 

Allan Kardec

 

Parte 5

 

Prosseguimos o estudo metódico de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, terceira das obras que compõem o Pentateuco Kardequiano, cuja primeira edição foi publicada em abril de 1864.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Caso o leitor queira ter em mãos o texto consolidado dos estudos relativos à presente obra, para acompanhar, pari passu, o presente estudo, basta clicar em http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/estudosespiritas/principal.html#ALLAN e, em seguida, no verbete "O Evangelho segundo o Espiritismo”.

Eis as questões de hoje: 


33. Quais as causas das vicissitudes da vida?

De duas espécies são as vicissitudes da vida. Umas têm sua causa na atual existência; outras, fora dela. Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam. Há, contudo, males aos quais, pelo menos na aparência, o indivíduo é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade, tais por exemplo a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da família, os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir, os reveses da fortuna, os flagelos naturais, as enfermidades de nascença. No entanto, em virtude do axioma segundo o qual todo efeito tem uma causa, tais males são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Como a causa precede o efeito, se ela não se encontra na atual existência, há de ser anterior a ela, isto é, há de estar numa existência precedente. (O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo V, itens 4 e 6; ver também o item 21 do cap. VIII.)

34. As tribulações da vida são impostas ou escolhidas pelo próprio Espírito?

As tribulações podem ser impostas a Espíritos endurecidos, ou extremamente ignorantes, para levá-los a fazer uma escolha com conhecimento de causa. Os Espíritos penitentes, porém, desejosos de reparar o mal que hajam feito e de proceder melhor, as escolhem livremente. Tal o caso de alguém que, havendo desempenhado mal sua tarefa, pede que lhe deixem recomeçá-la, para não perder o fruto do seu trabalho. (Obra citada, capítulo V, item 8.)

35. Qual é o objetivo das provas?

Nem todo sofrimento suportado neste mundo denota a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir sua depuração e ativar seu progresso. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação. Provas e expiações são, todavia, sinais de relativa inferioridade, porquanto o que é perfeito não precisa ser provado. Pode, pois, um Espírito haver chegado a um certo grau de elevação e, desejoso de adiantar-se mais, solicitar uma missão, uma tarefa a executar, pela qual tanto mais recompensado será, se sair vitorioso, quanto mais rude haja sido a luta. Eis aí o objetivo das provas. (Obra citada, capítulo V, itens 8, 9, 19 e 26.)

36. Que resultados decorrem da maneira de se ver a vida do ponto de vista espírita? 

O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração do sofrimento. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito, compreende-lhe a curteza e reconhece que esse penoso momento terá rapidamente passado. A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar. Dessa maneira de considerar a vida resulta diminuída a importância das coisas deste mundo e o homem sente-se compelido a moderar seus desejos, a contentar-se com sua posição, sem invejar a dos outros, a receber atenuada a impressão dos reveses e das decepções que experimente. Daí tira ele uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo quanto à da alma, ao passo que com a inveja, o ciúme e a ambição, voluntariamente se condena à tortura e aumenta as misérias e as angústias de sua curta existência. (Obra citada, capítulo V, itens 13 e 22.)

37. Segundo o Espiritismo, em que consiste a verdadeira infelicidade? 

Para julgarmos qualquer coisa, precisamos ver-lhe as consequências. Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para além desta vida, porque é lá que as consequências se fazem sentir. Ora, tudo o que se chama infelicidade, segundo as acanhadas vistas humanas, cessa com a vida corporal e encontra sua compensação na vida futura. A infelicidade verdadeira é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro. A infelicidade é o ópio do esquecimento que os homens ardentemente procuram. A esse respeito, disse-nos um amigo espiritual: “Esperai, vós que chorais! Tremei, vós que rides, pois que o vosso corpo está satisfeito! A Deus não se engana; não se foge ao destino; e as provações, credoras mais impiedosas do que a matilha que a miséria desencadeia, vos espreitam o repouso ilusório para vos imergir de súbito na agonia da verdadeira infelicidade, daquela que surpreende a alma amolentada pela indiferença e pelo egoísmo”. (Obra citada, capítulo V, item 24.)

38. Devemos abrandar a expiação de nossos irmãos em sofrimento?

Sim. Ajudar-nos mutuamente nas nossas respectivas provações, esse é o nosso dever. Todos nós, sem exceção, devemos esforçar-nos por abrandar a expiação dos nossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade. (Obra citada, capítulo V, item 27.)

39. A eutanásia é aceita pelo Espiritismo? 

Não, em hipótese nenhuma. O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Recomenda-nos São Luís: “Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro”. (Obra citada, capítulo V, item 28.)

40. Qual o papel do Espiritismo em sua feição de Consolador prometido por Jesus?

Conforme as palavras de Jesus (João, 14:15 a 17 e 14:26), o Consolador ficaria eternamente conosco, nos ensinaria todas as coisas e nos faria recordar tudo quanto ele próprio nos disse. Para cumprir a profecia e exercitar esse papel, o Espiritismo chama os homens à observância da lei; ensina-nos todas as coisas, fazendo-nos compreender o que Jesus só disse por parábolas; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios e, finalmente, vem trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao revelar que há uma causa justa e um fim útil em todas as dores.

Disse Jesus: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados." Mas como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia seu passado, e explica o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende, então, que merece sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até o termo do caminho. (Obra citada, capítulo VI, itens 3 e 4.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 4 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/12/o-evangelho-segundo-o-espiritismo-allan_10.html

 

 

 

 

 

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